O homem e a mancha

O homem e a mancha

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Abraços partidos




Pedro Almodóvar é um dos diretores de cinema mais prestigiados de nossos dias. Um novo filme seu cria uma grande expectativa, que por vezes não atinge totalmente o qua esperamos dele. Se em obras como Tudo sobre minha mãe (1999), Fale com ela (2002), Má educação (2004) e Volver (2006) o diretor espanhol atingiu grande estaturas, com filmes como Abraços partidos (2009) o mesmo não acontece.
Abraços partidos é um filme com bem pouco daquele humor amargo que nos acostumamos a admirar. As tramas policialescas que Almodóvar tanto admira, herdeiras do film noir, estão presentes na nova produção, bem como a homenagem ao melodrama de revelações surpreendentes. No entanto, se nos filmes anteriores essa mistura funcionava muito bem, aqui o ritmo e o interesse caem em muitos momentos. Já li, de um crítico, que esse filme, também estrelado por Penélope Cruz, marca uma mudança no cinema almodovariano: mais sério, mais maduro, autorreferencial. Há, inclusive, uma grande citação ao seu grande sucesso Mulheres à beira de um ataque de nervos (1988), filme que o tornou mundiamente conhecido. Toda uma sequência, ao final do filme, é praticamente uma refilmagem daquele extravagante obra estrelada pela ex-musa Carmen Maura, aqui interpretada por Penélope Cruz.
Mesmo os filmes menores dos grandes autores têm que ser vistos, pois dão uma amostra do universo criado por eles. Claro que a vontade é assistir a obras-primas sucessivas, mas isso é praticamente impossível: há que se permitir o escorregar e levantar dos artistas. Com o teatro é o mesmo. Dramaturgos, encenadores, atores, todos têm seus bons e menores momentos. Temos que ser menos intransigentes e compreender que arte não é fórmula, tudo afeta sua feitura.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Um violinista no telhado

Assisti, com meu elenco do Mães & Sogras, a um dos musicais mais estimados do cinema norte-americano. Um violinista no telhado (Fiddler on the roof) é uma produção de 1971, dirigida por Norman Jewison, que tem lugar em uma aldeia na Rússia do começo do século XX. A convivência dos judeus nesta aldeia e seu dia-a-dia são o foco do filme, que é muito querido pela comunidade judaica por mostrar os hábitos cotidianos desse povo tão sofrido. Com algumas canções muito conhecidas, entre elas If I were a rich man e Matchmaker, matchmaker, a produção é baseada em uma peça de teatro, que volta e meia é montada pelo mundo, especialmente nos EUA.
Adoro musicais, e ver um deste porte, com tão belo acabamento, é um prazer. Foi possível, na busca por material para nossa encenação, perceber algumas ações que poderemos aproveitar por aqui. Abaixo um link com uma das cenas mais conhecidas do filme, onde o ator Topol interpreta um patriarca judeu em busca de respostas para um questão: por que não pode ser rico?

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Avatar


Lançado neste final de 2009, com a expectativa de se tornar um novo divisor de águas na história do cinema, o filme Avatar, de James Cameron, de fato apresenta inovações tecnológicas inéditas. Assisti ao longa em 3D, o que proporciona uma experiência ainda mais interativa. A perfeição alcançada pelas expressões faciais e corporais das personagens criadas digitalmente impressiona, e a comparação com filmes mais antigos que utilizam uma tecnologia semelhante é até injusta.
Cameron é um diretor visionário, que costuma criar engenhocas e equipamentos especialmente para serem utilizados em suas produções. Já fôra assim com seu filme anterior, Titanic, de 1997. Da mesma forma, com O exterminador do futuro 2O segredo do abismo, o diretor apresentou imagens nunca antes vistas nas telas. É, de fato, Avatar uma nova maneira de lidar com efeitos especiais: as figuras recriadas digitalmente ocupam a maioria do tempo do filme, ainda que atores de carne e osso tenham vez (Sigourney Weaver, a musa da série Alien, cujo segundo episódio, Aliens, o resgate, foi dirigido por Cameron em 1986, dá as caras aqui também).
Em relação à história que serve de pretexto para a profusão de efeitos inovadores, pode-se dizer que é politicamente corretíssima, já que tem como principal foco de conflito a exploração do meio ambiente por motivos econômicos. Mas não é só isso: os Navi, povo gigantesco que vive em tribo na lua chamada Pandora, são, sucessivamente, representados de forma a lembrarem, nitidamente, o povo norte-americano - em alguns momentos -, e, por outro lado, justamente os povos dominados pelo poderio bélico norte-americano, como vietnamintas ou iraquianos. Explico melhor: em uma cena, uma grande árvore sagrada dos Navi é destruída por um ataque americano, e a destruição dessa árvore é uma clara citação à queda das Torres Gêmeas - nesse caso, os americanos representam os terroristas, e os Navi, os nova yorkinos. Em outros momentos, a sanha de exploração do exército do filme, que não mede esforços para destroçar o povo indefeso com armas poderosas, lembra os ataques do exército yankee ao Vietnã ou ao Iraque: não havia equiparação bélica, e mesmo assim, eles foram inclementes. Nesses momentos, os Navi são os vietnamitas, e os americanos representam a si próprios.
Cameron defende seu ponto de vista de forma digna, ainda que esquemática e previsível. Mas não é um filme para se reclamar, e sim para se admirar.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Peter Brook


Em seu livro de memórias Fios do tempo (Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2000), o inglês Peter Brook, maior diretor de teatro vivo, escreve, na página 85:
Descobri que, no resto do teatro, nenhuma tática violenta ou agressiva tem a mais remota chance de produzir bons resultados. Nas raras ocasiões em que perdi o meu bom humor, intimidei ou levei um ator às lágrimas, arrependi-me profundamente. Uma atriz francesa uma vez me contou de um diretor que comia sanduíches ruidosamente e amassava o pacote de papel durante as suas cenas, apenas para criar um clima de irritação, de modo que, dos nervos fragilizados, algo inesperado pudesse explodir. Esse método poderia funcionar com ele, mas, em minha experiência, a tensão e o atrito em ensaios nunca ajudaram ninguém - apenas a grande confiança, calma e tranquila, pode trazer à tona o mais leve lampejo de criatividade.

Contagem regressiva


A menos de um mês da estreia de Solos trágicos, o novo espetáculo dirigido pelo Roberto Oliveira no Depósito de teatro, as expectativas são muitas, assim como é pequeno o tempo para alinhavar todas as pontas que faltam para tornar a peça uma unidade artisticamente coerente. Não tenho dúvidas de que isso acontecerá, e na nossa primeira apresentação pública, no dia 22 de janeiro, teremos chegado a um resultado satisfatório, mesmo sabendo que a peça se transformará com o decorrer das apresentações.
Na foto acima, pode ser visto o local em que ocorrerão as apresentações, ao lado da Usina do Gasômetro, ao ar livre. O espaço, na foto, ainda está sem a cenografia e sem a infra-estrutura, mas dá para ter uma ideia. Na outra foto, eu, em ensaio na sala 402 da Usina.
O que é instigante em Solos trágicos é a reunião de autores tão brilhantes em um mesmo espetáculo. Fragmentos de Eurípides, Sófocles, Ésquilo, Shakespeare, Nelson Rodrigues e Michel Azama, em algumas de suas melhores criações, como Agamemnon, Ifigênia, Etéocles, Antígona, Electra, Hamlet, Ofélia, Macbeth, Lady Macbeth, Misael e Moema povoam esse mundo que criamos, após uma catástrofe natural.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Doutorado


