O homem e a mancha

O homem e a mancha

terça-feira, 30 de novembro de 2010

A cantora careca pelo Teatro Sarcáustico

A convite da Cia. de Teatro ao Quadrado, o Teatro Sarcáustico aceitou participar do Ciclo de leituras dramáticas do Teatro do Absurdo. Tocou para a gurizada dirigida pelo Daniel Colin o texto inaugural do movimento do Absurdo: A cantora careca, de 1950. A peça tem tudo a ver com a irreverência deles, tenho certeza que será uma leitura divertidíssima. Então não percam, quarta-feira, 1º de dezembro, às 20 horas no Teatro de Arena (Borges de Medeiros, 835), com ENTRADA FRANCA.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Ivo Bender: Do teatro ao conto

Nesta terça-feira, 30 de novembro, às 18 horas, a Feira do Livro de São Leopoldo vai promover um bate-papo sobre a obra de Ivo Bender, intitulado Ivo Bender: Do teatro ao conto, com a presença do autor e tendo eu e o Wagner Coriolano de Abreu como debatedores. Sou, há anos, apaixonado pela dramaturgia do Ivo, e agora também por sua vertente épica: ele acaba de lançar, pela L&PM, o volume chamado  Contos, onde exercita, após uma extraordinariamente exitosa carreira como dramaturgo, sua não menos feliz experiência com narrativas curtas. Ivo segue tão preciso e envolvente no conto quanto no teatro: leiam, é mesmo muito bom.
No sábado passado, eu e a Margarida fomos convidados pelo Ivo para um chá em seu apartamento. Foi uma delícia, não apenas pelo chá alemão que ele nos ofereceu, com algumas iguarias para acompanhar, mas também pela oportunidade de trocar ideias com esse grande escritor. É uma alegria poder privar da convivência com o Ivo, de quem eu não canso de dizer que é o mais importante dramaturgo gaúcho surgido depois de Qorpo Santo, no século XIX. Sei que esses superlativos são perigosos, mas no caso do Ivo, é perfeitamente verdadeiro.

sábado, 27 de novembro de 2010

A LIÇÃO: um momento

Lutti Pereira flagrou essa imagem de A LIÇÃO, em um dos momentos mais densos do espetáculo.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Os Muppets são eternos

Os Muppets são o símbolo de uma época em que a TV infantil podia ser inteligente, E ainda acho que os adultos apreciavam e apreciam tanto quanto os pequenos.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Comentários sobre A LIÇÃO 10

Comentário escrito pelo ator e cantor ANTÔNIO CARLOS FALCÃO:
"Marcelo e Luísa, parabéns pelo excelente trabalho! Vocês estão maravilhosos! Impressionante o clima de humor e tensão que vai se estabelecendo no decorrer do espetáculo, "hitchcockianamente ou Leoniamente". Margarida com seu humor (excelente atriz) característico consegue esta fusão entre dois mestres - Ionesco e Alfred - nos levando da diversão à tragédia, mexendo com nossas emoções. Sucesso!"

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Fim de partida de Samuel Beckett

Dando prosseguimento ao Ciclo de leituras dramáticas do Teatro do Absurdo, nesta quinta-feira, dia 25 de novembro, às 20 horas no Teatro de Arena, a Cia. de Teatro ao Quadrado apresentará FIM DE PARTIDA, uma das mais conhecidas e fascinantes peças de Samuel Beckett (1906-1989). O texto teve sua estreia nos palcos em 1957, e desde então se tornou um clássico, trazendo novamente para a forma teatral as obsessões de Beckett, como a solidão, o mundo pós-apocalíptico e o humor negro. A leitura tem no elenco Marcelo Adams, Margarida Leoni Peixoto, Clóvis Massa e Donatto Oliveira.
ENTRADA FRANCA, é só aparecer no Arena (Borges de Medeiros, 835).

