O homem e a mancha

O homem e a mancha

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Meu orientador, José Ronaldo Faleiro

Iniciei neste 2014 meus estudos de Doutorado, no Programa de Pós-Graduação em Teatro da Udesc (Universidade Estadual de Santa Catarina). No Brasil, existem poucos lugares onde é oferecido o Doutorado em Teatro (Santa Catarina, Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia), e a opção pelo estado vizinho me pareceu a mais adequada para meu atual momento profissional, já que não tenho disponibilidade para morar fora do Rio Grande do Sul agora.
No entanto, a escolha por Florianópolis como destino nos próximos quatro anos de estudos não deveu-se apenas à proximidade geográfica, mas também pela escolha do orientador que eu desejava para me acompanhar nessa trajetória: o professor Dr. José Ronaldo Faleiro, que leciona na graduação e na pós-graduação da Udesc há vários anos.
Faleiro é gaúcho, e formou-se, como eu, em Direção Teatral no DAD- UFRGS, em 1970, além da Licenciatura em Teatro. De 1972 a 1986 morou na França, onde foi aluno de nomes fundamentais do teatro no século XX, como Bernard Dort, Richard Monod, Jacques Lecoq, Monique Borie, Philippe Gaulier, Monika Pagneux, Mario Gonzalez, Judith Malina e André Veinstein. Ainda em Porto Alegre, fez parte do lendário Grupo Província, e após sua mudança para Paris, foi correspondente do Correio do Povo, além de ator e diretor.
Antes mesmo de fazer a rigorosa e concorrida seleção para o Doutorado, formada por prova escrita, análise do projeto de tese e entrevista, escrevi para o Faleiro declarando minha vontade de ser orientado por ele, caso fosse admitido. Depois de meses de seleção, tendo sido aprovado em primeiro lugar, fui premiado com sua escolha para meu orientador.
Fiquei muito feliz e, ainda mais após conhecê-lo mais de perto, encantado não apenas com o conhecimento enciclopédico de Faleiro, mas com sua generosidade e simplicidade, estes sim indícios de grandeza intelectual. Faleiro é um gentleman (expressão que já ouvi de algumas pessoas ao se referirem a ele), e tem sido um grande prazer conviver semanalmente com esse grande professor. Temos, além de tudo, uma coincidência a nos unir: ambos somos casados com uma Margarida: a dele, a carioca Margarida Baird, é uma atriz de longa trajetória nos palcos brasileiros. Participou de alguns dos grandes espetáculos já produzidos em nosso país, como Arena conta Zumbi, sob a direção de Augusto Boal, Roda viva, Na selva das cidades e Galileu Galilei, sob a direção de José Celso Martinez Corrêa, e O cemitério de automóveis, sob o comando do diretor argentino Victor García.
Neste semestre, além de sua orientação, sou seu aluno em uma disciplina que tem me dado muito prazer de cursar, chamada "O ator e a máscara", em que ele divide a docência com outro grande professor, Níni Beltrame (cujo filho é meu vizinho aqui em Porto Alegre, morando no prédio ao lado do meu). Em suma, e como eu já sabia, estudar é uma das minhas grandes alegrias: e quando isso acontece junto de pessoas que realmente fazem a diferença, só resta aproveitar, pois quatro anos passam muito rápido!