O homem e a mancha

O homem e a mancha

quinta-feira, 28 de julho de 2011

LEGALIDADE, O ESPETÁCULO: comemoração em grande estilo

Getúlio Vargas (1882-1954)

João Goulart (1919-1976)

Carlos Lacerda (1914-1977)


Leonel Brizola (1922-2004)

Jânio Quadros (1917-1992)


General Machado Lopes (1900-1990)


Paulo César Pereio

Nos próximos dias 27 e 28 de agosto, Porto Alegre verá um espetáculo de grandes proporções, com teatro, música e dança. Nestas datas, e utilizando como cenário a própria fachada do Palácio Piratini, na rua Duque de Caxias, no Centro de Porto Alegre, será montada uma estrutura ao ar livre para comemorar os 50 anos do movimento da Legalidade, ocorrido entre o final de agosto e o início de setembro de 1961. O espetáculo, patrocinado pelo governo do estado do RS, tem direção cênica de Luciano Alabarse e contará, a partir de narrações, discursos, canções, coreografias, projeções e iluminação, um pouco do que representou a Legalidade para os gaúchos e para o Brasil.
Atores representarão algumas das principais figuras daquele momento:

Evandro Soldatelli viverá Leonel Brizola
Marcelo Adams viverá Jânio Quadros
Carlos Cunha Filho viverá Getúlio Vargas
Mauro Soares viverá João Goulart
Eduardo Steinmetz viverá Carlos Lacerda
Marcello Crawshaw viverá Che Guevara
Cassiano Ranzolin viverá Machado Lopes
Paulo César Pereio viverá ele mesmo (para quem estranhar o Pereio no meio desses políticos todos, saibam que ele e a poeta Lara de Lemos foram encarregados por Brizola, em 1961, de compor o Hino da Legalidade, um instrumento a mais para a resistência heroica daqueles dias: Lara fez a letra e Pereio a música).

Além disso, um coro formado por 20 atores dará vida aos principais momentos da Legalidade, e Luiz Paulo Vasconcellos e Ida Celina farão serão os narradores dessa história. A sonoplastia é de Margarida Leoni Peixoto.
A trilha sonora está sendo composta especialmente por Hique Gomez (do espetáculo Tangos e tragédias). Será um evento grandioso, que além dessas duas apresentações ao ar livre, na frente do Piratini, terá uma apresentação no Theatro São Pedro, em 1º de setembro, para aqueles que preferirem um local mais "quentinho").

Legalidade: 50 anos

Neste ano de 2011 completam-se os 50 anos de um dos movimentos políticos mais importantes da história do Brasil: o incidente que foi chamado de Legalidade, e que teve como protagonista o povo gaúcho, encabeçado pelo então governador do RS, Leonel Brizola. A Legalidade refere-se à luta pela legitimação da posse do vice-presidente João Goulart, o Jango (gaúcho de São Borja), após a renúncia do presidente Jânio Quadros, em 25 de agosto de 1961. Jânio renunciou após apenas 7 meses de mandato, alegando que "forças ocultas" o obrigavam a abandonar a presidência. O caso é que no momento da renúncia, João Goulart visitava a China comunista, em caráter oficial, o que fez "crescer o olho" dos militares da época, que alegavam não poder permitir que um homem ligado à esquerda (portanto, potencialmente perigoso), se tornasse o mandatário máximo do Brasil. Assim, com uma tentativa de golpe, tentou-se passar por cima da Constituição, que previa a ascensão ao poder do vice-presidente em caso de falta do presidente. Brizola, tomando as dores não só de Jango (de quem era cunhado), mas da Constituição em si, armou uma verdadeira operação de guerra no Palácio Piratini, sede do governo do estado, para evitar o golpe.
Aqueles dias de final de agosto de 1961 viram, em Porto Alegre principalmente, mas no restante do RS também, um dos maiores exemplos de civismo e engajamento político que nosso país já presenciou. Barricadas foram armadas na frente do Piratini; a população porto-alegrense recebeu revólveres e pistolas confiscadas da Taurus (fábrica de armamentos), tudo com o intuito de resistir à ilegalidade. No porão do Piratini foi montada uma rádio "clandestina", a Rede da Legalidade, que transmitia, 24 horas por dia, notícias relacionadas à crise, além dos inflamados discursos de Brizola, insuflando a população a resistir.
A Porto Alegre de 1961 viveu dias incomuns e inesquecíveis, sob a ameaça real de bombardeios, ordenados por generais e ministros militares do Sudeste e do Nordeste. Por pouco o Piratini não foi alvo de bombas: isso não aconteceu por uma questão de negociações e endurecimento.
Finalmente, Jango desembarcou no Brasil (a viagem de volta da China, naquela época, durava dias). Conseguiu, por força das pressões gaúchas, assumir a presidência do país, mas com uma distorção: o Congresso Nacional foi obrigado a mudar o regime de governo, de Presidencialismo para Parlamentarismo, e por esse motivo o Brasil teve, pela primeira e única vez em sua história, um Primeiro-Ministro: o mineiro Tancredo Neves. O Parlamentarismo brasileiro durou pouquíssimo: de 1961 a 1963, quando foi feito um plebiscito. O povo escolheu a volta do Presidencialismo, Jango recebeu seus devidos plenos poderes. Um ano depois, em 31 de março de 1964, ocorreu finalmente o famigerado golpe militar, que derrubou Jango e instalou no país um período negro que duraria até 1985. Mas isso é outra história.
A história do Brasil é tão rica que é possível ficar escrevendo por horas.