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A LIÇÃO por Lutti Pereira


Duas imagens de A LIÇÃO, clicadas pelo Lutti Pereira. Lindas!

sábado, 20 de novembro de 2010

Sandra Dani- Memórias de uma grande atriz


Estou lendo o livro Sandra Dani- Memórias de uma grande atriz, editado pelo Porto Alegre em cena, e que constitui o primeiro volume da Coleção Gaúchos em cena, que trará, nas próximas edições, outros artistas que fazem a história do nosso teatro. O livro em questão foi construído a partir de entrevistas realizadas pelo jornalista Hélio Barcellos Jr., com edição de textos de Rodrigo Monteiro e Luciano Alabarse. A foto aí de cima é de um ensaio de Bodas de sangue, Fabrizio Gorziza, Sandra e eu fazendo cara de espanhóis. A Sandra é uma grande atriz, e já tive a oportunidade de dividir o palco com ela em três ocasiões: Os bacharéis (2005), Platão dois em um (2009) e Bodas de sangue; uma leitura dramática - O animal agonizante, em 2007 ; e um filme, Quase um tango..., de 2009. Em certa altura do livro, Sandra diz algo tão de acordo com minhas ideias que resolvi reproduzir aqui suas palavras, da página 90:
"[Um] texto tem de ser lido com nossos próprios olhos, com uma leitura tua, diferenciada. Porque não há como ler exatamente como o autor o escreveu. Uma encenação é que vai lhe dar significado, o porquê de montá-lo e escolhê-lo hoje, a maneira como ele responde às questões de nossa época, de que maneira ele te provoca para que aches respostas depois. Essa é outra questão. Não cabe ao teatro explicar coisa alguma. Cabe estimular, investigar, perguntar, incomodar bastante, até que a pessoa encontre suas respostas".

A última estrada da praia em Porto Alegre

O longa metragem A última estrada da praia, dirigido por Fabiano de Souza, terá sua primeira exibição em Porto Alegre, depois de sessões em festivais e mostras em São Paulo, Rio de Janeiro e Gramado. Rodamos essa história no litoral gaúcho, mostrando a trajetória de quatro personagens vivendo situações diversas em um fim de semana cheio de diversão e alguma melancolia. Quem viu o filme, disse que está muito legal. Alguns críticos escreveram coisas bem elogiosas sobre esse pequeno filme, mas repleto de energia. Marcus Mello, crítico da revista Aplauso, afirma que este é o melhor filme gaúcho dos últimos tempos. Dá para conferir então, com entrada franca, na próxima terça-feira, 23 de novembro, às 19h. A exibição integra o evento que comemora os 25 anos da APTC RS (Associação Profissional de Técnico Cinematográficos), e será realizada no CineBancários (General Câmara, 424, centro de Porto Alegre). Na foto aí de cima, os quatro condutores desse road movie: eu, Marcos Contreras, Rafael Sieg e Miriã Possani.

Comentários sobre A LIÇÃO 9

Comentário escrito pela atriz FERNANDA PETIT:

"entrei naquele teatro sabendo q ia ser sacudida
queria falar já para as professoras: isso riam, pois vai vir uma avalanche
e estava incomodada demais
sai com enjoo do teatro
tentando crer que vc é o Marcelo e não aquele cara nojento
sério senti tanto nojo, nojo e medo
medo de encontrar um assim e pior que existe gente assim
a peça é atual...me lembra aqueles caras loucos obsessivos que trancam filhas em casa
pessoas que trancam sentimentos e explodem
pessoas que vivem com zoológicos dentro de casa
como alguém não tem sentimentos? como alguém pode viver somente com bichos esquisitos empalhados?Tudo naquele homem cheira à morte, sexo e nada que pulse. Ninguém pode ser melhor q ele e desejar um doutorado.  
 por que apagar aquele sorriso doce da aluna?
por que molestar sonhos e vontades
de uma brincadeira, de uma falta de paciência...aquele cara louco mata nojentamente uma garota.
Gosto deste teatro de entrega...com cuspes, tapas e verdade
Tudo era crível demais
um cheiro de formol invandia meu pensamento
uma vontade de vomitar
fiquei com choro trancado
por que acho que muita gente não tem piedade
e ainda fica igual àquele animal
parado numa escada
olhando sua vítima
Eu falava comigo na peça: não creio, ele matou até a mãe? essa mãe já existiu ?
enfim mil coisas
espero não sonhar com isso
a peça incomoda
consegue chegar no q se quer
não vou ler nem o programa de vcs
fui como espectadora e não como atriz
quero sair com esta sensação
vi uma boa peça
nunca tinha visto suspense no palco
adorei
e obrigada por saber brincar tão bem com as palavras...que trabalho de voz e atuação...eu já tava rouca fazendo isso"

