O homem e a mancha

O homem e a mancha

terça-feira, 31 de maio de 2011

Os dez equívocos do teatro infantil


Dib Carneiro Neto é jornalista, crítico e dramaturgo. Autor das peças "Adivinhe Quem Vem Para Rezar", "Depois Daquela Viagem" e "Salmo 91". Gostei da forma como ele vê o teatro para crianças, que às vezes é desvalorizado e tratado como subarte:

1) Excesso de intenções didáticas - Não é preciso ser explícito, criança é capaz de entender sugestões, simbologias. Arte é feita de alegorias, de metáforas. Estranheza é saudável. Criança tem capacidade de interpretar o que vê.

2) Uso de humor fácil e grosseiro - Muitos autores lançam mão de bordões televisivos para fazer a platéia rir ("da hora", "fala sério", "faz parte"). Isso cria no autor um falso retorno de aprovação do humor da peça. Essa facilidade de recorrer a bordões chulos e vazios da TV é um recurso pobre, que só escancara a incapacidade do autor de criar situações engraçadas por elas mesmas.

3) Excesso de efeitos multimídias - Muitos autores ficaram com idéia de que, para atingir o jovem no teatro, basta levar para o palco os recursos tecnológicos a que esse jovem está acostumado a lidar, ou seja, a linguagem de videoclipe, a rapidez da internet, as cenas pré-gravadas em vídeo e exibidas em telões em cima do palco. Mesclar linguagens artísticas diferenciadas é uma atitude até coerente com o universo adolescente. Mas abusar disso é lamentável e afasta os autores das especificidades da carpintaria dramatúrgica.

4) A obsessão pela lição de moral - Teatro infantil não tem a obrigação de encerrar em si uma bela lição construtiva. Em vez do dedo em riste e da lição de moral, vale mais a pena, e é até mais honesto, tentar contar livremente uma história e deixar que a criança se identifique, que a criança a vivencie por si mesma. Não é necessário invadir o imaginário da criança com regras de conduta.

5) Edulcoração dos contos de fadas - Os contos de fadas nasceram muito mais realistas, muito mais cruéis do que eles são hoje. Hollywood e os estúdios de Walt Disney transformaram tudo em final feliz, valorizando excessivamente o triunfo do amor e da bondade. Reduziram o poder transformador de um conto de fadas, minando neles a capacidade de fazer uma criança amadurecer. Um conto de fadas oferece significados em muitos níveis diferentes e enriquece a existência da criança em muitos modos.

6) Participação forçada da platéia - Até hoje, muitos autores de teatro infantil reproduzem aquela velha cena em que um personagem se esconde do outro e quem procura se dirige à platéia com a infalível pergunta: "Pra onde ele foi?" A garotada e até os pais entram no jogo e lá se vão uns dez minutos de "Foi pra lá", "Não, foi por ali", "Agora, está aqui" e assim por diante. O autor fica feliz porque acha que conseguiu promover uma interação do espetáculo com o público. Quem foi que disse que, para estar interagindo com o espetáculo, uma criança tem de berrar, sapatear, gritar? O profundo silêncio de uma platéia, muitas vezes, é a maior prova da interação, da comunicação com o espetáculo.

7) Obsessão pela segmentação - Existe hoje uma tendência mercadológica castrante e limitadora, que segue distribuindo rótulos em profusão às manifestações artísticas, enquadrando tudo em faixas etárias, dividindo o mundo em categorias fechadas, acomodando a arte em gêneros estabelecidos. Teatro infantil é, antes de tudo, teatro. E como tal, no máximo, pode ser classificado por sua boa ou má qualidade.

8) Uso abusivo e despreparado da linguagem dos clowns - Proliferam pelos palcos montagens em que os autores encaixam uma bola vermelha na ponta do nariz e acham que isso, por si só, já faz um espetáculo teatral. A linguagem do clown é difícil, especializada, deve ser trabalhada com rigor, com muito critério e criatividade. As crianças são submetidas no palco a típicos shows de palhaços de festinhas de aniversário e os pais saem achando que levaram o filho ao teatro infantil. Isso também vale para os espetáculos de bonecos. Não bastar comprar fantoches no loja da esquina e montar um espetáculo. Artistas estudam anos e anos para entender da arte de manipulação de bonecos.

