O homem e a mancha

O homem e a mancha

quarta-feira, 30 de julho de 2014

HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO

Um garoto cego se apaixona por um colega recém chegado à sua escola. Um belo filme, dirigido por por Daniel Ribeiro, recém lançado (2014). Delicado e (por que não?) romântico, tratando da descoberta da sexualidade na adolescência. Originalmente, essa história virou um curta-metragem, dirigido pelo mesmo Daniel Ribeiro, que ampliou para um longa. Vale muito a pena assistir.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

A VERTIGEM DOS ANIMAIS ANTES DO ABATE: A VISÃO DE ANTONIO HOHLFELDT

Apesar de considerar o jornalista e professor Antônio Hohlfeldt um homem muito inteligente, geralmente sinto falta de que, em suas análises teatrais, ele valorize a encenação (aquilo que não é dado a priori por um dramaturgo, escrevendo no conforto de seu gabinete, a milhares de quilômetros de distância) tanto quanto a dramaturgia, em um espetáculo. O que geralmente leio é o contrário: Hohlfeldt argumenta bastante sobre a dramaturgia e deixa de lado justamente aquilo QUE FAZ DO TEATRO, TEATRO, ou seja, os inúmeros elementos que se juntam, se influenciam, se atritam, se contradizem, no momento presente, no "ao vivo" do evento teatral. Mesmo com essa ressalva, compartilho a opinião escrita de Hohlfeldt sobre nosso espetáculo, lamentando no entanto que ele dedique apenas algumas linhas aos artistas locais, que literalmente suam as camisetas durante 2 horas, e destaque a inegável qualidade do texto de Dimítris Dimitriádis. Também ressalto a distraída não menção do nome de MARGARIDA PEIXOTO, cujo nome consta no programa distribuído a todos os espectadores, como codiretora de A vertigem dos animais antes do abate, ao lado de Luciano Alabarse. Segue o texto de Hohlfeldt, publicado no Jornal do Comércio de Porto Alegre, em 18 de julho de 2014:
 