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

300 + 1

Iniciei este blog em janeiro de 2009; recentemente, portanto. Esta postagem é a de número 301, portanto não resisti à infame associação com os 300 de Esparta. A imagem aí de cima mostra um homem contra um lobo. Talvez, num esforço interpretativo, seja eu o homem que luta contra a fera (a internet?). Talvez, citando Thomas Hobbes, o filósofo inglês, possa dizer que "o homem é o lobo do homem". Nesse caso, seriam dois homens à beira da agressão. Outros animais vêm para a roda, além de outras citações um pouco batidas: "mata-se um leão por dia". Essa é para os artistas em geral, que matam leões e leões para manter sua arte viva. Meu blog, fico feliz, é lido por bastante gente, e espero que contribua para lançar discussões, rememorar acontecimentos, chamar atenção sobre coisas que dizem respeito ao fazer artístico em geral.

Top 5 Hitchcock: os suplentes

Hitchcock merece ter eleitos outros cinco filmes seus, que não entraram na lista anterior. São excelentes, porém menos adorados que os outros:


Rebecca, a mulher inesquecível (1940)


A sombra de uma dúvida (1943)


Festim diabólico (1948)


Pacto sinistro (1951)


Frenesi (1972)

Alfred Hitchcock Top 5

Alfred Hitchcock é o autor de muitas obras primas do cinema. Há tantas qualidades na grande maioria de seus filmes que se torna muito difícil escolher os cinco que mais me marcaram. Mas, com o coração sangrando, aí vão:

Janela indiscreta (1954)


Um corpo que cai (1958)


Intriga internacional (1959)


Psicose (1960)


Os pássaros (1963)


quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Patrice Pavis

Patrice Pavis, sumidade dos estudos teatrais e conhecido pelo exaustivo trabalho efetuado em seu Dicionário de teatro, nos esclarece alguns pontos, em seu verbete "Pesquisa teatral":
"A pesquisa experimenta dessa forma, ao mesmo tempo, uma diversificação e um aprofundamento das questões e metodologias; (...) A história não é mais a única garantia, nem a abordagem dominante: a variação do cânone, a aceitação de novos gêneros, o questionamento da hierarquia, tudo isso concorre para modificar o objeto da pesquisa, para suscitar uma contínua avaliação dos métodos históricos. (...) Não se coloca mais como ciência objetiva diante da subjetividade da leitura dos textos e da interpretação das encenações" (páginas 292-3).
A pesquisa é, por definição, um recorte, uma escolha sobre um assunto abrangente, do qual extraímos uma fração para aprofundar, verticalmente, seu entendimento e sua experimentação. Nesse sentido, é pouco produtivo falar em pesquisa interesseira, pois o interesse é parte intrínseca daquilo que se pesquisa. Parece romântica a ideia de uma pesquisa que se lança no espaço, solta, como um astronauta sem rumo: a pesquisa séria e refletida tem objetivos, e na grande maioria dos casos hipóteses, que serão justamente colocadas em questão pela pesquisa empírica; o pequisador suspeita ou intui algo e, através de uma metodologia, chegará a uma resposta. Também é evidente que há, lado a lado com pesquisadores picaretas, aqueles que desvendam soluções antes insuspeitadas, ou que trazem à luz novas formas de tratar velhas matrizes. Esse é o trabalho do pesquisador sério: não se deixar sufocar pelas negativas que o cercam, assim como Copérnico defendeu que a Terra gira em torno do Sol, e não o contrário.
Há afirmações que, mesmo resgatadas de um mar de conceitos, são cristalinos, não deixam dúvidas. Essas são as palavras que permanecem ao longo da História (para quem sabe, lá na frente, serem alvo de contradição de novos pesquisadores).