9) Diálogos mal escritos e ineficientes - Dramaturgia é antes de tudo literatura e, por isso, deve ter todos os compromissos com a profundidade e a criatividade da literatura, sem perder o pé da oralidade. O discurso teatral é uma expressão artística que tem de ser encarada com responsabilidade, porque o texto dramático tem a capacidade específica de reproduzir as falas sociais, as aspirações, os sonhos e as esperanças. Peça infantil com diálogos descuidados, frases mal construídas, idéias truncadas, é um mau teatro.

10) Mercantilização do espetáculo teatral - Há quem não seja tão rigoroso com relação a esse aspecto, mas realizar sorteios de produtos no final dos espetáculos é um desvirtuamento da função do teatro, é um mercantilismo desnecessário. A criança tem de levantar da poltrona concentrada no que viu, na arte que desfilou pelo palco o tempo todo e não preocupada se o número de sua poltrona vai ser o número sorteado para ganhar os brindes. Teatro não é programa de auditório.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Vestibular na UERGS

Para quem quiser ser aluno no curso de Teatro: Licenciatura da UERGS, onde dou aulas, junto de Jezebel de Carli, Tatiana Cardoso, Carlos Mödinger e Marli Sitta, além de outros professores do currículo comum aos cursos de Música, Artes Visuais e Dança, o momento é agora! Corra porque senão só em 2013!

Hotel Fuck: delírio pulp

Neste fim de semana, consegui me programar para assistir ao novo espetáculo da Santa Estação Cia. de Teatro, Hotel Fuck: Num dia quente a maionese pode te matar. Dividido em três episódios, apresentados em dias subsequentes, o grande (em todos os sentidos) trabalho de encenação da companhia porto-alegrense, comandado por Jezebel de Carli, é de marcar época, dada a virtuosística engrenagem criada e concretizada pelo excelente grupo de atores (Ana Carolina Moreno, Denis Gosch, Jeffie Lopes, Gabriela Grecco, Larissa Sanguiné, Luciana Rossi e Rafael Guerra).
Hotel Fuck é pulp. Tanto no sentido original, ou seja, histórias por vezes de gosto duvidoso, ou envolvendo temáticas pouco realistas, como ficção científica ou "histórias de detetive", quanto nas explícitas homenagens ao cinema de Quentin Tarantino (que homenageou o "gênero" com sua obra-prima Pulp Fiction- Tempo de violência). O amontoado de clichês linguísticos e situacionais foi captado com grande sucesso por Diones Camargo, a quem coube dar forma às histórias que se entrecruzam no cenário de um hotel de baixa categoria. As falas ditas pelas personagens trazem expostas as influências de quem conhece o cinema noir norte-americano e as produções policiais dos anos 1970, especialmente o blaxploitation (filmes de conteúdo violento produzidos nos EUA naquela década, tendo negros como personagens, em produções como Shaft e Foxy Brown). Cabe lembrar que o próprio Tarantino homenageou esse tipo de produção com seu longa Jackie Brown.
Mas as influências do cinema não param por aí. Há desde Sexta-feira 13, o pioneiro dos filmes de serial killers perturbados, até (conforme minha percepção) Dublê de corpo, um clássico oitentista de Brian de Palma, ambientado no meio da indústria do cinema pornô. Pitadas de David Lynch perturbam a cena, e nos lançam enigmáticas ações das personagens. Por falar em De Palma, a figura de Jeffie Lopes, travestido como mulher, me remeteu imediatamente ao psiquiatra assassino de Vestida para matar, um dos meus filmes preferidos, que por sua vez homenageava o cinema de Alfred Hitchcock.
Em suma, quem ama cinema, encontra dezenas de referências deliciosas. Não eruditas, não acadêmicas, mas daquilo que faz o cinema ser o que é: a famosa fábrica de ilusões. E o sensacional em tudo isso é que a Santa Estação faz teatro de primeira qualidade, falando de cinema. Poderia-se ler o espetáculo como uma ode à arte, ao teatro, onde fazemos de conta num momento e, no seguinte, destruimos a ilusão. Mas a peça não se pretende filosófica, mas sim uma saga de divertimento, sangue e teatralidade. Um trabalho memorável, certamente o melhor do grupo a que já assisti, pois é ousado, rigorosamente executado e apaixonadamente defendido. Na apresentação de domingo, a última da temporada, nas cenas finais percebiam-se os olhos marejados dos atores, emocionados e certamente com a sensação de dever cumprido. A emoção deles passou para a plateia, e foi impossível não se comover com a imensa dedicação e amor ao seu trabalho que eles demonstravam.
Muitos parabéns ao grupo, que após graves dificuldades no ano passado, quando tiveram que cancelar a temporada prevista, não se abateram e mantiveram viva a Vontade. Voltam agora, vitoriosos e nos entregando um produto (para usar a linguagem própria ao audiovisual) de alta qualidade.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

