O homem e a mancha

O homem e a mancha

terça-feira, 28 de outubro de 2014

OS HOMENS DO TRIÂNGULO ROSA: seleta de impressões




Alguns dos comentários que estamos recebendo sobre OS HOMENS DO TRIÂNGULO ROSA. Que alegria sentimos quando conseguimos tocar os espectadores com nossa arte! Todas as fotos são de Luciane Pires Ferreira.
Por Valência Losada:
"É muito tocante quando uma encenação atinge com supremacia uma das funções do fazer teatral, o arrebatamento. Assisti agora pouco Os homens do triângulo rosa, montagem do Teatro Ao Quadrado. Saio com a certeza que o teatro precisa, como há muito não carecia, de espetáculos que investiguem, questionem e nos façam refletir acerca da condição humana.
É muito, muito importante que compreendamos o pensamento de Brecht, Hannah Arendt, Foucault, Adorno, Artaud, Heiner Muller e outros tantos que nos fizeram pensar a arte, não como entretenimento, mas na sua força transformadora.
Fico imensamente feliz em saber que há uma montagem deste nível estético, social, histórico sendo feita aqui em Porto Alegre. Fico feliz de alguma forma fazer parte disso.
Obrigada e parabéns, Teatro ao Quadrado!
Somos todos um só."

Por Ana Cláudia Munari:
"Superou qualquer expectativa, em todos os sentidos: texto, elenco, direção, cenografia, não há o que contrapor, é um conjunto de escolhas à perfeição.
Eu acho que esse espetáculo é daquele tipo que faz a gente sair diferente do teatro. Seria maravilhoso se ele percorresse o país inteiro, o mundo inteiro.
NÃO DEIXEM DE ASSISTIR, ELE VOLTA AINDA EM OUTUBRO NO TEATRO RENASCENÇA."

Por Zoravia Bettiol:
"Oi pessoal,
Os Homens do Triângulo Rosa é um espetáculo teatral que deve ser visto por todos. O trabalho do grupo Teatro ao Quadrado está ótimo. A direção segura da Margarida Peixoto que conduz um excelente elenco nos faz refletir sobre questões muito importantes como a liberdade do ser humano, a sua sexualidade, o amor e quando elas são abafadas e aniquiladas pela violência e crueldade. O espetáculo pode ser visto no Teatro Renascença até o dia 16/11. Não percam."
Por Bob Bahlis:
"Ontem fui ver  Os homens do triângulo rosa", em cartaz no Teatro Renascença até o dia 16 de Novembro.  A peça é muito boa, daquelas que vai te pegando de cantinho e faz o tempo passar rápido demais...
É uma grande história de amor, no meio de um campo de concentração.
Mas talvez antes do amor, a história nos mostre a capacidade que nós humanos temos de nos adaptar a qualquer situação, pelo instinto de nos mantermos vivos e... depois...amar.... ou seria ao contrário?
O elenco está arrasando e a direção da Margarida Peixoto é impecável.
Hoje acordei com uma sensação terrível, em pensar na família da minha avó, sobrevivente dos campos de concentração, vivenciaram tudo isso, e que milhares de histórias como essa, da peça, aconteceram.
E fiquei com tantas outras questões que estão circulando na minha mente....
Parabéns ao Teatro Ao Quadrado, pelos 12 anos de trajetória, pela linda história.
Parabéns ao elenco e equipe técnica.
Seus lindos!"


Por Fernanda Petit:
"Ontem assisti Os homens do triângulo rosa, me lembrei de um tempo bonito em que na sala da Terreira da Tribo decidimos assistir em galera o filme BENT. Choramos todos juntos e fomos dormir pensando em tudo aquilo.Anos depois achei o texto e hoje assisto a adaptação deste. Me fez voltar no tempo.
O texto é muito bom e há momentos de extrema beleza. Gosto tanto, mas tanto das músicas (daquelas coisas que eu gostaria de dizer).
O mais bonito de assistir a peça foi ver tantos casais gays na plateia com um sensação de liberdade. Havia casais se fazendo carinho e dando beijo e desculpa, mas raramente eu vejo isso na rua e nos espaços, mesmo quase tendo só amigos gays. Me causou uma surpresa boa.
A peça tem momentos muitos bonitos e extremamente tensa em certos momentos, com ótimo jogo entre os atores. O elenco está afiado e com construção de personagens interessantes e cativantes. O trabalho corporal é primoroso. Me peguei quase chorando em dois momentos, mas segurei a peteca. Sou fã de muita gente ali!
Parabéns a toda equipe, direção e ao grupo por trazer à tona este tema e tocar a gente de alguma forma.
Como disse ontem na janta os silêncios da peça e este estado "parado" mas presente é simplesmente lindo. Como o silêncio diz tanta coisa. Como é bonito ver duas pessoas paradas diante da gente, mas tanta coisa acontecendo.
Vão!"