Ousadia e profunda reflexão

Sempre que temos a possibilidade de conhecer um novo dramaturgo, sobretudo contemporâneo, este é um momento de alegria. No caso de Dimítris Dimitriádis, tão mais importante porque, em ampla circulação na França, onde se encontra consagrado, é quase inédito no Brasil (há uma montagem em São Paulo que adapta um texto de prosa, dele, para o teatro, a exemplo do que já ocorreu na Europa), tanto quanto em seu país de origem, a Grécia, o que não é para admirar, tal a subversão das formas clássicas e a ferocidade com que investe contra o estatuto da classe média.
A vertigem dos animais antes do abate, belíssimo título, que é referido no interior do texto, pelo coro, é uma peça instigante: faz citações mais ou menos diretas a boa parte das tragédias clássicas, de Ésquilo a Eurípides, passando especialmente por Sófocles. Neste texto, igualmente, inverte-se aquilo que Aristóteles havia reconhecido, em seu estudo sobre a tragédia: quem comanda os destinos dos homens são os deuses. Ora, para Dimitriádis é o inverso: quem comanda o universo dos homens são os próprios homens e o grande responsável pela infelicidade humana é o falo masculino. Por isso, ao final do espetáculo, ocorre a autocastração, numa tentativa de eliminar o motivo causador da tragédia. Contudo, o personagem não se dá conta que existe algo mais do que o simples sentido sexual. Quando Militsa planeja o casamento com Nilos, não o faz apenas por uma questão de desejo sexual, mas, mesmo que inconscientemente, por ambição. Esta se torna, no curso da peça, a grande motivadora do que se vai seguir. É o que leva Nilos a romper com Filon: casar com Militsa é o modo pelo qual o casal vai ascender socialmente. Há uma passagem interessante, aí pela metade do texto, em que Nilos recorre à Filon para recompor a maldição que então o amigo e amante lhe antecipara. O que ele necessita é precisar a ordem pela qual a maldição foi pronunciada. O que temos, então, é claro: o final do I ato ocorre quando Nilos apresenta à esposa uma espécie de inventário de todos os imensos bens que possuem. O II ato já se abre, contudo, com o início da queda.
É como se Dimitriádis seguisse a perspectiva debatida, nos anos 1970, por Herbert Marcuse: entre Eros e Tánatos (vida e morte; sexualidade e poder, seja ele financeiro ou político, ou ainda ambos, como se depreende da peça, a contemporaneidade dá preferência ao segundo. Esta é a sua culpabilidade). Nilos, então, recria a ordem da maldição. Relembra Filon: “Viverão felizes no início, vão enriquecer e ter tudo o que nunca sonharam, mas pouco a pouco voltarão a perder tudo”. Esta é a chave, em meu entender, de toda a peça. Para mim, portanto, é menos uma questão psicológica ou algo parecido, mas política, sem o que fica sem sentido toda a passagem que envolve Evguenius, inclusive o fato de ele morrer por uma pretensa revolução gorada. Há, claro, uma relação entre a sexualidade e a Economia/Política (poder) mas há, também, uma avaliação, por parte do dramaturgo, que esta ambição pelo poder mata a sexualidade e produz todos os acontecimentos trágicos que a peça desenvolve. Por isso a reflexão final de Nilos: “Ninguém pode escapar do que lhe está destinado.  Isso é uma pergunta? Não. A pergunta é qual é a pergunta. Ainda não sei qual é a pergunta”.
Luciano Alabarse evidencia enorme ousadia e coragem ao realizar a montagem deste texto. Teve uma bela produção, o que demonstra ter investido forte e resolutamente. A presença do maestro Everton Rodrigues, ao piano, que há poucos dias me chamou a atenção por seu trabalho em Godspell, confirma sua qualificação. A escolha de Chopin, por exemplo, é sensível. A interpretação de Muni é inesquecível. O elenco todo se encontra muito equilibrado, seguro, corajoso.
Teria apenas pequenos reparos a fazer: não entendi por que os homens ficam nus e as mulheres, não. Também discordo do modo pelo qual Alabarse conclui o espetáculo. A incidência final da canção é dispensável. Não se discute a natureza humana quanto à animalidade sexual (erótica) e, sim, quanto à animalidade da ambição.

domingo, 13 de julho de 2014

A VERTIGEM DOS ANIMAIS ANTES DO ABATE: O SACRIFÍCIO DO FALO


Texto escrito pelo historiador e arqueólogo Francisco Marshall, e publicado no caderno Proa do jornal Zero Hora, edição de 13/07/2014:

O SACRIFÍCIO DO FALO
A tragédia A Vertigem dos Animais Antes do Abate, do dramaturgo grego Dimítris Dimitriádis (1944), ora montada por Luciano Alabarse e Margarida Peixoto, realiza no palco do Theatro São Pedro um rito trágico completo, com sacrifício, aniquilamento e a catarse que só as grandes obras podem provocar. Catarse, do grego katharsis, purificação, é o resultado de um ritual profilático, em que, segundo Aristóteles, são purgados terror e piedade, e com isso se produz a experiência do assombro e, ao mesmo tempo, do alívio: todos aqueles horrores aconteceram lá, no palco, mimetizados, e podem ser agora vividos, apreciados e examinados, com a proximidade e a distância dadas pela arte.
O título refere a antessala do abate, na cozinha do sacrifício; nesta, as vítimas são preparadas ritualmente, para que possam recolher todas as máculas do ambiente e assim purgar a comunidade de miasmas que podem embotar as fontes da vida. Este processo era designado pelos romanos como augmentum, a preparação das vítimas, e é disto que trata esta tragédia, de demonstrar a anatomia do sacrifício, de seus pródromos à consumação. Desde o título e em todo o texto, a natureza humana é posta em xeque, pela metáfora animal com a qual se identifica também algo de nossa bestialidade, o peso de uma parte orgânica e irracional do ser humano, que se descobriu ser frequentemente protagônica. Eis aí a questão trágica central: o que é o ser humano, o mais terrível dos seres terríveis? Eis também a questão posta ao espectador: eu sou isto? Quando, como e em que medida?
O drama situa-se no cerne da herança trágica grega. Há nele Ésquilo e a dimensão teológica do destino, há Sófocles como guia dramático e há a passionalidade cínica de Eurípides. Mega-edipiano, o drama começa com a emissão, na quarta cena, de uma profecia pavorosa, em tudo similar à que Tirésias lança no primeiro episódio de Édipo Rei. Esta ousadia do autor, antecipar o desfecho, na obra de Sófocles é sucedida por um desvelamento judiciário e detetivesco da verdade trágica, a mais perfeita peripécia, ao passo que Dimitriádis segue o caminho inverso: explicitar a morfologia cotidiana do trágico, revelá-lo cruamente, tornando evidente o que na tragédia grega clássica era obsceno. Sob o manto da profecia do personagem Fílon e dentro de um palacete burguês, a mais perversa trama de incesto e violência tem lugar: pai, mãe, filhos e filha entregam-se a todos os desejos iníquos, ao ponto de a mãe Milítsa (duplo de Jocasta) ter um filho e neto do próprio filho caçula, Evguenius. Ao contrário do Édipo sofocleano, porém, o protagonista Nilos cresce em riqueza e poder durante a trama, e realiza o destino de que foi advertido, sem ironias ou erro em estado de ignorância (hamartía), imbuído do furor faltoso que o arrasará e à sua família. É a voracidade e a irracionalidade do desejo que são examinados; o sujeito desta pulsão fatal é exposto no texto e no palco, e por fim indiciado como fonte dos males e aniquilado em cena: o falo.
A tragédia grega era criptofálica; havia falo monumental no centro da plateia, sob a forma de uma escultura própria dos ritos de fecundidade do culto de Dioniso, mas jamais se refere ou se apresenta o falo em cena. Todavia, a Atenas clássica era, como definiu Eva Keuls em The Reign of the Phallus (1985), uma falocracia, e nisto Dimitriádis assinala sua contemporaneidade pós-freudiana, e devolve a questão aos trágicos gregos. A inversão trágica trata de apresentar o instrumento de prazer e perpetuação da espécie como causa de sofrimento e aniquilamento. O espectador poderá especular: será o falo este criminoso tal? Será que o signo da virilidade é também símbolo da catástrofe, a origem da perdição dos indivíduos e das famílias? A denúncia atinge o patriarcado ocidental e suas formas de vaidade e poder; logo, é tragédia também histórica, social e política.
Há mais tragédia grega na estética do texto, não apenas na voz do coro, mas também na referência a Antígona e o cadáver do irmão e na marca de Electra, o exame das relações de fraternidade e das vinculações pai-filha. Há também muito Ésquilo, na reflexão sobre o destino que se estende à angústia bíblica e as relações sórdidas entre criador e criatura. Abre-se a questão entre destino, condição humana e inteligência: esta condição trágica é um destino inexorável ou preserva-se autonomia para contornarmos tal sina e vivermos felizes? Édipo é tragédia do destino e, simultaneamente, do indivíduo que se afirma como autor responsável por seus atos. Dimitriádis altera a equação, e põe toda a força do destino no sujeito, apagando da personalidade autoral o freio da consciência, e provocando o empate entre profecia e história. Sempre dentro da fórmula clássica, o dramaturgo elimina todas as possibilidades e conduz a ação para o aniquilamento final, em que se dá a anagnórisis (a passagem da ignorância ao conhecimento), em que tudo deve se tornar claro para os agentes conduzidos por destino ou cegueira, no palco e na vida.
 