domingo, 24 de julho de 2011

A última estrada da praia ganha prêmio em festival

 O longa metragem A última estrada da praia, dirigido por Fabiano de Souza, foi premiado no I Festival Internacional Lume de Cinema, realizado na cidade de São Luís, no Maranhão. O festival promoveu competições entre filmes nacionais e internacionais, e A última estrada da praia, produção que faço parte do elenco, saiu com o prêmio de MELHOR DIREÇÃO para FABIANO DE SOUZA. O filme ainda não estreou comercialmente, espero que isso aconteça logo, para mostrar a força desse cinema feito no RS.
A lista dos premiados no festival é:

Competição internacional:
Melhor filme: O Moinho e a Cruz, de Lech Majewski (Polônia/Suécia)
Melhor diretor: Veiko Ounpuu, por A Tentação de Santo Antônio (Estônia)
Contribuição artística: Rio Dooman, de Lu Zhang (Coreia do Sul/China)
Menção honrosa: Abrigo de Dragomir Sholev (Bulgária)
Melhor curta: Rita, de Fábio Grassadonia e Antonio Piazza (Itália)
Contribuição artística em curtas: The Magus, de Jaimz Asundson (Canadá/Alemanha)
Menção honrosa em curtas: Fornos de Carvão, de Piotr Zlotorowicz (Polônia)

Competição nacional:
Melhor filme: Além da Estrada, de Charly Braun
Melhor direção: Fabiano de Souza, por A Última Estrada da Praia
Menção honrosa: Terra Deu, Terra Come, de Rodrigo Siqueira
Melhor curta: Caos, de Fábio Baldo
Menção Honrosa: O Som do Tempo, de Perus Cariry

Mostra olhar crítico:
Melhor filme: Totó, de Peter Schreiner (Áustria)

quarta-feira, 20 de julho de 2011

OFICINA DE MONTAGEM DA CIA. DE TEATRO AO QUADRADO

PLAZA XAVANTES (2011)


BOLE BOLE ROCAMBOLE (2010)


SPA- SITIADOS PARA ASSASSINATO (2010)


PÃO COM LINGUIÇA (2009)


TODA FORMA DE AMOR (2009)


NEGROS DIAS (2008)

As imagens acima são de alguns espetáculos de conclusão da nossa oficina. São muitos outros, desde 2002, todos com texto escrito por mim especialmente para as turmas, e com direção de MARGARIDA LEONI PEIXOTO.
A próxima turma inicia dia 8 de agosto, com aulas às segundas e quartas, das 19h às 21h45min, no Centro Cultural Cia de Arte (Andradas, 1780, Centro de Porto Alegre). As apresentações do espetáculo resultante da oficina serão apresentados em dezembro.
Maiores informações pelos fones (51) 3226-9260 ou 9911-6831

terça-feira, 19 de julho de 2011

Poesia

Os filmes coreanos a que tenho assistido nos últimos tempos são sempre surpreendentes. Misturam temas difíceis de serem relacionados, e talvez seja exatamente esse o segredo da originalidade desse cinema. Poesia (2010) não foge a essa regra, e conta a história de uma mulher de 66 anos que começa a sofrer os primeiros sintomas do Mal de Alzheimer, quando se dispõe a frequentar aulas de como escrever poesia. Junto a esse tema principal, o filme aborda um suícídio, um estupro coletivo, a sexualidade no fim da vida e a decadência física. Momentos de poesia fílmica tornam o filme uma experiência bela e marcante. Está nas locadoras, para quem quiser ver uma obra rica e de conteúdo superior.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Richard Burton (1925-1984)