Por Luciene Barbiero Machado:
"Theatro São Pedro. Os homens do triângulo rosa. Marcelo Ádams protagoniza ao lado de feras como Gisela Habeyche. Espetáculo corajoso e necessário. Direção sublime. Eu e todos que aplaudimos em pé recomendamos. Temporada no Renascença em breve. Fotos do espetáculo de Luciane Pereira."

Por Ana Castro:
"Quanta emoção...primeiro por ter reencontrado meu professor de teatro e amigo Pedro Delgado e o colega Marcelo Adams (excelente...mto orgulhosa). Um texto denso, envolvente, visceral, apaixonante e tão atual, infelizmente. Qualquer forma de amor vale a pena... Por que tanta falta de respeito? Não deixem de conferir "Os homens do triângulo rosa" da Cia Teatro Ao Quadrado. Vocês vão sair do espetáculo mais reflexivos, apaixonados e combativos a qualquer tipo de preconceito, com certeza."
Por San Lopez:
"Um verdadeiro espetáculo, sensível, poético e com interpretações arrebatadoras. Texto inteligente com direção , figurinos e cenografia perfeitas. A emoção e a dramaticidade extrapolam a quarta parede nos deixando ( público) reféns e cúmplices de uma bela história de amor e superação do ser humano. Imperdível!!!"
Por Carlos Cava:
"Prezado Marcelo
Sou um assíduo frequentador de teatro e, principalmente, sempre apoiei e defendi o teatro feito no Rio Grande do Sul que, apesar de todos os esforços da classe artística, não encontra patrocínio e não é referendado pelo grande público.
Peças teatrais vindas de Rio ou São Paulo, muitas vezes com atores gaúchos em seu elenco, costumam ser aplaudidas, ainda mais com artistas globais e, nem sempre, são boas obras.
Assisti ontem (domingo) ao belo... trabalho da Cia. Teatro ao Quadrado e, antes da apresentação, ouvi as belas palavras de Margarida Peixoto que muito me tocou. Seu trabalho como ator não me surpreende, pois tive o prazer de assisti-lo várias vezes e sempre fiquei comovido com sua interpretação. O elenco muito bem afinado e o brilhante acompanhamento musical de Elda Pires criaram uma apresentação sem reparos, maravilhosa.
Congratulo-me com todos e desejo uma ótima temporada e, dependendo de minha "publicidade", farei o que tiver ao meu alcance. Um grande abraço."
Por Márcia Ilha Marques:
"Elenco show, sem exceção! E afinados pela diretora (de quem reconheço as marcas)! Figurinos e maquiagem belíssimos! Cenário "eletrizante"! Trilha sonora tão bonita e tão capaz de levar a reflexão! A sirene impactante! O "carregar pedras" enlouquecedor! O "fazer amor sem entrar-se" (ou talvez entrando mais ainda)!
Desejo vida longa a este trabalho pela importância da temática e pela sensível entrega do elenco ao contar esta história! Parabéns! Em diferentes categorias do Prêmio Márcia Ilha Marques já tenho várias indicações para este trabalho!
E a iluminação? E a iluminação? Show à parte! Seja marcando a troca das cenas, seja o foco no rosto dos atores, nos momentos estratégicos! Achei lindo aquilo!"
Por Helena Pinto:
"Assisti hoje à emocionante peça Os homens do triângulo rosa, criada pelos geniais Teatro Ao Quadrado. Lindíssima a interpretação do queridíssimo Marcelo Ádams. Maravilhosa trilha sonora e com interpretações brilhantes. Ainda que com curta temporada do Teatro São Pedro, os que perderam podem ver esse ESPETÁCULO a partir do dia 24 de outubro no Teatro Renascença."

Por Vera Pinto:
"Parabéns, Cia. Teatro ao Quadrado, pelo excelente trabalho, em Os homens do triângulo rosa, sobre o mais horrendo episódio da história e um preconceito que lamentavelmente, persiste até hoje, contra os homossexuais! Crítico, emocionante, reflexivo, como o teatro deve ser! Excelente texto, grandes atuações, figurino e cenário impecáveis! Os aplausos demorados que o digam!"
 
Por Rick Caldeira:
"Parabéns!
Ri, chorei e me emocionei muito... perfeito apenas!
Aplaudimos em pé neste sábado e foi pouco...MEGA RECOMENDO!
Inesquecível."
Por Renato Del Campão:
"Retornando de Os homens do triângulo rosa no Theatro São Pedro. Um soco no estômago e pertinente a cena contemporânea. Bravo Teatro Ao Quadrado!"
Por Mario Leão:
"Obrigado pessoal do Teatro Ao Quadrado pela espetacular peça de Teatro. Ainda comovido com o trabalho de vocês. E na esperança que o Ódio nunca vença no Brasil ou em qualquer lugar da Terra. Recomendo a peça Os homens do triângulo rosa pra todos os amigos e colegas."