As boas notícias estão chegando juntas!
Ontem confirmei a aprovação do meu projeto no Doutorado em Letras da PUCRS. A partir de março inicio o curso, com duração de quatro anos. Minha tese, que será orientada pela professora Dra. Maria Tereza Amodeo, tem o título de Estratégias da comicidade: a poética do riso nas comédias teatrais de Ivo Bender.
Sempre gostei muito de estudar, e mesmo nas ocasiões em que não estava cursando nenhuma graduação ou pós, estudava por conta própria as coisas que me interessavam. Agora, voltando aos bancos acadêmicos, tenho certeza de que terei muitas leituras e conversas prazerosas (é claro que nem tudo é um néctar, mas é preciso sorvê-lo, às vezes em lugares inusitados).
2010, antes de começar, já está me dando muitas alegrias!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Prêmio de Pesquisa do Teatro de Arena


Recebemos a grande notícia de que fomos contemplados com o Prêmio de Incentivo à Pesquisa Teatral do Teatro de Arena de Porto Alegre!
Foram selecionados dois projetos para ocupar o Arena em 2010, que receberão uma verba de R$ 22.000,00 cada um. Nós da Cia. de Teatro ao Quadrado teremos o Arena durante todo o 2º semestre de 2010, com o projeto Teatro do Absurdo 60 anos, cujo carro-chefe é a montagem do espetáculo A lição, de Eugène Ionesco. Além disso, leituras dramáticas e oficinas gratuitas movimentarão aquele espaço que tanto adoramos!
Ficamos muito felizes em ter reconhecida nossa proximidade e identificação com o Arena, espaço para o qual já montamos algumas de nossas peças: A secreta obscenidade de cada dia (2002), Escola de mulheres (2004) e Goela abaixo ou Por que tu não bebes? (2005).
Além do nosso projeto, foi selecionado o novo trabalho de Camilo de Lélis, grande diretor gaúcho que anda meio sumido de nossos palcos. Durante o 1º semestre, ele invadirá o Arena com seu projeto Corpo - comida - capitalismo - ansiedade - depressão: MILKSHAKESPEARE.
Milkshakespeare é um texto teatral do Júlio Zanotta Vieira, e o conheço bem porque fiz uma leitura dramática dele em 2006, com direção do Decio Antunes, no Studio Stravaganza. Uma enlouquecida mistura de Hamlet, Macbeth e outros baratos: é a cara do Camilo! Tenho certeza que será um lindo trabalho!

sábado, 19 de dezembro de 2009

Sacra folia dia 22 na Praça da Matriz



Nesta terça-feira, dia 22 de dezembro, às 19h, o espetáculo de teatro de rua Sacra folia, da Cia. Stravaganza, será apresentado no Centro de Porto Alegre, na Praça da Matriz, desejando um Feliz Natal a todos.
Dirigido por Adriane Mottola, a peça tem texto de Luís Alberto de Abreu, e já está há anos em cartaz, desde sua estreia em 2002. No elenco: eu, Lauro Ramalho, Fernando Kike Barbosa, Sofia Salvatori, Rodrigo Mello, Vinícius Petry, Geórgia Reck, Janaina Pelizzon e Adelino Costa.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Mães e sogras já tem data de estreia


Já temos definida a data de estreia do novo espetáculo da Cia. de Teatro ao Quadrado: Mães e sogras estreará no dia 9 de abril de 2010, cumprindo temporada às sextas, sábados e domingos, até 2 de maio, no Teatro Bruno Kiefer da Casa de Cultura Mario Quintana.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Bodas de sangue


Saiu hoje na Contracapa da Zero Hora, a primeira divulgação de Bodas de sangue.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Locomoc e Millipilli


Esses dias estava conversando com o Roberto Oliveira, e ele me perguntou se eu já havia feito teatro infantil. Eu disse a ele que sim, apenas dois espetáculos. Apesar de gostar de assistir, não gosto muito de fazer como ator - pelo horário, principalmente. No entanto, já fui jurado do Prêmio Tibicuera várias vezes, neste ano de 2009, inclusive.
Esta imagem é do segundo e último infantil que fiz, em 2005. Texto alemão, de Rainer Hochfeld e Volker Ludwig, direção da Luciana Éboli e no elenco eu, Margarida Leoni Peixoto, Alexandre Scapini, Elisa Viali, Felipe de Paula e José Alessandro. Vencemos quase todos os prêmios Tibicuera daquele ano: melhor espetáculo, direção, atriz coadjuvante (Margarida), ator coadjuvante (Felipe), cenário (Daniel Lion) e figurino (Daniel Lion), além do prêmio do júri popular.
Em janeiro serão divulgados os indicados ao Prêmio Tibicuera de 2009, que já foram escolhidos, mas ainda não posso divulgar. Em um ano com apenas 12 espetáculos concorrentes, conseguimos indicar os melhores em cada categoria, para depois, em março, na cerimônia de entrega dos troféus, escolher os vencedores.

Santa Teresinha


Um amigo nosso mandou essa foto de Santa Teresinha, francesa que vivou entre 1873 e 1897. A foto é muito nítida, nem parece ter mais de cem anos. Não é impressionante a semelhança com a Margarida Leoni Peixoto? Estou casado com uma santa e não sabia. Será que estou cometendo alguma heresia?

Toda forma de amor estreia terça



A criação de um espetáculo é sempre um salto no vazio. Quando se começa a ensaiar um novo trabalho, muitas vezes não se tem nada concreto: nem texto, nem cenário, nem figurinos, nem trilha sonora. Nem mesmo a atuação dos atores se concretizou, tudo é potência, tudo é vir-a-ser. Há, porém, algo que, mesmo sendo o menos concreto de todos os elementos, é aquele que dá toda a base, que funciona como um alicerce sobre o qual se constrói a peça: a vontade de fazer e de acertar.
Em agosto de 2009, um grupo de 24 atores se reuniu em torno de uma ideia: falar sobre o amor. E esse discurso sobre o amor se fragmentaria em várias cenas diferentes, que tentariam abarcar muitas das máscaras que o sentimento de Eros veste.
O texto foi chegando, os atores tomando conhecimento de qual das peças desse tabuleiro teriam como missão interpretar. Como em um jogo de xadrez, os movimentos no início são contidos, estudados, calculados. Aos poucos dominamos a técnica, e ousamos um pouco mais nas jogadas, sempre tendo em vista o objetivo final que é conquistar o Rei. Pelo caminho, alguns peões são sacrificados, e são eliminadas algumas das peças que não podem mais fazer parte do jogo (a insegurança, o medo de se expor).
Chegamos agora ao final do jogo. O cara a cara com o público, que dá sentido ao que fazemos, e transforma essa partida em um delicioso e assustador confronto. Ressalva seja feita: o final do jogo é, também, o começo do verdadeiro jogo, mais profundo, mais intenso. Ao nos depararmos com os espectadores, nos esforçamos em mostrar belas jogadas, com ou sem efeito, mas sempre com muita emoção, muita verdade, muito amor.
Este espetáculo que vocês agora assistirão é nosso presente a todos aqueles que acreditam que o teatro tem o poder de transformar a quem vê e a quem faz.
Esse texto acima consta do programa do espetáculo que fará três apresentações, de 15 a 17 de dezembro, às 21h, no Centro Cultural da Cia. de Arte (Andradas, 1780). Os ingressos estão praticamente esgotados.
Direção da Margarida Leoni Peixoto com texto meu.
Na foto acima, os atores Ohana Homem, Mafalda Guerreiro da Costa e Lorenzo Baroni Fontana.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Rodrigo Lopes: profissão cenógrafo