O ator galês Richard Burton deixou sua marca no teatro e no cinema do século XX. Assisti a duas entrevistas concedidas por ele à BBC, nos anos 1970, e fiquei impressionado com a informação de que ele fumava de 60 a 100 cigarros por dia, além de ser alcoólatra. Perguntado pelo repórter se, pela excessiva ingestão de tabaco, ele não temia ter câncer de pulmão ou um AVC, Burton respondeu que sim: estava em seus planos largar o cigarro. Mas, que eu saiba, ele não conseguiu, e morreu precocemente, com menos de 60 anos, de uma hemorragia cerebral.
Os colegas de cena de Burton afirmavam ser ele de difícil convívio, compensada essa má convivência com os belos resultados conseguidos em suas atuações. Jamais ganhou um Oscar, apesar de ser indicado várias vezes: por Eu te matarei, querida (1952) como Ator Coadjuvante, mas nas seis indicações seguintes como protagonista - O manto sagrado (1953), Becket, o favorito do rei (1964), O espião que veio do frio (1965), Quem tem medo de Virginia Woolf? (1966), Ana dos mil dias (1969) e Equus (1977).
Burton teve dois tumultuados casamentos com Elizabeth Taylor (sim, dois: eles se divorciaram da primeira vez e casaram de novo, anos depois), e posso imaginar as bebedeiras conjuntas que devem ter vivido, já que Liz Taylor era igualmente alcoólatra.

Coração louco

Gosto de acompanhar os trabalhos de atores e atrizes que são premiados por seus trabalhos em festivais (Oscar, Berlim, Veneza, Cannes, etc.), porque é possível aprender, e muito, com a observação de grandes intérpretes. Esse é um dos motivos da minha incompreensão diante de determinados artistas que se recusam, sistematicamente, a acompanhar o que acontece nos nossos palcos. Essa incongruente não-curiosidade só é explicável por dois motivos: ou o artista acredita, equivocadamente, que já está "pronto" e nada mais tem a aprender com o que o rodeia; ou não gosta de fato do que faz, transformando seu ofício apenas em um meio de subsistência, tão mecânico quanto carimbar formulários em um escritório.
Mas falando sobre grandes interpretações, para mim, que sou ator (e incompleto e insatisfeito por definição), assistir a um trabalho como o de Jeff Bridges em Coração louco (Crazy heart, EUA, 2009) proporciona refletir sobre a técnica e embevecer-se com o resultado.
Interpretando o cantor de música country decadente Bad Blake, Bridges entrega um trabalho de composição delicado e merecidamente premiado com o Oscar de Melhor Ator. Bridges que atuou tão bem em filmes como A última sessão de cinema (1971), Starman- O homem da estrelas (1984), O silêncio do lago (1993), O grande Lebowski (1998) e Bravura indômita (2010) é versátil, carismático e possui o timing da câmera: sabe que fazer pouco, mas com conteúdo, é quase infalível.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

PLAZA XAVANTES estreia sexta

O novo espetáculo da Oficina de Montagem da Cia. de Teatro ao Quadrado estreará na próxima sexta-feira, dia 15 de julho: PLAZA XAVANTES é uma comédia ambientada em um condomínio de classe média baixa na periferia de Porto Alegre. Nesse local, repleto de personagens com as mais diversas experiências de vida, desenvolve-se a história, fixada no cotidiano dessas pessoas ao longo de uma segunda-feira qualquer.
O escritor francês Émile Zola (1840-1902), que escreveu romances e adaptou um deles para o teatro (Thérèse Raquin), é considerado o "pai" do Naturalismo na literatura. O Naturalismo surgia, no final do século XIX, como uma tentativa de colocar, sobre o palco, uma "fatia de vida" da sociedade. Em PLAZA XAVANTES não me filiei à ambição de Zola, mas a expressão "fatia de vida" se adequa bem ao texto que escrevi: não há um único conflito que mobilize a todos, mas pequenos nichos dramáticos (e neste caso, cômicos) onde as personagens se mostram em sua rotina, em seu dia-a-dia. Por se tratar de uma comédia, o espetáculo construído a partir do meu texto faz uso das mais diversas técnicas para provocar o riso, todas elas largamente utilizadas, desde Aristófanes, para o deleite das plateias. Em suma, o novo espetáculo da nossa oficina é um exercício para os alunos-atores brincarem com esse gênero, que me encanta pela sua aparente simplicidade, mas que exige de seus intérpretes uma técnica apurada e o famoso timing para que o humor aconteça.
A direção é de Margarida Leoni Peixoto, e no elenco estão Bruna Eltz, Carine Lopes, Diogo Zanella, Fáber Morrudo, Fernanda Viale, Flávia Boabaid, Gissele Fajreldines, Joana Sousa, Karla Kastro, Kelly Goebel, Mafalda Panattieri, Marcello Crawshaw, Mariana Petersen, Mari Pacheco e Pedro Antunes.
Dias 15, 16 e 17 de julho (sexta e sábado às 20 horas e domingo às 18 horas)
No Centro Cultural Cia. de Arte (Andradas, 1780, Centro de Porto Alegre)
Ingressos R$ 10