terça-feira, 8 de julho de 2014

O QUE O TIO FACEBOOK NÃO DEIXA MOSTRAR

Como muitos sabem, e alguns já sentiram na pele, a política do Facebook não permite o compartilhamento de fotos que sejam por eles consideradas "apelativas sexualmente" ou "imorais". Como o Tio Blogger é mais liberal, resolvi, num acesso de despudor, colocar aqui uma foto de cena em que apareço em nu frontal, clicada pela ótima fotógrafa Luciane Pires Ferreira. A Luciane foi ao Theatro São Pedro, durante nossa temporada de A VERTIGEM DOS ANIMAIS ANTES DO ABATE, e em meio a muitas lindas fotos, algumas delas registram um momento muito especial para mim, em minha carreira: minha estreia, depois de 21 anos de teatro, com um nu. Não é algo tão raro assim, convenhamos: o teatro é um local em que a nudez masculina é bem mais comum que o cinema, por exemplo. Quando cursava Jornalismo na PUCRS fui aluno do Tatata Pimentel na disciplina de Teoria da Comunicação, e uma coisa que ele sempre ressaltava era o horror causado pela visão de um pênis (muito mais agressivo que uma vagina: questão de visibilidade, já que o órgão reprodutor masculino é externo, e o feminino, interno). Tatata exemplificava essa interdição ao nu frontal masculino com imagens de campanhas da Benetton:
 
 
Aqui em Porto Alegre, por inúmeras vezes o nu esteve presente: nos espetáculos do Ói Nóis Aqui Traveiz, do Roberto Oliveira, do Teatro Sarcáustico...Neste ano assistimos também uma excelente montagem, Isso te interessa?, da Cia Brasileira de Teatro, em que os atores permaneciam o tempo todos nus, e não era nada nada apelativo, era lindo e totalmente conveniente à linguagem do espetáculo.
Então, eis aqui minha contribuição à desmistificação da nudez masculina em cena: interpretando o patriarca atormentado Nilos Lákmos de A vertigem dos animais antes do abate, chego a um ponto muito importante da minha vida no teatro: o que a língua inglesa conceitua como point of no return, aquele em que assumo publicamente, com a exposição máxima de meu corpo, minha devoção à minha arte. É provável que essa minha declaração de princípios e amor pelo teatro não soe tão importante assim para ninguém mais além de mim. É que o teatro, apesar de ser uma arte coletiva por definição, acontece primeiro dentro de cada um de nós, atores e atrizes, que nos entregamos, fisicamente e psiquicamente ao nosso ofício, na solitude de nossos corações e mentes. Para mim, esse momento é como a confirmação da crisma no ritual católico. Já que não tenho uma religião oficial, confirmo os votos da minha religião paralela: o Teatro.


 

sábado, 5 de julho de 2014

A VERTIGEM DE UMA ESPECTADORA

 
Uma espectadora assistiu A vertigem dos animais antes do abate e colocou em seu blog (www.tagarela78.blogspot.com.br) as suas impressões. São tão bonitas as palavras da Daniela Spera, que as reproduzo aqui:
 