A CÃOFUSÃO se despede dos palcos

Depois de duas temporadas cheias de alegria, neste sábado e domingo, 28 e 29 de maioA CÃOFUSÃO- UMA AVENTURA LEGAL PRA CACHORRO, minha primeira peça infantil como autor, sai de cena por algum tempo. Certamente voltará a cartaz, mas para quem ainda não foi conferir o esptáculo mais querido do ano ainda tem duas oportunidades, no Teatro Bruno Kiefer da Casa de Cultura Mario Quintana, às 16 horas. Eu vou, lamber a cria!


Ivo Bender por Raquel Pilger


Ivo Bender por Raquel Pilger from Coordenação de Artes Cênicas on Vimeo.

Uma recordação de Quem roubou meu anabela?

Nesta quinta-feira, 26 de maio, realizamos a leitura dramática de um dos textos mais deliciosos de Ivo Bender: Quem roubou meu anabela?, de 1972. O imenso prazer que tivemos em trabalhar esse texto para transmiti-lo em toda sua riqueza, foi coroado com a presença do Ivo na primeira fila da Sala Álvaro Moreyra. E melhor: derramando elogios sobre nossa equipe, o que nos deixa muitíssimo honrados. Eu, a Margarida, a Gisela Habeyche, o Pedro Antunes e mais a Shirley Rosário, que criou e operou a iluminação, e o Diogo Zanella, que operou a sonoplastia pesquisada por mim (com músicas de trilhas sonoras de filmes de horror e suspense, como Carrie, a estranha e Reviravolta), estamos felizes e satisfeitos com mais essa homenagem prestada ao grande mestre da dramaturgia gaúcha, nesta semana inteira dedicada à sua obra.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

QUEM ROUBOU MEU ANABELA?

Ivo Bender escreveu essa sua comédia em 1 ato, com ingredientes sobrenaturais, em 1972. A peça estreou simultaneamente naquele ano em Porto Alegre e São Paulo.
Hoje à noite, às 20 horas na Sala Álvaro Moreyra, revisitaremos o texto de Ivo, em uma leitura encenada com Gisela Habeyche, Margarida Leoni Peixoto, Pedro Antunes e eu mesmo no elenco, que também dirijo a leitura.
ENTRADA FRANCA, imperdível, uma oportunidade de conhecer o texto para aqueles que nunca o leram, e dar um beijo no Ivo, que estará lá na primeira fila, prestigiando nosso trabalho.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Festa de aniversário de Ivo Bender





Talento trágico teutônico

A edição da Zero Hora do último sábado, 21 de maio, no caderno Cultura, trouxe um artigo escrito por mim, sobre o grande Ivo Bender. Abaixo reproduzo o texto publicado:

Talento trágico teutônico
Por Marcelo Ádams
Ator e professor do curso de Teatro- Licenciatura da UERGS