Rodrigo Lopes, nosso cenógrafo em Mães e sogras, já trabalhou com os principais diretores de teatro de Porto Alegre. Uma amostra de suas criações: A fonte, de Luiz Arthur Nunes (1988); Bella ciao, de Néstor Monastério (1989); Sonata da solidão, de Miriam Amaral (1990); Hospede a primavera em sua casa, de Luiz Paulo Vasconcellos (1990); Pois é, vizinha, de Deborah Finocchiaro (1994); A escova de dentes, de Ramiro Silveira (1996); O bandido e o cantador, de Patrícia Fagundes (1996); 1941, de Decio Antunes (1996); Conto de inverno, de Irion Nolasco (1996); Os saltimbancos, de Ronald Radde (1998); À margem da vida, de Camilo de Lélis (1998); Un beso, un abrazo, un apretón de manos, de Luciano Alabarse (1998); As traças da paixão, de Élcio Rossini (1999); Solos em cena, de Maria Helena Lopes (2000) e Trem-bala, de Irene Brietzke (2000).
O Rodrigo teve o prazer de trabalhar com a equipe do Peter Brook, quando estiveram no Brasil dois de seus espetáculos: em 2002, La Tragedie d'Hamlet, e em 2004, Tierno Bokar. Também fez parte da equipe de 4:48 Psychose, com a atriz Isabelle Huppert.
De prêmios, o cara está cheio: recebeu o Açorianos de Melhor Cenografia em 1996 (1941) e 1999 (As traças da paixão).
Recebeu o Tibicuera de Melhor Cenografia em 1996 (Conto de inverno), 1997 (A bela e a fera) e 1998 (Os saltimbancos).
E até no cinema o Rodrigo já foi premiado: em 2003, recebeu o Troféu Candango de Melhor Direção de Arte de Longa Metragem em 35mm no Festival de Cinema de Brasília, por A festa de Margarete.
Por tudo isso, dá para ver que estamos com o que de melhor poderíamos ter na cenografia de nosso novo trabalho. É um prazer trabalhar com esse grande profissional.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Rafael Ferrari está conosco


O Rafael Ferrari, jovem em idade mas com uma carreira já consolidada, fará parte de nosso espetáculo, Mães e sogras, em uma dupla função. Eu o convidei para musicar algumas canções que escrevi, que farão parte da trilha sonora da peça. Além disso, ele executará ao vivo essas composições. E o mais legal é que também o convenci a estrear como ator: ele fará parte do elenco, interpretando o tão amado filho da protagonista. Quando disse a ele que suas funções no espetáculo seriam ampliadas, imagino que um frio na barriga tomou conta dele, mas como artista/corajoso, aceitou. Bem vindo Rafael, estamos muito felizes por tê-lo conosco! A seguir algumas informações sobre ele:

Multi-instrumentista, compositor, arranjador e professor, o autodidata Rafael Ferrari aprimorou seus conhecimentos com os mestres Daniel Sá, Maurício Carrilho e Roberto Gnattali. É pioneiro no Rio Grande do Sul e um dos poucos no Brasil a tocarem o bandolim de 10 cordas, introduzido na música brasileira pelo baiano Armandinho Macedo na década de 80 e renovado pelo carioca-brasiliense Hamilton de Holanda nos últimos anos. Ele domina, ainda, os violões de seis e sete cordas, cavaquinho, violinha tenor e a bandarra (guitarra baiana).
Vencedor do Prêmio Açorianos de Música edição 2008 como melhor compositor pelo disco Noves Fora com a Camerata Brasileira, pioneiro no Rio Grande do Sul com o bandolim de 10 cordas, foi ganhador do prêmio de 2º lugar no 38º Festival “A Barranca” edição 2009, tocando ao lado de Mário Barbará. Além da carreira solo, Rafael Ferrari é co-fundador da Camerata Brasileira, grupo ligado ao movimento choro-novo, e cujo currículo inclui os elogiados discos Deixa Assim e Noves Fora, e excursões pelo Brasil e exterior, incluindo participações nos eventos Feira da Música (Fortaleza/CE), Cena Musical.BR (Olinda/PE) e Diálogos – Ponto de Cultura (Recife/PE) e nos festivais Guitarra e Luz (Assunción/Paraguai) e 11º Cubadisco (Havana/Cuba) tendo sido, neste último, premiado como um dos principais destaques. Através do projeto Natura Musical, tocou ao lado de nomes como Yamandu Costa e Paulo Moura, em Porto Alegre foi convidado pelo Grupo Chora Mundo (Holanda) para show no Santander Cultural em 2007, teve uma de suas composições - Indiada Jônibus - incluída em CD com trabalhos classificados para a grande final do 9º Festival de Música de Porto Alegre e participou das gravações dos discos de Luciano Zanatta, Mateus Mapa, Otávio Segala e Marcelo Birck.
Ano passado participou da trilha sonora da montagem Édipo, da tragédia de Sófocles, com o diretor Luciano Alabarse, e, do mesmo encenador, em 2009, Platão dois em um. Também participou da Ópera do Malandro, de Chico Buarque de Holanda, dirigida por Ernani Poeta, como Diretor Musical, assinando os arranjos e tocando bandolim 10 cordas e cavaquinho.
Ajudou, ainda, a idealizar e produzir, a partir de 2003, as comemorações do Dia Nacional do Choro em Porto Alegre, iniciativa que já apresentou grandes nomes da música instrumental gaúcha e brasileira para um total de mais de 10 mil espectadores.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Toda forma de amor


De 15 a 17 de dezembro, às 21 horas, no Centro Cultural da Cia. de Arte (Andradas, 1780), estará em cartaz o mais novo trabalho da Oficina de Montagem de Espetáculo da Cia. de Teatro ao Quadrado. Como ocorre desde 2002, a direção é da Margarida Leoni Peixoto e o texto é meu. Desta vez, o tema é o amor, e como não poderia deixar de ser, o espetáculo se chama Toda forma de amor.
24 alunos-atores dão vida a personagens em doze cenas que tentam abraçar esse sentimento tão complexo, nem sempre bonito, muitas vezes dolorido.
Os quatro atores acima são Mafalda Panattieri, Luiz Heitor Chanan, Ohana Homem e Lorenzo Fontana.
Eu estava brincando que sou, atualmente, o dramaturgo mais encenado em nossa cidade: já escrevi dez peças para a Margarida montar com seus alunos. Nem Shakespeare foi tão encenado em Porto Alegre (brincadeira, pessoal, se tem uma coisa que eu não sou é megalomaníaco!).
Em tempo: a linda foto acima é do Marcelo Sbabo, marido de uma das talentosas alunas do espetáculo, a Gabriela.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Dídi Jucá, nossa artista gráfica


