O homem e a mancha

O homem e a mancha

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Sessões à meia noite de Solos trágicos


Em função dos barulhentos shows que estão acontecendo na Prainha, ao lado da Usina do Gasômetro, resolvemos cancelar as apresentações de Solos trágicos, que ocorreriam hoje (dia 27), e nos dias 28 e 29 de janeiro. Voltaremos nos dias 30 e 31, sábado e domingo, com uma novidade: as sessões das 21h ocorrem normalmente, e faremos duas sessões extras, sábado e domingo à meia noite, a Sessão Maldita.
Esperamos que todos nos ajudem a divulgar este lindo espetáculo, porque são as últimas oportunidades de vê-lo como foi concebido, ao ar livre, à beira do Guaíba, em uma experiência sensorial que tem sido classificada por todos que viram como inesquecível.

Solos trágicos em imagens




Essas lindas fotos são do Kiran. Impressionante como a peça é bonita. Até dia 31, na Usina do Gasômetro, às 21 horas.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Solos trágicos estreia em grande estilo



Após mais de três meses de intensos ensaios, estreia hoje Solos trágicos, um espetáculo realmente diferente do que se vê em Porto Alegre nos últimos tempos. A produção esmerou-se em proporcionar não só uma ambientação original e instigante, mas em dar a oportunidade de o público mergulhar em um universo trágico. As tragédias ambientais que têm assolado nosso planeta nos últimos tempos (Haiti, Angra, Agudo) estão presentes em nossas memórias e retinas, e é sobre isso que trata a peça.
Foi um processo vertical, onde os atores tiveram total autonomia artística para criar, sob a orientação do Roberto Oliveira. É, sem dúvida, o espetáculo em que os atores mais contribuíram para o resultado final, de todos os que já participei.
Assista a essa grande empreitada de 22 a 31 de janeiro, ininterruptamente, sempre às 21 horas, com ENTRADA FRANCA, na Usina do Gasômetro.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Reminiscência socrática


Saudades de Platão dois em um, especialmente da primeira das duas peças, Górgias ou Discurso sobre a retórica, onde eu recriava o genial filósofo grego Sócrates. Tive total liberdade do Luciano Alabarse, o diretor, para construir essa figura da maneira que eu quisesse. Me deu muito trabalho decorar aquela imensidão de textos, e mais ainda, dar uma lógica e compreender em profundidade a filosofia platônica verbalizada por Sócrates. Mas valeu muito a pena. A foto aí de cima mostra um momento da peça, uma encenação minimalista e centrada absolutamente na palavra. Um grande desafio, e muito prazeroso.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Disciplinas do Doutorado


Hoje tive aconselhamento de matrícula, para definir as disciplinas que cursarei no próximo semestre do Doutorado em Letras, 2010/1. Entre as seis opções disponíveis, me decidi por "Introdução aos Estudos Literários", "Teorias da Criação Ficcional" e "Literatura e Subjetividade". Pela ementa, deixam antever que serão desafiadoras e instigantes, pelos conteúdos tratados e pelos professores que as ministrarão. Terei novamente o prazer de ser aluno do Luiz Antônio de Assis Brasil, um intelectual absolutamente acessível e cheio de entusiasmo pelo que faz. Sissa Jacoby e Sérgio Bellei serão os outros dois mestres que me acompanharão nessa primeira etapa.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Em defesa do texto