            Ivo Bender é o mais importante dramaturgo gaúcho em atividade, faz parte do seleto grupo de escritores locais que produziram para o teatro, junto de Qorpo-Santo, Carlos Carvalho e Vera Karam, entre outros. No entanto, Bender é quem mais tempo tem dedicado à prática do palco – estreou em 1961, ainda estudante de Letras na UFRGS, com a peça As cartas marcadas ou Os assassinos –, o que nos leva à justa comemoração de seus 75 anos de vida e 50 de trabalho.
            Bender tem uma extensa obra, composta de 35 peças, além de incursões como tradutor (Racine, Pinter, Emily Dickinson) e contista (o recém lançado Contos), mas foi na especificidade da linguagem cênica que encontrou sua expressão ideal. Alternando a produção de textos de conteúdo irreverente (Quem roubou meu anabela?, 1972) ou mais sério (Sexta-feira das paixões, 1975), passando pela experiência de escrever teatro para crianças (O macaco e a velha, 1974), o autor, “valendo-se da linguagem do teatro do absurdo, critica convenções sociais e desmascara comportamentos estereotipados” e, por outro lado, nas peças de temática mais densa “dá vazão a uma representação do mundo inconsciente do indivíduo, os seus desejos e paixões, criando situações de conflito insolúvel" (citações de Regina Zilberman, em Autores Gaúchos nº3, IEL, 1989).
Em destaque dentro de sua obra está a Trilogia Perversa, publicada em 1988 (Porto Alegre, Ed. da UFRGS), que se ilumina como sua mais importante criação, pela profundidade e originalidade da forma e rigor da linguagem, evidenciando inegável contribuição para o teatro brasileiro, mas infelizmente pouco conhecida fora do Rio Grande do Sul. Composta por três peças batizadas com os títulos de datas significativas da História sul-riograndense, adaptam de maneira sofisticada aspectos da mitologia grega ao contexto da colonização alemã no interior do RS.
O mito dos Atridas é o motor dramático da Trilogia Perversa, que nos apresenta os dramas trágicos Colheita de cinzas- 1941, As núpcias de Teodora- 1874 e A ronda do lobo- 1826 (títulos das encenações dirigidas por Decio Antunes, que renomearão as peças numa eventual reedição da trilogia). Em Colheita de cinzas temos a história de Ulrica e de sua filha Ereda – versões de Clitemnestra e Electra –, isoladas pela Grande Enchente de 1941 em uma propriedade rural no interior do Estado. Ereda aguarda o retorno do irmão Henrique, que fôra estudar em um seminário, para que ele o ajude a perpetrar a vingança pela qual tanto anseia: matar a mãe, autora do assassinato do Pai. Após o retorno de Henrique e a revelação de Ereda, detalhando a morte do Pai ao irmão, Ulrica é sufocada pelo próprio filho com um travesseiro, encerrando-se a trama com a solidão noturna dos irmãos cúmplices.   
As núpcias de Teodora- 1874 adapta as peripécias da tragédia Ifigênia em Áulis, de Eurípides: o general Agamenon está às voltas com a terrível decisão de sacrificar sua filha Ifigênia à deusa Ártemis, para que soprem os ventos favoráveis à partida das naus gregas para Troia. Na versão de Bender, a ação é transferida para um episódio conhecido de nossa História: o cerco das tropas do governo brasileiro ao acampamento dos Mucker, liderados pela lider messiânica Jacobina Maurer, ocorrido em 1874, na região do Morro Ferrabrás. Em Bender, Jacobina exige que seu braço direito Cristóvão Hagemann sacrifique sua filha Teodora, para que o exército que ataca o acampamento seja derrotado pela seita. Esta liberdade poética do autor, transformando Jacobina em uma versão da deusa Ártemis, torna a peça impactante e rica em carga emocional.
Em A ronda do lobo-1826 o mito dos irmãos Atreu e Tiestes é recriado nos primórdios da colonização alemã no Rio Grande do Sul. O prólogo acompanha a ação na Alemanha, quando os irmãos Klaus e Felipe matam o caçula Cristiano sob orientação da Mãe, pois a vítima havia sido flagrada em ato homossexual. Ao descobrir o assassinato, o Pai amaldiçoa os irmãos criminosos, levando-os a imigrar para o Brasil, onde o restante da trama se desenvolve. O envolvimento de Felipe com a cunhada Rosina provoca uma horrenda vingança: Klaus mata o filho que o irmão tivera com a bugra Orlanda e o serve como refeição, fazendo com que Felipe coma a carne da criança que gerou.
Ivo Bender transcria o universo fechado da tragédia grega no ambiente rígido da germanidade, encontrando um equivalente perfeito. Porém em lugar da grandiosidade, se vê intimismo. Os dramas trágicos de Bender nos são muito próximos, mesmo se referindo a arcaicos assassinatos familiares. A ascendência alemã do autor lhe dá a consciência profunda do tema, e suas peças são como um acerto de contas com a própria origem: trazem a influência irreversível da psicanálise no mundo moderno, e por esse motivo a memória aparece tão intensamente na obra. Em Colheita de cinzas, muito da ação se desvenda pelo recordar das personagens: em uma cena, Henrique parte uma fatia de pão e as lembranças emergem, tal qual Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust. As núpcias de Teodora expõe o massacre dos colonos que divide opiniões ainda hoje, através de uma culpa mal-resolvida que atravessa gerações. A estrutura de A ronda do lobo é totalmente fragmentada, a partir do ponto de vista de um Narrador-personagem que iça acontecimentos muito antigos e esmaecidos, tecendo a trama. Essa obra sem paralelos no teatro brasileiro coloca Bender ao lado de Eugene O’Neill e sua Electra enlutada. Ambos trouxeram a tragédia grega para o seio da família do século XX, com resultados magníficos.