Hoje encontrei com nossa artista gráfica preferida, Dídi Jucá, com quem já trabalhamos juntos para criar a arte de O médico à força. A Dídi faz o material gráfico de vários espetáculos em Porto Alegre, e é uma das responsáveis pelo visual da revista Things Mag (http://www.thingsmag.com.br/). Uma pessoa adorável, com quem é um prazer trabalhar e trocar ideias. Já começamos a elaborar a identidade visual de Mães e sogras.
Momento merchandising: se você está atrás de alguém para fazer seu material gráfico, Dídi Jucá é a resposta! Eu disse: Dídi Jucá! didijuca@gmail.com

domingo, 29 de novembro de 2009

Primeiras imagens de Mães e sogras



Neste domingo fizemos algumas fotos de pré-divulgação para nosso novo espetáculo, Mães e sogras. Nossa amiga Cláudia Ludwig, uma das proprietárias do Café Santo da Casa, que fica no sétimo andar da Casa de Cultura Mario Quintana, nos permitiu gentilmente fotografar em suas dependências.
Júlio Appel, um dos melhores fotógrafos atualmente em atividade no Rio Grande do Sul, é o autor dessas imagens aí acima. Na primeira delas, a partir da esquerda, Naiara Harry, Margarida Leoni Peixoto, Carla Gasperin e Cláudia Lewis, comigo na retaguarda.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Moacyr Scliar e Mães e sogras



Dia 19 iniciamos os ensaios do novo espetáculo da Cia. de Teatro ao Quadrado, direção minha para o texto inédito de Leandro Sarmatz. Como a peça trata, entre outras coisas, do universo judaico, convidei nosso imortal Moacyr Scliar para escrever um texto sobre Mães e sogras. Scliar, muito gentilmente, se dispôs a colaborar, apesar de sua agenda extensíssima. Começamos muito bem nosso promissor processo de ensaios!

domingo, 22 de novembro de 2009

Noite


Neste sábado, fomos ao badalado Café Segredo, na Lima e Silva, reduto da noite de Porto Alegre. A convite de nosso amigo e afilhado Donatto Oliveira, que completava 28 anos na virada para o domingo, aceitamos conhecer esse lugar e comemorar com ele mais um ano. Foi legal encontrar ele e outros amigos no barulhento night club, mas cada vez mais me convenço que não tenho muita paciência para esses ambientes onde há muito barulho e pouco espaço para conversar. Houve um tempo em que eu gostava muito de sair e dançar a noite toda. Ainda aprecio música e dança, em menores doses, mas o que realmente me cativa atualmente é conversar com as pessoas de que gosto, bebendo em um bar ou na casa de alguém. Acredito que isso seja uma consequência natural da maturidade (apesar de saber que algumas pessoas mantêm essa verve festeira por toda a vida, mas a regra geral é que acalmem-se os ânimos e aprecie-se muito mais o contato próximo e as ideias das pessoas). Saliento que continuo amando a noite, e para mim é durante a madrugada que me sinto melhor, em casa, lendo, ou conversando, no silêncio. A badalação que me interessa é a ligada à arte em geral: em relação a ela sou quase insaciável.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A 100ª postagem


Para marcar a 100ª postagem deste blog, que começou devagar, mas aos poucos se acostumou a dividir as alegrias e os pensamentos de seu autor, divulgo a 50ª apresentação de O vendedor de palavras, espetáculo de teatro de rua com texto adaptado pelo Rodrigo Monteiro, e que tem no elenco dois ótimos atores, com os quais já tive o prazer de contracenar. A Fernanda Beppler conheço desde 1998, mais ou menos, quando fomos colegas do DAD. Fizemos juntos O urso, de Tchekhov, em 1999, formando aquele impagável casal que se odeia à primeira vista, para depois engatar um romance irresistível. O Carlos Alexandre foi meu parceiro em Sacra folia, espetáculo de rua do Stravaganza. Gosto muito dos dois, e espero que possamos trabalhar juntos novamente. Parabéns aos três pelo trabalho!

sábado, 14 de novembro de 2009

Santo Antônio das Conservas


Na noite desta sexta-feira, 13 de novembro, apresentamos O médico à força em Lajeado, no salão paroquial da igreja de Santo Antônio das Conservas, para os humildes membros da comunidade. O convite partiu da Secretaria de Ação Social do RS, intermediado pelo Ieacen, e representou para nós uma experiência totalmente diferente de tudo que já havíamos realizado com esse espetáculo. Como se pode ver nas imagens acima, o local de apresentação era completamente improvisado - inclusive não levamos todo nosso cenário, apenas o banco, pois não havia possibilidade de produzir o transporte necessário, por questão de custos. No entanto, foi muito gratificante levar nosso trabalho para um grupo de pessoas que nunca havia visto teatro, pessoas que nos acolheram de forma entusiasmada e alegre. Iluminação não havia, apenas algumas lâmpadas fluorescentes; coxias inexistiam, improvisamos uma rotunda, atrás da qual permaneciam os atores, com uma lona plástica. Poltronas confortáveis nem pensar: cadeiras de madeira acolheram os espectadores. Goteiras ameaçavam a plateia e os atores, mas o santo da paróquia providenciou para que, durante a sessão, a intensa chuva que caíra durante todo o dia, cessasse. E o espetáculo fluiu encantadoramente, provando que, como já defendia Grotovski, um ator e um espectador são suficientes para que aconteça o ato teatral. O cachê que receberemos será pequeno, mas mesmo assim aceitamos o desafio, porque acreditamos que, às vezes, temos que contribuir com a difusão do que melhor sabemos fazer. O melhor foi a resposta ao final: "Esperamos que vocês voltem!". A paróquia com um nome tão curioso nos conservou.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Era uma vez a Feira do Livro de Porto Alegre


Já há alguns anos não vou à Feira do Livro de Porto Alegre, a não ser a trabalho. Que eu me lembre, 2006 foi o último ano em que lá estive, dando um depoimento em uma mesa-redonda no Clube do Comércio, sobre ópera e suas encenações. No ano anterior, me apresentei no insalubre Teatro Sancho Pança, com a peça infantil Locomoc e Millipilli: calor absurdo, crianças que não ouvem o que está acontecendo pela acústica inexistente...Ainda por cima, tive meu celular roubado, que ganhara da Margarida há uma semana, de aniversário: alguém entrou no camarim, abriu minha pasta e levou meu telefone, ainda nem pago.
Não há nada nesse mega evento que me interesse: nem as pessoas que por lá circulam, como em um formigueiro do inferno, nem as sessões de autógrafos de ilustres (na maioria das vezes nem isso) desconhecidos, lançando títulos absolutamente irrelevantes para o cenário cultural brasileiro, nem as tietagens e incensamentos de personalidades locais e nacionais, que vêm lançar seus caça-níqueis literários nessa feira, que já teve o seu auge nos anos 1990, e hoje é um arremedo de "popularização da cultura". Por fim, nem livros há nessa feira do livro: o que se procura, não se encontra; o que se encontra é frequentemente lixo, repetido inúmeras vezes em todas as bancas, como se o mau gosto literário dominasse a todos; o que há de razoável, é mais caro do que em outros lugares. Há alguns anos, só compro meus livros pela internet: é mais barato, encontro tudo o que quero e não tenho que aguentar um bando de pseudo-leitores babando pelo novo livro daquela autora que escreve no jornal umas babaquices e posa como intelectual e connoisseur das artes.
Não tenho soluções para esses problemas, mas algo deveria ser feito. Apesar de não me identificar mais com a feira, acho que ela teve grande valor, que poderia ser retomado com mudanças pontuais e redução de tamanho. No entanto, creio que essa redução não acontecerá: jamais se admitiria reduzir o espaço conquistado, como se tamanho fosse documento.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Solos trágicos vem aí


