O homem e a mancha

O homem e a mancha

segunda-feira, 10 de junho de 2013

MARXISMO, IDEOLOGIA E ROCK'N'ROLL em imagens


 
MARXISMO, IDEOLOGIA E ROCK'N'ROLL foi uma autêntica surpresa para todos nós que construímos esse espetáculo tão especial. Não que tenhamos jamais duvidado da importância da temática que trazíamos à cena, nem da talentosa e eficiente equipe que amalgamamos. Mas tínhamos, racionalmente, a consciência de que um tema de certa forma espinhoso como ideologia política e ideias socialistas poderia não ser tão palatável para um público que tem, com tanta frequência, no teatro, no cinema e na TV contemporâneas, discussões fúteis e pouco aprofundadas sobre temas banais. Não descobrimos a roda, obviamente, ao trazer para o palco um investimento em ideias, mas certamente desviamos por um braço menos explorado do rio do teatro local.
A adaptação do texto de Tom Stoppard, checo-britânico de notável circulação pelo teatro e pelo cinema (aqui, como roteirista e cineasta bissexto), criou em Rock'n'roll (o título original de seu texto) um drama épico que atravessa mais de duas décadas da história europeia (e mundial), de 1968 a 1990, centrado em duas cidades de grande importância para os movimentos de luta pela liberdade política no século XX: a inglesa Cambridge, e a checa Praga.
A encenação, a cargo de Luciano Alabarse e Margarida Peixoto, aproveitou-se da estrutura cinematográfica da dramaturgia de Stoppard, resolvendo de forma eficiente e muito teatral as passagens de cena e as transições (tanto geográficas quanto temporais). A cenografia reproduz espécies de sets de cinema, em que as geralmente breves e intensas cenas se desenvolvem, e são rapidamente sucedidas por outras.
Foram apenas quatro apresentações no Theatro São Pedro, quase sempre lotado, com seguramente mais de 500 pessoas por noite. Um público atento, entusiasmado (muitos batiam palmas e cantavam, acompanhando as canções entoadas pelo elenco, seja no início, seja ao final do espetáculo), e que, muitas vezes pude constatar, ao final das apresentações vinham nos cumprimentar comovidos às lágrimas.
Esperamos, com toda intensidade, que nos seja disponibilizado um teatro para que possamos continuar apresentando nosso espetáculo em Porto Alegre. Pela segunda vez entraremos como concorrentes no edital para ocupação dos teatros municipais de Porto Alegre, já que não fomos contemplados da primeira vez. Uma equipe incrível e totalmente una em seu desejo de fazer um teatro relevante em nossa cidade, que produziu esse espetáculo com a cara e a coragem, sem financiamento, e a despeito de todos os riscos de não ter um bom público, entregou-se à aventura de um teatro de ideias.
No elenco de MARXISMO, IDEOLOGIA E ROCK'N'ROLL estão Marcelo Ádams, Carlos Cunha Filho, Áurea Baptista, Gustavo Susin, Lisiane Medeiros, Clóvis Massa, Mauro Soares, Pingo Alabarce, Luísa Herter e Marcello Crawshaw, além da belíssima participação de Arthur de Faria, que executa a trilha sonora ao vivo durante toda a encenação, secundado pelo elenco. Os figurinos são de Cláudio Benevenga (um trabalho exaustivo e delicado de garimpagem das dezenas de peças que compõem o figurino), a lindíssima iluminação é de João Fraga, maquiagem e cabelos de Elison Couto, e produção de Miguel Arcanjo e Fernando Zugno.
Foi um grande prazer e um belo aprendizado todo o processo de construção do espetáculo, e agradeço a todos que se deixaram envolver pela força descomunal que por vezes o teatro tem: de ser relevante, importante e necessário.