segunda-feira, 23 de maio de 2011

Ivo Bender por Luiz Paulo Vasconcellos

Ivo Bender por Luiz Paulo Vasconcellos from Coordenação de Artes Cênicas on Vimeo.

Ivo Bender por Sandra Dani


Ivo Bender por Sandra Dani from Coordenação de Artes Cênicas on Vimeo.

Hoje tem Ivo Bender! Feliz aniversário!

Hoje à noite, a partir das 20 horas, no Teatro Renascença, inicia a semana de homenagens ao maior dramaturgo gaúcho, Ivo Bender. Nesta segunda-feira, 23 de maio, o geminiano Ivo completa 75 anos de idade, 50 deles prestando inestimáveis contribuições ao teatro gaúcho. É obrigação de todos que fazem teatro neste RS conhecer a dramaturgia deste grande autor, do qual tenho orgulho de estar próximo nos últimos anos.
Neste primeiro dia de atividades, haverá a leitura de duas obras curta de Ivo:
CASINHA PEQUENINA
Direção de Marcelo Adams
Elenco: Carlos Cunha Filho, Mirna Spritzer e Diogo Zanella
e
A HISTÓRIA DE BRAU LOPES E O BOI DOS CHIFRES DE OURO
Direção e atuação de Raquel Pilger

Depois das duas leituras curtas, haverá um coquetel de confraternização. Não dá pra perder!
A foto acima foi clicada no dia da leitura que dirigi em dezembro de 2010, no Teatro de Arena,
da primeira peça do Ivo,
As cartas marcadas ou Os assassinos, escrita em 1961

domingo, 15 de maio de 2011

Crítica de IFIGÊNIA EM ÁULIS + AGAMENON, por Jorge Arias

O crítico uruguaio Jorge Arias, que escreve regularmente há muitos anos no jornal La Republica, de Montevidéu, esteve presente na estreia de IFIGÊNIA EM ÁULIS + AGAMENON, e escreveu a crítica que segue abaixo. Na foto acima, no camarim após o espetáculo, entre Jorge e sua mulher Irene.
HUMANO,  SOBREHUMANO,  PASADO,  PRESENTE, FUTURO