O crítico de teatro inglês Michael Billington, que trabalha no jornal The Guardian desde 1971 e leciona na University of Pensylvania e no King's College London, escreveu o artigo Um mapa da dramaturgia contemporânea: uma perspectiva britânica, que pode ser encontrado no volume Próximo Ato: questões da teatralidade contemporânea (Organização Fátima Saadi - São Paulo: Itaú Cultural, 2008). Em seu texto, Billington traça um panorama do teatro inglês nas últimas cinco décadas, e constata que em seu país o teatro dito "de texto" não deixou de ser a principal forma de expressão das artes cênicas de lá, com o constante aparecimento de novos autores que contribuem com a riqueza daquele teatro.
Billington defende que o teatro visual ou físico, apenas, não tem a mesma força que o teatro que faz uso do texto dramático. As ideias são muito mais ricas quando a palavra é usada a favor da cena. A moda que assolou o planeta, durante os anos 1960 a 1980, especialmente, onde a palavra era quase que execrada nos palcos, não basta.
Concordo plenamente com o inglês, e acho de fundamental importância a palavra, o texto na boca dos atores/agentes das ideias. Ao assistir Stand-up drama, que permanece em cartaz apenas neste final de semana, é possível constatar na prática o quão rica pode ser a experiência de ouvir um ator se expressar com um mínimo de recursos, apenas nos contando uma história envolvente. E isso não é novidade, pois está na raiz do nascimento do teatro, quando os aedos tinham como função entreter os convivas dos banquetes, na Grécia Antiga, com a narração de trechos das epopeias homéricas Ilíada e Odisseia. Havia apenas a palavra e os recursos corporais dos narradores.
Nunca cansamos de ouvir boas histórias, temos um prazer ancestral no ato de nos reunirmos para troca de experiências e relatos (não fosse assim, por que os barzinhos estariam cheios, com gente trocando ideias e enchendo a cara, enquanto nosso teatros estão vazios?). O caso é que a maioria das pessoas prefere o descompromisso de jogar conversa fora inconsequentemente, e não percebe, ou não dá importância, à fascinante viagem que o teatro é capaz de proporcionar.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Sherlock Holmes


Desde pequeno fui um assíduo leitor de literatura policial, e se atualmente não tenho me dedicado tanto a esse gênero, é porque encontrei outros autores e gêneros que me são mais atrativos. No entanto, sempre há espaço para se deleitar com a inventividade de autores como Rubem Fonseca, que é nosso maior autor policial (já mencionei que me dedico a ler toda a obra dele: atualmente finalizo Mandrake: a Bíblia e a bengala, de 1995).
Agatha Christie, autora de quase 90 romances policiais, inclusive tendo escrito algumas peças de teatro, foi minha experiência inicial na literatura de mistério. Uma curiosidade é que sua peça A ratoeira é a que permanece há mais tempo em cartaz em toda a história, ininterruptamente: desde 1952 está no mesmo Teatro St. Martin, em Londres.
Durante minha pré-adolescência, adquiri toda a obra dessa fantástica inglesa, lendo pelo menos duas vezes cada uma de suas histórias, protagonizadas por detetives como Hercule Poirot, Miss Marple, Tommy e Tuppence Beresford e outros. Passei para autores como Arthur Conan Doyle (criador de Sherlock Holmes e do Dr. Watson), Edgar Allan Poe, P. D. James, Dashiell Hammett, Ed McBain, Georges Simenon, E. C. Bentley, Raymond Chandler e certamente vários outros.
O filme Sherlock Holmes, de 2009, dirigido pelo ex-marido de Madonna, o inglês Guy Ritchie, revivifica esse ícone da literatura em um filme ambientado, sim, na Inglaterra do século XIX, mas com os recursos e o descolamento do século XXI. Robert Downey Jr. e Jude Law interpretam, brilhantemente, o detetive e o médico de Doyle, com um entrosamento e um charme que não deixam dúvidas: outros filmes virão, porque é inesgotável a capacidade que o mistério tem de fascinar os espectadores.
O filme é altamente recomendado para quem gosta de aventura e humor em doses certas, e torce o nariz para bobagens como Velozes e furiosos, A hora do rush e qualquer outro filmeco dessa linha, ou dessas adaptações caça-níqueis de HQ's, sempre iludindo os fãs com a promessa não cumprida de proporcionar as mesmas emoções encontradas nas revistinhas.
Para comprovar de vez minha inclinação ao romance policial, basta dizer que no ano passado, quando compunha o personagem Sócrates, na peça Górgias ou Discurso sobre a retórica, em vez de agarrar-me às descrições de Platão, me inspirei na figura do detetive belga Hercule Poirot, criado por Agatha Christie, para concretizar cenicamente o genial filósofo grego. Não é a maiêutica (método filosófico desenvolvido por Sócrates) uma investigação sobre a alma humana, afinal de contas?