Eis a primeira divulgação da estreia do meu novo espetáculo.
Com direção de Roberto Oliveira, tem no elenco, além de mim, Daniel Colin, Elisa Heidrich, Fernanda Petit, Isandria Fermiano, Lucas Sampaio e Rodrigo Fiatt.
O espetáculo acontecerá ao ar livre, em um espaço ao lado da Usina do Gasômetro. É um lugar lindo e tem tudo a ver com a proposta do espetáculo, que utiliza textos de Sófocles, Eurípides, Shakespeare, Georg Büchner, Nelson Rodrigues, Heiner Müller e Michel Azama.
Os ingressos já estão à venda na Bamboletras do Shoppng Nova Olaria.

domingo, 8 de novembro de 2009

DentroFora


Paul Auster, ao lado de romances, memórias e roteiros para cinema, durante os anos de 1976 e 1977 escreveu três peças curtas, reunidas no livro Da mão para a boca: crônica de um fracasso inicial (Companhia das Letras, 1997). Traduzidas como O gordo e o magro vão para o céu, Esconde-esconde e Blecautes, percebe-se sem a menor dúvida a inspiração absoluta para esses textos: o teatro de Samuel Beckett. No ano passado, o Grupo In.co.mo.de-te, sob a direção de Nelson Diniz e Liane Venturella, encenou o primeiro desses textos, o mais longo, uma espécie de paródia-homenagem a Stan Laurel e Oliver Hardy, cuja evidente referência é Esperando Godot, do autor irlandês.
Desta vez, Esconde-esconde virou DentroFora, e o grupo agora inverte as funções: no palco, Nelson e Liane dirigidos por Carlos Ramiro Fensterseifer, que interpretara o Magro na peça anterior. Se no texto de Auster ele não nomeia suas duas personagens, chamando-os apenas de Homem e Mulher, a montagem porto-alegrense os batiza como Marie e Jimmy, localizando de alguma forma a ação em algum país de língua inglesa.
No programa, é informado que DentroFora é inspirado em Dias felizes, de Beckett, mas essa inspiração, evidentemente, provém de várias outras peças e narrativas de Beckett. Explico: é comum a temática da imobilidade em sua obra. Apenas como exemplo, cito os romances do pós-guerra: Molloy e O inominável apresentam protagonistas imobilizados: o primeiro, na cama de sua mãe; o segundo, um ser indefinido, dentro de uma espécie de tonel, de onde veem-se apenas sua cabeça e ombros. Entre as peças, também pode-se dar como exemplo Play, em que três figuras, apenas com a cabeça para fora, permanecem dentro de grandes urnas.
A montagem de DentroFora tem como grande mérito o excelente trabalho dos atores, mas que, para mim, tem seu ápice na atuação de Liane Venturella, realmente ótima como Marie. Era difícil, para mim, tirar os olhos dela durante a peça, com aproximadamente 40 minutos. As caracterizações, de alguma forma, me remeteram a Alice no país das maravilhas, de Lewis Carroll.
É um trabalho fundamentalmente de atuação, já que, ao seguir muitas das rubricas de Auster (e, por outro lado, deixando de executar algumas delas, como por exemplo a exigência de que as caixas onde permanecem as personagens deveriam ser recobertas por cortinas "de veludo escuro", e pedindo que essas mesmas cortinas deveriam ser abertas e fechadas dezenas de vezes durante a peça, com "um som áspero, duro, característico"), a direção abstém-se de criar algo que avance em relação ao texto. É o "mal" de quem encena Beckett, já que ele explicitava, com riqueza de detalhes, em longas rubricas, como deveriam ser montados seus textos: o diretor ou fica amarrado ou joga tudo para o alto.
Carlos Ramiro, no entanto, foi sábio ao não inventar muita coisa, deixando que Nelson e Liane deitassem e rolassem com o saboroso texto. É um espetáculo que deve ser visto por todos que gostam de teatro, apesar de saber que não será, infelizmente, um estouro de público, porque não é uma encenação com muitos atrativos para o público médio de Porto Alegre. Quase estática e centrada na palavra, exige uma suspension of desbelief extra, já que é necessário embarcar na convenção e na metáfora apresentada para fruir com toda profundidade.
Parabéns ao grupo, pela coragem de nos apresentar uma dramaturgia e uma estética pouco comuns em Porto Alegre, mas altamente qualificadas e muito bem executadas.

sábado, 7 de novembro de 2009

Estamos no ar


Em 2006, dentro do projeto de leituras encenadas promovido pela Cia. Stravaganza, dirigi a leitura da peça Estamos no ar, que eu mesmo traduzi, do dramaturgo chileno Marco Antonio de la Parra. Nós da Cia. de Teatro ao Quadrado temos uma relação de fascinação com a obra de De la Parra, de quem já montamos dois textos: A secreta obscenidade de cada dia (que foi meu projeto de graduação em Interpretação Teatral, no DAD), em 2002, e Sofá, uma comédia picante, em 2005. Está ainda, em nossos planos, encenar Estamos no ar em um futuro breve. A peça, que se passa durante a apresentação de um episódio do reality show chamado A Família Perry, mostra uma família que se desintegra frente às câmeras, após a chegada de um de seus membros, o irmão, que há muitos anos fôra embora. Incesto, infanticídio, uso de drogas, prostituição, homossexualismo, são alguns dos temas da peça. E quem viu nossas duas montagens a que me referi acima, sabe do que estou falando, e também que o humor negro dá a tônica dessas abordagens.
Na foto, feita no dia da leitura, a equipe (quase toda) caracterizada: Jô Fontana (iluminador), Clóvis Massa, Margarida Leoni Peixoto, Carlos Azevedo, Ekin, Zoé Degani (cenógrafa), Ida Celina, Daniel Colin, Melissa Dornelles, Florência Gil e Rô Cortinhas (figurinista).

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Rubem Fonseca tem que ser lido