Oficina de Atuação com Margarida Leoni Peixoto

Dentro do Projeto Teatro do Absurdo 60 anos, a Cia. de Teatro ao Quadrado oferece, além da encenação de A LIÇÃO, a realização de leituras dramáticas e de oficinas gratuitas, com alguns dos profissionais que fazem parte da ficha técnica do espetáculo.
A primeira das oficinas acontece no próximo sábado, dia 20 de novembro, das 14h às 18h, no Teatro de Arena (Borges de Medeiros, 835): a Oficina de Atuação com Margarida Leoni Peixoto, atriz, diretora e professora de teatro. A participação é totalmente gratuita, bastando, aos interessados, enviar um e-mail para teatrodearena@cultura.rs.gov.br . É possível se inscrever para as três oficinas:
20 de novembro, Atuação com Margarida Leoni Peixoto
27 de novembro, Figurinos com Rô Cortinhas
4 de dezembro, Iluminação com Fernando Ochôa 

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Stanley Kubrick Top 5

Meus cinco filmes preferidos de um dos maiores diretores-autores da história do cinema, Stanley Kubrick (1927-1999). Foi difícil escolher apenas cinco:

Dr. Fantástico ou Como eu aprendi a parar de me preocupar e amar a bomba (1964)


2001: uma odisseia no espaço (1968)


Laranja mecânica (1971)


O iluminado (1980)


De olhos bem fechados (1999)

Teatralização-texto

Palavras de Anne Ubersfeld, pesquisadora teatral francesa que escreve em seu livro Para ler o teatro, páginas 26 e 27:
"Tudo o que respeita à denegação-teatralização parece não pertencer ao texto e, sim, à representação. Crer nisso seria um erro, visto que a denegação já está inscrita textualmente:
(...)3. no absurdo e nas contradições textuais: a presença de categorias opostas num mesmo lugar, a não-coerência de uma personagem consigo mesma, o que a crítica clássica (e também a crítica escolar e universitária) chama 'inverossimilhança', são os índices textuais da função teatral da denegação. Como o sonho, o fantasma teatral admite a não-contradição, o impossível, e deles se alimenta, tornando-os não apenas significantes, mas operantes. O lugar da inverossimilhança é o lugar próprio da especificidade do teatro, à qual corresponde, na representação, a mobilidade dos signos, por exemplo, um objeto que passa de uma função para outra (escada que vira ponte), ou um ator que passa de um papel para outro; qualquer atentado textual ou cênico à lógica corrente do 'bom senso' é teatro. O teatro, sabemos há muito, oferece a possibilidade de dizer o que não está em conformidade com o código cultural ou com a lógica social: o que é lógica ou moralmente impensável, ou socialmente escandaloso, o que deveria ser recuperado por procedimentos estritos, está no teatro em estado de liberdade, de justaposição contraditória. É por isso que o teatro pode designar o lugar das contradições não resolvidas".