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Verão Tchecov: Leituras dramáticas


O Santander Cultural, aqui de Porto Alegre, tem se destacado na promoção de diversos eventos nas áreas de teatro, cinema, artes visuais e literatura durante o ano inteiro, mas é no período de verão, geralmente bem mais escasso em matéria de atividades culturais, que aquela instituição tem feito a diferença.
Em janeiro e fevereiro de 2009, o Santander promoveu um ciclo de cinco leituras dramáticas de obras de Ariano Suassuna, das quais tive o prazer de participar de três, dirigindo uma delas. O evento deu tão certo, e o público foi tão significativo, que o projeto volta em 2010, com outras cinco leituras dramáticas, desta vez de peças do indispensável contista e dramaturgo russo Anton Tchecov. Em 2010, completam-se 150 anos de seu nascimento, e esta é uma efeméride a ser celebrada.
Tchecov (1860-1904) é considerado um exemplo perfeito de concisão no conto, gênero que desenvolveu  com muita habilidade nos poucos anos em que se dedicou a ele. O teatro também foi uma das áreas em que Tchecov se destacou, tendo escrito algumas peças longas e outras curtas (de qualquer forma, não são muitas). Sua associação com Stanislavski e o Teatro de Arte de Moscou, entre o fim do século XIX e o começo do XX, mudou para sempre a história do teatro, e este não é um exagero: foi a partir de encenações de peças de Tchecov que Stanislavski desenvolveu sua teoria de atuação para os intérpretes da época, pois não havia até então uma técnica que desse conta da complexidade psicológica e da sutileza que os textos de Tchecov exigiam.
Bem, os porto-alegrenses terão a oportunidade, a partir de amanhã, dia 12 de janeiro, e seguindo pelas próximas terças-feiras, sempre às 19h, no Santander Cultural (Rua Sete de Setembro, 1028, Centro), de conhecer ou revisitar algumas das principais obras teatrais de Anton Tchecov, dirigidas por encenadores gaúchos e com excelentes atores locais. A coordenação é de Luciano Alabarse, e a programação é a seguinte:

12 de janeiro
O canto do cisne
Direção de Luciano Alabarse

19 de janeiro
A gaivota
Direção de Luciana Éboli

26 de janeiro
Tio Vânia
Direção de Adriane Mottola

02 de fevereiro
As três irmãs
Direção de Vika Schabbach

09 de fevereiro
Os males do tabaco
Direção de Margarida Leoni Peixoto

Claro que eu não poderia estar de fora desse maravilhoso evento, e a leitura que encerra o projeto, Os males do tabaco, no dia 9 de fevereiro, será feita por mim. O texto é um monólogo cômico, muito divertido, e será dirigido pela Margarida. Até lá!

domingo, 10 de janeiro de 2010

Dente quebrado

Quem já trabalhou comigo, sabe que não consigo fazer nada sem "entrar de cabeça". Não estou falando da famosa "garra nojenta", que às vezes mais atrapalha que ajuda. No meu caso, não me é possível ensaiar, por exemplo, sem dar tudo que tenho.
Fulano "dá o sangue por seu trabalho" é uma expressão usual. No meu caso, essa expressão pode ser substituída por "o Marcelo dá os dentes pelo teatro!". Bem, não foram oS dentes, foi unzinho só.
No ensaio de ontem do espetáculo Solos trágicos, que estreará dia 22 de janeiro, estava eu, bem concentrado, passando a minha cena, quando um acidente ordenado pelas forças do universo determinou que um dos meus incisivos centrais seria sacrificado pelo bem do... do que mesmo?
E o que é mais interessante: eu já passei essa cena muitas vezes, com as mesmas ações, ou seja, nada fiz de diferente. O caso é que, desta vez, em vez de uma pedra no meio do meu caminho, havia um sapato de salto. Sim: consegui a proeza de quebrar meu dente no salto de um sapato (feminino), que estava "de barriga para baixo". Minha boca moveu-se com velocidade suficiente em direção ao salto, que estava oculto sob uma peça de roupa. Tentei pegar a roupa com os dentes e encontrei o salto fatal.
Hoje vou ao meu dentista, que vai me atender fora do horário normal, e ver o que pode ser feito. E para os meus fãs, não se precocupem: o sorriso mais lindo do teatro gaúcho voltará em breve a ser o que era, com todos os dentes alinhados! Presságios de tratamento de canal ameaçam meu horizonte, mas se é para deixar tudo como era antes, vamos lá.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Stand up drama