De vez em quando escolho um autor e procuro ler tudo que ele escreveu - ou pelo menos aquilo a que tenho acesso. Atualmente, me dedico a conhecer a obra bastante extensa de Rubem Fonseca, mineiro de Juiz de Fora, cuja data de nascimento acompanha a imagem acima. Fonseca publicou seu primeiro livro em 1963, o volume de contos Os prisioneiros, e desde então se tornou um dos principais ficcionistas brasileiros. Dividindo sua produção entre narrativas curtas e longas (com predomínio das primeiras), ele domina a escrita através de uma timing excelente para contar suas histórias. Pelo que li até agora (dez de seus livros), pude perceber que suas tramas quase sempre buscam uma objetividade no desenvolvimento das situações, colocando-o muitas vezes ao lado da escrita jornalística.
As exceções a essa forma confirmam a regra: em Lúcia McCartney, volume de contos publicado em 1967, Fonseca chegou ao máximo da experimentação na escrita, muitas vezes desnorteando o leitor com suas enigmáticas linhas. Por outro lado, em romances mais convencionais, como Bufo & Spallanzani, de 1986, ou Vastas emoções e pensamentos imperfeitos, de 1988, Fonseca demonstra toda sua habilidade em criar atmosferas e construir personagens sólidos e interessantes.
Com uma nítida preferência por tramas policialescas, ou por aquelas em que o crime e o interdito estejam em primeiro plano, o escritor mineiro revela-se um grande apaixonado pelo sexo feminino, que aparece em grande número em seus textos, na maioria das vezes escritos em primeira pessoa, protagonizados por homens que mantêm uma relação ambígua com as mulheres - que variam, em uma mesma personagem, da fascinação absoluta à quase ojeriza. Rubem Fonseca surpreende com sua enciclopédica cultura, com textos eivados de citações a outros autores, ou a quaisquer outros aspectos da cultura ocidental, e quando se debruça sobre acontecimentos da história brasileira: em Agosto, romance de 1990, o pano de fundo de uma investigação policial são os 24 dias que antecedem o suicídio de Getúlio Vargas, em agosto de 1954. Em O selvagem da ópera, romance de 1994, Fonseca narra a trajetória de Antônio Carlos Gomes (1836-1896), o maior autor de óperas que o Brasil já produziu, autor da renomada O guarani, e que morreu na mais completa miséria, esquecido e abandonado.
Além dos livros citados, já li de Fonseca A coleira do cão (contos, 1965), O caso Morel (romance, 1973), Feliz ano novo (contos, 1975) e Secreções, excreções e desatinos (contos, 2001).
Continuo a leitura da obra de Fonseca, e recomendo a quem não o conhece que leia suas páginas, urgentemente. Quem quiser começar bem, indico Feliz ano novo: quem lê esse livro vai querer conhecer muito mais.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Meu aniversário


No dia 23 de outubro fiz aniversário, e a Margarida e os nossos alunos resolveram fazer um churrascão pra comemorar. Foi uma noite muito legal, só com pessoas felizes e querendo se divertir. Graças ao meu homônimo Marcello, que cedeu a casa em Ipanema, pudemos comemorar até de manhã. Eu e a Margarida fomos embora depois das 6h! Na foto, meu bolo de aniversário, decorado com a alcunha que recebi do pessoal (calma, é só porque eu criei as personagens que eles interpretam na peça que estreará em dezembro). A partir da esquerda, alguns dos que estiveram lá: Margarida, Edgar, Luís, Roberto, Daiana, Silvana, Lorenzo e Mafalda.

domingo, 25 de outubro de 2009

Coisas e loisas


Aproveito o título de uma peça curta de Samuel Beckett para dizer que tenho trabalhado bastante nos últimos dias e semanas. Os ensaios do novo espetáculo do Roberto Oliveira, que estreará em janeiro de 2010, Solos trágicos, têm sido bastante intensos. Nos encontramos diariamente, de segunda a sexta, e em sábados alternados. Além dos ensaios, estou finalizando meu projeto de doutorado, que entregarei até dia 30 de outubro.
Nesse meio tempo, dirigi e atuei numa leitura dramática do texto O casal ou Por que você não disse que amava?, de Vera Karam, e apresentei algumas cenas da Antígona de Sófocles, dirigidas pelo Luciano Alabarse, junto com a Vika Schabbach e a Luísa Herter, em um evento no Tribunal Regional Federal. Antes disso, entreguei o texto final da nova peça que escrevi para os 25 alunos do curso de teatro da Margarida. O resultado, Toda forma de amor, poderá ser visto nos dias 15, 16 e 17 de dezembro, às 20h, no Teatro da Cia. de Arte (Andradas, 1780).
Para arrematar, na segunda quinzena de novembro começarei os ensaios do novo espetáculo da Cia. de Teatro ao Quadrado, Mães e sogras, em que dirigirei quatro atrizes que me darão muitas alegrias durante o processo: Margarida Leoni Peixoto, Naiara Harry, Cláudia Lewis e Carla Gasperin. É muito bom trabalhar no que se gosta!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Amanhã tem leitura dramática


Amanhã é o dia de nossa leitura dramática de O casal ou você nunca disse que em amava, último texto teatral escrito por Vera Karam. A direção é minha, e atuo ao lado da Margarida Leoni Peixoto, com quem formo também um casal, na vida real. Minha ideia é brincar com essa situação metaliguística. Vão lá assistir, o texto é muito engraçado, mas ao mesmo tempo melancólico, típico da Vera. É também uma data muito especial, pois no dia 20 de outubro Vera estaria completando 50 anos. Depois da leitura, Luciano Alabarse vai falar sobre sua convivênia com a autora, com quem trabalhou no início dos anos 1980, ela como atriz. Entrada franca!

domingo, 18 de outubro de 2009

Uma imagem de alegria


Encontrei essa foto, clicada no dia da entrega do Prêmio Açorianos aos melhores do teatro e da dança em 2008, em abril deste ano. Na imagem, pela ordem, Thales de Oliveira, Anna Fuão, Daniel Colin, Luísa Herter, Cláudia Lewis, eu, Alice Urbim e o prefeito José Fogaça, ouvindo atentos às palavras da Margarida, ao receber o Troféu RBS Cultura de Melhor Espetáculo pelo Júri popular, por O médico à força. Foi um momento de muita alegria para nós todos!

sábado, 17 de outubro de 2009

Sacra folia, algumas imagens



A Margarida tirou essas fotos durante apresentação na Usina do Gasômetro.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Vera Karam: uma paixão no palco


Semana que vem acontecerá uma homenagem à nossa grande dramaturga Vera Karam, que deixou nossos palcos órfãos no dia 1º de janeiro de 2003. No próximo dia 20 de outubro, Vera completaria 50 anos, e sua morte tão precoce deixou a todos nós que admirávamos sua escrita pensando: se até os 43 anos, idade em que morreu, Vera escreveu tão bem, o que poderíamos esperar de sua maturidade criativa? Certamente grandes textos. Fica a saudade e a frustração de não poder conviver mais tempo com essa grande mulher de teatro (que também foi atriz, no começo dos anos 1980). A Coordenação de Artes Cênicas produziu essa homenagem que ocupará a Sala Álvaro Moreyra por quatro dias, e o saguão do Centro Municipal de Cultura, por um mês.

Leia abaixo a programação completa:


A boca: sempre vermelha. A língua: sempre afiada. Veludo veloz.


PROGRAMAÇÃO:


De 19 de outubro a 16 de novembro - Exposição Vera Karam, no saguão do Centro Municipal de Cultura (Av. Erico Veríssimo, 307)

De 19 a 22 de outubro - Leituras, debates e espetáculo na Sala Álvaro Moreyra (Av. Erico Veríssimo, 307)


dia 19/10 (segunda-feira) - 19h30

Visita à vovó - leitura dramática do conto, com Raquel Pilger.

A florista e o visitante - leitura dramática com Carlos Cunha Filho e Laura Backes.

Ambas as leituras dirigidas por Fernando Ochôa

MESA REDONDA

• Narrativas curtas - com o professor e escritor Luiz Antônio de Assis Brasil

• Dramaturgia – com o diretor Decio Antunes



dia 20/10 (terça-feira)- 19h30

O casal ou você nunca disse que me amava - leitura dramática com direção de Marcelo Adams. No elenco, o diretor e Margarida Leoni Peixoto.

MESA REDONDA

• A obra e a convivência pessoal com a autora - com o diretor Luciano Alabarse



dia 21/10 (quarta-feira)- 19h30

Dá licença, por favor? - leitura dramática com Lurdes Eloy e Carlos Cunha Filho e direção de Decio Antunes.