A ilusão teatral


Anne Ubersfeld, pesquisadora teatral francesa recentemente falecida, escreve em seu livro Para ler o teatro, na página 23:
"Não existe ilusão teatral. O 'teatro de ilusão' é uma realização perversa da denegação: trata-se de exagerar a semelhança com a 'realidade' do universo socioeconômico do espectador, de tal modo que esse universo em sua totalidade se incline para a denegação. A ilusão transborda sobre a própria realidade, ou melhor, o espectador, diante de uma realidade que tenta imitar com perfeição este mundo, com a maior verossimilhança, se vê compelido à passividade. O espetáculo lhe diz: 'este mundo aqui reproduzido com tantos pormenores assemelha-se, a ponto de confundir-se com ele, ao mundo em que você vive (em que vivem também outras pessoas, mais afortunadas); assim como você não pode intervir no mundo cênico, fechado em seu círculo mágico, tampouco pode intervir no universo real em que vive'. Recuperamos aqui, pelo viés imprevisto da denegação freudiana, a crítica feita por Brecht ao processo de identificação.
Chegamos aqui ao paradoxo brechtiano: é no ponto máximo da identificação do espectador com o espetáculo que aumenta a distância entre o espectador e o espetáculo, arrastando no revide a maior 'distância' entre o espectador e sua própria ação no mundo. É o ponto em que o teatro, por assim dizer, desarma os homens diante do próprio destino."

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Piquenique no front

Dentro do Projeto Teatro do Absurdo 60 anos, promovido pela Cia. de Teatro ao Quadrado no Teatro de Arena, está prevista a realização de um ciclo de leituras dramáticas, contemplando alguns dos principais autores que convencionou-se vincular a esse movimento, surgido em 1950. Como se verá, pertencer ao denominado grupo do Absurdo não significa manter idênticas características estilísticas: Eugène Ionesco, Samuel Beckett, Fernando Arrabal, Harold Pinter, entre outros, podem ser tão diferentes entre si quanto o preto do branco. No entanto, ao serem colocados em um mesmo grupo por Martin Esslin, em seu livro O teatro do absurdo, de 1961, faz-se necessário atentar para algumas das características que de alguma forma os ligam, entre elas a experimentação da linguagem, o non sense, o pessimismo, a violência e a crítica aos costumes.
Para inaugurar o ciclo de leituras, a Cia. Stravaganza, com direção de Adriane Mottola, fará a leitura da peça Piquenique no front, escrita por Fernando Arrabal em 1952. É nesta terça-feira, dia 16 de novembro, às 20 horas, no Teatro de Arena (Borges de Medeiros, 835), com entrada franca.

Comentários sobre A LIÇÃO 8

Comentário escrito pelo dramaturgo e ator ARTUR JOSÉ PINTO:

"A LIÇÃO é um espetáculo necessário. Peça contemporânea de alto nível, impactante, com ótimas atuações e uma direção impecável. Mexe com as nossas gavetas de emoções: desarruma, mas não deixa nada atirado no chão. Já, no palco, é outra história. O espetáculo é bom para quem pesquisa; bom para quem aprecia; e bom para o teatro de Porto Alegre. E para o Brasil. Estaremos bem representados em outras praças.
OBS: Assistir sem moderação"

Comentários sobre A LIÇÃO 7

A atriz NADYA MENDES escreveu suas impressões sobre A LIÇÃO:

"A LIÇÃO nos dá uma verdadeira aula de atuação. É um espetáculo que precisa ser visto para que tenhamos a noção da palavra "ensaio". Marcelo e Luísa estão inteiros e intensos em cena. Muita emoção e técnica, uma dupla perfeita sob a batuta da diretora Margarida Leoni Peixoto. Parabéns à companhia"

sábado, 13 de novembro de 2010

Comentários sobre A LIÇÃO 6

Comentário escrito pelo dramaturgo IVO BENDER:

"Ontem à noite fui ver o espetáculo que criaram sobre A LIÇÃO. Gostei do trabalho e creio que Margarida, ao centrar sua direção no caráter brutal do texto, fez uma escolha perigosa mas justificável. O final da peça, com a aluna presa àquela cadeira (de ginecologista?) ultrapassa a brutalidade e atinge o nível do horror absoluto. E o sangue a gotejar na bacia remete de imediato à mais espantosa escatologia do horror. O clímax da peça que ocorre na matança da aluna acaba, então, por se perpetuar na cena e o ruído do gotejar apenas acentua o diabolismo da encenação.
Diante de tanto horror, a dor de dentes da garota é apenas um leve incômodo. Quem lhe dera que todos seus dentes doessem, mas longe, é claro, da antessala do inferno em que toma lições inúteis e dispensáveis.
Já o Marcelo nos dá uma aula de interpretação em que a voz  tem um papel fundamental. Parabéns por essa voz que, há anos não se ouvia tão bem empregada em cena. (Os atores de P.Alegre primam, de modo geral, por seu desprezo à dicção).
Os diálogos do professor com a mãe internalizada (substituindo uma criada) remete, de imediato, a Hitchcock (Psicose). Como sou um fã de cinema, adoro as homenagens e alusões aos grandes cineastas: a luz oblíqua na fala final do professor, ao dialogar com a mãe, apenas acentua e assim revela afinal a própria prisão psicológica em que o mestre se acha.
Já a aluna de Luísa Herter, ingênua mas não inocente, está correta e bem composta: há uma equilibrada mistura de pureza e malícia na figura da estudante"

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Teatro de ar condicionado versus Teatro de suar