Uma experiência arrebatadora
Faz tempo que não venho compartilhar minhas impressões sobre algum espetáculo, apesar de estar sempre presente na platéia conferindo o que rola por puro amor e prazer. Ontem, porém, passei por uma experiência arrebatadora ao assistir à estréia de “A Vertigem dos Animais Antes do Abate” no Theatro São Pedro. Tão arrebatadora que senti necessidade de compartilhar.
Não via um trabalho teatral tão bom há tempos. É notória e emocionante a entrega dos atores às personagens. Tanto que eu imagino que eles terminem o espetáculo esgotados tanto física quanto emocionalmente. E nós, a platéia, chegamos ao fim do espetáculo encantados, arrebatados.
Infelizmente, na saída do teatro, no elevador da garagem, alguns casais que desceram conosco comentavam negativamente a peça. Inclusive, perguntaram a mim e ao meu marido se havíamos gostado ao que prontamente respondi que sim, muito. E logo vi narizes torcidos para mim… Os comentários diziam que a peça era doentia e uma das senhoras disse que nem ia conseguir dormir direito. Uma pena que não tenham conseguido captar a mensagem…
Realmente o espetáculo pode ser chocante para algumas pessoas pois trata da selvageria humana, daquilo que nos é mais primitivo, dos instintos. No entanto, o que o público precisa entender é que o fato de tais situações serem encenadas não significa que está sendo feita uma defesa desses comportamentos. Apenas está sendo retratada, como já disse, a selvageria humana, nosso lado mais primitivo. Talvez, se não tivéssemos tantos filtros, se não fôssemos civilizados, se todas as regras,  se todos os valores morais, se o ego e o superego saíssem de cena, nós agíssemos assim. Ou seja, seria o reinado do id. Talvez essas poucas pessoas que desceram conosco no elevador do estacionamento não tenham conseguido fazer essa leitura. Sinto muito por elas. Eu dormi muitíssimo bem, ainda encantada e tocada pelo belíssimo trabalho a que tinha assistido. E é justamente essa a maior beleza do teatro: tocar o público, provocá-lo, emocioná-lo. Missão cumprida com louvor!
A peça mostra uma tragédia grega (literalmente, com todos os elementos típicos) porém contemporânea. As atuações dos atores são brilhantes! A entrega dos atores às personagens é total e linda de se testemunhar. Inclusive, lembro de ter pensado durante o espetáculo no quanto era impressionante ter sido reunido um elenco tão perfeito, de tamanha qualidade. Atores bastante conhecidos do público, como Marcelo Ádams e Ida Celina, e outros nem tanto (pelo menos, menos conhecidos para mim), mas todos excepcionais e talentosíssimos! Cada um ocupando o seu devido lugar e, assim, fazendo um belíssimo trabalho de equipe, tal qual o teatro deve ser.
A montagem está mesmo maravilhosa! O cenário é simples e dinâmico, cumprindo seu papel e deixando que as emoções exploradas pelo texto e pelas brilhantes atuações reinem absolutas. A direção é de Luciano Alabarse, que dispensa maiores comentários ou apresentações, e de Margarida Peixoto. Para completar, a música casa perfeitamente com a ação na bela voz de Muni e com o piano de Everton Rodrigues.
O texto original é do grego Dimitris Dimitriádis e nunca havia sido montado no Brasil. Só o título já conquista: “A Vertigem dos Animais Antes do Abate”, mas havia tantas passagens interessantes que eu juro que senti vontade de abrir a bolsa, puxar papel e caneta e anotar algumas frases. Um exemplo: “As perguntas são os alicerces do mundo. Por isso mesmo devem ficar sem respostas.”
Eu amei! Dou nota máxima, recomendo e assistiria outras vezes com toda a certeza. Felicidade é teatro de qualidade!
Meu único pitaco seria quanto ao desfecho do espetáculo… Minha cabeça ficou imaginando que seria bastante interessante que no momento em que o personagem Nilos Lákmos diz a seguinte fala, na beira do palco, encarando o público: “Eu sou Nilos Lákmos. E vocês quem são?”, poderiam se apagar todas as luzes e terminar o espetáculo. Acho que seria impactante, arrebatador mesmo (mas, claro, é apenas minha humilde, leiga e delirante opinião). Afinal, para mim, esse é o grande lance da peça: você domina os seus demônios ou permite que eles dominem você?
Daniela Annes Spera – Porto Alegre, 04 de julho de 2014
#avertigemdosanimaisantesdoabate
 

quarta-feira, 2 de julho de 2014

FAMÍLIAS FORA DA ORDEM

Nosso espetáculo A vertigem dos animais antes do abate traz, como uma boa reatualização da tragédia grega, uma família como núcleo, onde brotam e apodrecem amores e ódios interditos. No seio dessa família de gregos contemporâneos, os Lákmos, formada pelo patriarca Nilos e a matriarca Militsa, e os filhos Emilius, Evguenius e Starlet, têm lugar terríveis acontecimentos, o que torna ainda mais chocante as ações por eles praticadas. O autor da peça, Dimítris Dimitriádis, ele próprio grego, escreveu seu texto em 2000, recheando de citações à mitologia e às figuras atormentadas da tragédia clássica ática.
O cinema também tem prazer em escarafunchar o interior de famílias, e revelar a tensão que subjaz aí. Alguns filmes que o fizeram, de modo exemplar:

 
Teorema (1968)
 
Os 7 gatinhos (1980)
 
A família Addams (1991)
 
 
Festa de família (1998)
 
Beleza americana (1999)
 
Álbum de família (2013)