Quem sabe a gente continua amanhã? – leitura dramática dirigida por Maurício Guzinski, com as atrizes Clarice Nejar, Giovana Zottis e Mariana Vellinho, do Grupo Experimental de Teatro da CAC/SMC.



dia 22/10 (quinta-feira) - 19h30

Maldito coração, me alegra que tu sofras - Apresentação do espetáculo dirigido por Mauro Soares e interpretado por Ida Celina, há anos em cartaz.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Bastardos inglórios


Um filme de Quentin Tarantino é sempre aguardado como um banho de excelente cinema. Usando como matéria prima muito da cultura pop, misturada a referências do cinema, seus filmes são fascinantes também pela "releitura" de gêneros que faz. Foi assim com os filmes de roubo, como Cães de aluguel, os de artes marciais e vingança, com Kill Bill volume 1 e Kill Bill volume 2, e agora com os filmes sobre a Segunda Guerra Mundial, com Bastardos inglórios. Como sempre, o elenco é excelente, e traz um ator que anda meio apagado: neste caso, Mike Myers (de Austin Powers), em um papel pequeno, é verdade. Já li que este é considerado um filme mais maduro de Tarantino, e concordo com isso. Apesar de tudo aquilo que esperamos de suas produções estar lá (a violência muitas vezes explícita, o humor nonsense, os diálogos perfeitos, as personagens surpreendentes), desta vez há algo mais. Na falta de uma melhor palavra, vou me juntar aos críticos e chamar de maturidade. Há algumas sequências realmente brilhantes, especialmente as passadas na noite de estreia do filme. O sotaque texano-italiano de Brad Pitt é hilariante. Imperdível.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Solos trágicos


Estou bastante motivado com um novo trabalho que iniciei nesta semana. O espetáculo Solos trágicos, que está sendo dirigido por Roberto Oliveira, com estreia prevista para dezembro, é uma reunião de fragmentos de alguns dos textos trágicos mais importantes da história da dramaturgia ocidental. Sófocles, Eurípides, Shakespeare, Strindberg, Nélson Rodrigues, Heiner Müller, são alguns dos autores que guiarão nosso trabalho. Roberto Oliveira é um diretor que sempre me surpreendeu com suas encenações: Boca de ouro, Auto da Compadecida, O pagador de promessasDr. QS- Quriozas Qomédias são espetáculos inesquecíveis para mim, entre os tantos que ele dirigiu. Desta vez, volto a um gênero que me apaixona: a tragédia. Desde a primeira vez que li uma tragédia grega, quando entrei no DAD, fiquei fascinado e devorei tudo que os gregos produziram e nos legaram. Depois, aprofundando o gênero, descobri que a tragédia, mais do que um gênero teatral formalmente definido por Aristóteles em sua Poética, é um estado de ânimo, é uma visão de mundo. É por isso que o trágico é eterno, ao longo de toda a literatura. Alguns dizem que a condição humana é trágica, porque tem consciência de sua finitude. Também penso assim. E ser trágico não é ser pessimista, talvez realista seja a palavra certa. A violência, inerente ao Homem, é o que nos torna trágicos, ainda que tentemos buscar o lado belo da vida. E o teatro, mesmo quando mostra atrocidades, é belo. A arte mostra a beleza do feio.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Anticristo


Dirigido por Lars von Trier, de quem já andei falando aqui no blog, o filme é muito impactante. Apenas Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg, vivendo os pais de um menino morto, Nic. Para exorcizar o luto, vão para o "Éden", um chalé no meio de uma floresta isolada. A partir desse momento, cenas chocantes se sucedem. É díficil descrever o alcance que o filme tem, muito além de chocar pelas cenas de mutilação. É um tipo de horror além da filosofia, e muito marcado por ela, ainda assim. Provavelmente, muito acharão apenas pervertido. Mas é uma obra de arte, daquelas que fazem refletir, muito. Este ano, durante o Festival de Cannes (no qual Charlotte Gainsbourg ganhou a Palma de Ouro de Melhor Atriz), von Trier foi provocado por um repórter que, indignado após a exibição do filme, alteradamente perguntou-lhe "qual o sentido do seu filme, o que ele significa?". O diretor dinamarquês respondeu que era "o melhor diretor do mundo, mas Deus não é o melhor Deus do mundo". Não sei se ele o melhor (o que é o melhor?), mas não tenho dúvida de que é um dos mais criativos e que me me tocam com sua linguagem. Inesquecíveis os seus filmes Ondas do destino, Dançando no escuro, Europa e Dogville. E agora este maravilhoso Anticristo.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Margarida em cena


Como este blog existe para divulgar não apenas os meus trabalhos e os da Cia. de Teatro ao Quadrado, mas também aqueles feitos pela Margarida com outros grupos e profissionais, publico esta foto do espetáculo Hotel Rosa-Flor, de 2006, dirigido pelo Júlio Conte, com texto da Patsy Cecato. Na peça, a Margarida interpretava a falctruesca Condessa Jane Marie. Junto com ela, na imagem, Patsy Cecato, Ju Brondani, Márcia Ohlson, Larissa Maciel e Melissa Dornelles.

Despedida e reinício


Ainda sobre o espetáculo Pão com linguiça, comédia escrita por mim e dirigida pela Margarida, onde 21 alunos-atores contavam a história de duas famílias à mercê das intempéries, após o deslizamento de um morro. A peça foi convidada para o Caxias em Cena, em setembro, e a grande surpresa foi que, segundo a organização do festival, Pão com linguiça teve o maior público e foi o espetáculo que mais moviementou a cidade, superando peças do Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Argentina e Uruguai. Essa imagem foi clicada durante a apresentação em Caxias, que teve uma ovação sensacional ao final, com aplausos entusiasmadíssimos. Pão com linguiça se despediu em Caxias do Sul, mas já estamos preparando um novo espetáculo, para estrear em 15 de dezembro. Desde agosto estamos ensaiando meu novo texto, Toda forma de amor, que reúne várias histórias divididas em doze cenas, onde os 25 alunos-atores viverão as diferentes nuances que o amor pode assumir: do amor apaixonado ao amor violento. Está ficando muito bonito. Eles estão fazendo um lindo trabalho, que emocionará a muitos.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Casamento silencioso