Estive pensando sobre algumas coisas que tenho lido a respeito de nosso espetáculo A LIÇÃO. Prontamente me veio a ideia de que é possível dividir o teatro em categorias, como exercício de reflexão. Há algumas décadas, Nelson Rodrigues, o maior dramaturgo brasileiro, escreveu:  "A partir de Álbum de família – drama que se seguiu a Vestido de noiva – enveredei por um caminho que pode me levar a qualquer destino, menos ao êxito. Que caminho será este? Respondo: de um teatro que se poderia chamar assim – “desagradável”. Numa palavra, estou fazendo um “teatro desagradável”,“peças desagradáveis”".
Nelson tinha consciência de que sua dramaturgia fugia ao padrão "sala de visitas" ao qual seus contemporâneos estavam acostumados. E não só aqueles pouco afeitos à arte como expressão cultural, mas mesmo os intelectuais. O gosto estabelecido é uma coisa difícil de tirar da pele, é como um encardido, que precisa ser esfregado com força para sair e fazer circular o sangue. Ainda hoje.
A oposição entre teatro desagradável e agradável me faz reivindicar a criação de outras duas categorias opostas: o "teatro de ar condicionado" e o "teatro de suar". O teatro de ar condicionado é aquele com marcações corretas, controladas e limpas. O teatro de suar é aquele que faz o caos se instalar (um caos controlado), mas um caos onde o teatro vive e se transforma em seu transcorrer. Luciano Alabarse é um adepto do teatro de ar condicionado, e tenho trabalhado com ele muitas vezes desse modo, com muito prazer. O Teatro Sarcáustico, cujo mais recente Wonderland é um exemplar típico do teatro para suar, produz encenações não resumíveis a marcações bonitas. A Cia. de Teatro ao Quadrado, do qual sou fundador, alterna espetáculos dos dois tipos, CONFORME A CONCEPÇÃO mais adequada.
Nosso A LIÇÃO é um teatro de suar, ou um teatro desagradável, na acepção rodriguiana. Isso é proposital. Portanto não aceito afirmações pseudo conhecedoras que afirmam não se tratar nossa peça de "um verdadeiro" Ionesco ou Hitchcock. Se quiserem ver Ionesco, leiam um de seus textos, no papel, impressos. Se quiserem Hitchcock, aluguem um filme na locadora. A arte não é uma reprodução simplória do que dizem os teóricos, que jamais colocaram os pés em um palco ou participaram de um processo de criação artística.
Rodrigo Monteiro, um jovem apreciador de teatro (o que é comprovado por sua assistência a um grande número de espetáculos), comete alguns equívocos na avaliação de nossa montagem de A LIÇÃO, quando diz que "a produção que almeja homenagear o Teatro do Absurdo acaba por ofendê-lo ou, ao menos, dele se distancia. O mundo não faz sentido para quem o vê de fora no teatro de Ionesco". O que significa "ofender o Teatro do Absurdo?" Não entendo, muito menos "o mundo não faz sentido para quem o vê de fora no teatro de Ionesco".
O Teatro do Absurdo surgiu como um grito de alerta em um mundo arrasado após a Segunda Guerra Mundial. Era uma reação, portanto, à violência. Autores como Sartre e Camus reagiram, seguidos por Ionesco e Beckett, à dificuldade de comunicação que levou ao assassinato de milhões de pessoas inocentes. O Absurdo é filho da violência. Então me digam, onde está a incoerência da ênfase na violência que praticamos em A LIÇÃO?  Ionesco escreveu que "para um texto bulrlesco, uma interpretação dramática; para um texto dramático, uma interpretação burlesca". O autor nos dizia para subverter as expectativas, já que através do inesperado o alcance do Absurdo seria maior. É o que fazemos em A LIÇÃO: começamos como uma comédia ionesquiana, em seu clichês, inclusive, para ultrapassar isso e chegar ao que consideramos relevante no século XXI: a violência é o absurdo contemporâneo, vide as guerras, os assassinatos em série, mata-se como se seres humanos fossem moscas, a vida perdeu o valor.
Cito Brecht, que dizia que ser fiel a ele era superá-lo. Ionesco, Shakespeare, Sófocles: não há cânones que sobrevivam sem sua atualização (e os intelectuais deveriam saber disso). Portanto cobrar um pretenso Ionesco de 1950 em uma montagem de 2010 é, no mínimo, ultrapassado.
Um outro comentário que li sobre a peça foi que "O 'professor' virou um mero serial killer; todo o discurso existente na obra de Ionesco se perdeu com isso. Chocar o público através da violência física é fácil se comparado ao chocar através das palavras, das ações, das expressões". O professor virou um mero serial killer? Um assassino que mata compulsivamente é algo tão comum que não merece reflexão, especialmente sobre em que mundo vivemos, que produz pessoas assim?. Equivocozão: parece que o autor dessas palavras não gostou de ser chocado pela violência, mas como chocar pelas palavras? Com palavrões? E violência física não é ação? Confuso, sinceramente. E, ainda por cima, parece que é um adepto do teatro de ar condicionado que temos aqui.
Finalizando: não é coerente afirmar que o texto A LIÇÃO perdeu com modificações e atualizações feitas por nós. Ionesco não é Shakespeare ou Goethe. Qualquer um que conheça minimamente a sua obra, e não que tenha apenas lido rapidamente A cantora careca, saberá que é um autor totalmente aberto a contribuições cênicas. E essa é, aliás, uma das particularidades da palavra escrita para a cena: ela é só 50% do que será o espetáculo. Qualquer artista dos palcos sabe disso. Não acredito em respeito irrestrito a um autor, isso é limitação, sim. Abrir-se para o contemporâneo, permitir-se descobrir temáticas atuais em textos antigos, isso sim é inteligente. Do contrário, fica-se apenas com o teatro agradável, ou o teatro de ar condicionado.

Comentários sobre A LIÇÃO 5

Comentário escrito pelo diretor teatral CAMILO DE LÉLIS:

 "Numa interessante experiência conceitual, A LIÇÃO da Cia. de Teatro ao Quadrado passa a ser tão de Hitchcock quanto de Ionesco, e algumas outras possibilidades de leitura dessa obra prima ficam ao dispor do público inteligente. As atuações de Marcelo Adams e Luisa Herter estão primorosas. A direção de Margarida Leoni Peixoto tem clareza em suas imagens  referenciais e exemplar capacidade inventiva"

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Comentários sobre A LIÇÃO 4

Comentário de CIDA MOREIRA, cantora:

"Um texto clássico do Teatro do Absurdo, encenado de forma vigorosa, contundente e corajosa, com desempenhos de tirar o fôlego...extraordinariamente assustadora, levando às últimas consequências a dramaturgia de Ionesco... um luxo..."