segunda-feira, 11 de julho de 2011

IFIGÊNIA EM ÁULIS + AGAMENON: um comentário


Comentário escrito por Gustavo Saul, em http://www.ocafe.com.br/
Há uns quatro meses atrás escrevi uma coluna sobre a origem do teatro, aonde de fato tudo começou. Procurei contextualizar e explicar ao leitor as figuras de Dionísio, deus do vinho, do ditirambo, a procissão realizada em torno desta entidade e mencionei brevemente os três grandes dramaturgos que foram responsáveis por conceber e criar aquilo que é chamado tragédia grega.
Ésquilo é o mais antigo dos autores gregos e criador da tragédia em sua forma definitiva. De acordo com Aristóteles, que em sua Poética apresenta três versões para o nascimento da tragédia, ele tinha como característica aumentar o número de personagens usados nas peças para permitir e gerar assim, mais conflitos internos entre eles, possibilitando uma interação além do personagem-coro. Nascido em Elêusis, nas proximidades de Atenas, combateu nas batalhas de Maratona e Salamina contra os invasores persas de sua patria e, além da Orestéia, trilogia constituída por Agamenon, As Coéforas e As Eumênides, escreveu outras 87 peças.
Eurípedes foi o último dos três dramaturgos trágicos. Alguns especialistas estimam que ele escreveu cerca de 95 textos e foi o grego que mais teve peças intactas até hoje: 18 no total! Entre elas estão Medéia, Andrômaca e Ifigênia em Áulis.
Percebendo de forma sagaz que Agamenon de Ésquilo praticamente sucede Ifigênia em Áulis de Eurípedes, o diretor Luciano Alabarse encarou a missão de montar sequencialmente esses dois grandes textos possibilitando que o espectador tivesse uma visão global dos destinos trágicos que foram traçados na vida dos personagens e das profecias concretizadas. O segundo, gira em torno do conflito de Agamenon, que deve sacrificar em altar sua filha à deusa Ártemis, para que só assim soprem bons ventos as tropas gregas. O primeiro, narra o retorno do general vencedor e as consequências de suas ações bélicas tanto em Tróia quanto em Argos. Nesse ínterim, agregam-se alguns fragmentos de As Troianas, outro clássico texto de Eurípedes e que retrata o final da Guerra de Tróia sob o espectro das prisioneiras troianas escravizadas.
E da concepção à realização, o que percebemos é a essência do teatro grego intactamente preservado. Da elaboração dos coros, minuciosamente bem construidos e executados, da trilha sonora, que apesar de na grande maioria das vezes ser contemporânea sublinha e enaltece o conteúdo dramatúrgico, pode-se afirmar que mais uma vez Luciano Alabarse foi bem-sucedido em seu projeto.
Quanto às atuações, praticamente todos estão muito bem em cena, mas acho justo destacar o elenco jovem do espetáculo. Fabrízio Gorziza apresenta um Aquiles intenso e verdadeiro, revelando claramente os conflitos internos à que é submetido, a coragem e a bravura de seguir em frente numa empreitada suicida. Eduardo Steinmetz aparece pouco, mas o suficiente para fisgar a atenção do espectador, seja como o Mensageiro  de Ifigênia, ou o Arauto de Agamenon. Sua voz é limpa, suas pausas são perfeitamente encaixadas, sua atitude é orgânica. O mesmo ocorre com o Corifeu de Fernando Zugno, principalmente na máscara e no olhar.
Mas o grande destaque fica à cargo exatamente da personagem-título! A atuação de Fernanda Petit é digna de fascínio, com uma capacidade incrível de compreensão, assimilação e execução em sua Ifigênia, feito admirável para uma atriz tão jovem. Mesmo contracenando com o grande Marcelo Adams (excelente, como sempre) e uma Vika Schabbach em um de seus melhores desempenhos, Petit se sobressai com uma virtuose absolutamente latente, uma emoção genuína, uma verdade hipnotizante. Sua atuação deveria servir de exemplo para os jovens atores que estão adentrando no ofício teatral. Incrível, absolutamente incrível!