Co-produção entre Romênia, Luxemburgo e França, Casamento silencioso (Nunta muta, 2008) é falado em romeno e tem sua ação concentrada, predominantemente, em 1953, naquele país do leste europeu, nos dias que antecedem à morte do ditador comunista Josef Stálin, e no dia seguinte à sua morte. Durante várias décadas, após a Segunda Guerra Mundial, o planeta se dividiu entre países comunistas e capitalistas. Os comunistas, capitaneados pela poderosa União Soviética, criaram a famosa Cortina de Ferro, que isolava os países do leste europeu das ameaças do capitalismo, liderado pelos Estados Unidos. Aqueles países que seguiram as orientações comunistas (Romênia, Tchecoslováquia, Alemanha Oriental, etc.) deveriam obedecer aos líderes do Partido Comunista. Stálin, um dos maiores assassinos da História, passava por cima de quaisquer direitos humanos em nome do isolamento dos estados comunistas. A história do filme dirigido por Horatiu Malaele é simples: um casamento entre dois jovens moradores de uma pequena vila romena é marcado para o dia seguinte à morte de Stálin. O luto oficial internacional de 7 dias impediria a realização da cerimônia, sob pena de punições terríveis. Os alegres e barulhentos convidados do casamento resolvem burlar a proibição, realizando a festa de casamento totalmente em silêncio. A longa cena da comemoração à volta de uma mesa coberta de comidas e bebidas, em silêncio quase absoluto, é antológica. As referências à proibição de manifestações, à censura e à ditadura são inteligentíssimas. É uma cena incrivelmente engraçada, de rir às gargalhadas. O Brasil, que viveu um longo período de ditadura, também identifica-se naquelas imagens e ações. O filme tem um tom predominantemente cômico, com pitadas fantásticas (lembrando os filmes do sérvio Emir Kusturica, especialmente Underground- Mentiras de guerra), mas há momentos de grande comoção: aqueles que mostram a barbárie do exército russo. Um filme de uma cinematografia pouco conhecida no Brasil, que merece ser visto. A propósito: outros filmes romenos que apareceram por aqui nos últimos tempos, também excelentes: A leste de Bucareste (Prêmio Camera d'Or para melhor cineasta estreante no Festival de Cannes 2005) e 4 meses, 3 semanas e 2 dias (Palma de Ouro no Festival de Cannes 2007).

domingo, 27 de setembro de 2009

As bufa


O espetáculo As bufa, com as excelentes Simone de Dordi e Aline Marques, foi uma boa surpresa. As duas atrizes receberam o Prêmio Açorianos de Atriz Revelação, na última entrega dos troféus. Dirigida por Tatiana Cardoso, a peça traz à cena duas bufonas que ocupam um teatro e inventam jogos e encenações, onde criticam, literalmente, Deus e todo o mundo. As bufa não fica a dever em qualidade ao sucesso Gueto bufo, com Daniela Carmona e Cláudia Sachs, que desde 1999 encanta nossas plateias. Surgem em Porto Alegre, indubitavelmente, duas atrizes cheias de recursos e muito bem encaminhadas. Simone de Dordi (à esquerda, na foto), já recebeu o Prêmio Tibicuera de Melhor Atriz em 2006, por A canção de Assis, e atualmente está em cartaz com Herlói, o herói, do Cuidado que Mancha (que também tem no elenco Vinícius Petry e Luciane Olendzki) com direção de Raquel Grabauska.

sábado, 26 de setembro de 2009

Ano novo, vida nova

Em 2001 e 2002, o espetáculo Ano novo, vida nova, dirigido por Decio Antunes, cumpriu algumas temporadas em Porto Alegre, com enorme sucesso de público. Nas quatro temporadas que fizemos do espetáculo, não raro lotávamos o Teatro Renascença ou o São Pedro. O elenco era realmente de primeira: Carlos Cunha Filho, Deborah Finocchiaro, Elaine Regina, Evandro Soldatelli, Geórgia Reck, Jeffersonn Silveira, Lurdes Eloy, Marcelo Ádams e Naiara Harry. Uma cenografia bacaníssima do Félix Bressan (com pedaços de móveis pendurados e distorcidos/retorcidos) e os figurinos de Alexandre Magalhães e Silva davam um tempero especial ao texto de Vera Karam. Aliás, com esse texto, Vera Karam foi a vencedora do Concurso de Dramaturgia Qorpo Santo. Na foto aí de cima, Geórgia Reck, Deborah Finnochiaro, Naiara Harry e Lurdes Eloy "secando" o tango dançado por mim e Evandro Soldatelli, nesta que é a cena mais antológica do espetáculo, quase sempre aplaudida em cena aberta. Trago à memória esta montagem para adiantar que, de 19 a 22 de outubro, haverá uma homenagem aos 50 anos de nascimento de Vera Karam, falecida em 2003. A promoção é da Coordenação de Artes Cênicas da PMPA, e foi uma sugestão minha abraçada com muito carinho pelo Breno Ketzer, pela Lurdes Eloy e pela Laura Backes. Mais adiante divulgarei em detalhes a movimentada programação da homenagem, que tem como título Vera Karam: uma paixão no palco.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Uma noite especial



Acabei de chegar do Teatro do SESI, onde assisti à montagem dirigida por Bob Wilson do texto de Heiner Müller, Quartett. Ter Wilson em Porto Alegre é algo histórico. Ele é um dos diretores mais importantes da história do teatro, reconhecido por suas inovações na linguagem do teatro contemporâneo. Desde os anos 1970, quando criava espetáculos-evento que podiam durar dias, ou em obras que redefiniam o que seria a duração "adequada" de uma peça, Wilson é uma referência indispensável. Suas parcerias com o compositor Philip Glass (por exemplo, Einstein on the beach, de 1976) deram uma nova acepção para a junção entre teatro e música. A experimentação de Wilson estava ao nosso alcance, com todas aquelas informações que lemos em livros, à nossa frente.
Quartett é um espetáculo fragmentado, assim como a obra de Heiner Müller. Nesse sentido, não poderia ser mais fiel ao autor. As pausas, as cenas sem texto, a beleza plástica impressionante de suas imagens: tudo estava lá, como esperado. A iluminação do espetáculo, criada pelo próprio Wilson, é atordoante, é inacreditável. Wilson é perfeito nessa difícil arte.
Outra grande satisfação foi ver Isabelle Huppert. Acostumado a vê-la no cinema, foi fascinante vê-la ao vivo, absolutamente entregue à concepção do encenador. Absolutamente disponível para, inclusive, interpretar um sapo (ou qualquer que seja aquele animal).
Ao final do espetáculo, eu e alguns outros sortudos, tivemos a oportunidade de ver Isabelle Huppert fora de sua personagem, pertinho de nós. Uma espécie de coquetel foi oferecido, com a presença de Huppert. Com a maior expectativa aproximei-me dela, apertei sua mão, e fiquei por 15 minutos ouvindo sua voz, que respondia às perguntas de Luciano Alabarse, em clima totalmente informal. Fiquei admirando sua simplicidade: um tênis All Star vermelho, uma calça jeans, uma blusa de lã decotada e um cachecol protegendo a garganta. A pele, muito sardenta, totalmente sem maquiagem, exceto um batom vermelho-escuro muito intenso.
Os olhos de Huppert raramente fitavam os olhos dos que a cercavam. Ela permanecia com um sorriso ameno no rosto, mas com o olhar ao longe. Delicada, educada. Após milhares de experiências como essa, estar em eventos públicos já a deixou vacinada: a intimidade que ela aparentava era calculada, porém doce.
Foi uma noite memorável. Isabelle Huppert é uma atriz brilhante em cinema. Filmes como Oito mulheres e A professora de piano são clássicos modernos. Foi um privilégio estar junto a ela.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Braskem em cena


Após a cerimônia de premiação do 4º Prêmio Braskem em cena, foi oferecido um coquetel no anexo ao lado do teatro. Na foto, clicada pelo Rodrigo Fiatt, eu, Adriane Mottola, Cláudia de Bem, Inês Marocco e Rodrigo Monteiro.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Choderlos de Laclos por Heiner Müller


Finalizando a série de fotos de nossa montagem do Quartett, que Heiner Müller escreveu em 1981, adaptando e relendo o romance epistolar As relações perigosas, escrito pelo francês Choderlos de Laclos em 1782.