Comentários sobre A LIÇÃO 3

Comentário escrito pelo médico e fotógrafo JÚLIO APPEL:

"Uma montagem sem medo do julgamento, e por isso ousada.
Luisa Herter, ingênua, cativante, surpreendente! Marcelo Adams, engraçado e assustador, em atuação de gala.
Cenários, figurino, iluminação e uma trilha inquietante.
A contaminação de Ionesco por Hitchcock. Hibridismo é contemporâneo.
Humor ingênuo, humor negro, suspense, terror.
Causa estranheza, provoca gargalhada, choca!
Faz sentido tudo isto?
Nonsense?
Não perca!"

Comentários sobre A LIÇÃO 2

Comentário escrito pelo ator e diretor LUÍS CARLOS PRETTO:

"Na primeira vez que fui jurado de um evento cultural, uma jurada veterana me disse: - Não dá nota 10 de cara para os primeiros, porque sempre pode aparecer alguém com desempenho melhor até o final". Sorri, entendi, mas não obedeci.
O que vi ontem no teatro de arena, o espetáculo A LIÇÃO da Cia. de Teatro ao Quadrado, foi muito mais que eu esperava, pois em se tratando de Margarida, Marcelo e os atores envolvidos nos projetos deles a gente já sabe de antemão de algumas coisas que nos esperam: Boa direção, produção, técnica,energia em cena, boas atuações e etc...
Mas A LIÇÃO me deu algo mais e a todos os que estavam nesse sábado no Arena.
Me faltam palavras para descrevê-lo e também o espaço físico do blog me limita, mas elas virão em seguida por intermédio dos críticos de teatro, jornalistas e colegas artistas, mas as minhas resumo para promovê-lo: Assistam!
Os momentos finais do espetáculo onde se dispende uma energia e ações físicas muito intensas me faz ficar preocupado com a integridade física e mentais dos atores envolvidos, mas logo fico tranquilo por que tenho certeza que eles estão muito bem preparados para isso.
Esse final intenso vai chocar muita gente? (Não os teatreiros) Sim! Mas que bom!!!
Dou minha nota dez para Marcelo e Luisa sem pestanejar, sem me preocupar com o que verei na sequência e digo aos dois: Separem um bom espaço nas estantes pois virão prêmios por ai..Podem ter certeza! Açorianos para começar estariam em boas mãos!"

Comentários sobre A LIÇÃO

A Doutora em Ciências da Comunicação e professora da Unisinos, ANA ELISABETH IWANCOW, assistiu A LIÇÃO e escreveu sobre o que lhe causou o espetáculo:

"Adorei o espetáculo. Tive momentos de intensa inquietação! 
Uma inquietação que me fez pensar duas vezes se interagiria
e entraria na cena, ou me segurava e acompanhava seu desenrolar.

Mas como pra mim o papel da arte teatral é inquietar e fazer refletir, missão cumprida!
O espaço cênico não poderia ser outro, a própria "arena". Destaque ao talento de Marcelo Adams e o frescor de jovem atriz Luísa Herter, além da impecável direção de Margarida Leoni Peixoto."

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Steven Spielberg Top 5

Meus cinco filmes preferidos, dirigidos por Steven Spieleberg. Também ficaram de fora pérolas como Encurralado (1974), Contatos imediatos do terceiro grau (1977) e Império do sol (1987):

Tubarão (1975)


Os caçadores da arca perdida (1981)


E.T.- O extraterrestre (1982)


A lista de Schindler (1993)


O resgate do soldado Ryan (1998)

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Woody Allen Top 5

Os meus cinco filmes preferidos, dirigidos por Woody Allen. Ficaram de fora pelo menos mais cinco filmes brilhantes, mas...:
Um assaltante bem trapalhão (1969)


Noivo neurótico, noiva nervosa (1977)


A era do rádio (1987)


Desconstruindo Harry (1997)


Ponto final- Match point (2005)