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Clube dos cinco

Ontem aconteceu a última apresentação da temporada do espetáculo Clube dos cinco, adaptação de Bob Bahlis, que também dirigiu o espetáculo, para o filme emblemático dos anos 1980. O longa, de 1985 (The breakfast club), faz parte de uma onda de produções dirigidas ao público jovem que teve seu início naquela década nos EUA, do qual fizeram parte títulos como Porky's (1982), Picardias estudantis (1982), Gatinhas e gatões (1984) A garota de rosa shocking (1986) e Curtindo a vida adoidado (1986). O Brasil também teve o seu momento nesse gênero, com títulos como Menino do rio (1981), Garota dourada (1983), Bete Balanço (1984), Rock estrela (1986) e Rádio pirata (1987).
A versão teatral de Bob para o cult de John Hughes segue de perto o roteiro do filme. Em pouco menos de 60 minutos, a peça traz de volta as cinco figuras originais do filme americano que, a rigor, podem ser encaradas como personagens-estereótipo, pois são construídas sobre alguns dos principais tipos que nos acostumamos a associar ao comportamentos dos jovens (seja dos anos 80, seja dos atuais): a patricinha, o marginal, o atleta, a estranha e o nerd. O que o filme queria, e o que a peça também parece buscar, é a superação desses clichês, mostrando que alguém que parece ser de um jeito muitas vezes não o é (ainda que em muitas ocasiões, seja mesmo). Assim, em um sábado qualquer, esses cinco jovens são colocados juntos em uma sala da escola que frequentam, como castigo para atitudes que (descobrimos ao longo da peça) ultrapassaram os limites esperados de um adolescente estudante de classe média.
O elenco é formado por Beto Mônaco, Catharina Cecato Conte, Gabriel Ditelles, Mariana Del Pino, Pingo Alabarce e Thiago Tavares, que dão conta do recado e defendem seus papeis com garra. Ainda que a peça tenha vários momentos cômicos, em minha opinião os melhores são aqueles em que a desesperança e a  frustração dos jovens explode pela via dramática, justamente fazendo aquilo que parece ser a intenção da história: mostrar que quem vê cara não vê coração.
Espero que a peça volte logo a cartaz, pois a lotação do Teatro Bruno Kiefer demonstra que há uma grande demanda reprimida por espetáculos que tematizem a juventude, e que discutam questões que fazem diferença para os atuais adolescentes da geração Y. Clube dos cinco, nesse sentido, é uma grande contribuição inclusive para a formação de público em nossa cidade. 


domingo, 3 de julho de 2011

Ifigênia em Áulis + Agamenon faz sua última apresentação

Meses se passaram entre a primeira foto, em novembro de 2010, para divulgação preliminar, e o espetáculo que agora está em cartaz, para sua última apresentação, neste domingo 3 de julho. As caras mudaram. A compreensão do que é fazer uma tragédia deste porte se aprofundou. O jogo entre os atores solidificou-se (sim, há muito jogo em uma tragédia). Para mim, mais uma oportunidade de dar vida a uma grande personagem: desta vez, o general grego Agamenon, o herói trágico desta grande obra de Eurípides.
Atores (e diretores) são artistas inquietos. Encerramos hoje a carreira de Ifigênia em Áulis + Agamenon e já pensamos, ansiosos, na próxima estreia, em abril de 2012. Será uma obra densa, contemporânea, profundamente teatral (no melhor sentido possível). Novamente uma parceria com o Luciano, que outra vez me presenteará com um grande protagonista. Ainda não posso falar do que se trata, mas dou uma pista: é uma peça nunca montada em Porto Alegre, mas que já percorreu os grandes palcos do mundo, de Nova York, Londres, São Paulo, etc. Outra dica: quando essa peça foi adaptada para o cinema, o ator que interpreta a personagem que farei foi indicado ao Oscar de Melhor Ator. Quer mais? Prato cheio!