No próximo dia 15 de janeiro estreia o espetáculo Stand up drama, direção de Bob Bahlis para oito histórias contadas por quatro atores, numa estrutura de stand up, ou seja, um ator perante uma plateia, tendo como único elemento cênico um microfone. O diferencial - que já pode ser percebido pelo título da peça - é que as histórias narradas são todas densas, dramáticas, ao contrário do gênero amplamente divulgado atualmente, e que tem seu ponto alto nos one man show norte-americanos, que dominam a arte de contar piadas como ninguém.
Sete dos textos são depoimentos reais, que foram compilados por Paul Auster em seu livro Achei que Deus fosse meu pai, na época em que comandava um programa de rádio nos EUA; há também um conto do escritor uruguaio Mario Benedetti.
Tive oportunidade de assistir a um dos ensaios, e o que vi é muito promissor: Margarida Leoni Peixoto, Clóvis Massa, Patsy Cecato e Léo Ferlauto conseguem envolver emocionalmente apenas com a narração agridoce, em um trabalho simples mas carregado de densidade.
A peça fará apenas três apresentações, de 15 a 17 de janeiro, na Sala Álvaro Moreyra, às 21h, dentro da programação do Porto Verão Alegre. É uma bela surpresa encontrar um espetáculo com uma proposta diferente das que se consagraram no verão porto-alegrense, muitas vezes dominado por comédias sem nenhum conteúdo e - o que é pior - que não fazem rir. Stand up drama merece ser visto.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Morre um grande ator gaúcho: Luiz Carlos de Magalhães



Luiz Carlos de Magalhães, o Maga, faleceu em Rio Grande, com 88 anos; era, seguramente, um dos atores mais idosos em atividade em nosso Estado.
Tive a honra de trabalhar com o Maga por duas vezes: em 2002, nas filmagens do longa metragem Noite de São João, dirigido por Sérgio Silva; e, no mesmo ano e em 2003, na peça A ronda do lobo- 1826, texto de Ivo Bender e direção de Decio Antunes, onde ele interpretava meu pai, que me expulsava da Alemanha para o Brasil, por ter cometido um fratricídio.
A foto aí acima é do Maga interpretando a personagem Jean Harlow do Partenon, na peça O cabaré de Maria Elefante, também de Ivo Bender e com direção de Arines Ibias, em montagem de 1981.
O Maga era uma pessoa extremamente alegre, bem-humorado, cáustico, malicioso...Volta e meia dava um jeito de relatar alguma de suas experiências amorosas, que ouvíamos impressionados por sua vivacidade.
O Maga vai deixar muitas saudades!

domingo, 3 de janeiro de 2010

Deborah Finocchiaro e o teatro gaúcho

A nossa querida atriz e diretora Deborah Finocchiaro mantém um programa semanal na Rádio BandNews FM 99,3 chamado Colunas de Teatro. Todos os sábados entre 9h e 10h da manhã, dentro do programa Edição de Sábado, ela apresenta seu programete que trata exclusivamente dos nossos artistas teatrais. É um espaço único e maravilhoso para divulgar nossa produção para um público bem mais abrangente.
Com sua linda voz e carisma, Deborah já tratou de vários temas nesses meses em que o programa vai ao ar: Luiz Paulo Vasconcellos, Ói Nóis Aqui Traveiz, Ivo Bender, Luciano Alabarse, Arlete Cunha, Nélson Diniz e muitos outros.
Desta vez, a Deborah convidou eu e a Margarida, da Cia. de Teatro ao Quadrado, para ser tema de um dos próximos programas. Ficamos muito felizes. Para quem não conseguir ouvir no horário em que for exibido, a Deborah mantém, em seu site http://www.deborahfinocchiaro.com/, todas os programas gravados, que podem ser acessados a qualquer hora. Vai lá e confere!