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

100.000 VEZES VISTO

Comecei a escreveu meu blog em 2009, bastante despretensiosamente, considerando esta ferramenta virtual como mais uma possibilidade de falar das coisas que me interessam, divulgar meus trabalhos, etc. Agora, cinco anos depois, chegamos às cem mil visualizações das mais de 600 postagens que aqui estão. Que bom saber que há pessoas que o leem, e se interessam em saber um pouco mais sobre teatro, cinema, literatura...
Obrigado aos leitores, e que continuem visitando!

sábado, 25 de outubro de 2014

OS HOMENS DO TRIÂNGULO ROSA: crítica de Antônio Hohlfeldt

 
O crítico teatral Antônio Hohlfeldt, que escreve semanalmente para o Jornal do Comércio de Porto Alegre, assistiu Os homens do triângulo rosa e publicou sua crítica no dia 24/10/2014:
 
O melhor do ano, inequivocamente
 
"O palco do Theatro São Pedro viveu um fim de semana excepcional, quando ali foi apresentada a peça Os homens do triângulo rosa, criação dramatúrgica dirigida por Margarida Peixoto, a partir dos textos Bent, de Martin Sherman, Triângulo rosa: um homossexual no campo de concentração nazista, de Rudolf Brazda e Jean-Luc Schwab, e Eu, Pierre Seel, deportado homossexual, de Pierre Seel. Não tenho dúvida em afirmar que se trata do espetáculo mais importante da temporada, o melhor trabalho a que assistimos, dentre todas as produções de Porto Alegre que cumpriram ou cumprirão temporada entre nós neste ano. Um trabalho exemplar e inesquecível, de Margarida Peixoto, corajoso e fundamental. Ainda que o assunto central alegadamente seja a questão do modo pelo qual os nazistas trataram os homossexuais nos campos de concentração, na verdade, o tema principal é a maneira pela qual o amor pode surgir, afirmar-se e vencer, entre duas pessoas, mesmo nas piores circunstâncias de vida. Esta é a grande e emocionante lição, e por isso Os homens do triângulo rosa merece um lugar muito especial na relação de espetáculos a que tenho assistido ao longo dos anos. A ficha técnica menciona três textos, mas confesso que senti basicamente dois, aquele anterior ao campo de concentração, em que impera a descoberta do medo e a necessidade do esconder-se e, depois, aquele da sobrevivência no campo, quando a vitória do amor se sobrepõe a tudo o mais.
O trabalho de Margarida Peixoto não se afirma apenas pela escolha dos textos e do tema, mas também pelas soluções cênicas encontradas. Por exemplo, a sequência em que os dois personagens descobrem que, pela força e o efeito de suas palavras, podem vencer a extrema vigilância que paira sobre eles e se relacionarem amorosamente, é antológica e inesquecível. Mais que isso, ecoa na sequência final, após a morte de um deles, quando o outro assume sua identidade e sua parte na grande tragicomédia que então se desenrolava na Europa e em seus campos de concentração, com que o espetáculo se encerra.
Com duas horas de duração, que poderiam ser muito pesadas, diante do tema escolhido, ao contrário, o espectador, em que pese sinta-se oprimido pelo que assiste, segue com absoluto interesse e suspense o que ocorre no palco, de tal sorte que o espetáculo se desenrola sem perda de qualquer minuto de atenção. Contribui para isso a opressora cenarização de Yara Balboni, os figurinos de Antonio Rabadan, a trilha sonora de Marcelo Ádams, que desenvolveu novas letras sobre composições de Kurt Weill e inclusive sobre o hino nacional alemão, em outro momento verdadeiramente dramático da encenação. Destaque-se ainda a correta preparação corporal de Angela Spiazzi (que permite os atores transportarem tantas pedras em cena, e manterem-se, ainda assim, em pé, ao longo dos chamados três minutos de descanso), e mais a preparação vocal, a cargo de Ligia Motta (a atriz Gisela Habeyche) e a dos demais atores, de Marlene Goidanich. Destaque-se, ainda, na segunda parte, a humilde, mas decisiva interferência da pianista Elda Pires, que define todo o ritmo deste segundo momento da encenação.
Definitivamente, contudo, é o ator Marcelo Ádams, como o homossexual que faz qualquer negócio para sobreviver, mas que aos poucos descobre o verdadeiro amor, que merece todo o nosso respeito e nossas homenagens: é seu melhor trabalho. Adams incorpora profundamente o personagem, sofre com ele e se emociona com ele, emocionando a cada um de nós, na plateia. A seu lado, os dois parceiros, o que vive o bailarino e, enfim, o que vive o prisioneiro que acaba morrendo a seu lado. Mas, de modo geral, todos os demais intérpretes evidenciam uma perspectiva de grupo que raras vezes se vê, sobretudo em espetáculos desta natureza.
Em síntese, por tudo e em tudo, a Cia. Teatro Ao Quadrado, de Margarida Peixoto e Marcelo Ádams que, ao longo dos anos, tem-nos propiciado a descoberta de excelentes textos dramáticos, agora se superou. Que bom para nós."