Por  Jorge Arias
Esta unificación  de tres  tragedias clásicas, “Ifigenia en Aulis” y “Las  troyanas” de  Eurípides y “Agamenón” de  Esquilo guarda relación con la costumbre de la Atenas clásica, que era la  representación de  tres  tragedias, generalmente vinculadas entre sí y del mismo autor, en una misma tarde. Por otra parte, para  nosotros, espectadores del siglo XXI, suele ser de primera necesidad alguna información complementaria  sobre lo ocurrido antes y después de la tragedia de Ifigenia: no sólo porque no conocemos en detalle la complicada historia de la Orestíada, sino por la continua referencia de Eurípides en “Ifigenia en Aulis” tanto al pasado como al presente. Por ejemplo, la presencia de Orestes, un inocente bebé de brazos cuando llega con Ifigenia y Clitemnestra al campamento griego en Aulis, es un detalle anecdótico si desconocemos el asesinato de Agamenón por Clitemnestra y Egisto y la venganza de Orestes, pero adquiere un matiz siniestro si sabemos algo del futuro de ese niño inerme. Y todavía no tenemos en esta “Ifigenia en Aulis”, una referencia detallada de los crímenes anteriores de los padres de los primos hermanos Agamenón y Egisto.
El director y adaptador Luciano Alabarse debió elegir. Hay una posibilidad dionisíaca, muy acorde con los orígenes del teatro clásico griego, en toda la historia: es la parte religiosa, los himnos de Esquilo que preceden largamente a las señales de los vigías en “Agamenón”; y aún la parte humana tiene en la leyenda dorada un aspecto peculiar. Nadie que haya llegado a Micenas, un lugar aún hoy felizmente alejado de los circuitos turísticos y que haya pisado las ruinas del palacio, que parecen siempre azotadas por vientos que parecen venir de todas partes, puede sobreponerse a la convicción de que allí sólo los semidioses podrían morar. Lo describe así Henry Miller en “El coloso de Marussi”: “El sitio tiene un aspecto impenetrable: es horrible, adorable, seductor y repelente…Nadie ha penetrado todavía en el misterio de este lugar blanquecino. Desafía los débiles procesos de la mente. En cuanto se dobla la última curva, Micenas se repliega de pronto, encogiéndose amenazadora, siniestra, desafiante…retorciéndose en contracciones musculares de luchador. La luz es aspirada por el paisaje, reflejada, transformada en una tonalidad grisácea".
La puesta en escena de Alabarse nos muestra un Agamenón vulnerable, que vacila entre el amor que siente por su hija y su deber de jefe de los aqueos. Menelao, Aquiles, Clitemnestra, Cassandra e Ifigenia muestran su amor a la vida, su rebeldía, las vacilaciones de su consciencia, su temor por las virtualidades de un ayer tan ominoso como activo y de un futuro que, como señaló Chejov, ya existe, en parte, en el presente. Los héroes no han perdido su grandeza, y los cambios de decisiones, tan novelescos, no hacen sino realizar, a través de sus debilidades, los caracteres de Aquiles, Agamenón y Menelao.
Como es habitual en Luciano, todo funciona a la perfección, con ritmo, con un notable empaste de conjunto en las interpretaciones. La obra no concluye con el sacrificio de Ifigenia; pero una vez contada la historia, el director ha mostrado las sangrientas consecuencias de lo sucedido en un anticlímax paradojalmente sereno. Las muertes son aludidas con gestos que no concluyen y  la atmósfera final  propicia a la reflexión.
En la labor de los actores brilla el Agamenón de Marcelo Adams, que sabe recorrer todos los matices de la pasión, el dolor, el amor, la ternura y hasta el temor, que de todo debe pasar por sus gestos. Todo el elenco respondió de maravillas y sin fallas; pero hay que destacar el crecimiento como actriz, estreno a estreno, de Vika Schabbach (Clitemnestra joven), la ductilidad y energía de Fabrizio Gorziza en su Aquiles, la sabia experiencia con que Ida Celina compone a Clitemnestra mayor, el señorío escénico de Mauro Soares, no sólo como Egisto o Poseidón sino como mensajero o mendigo.
           
Una mención especial merece la banda sonora de Luciano. Consecuente con su propósito de hacer actual a la tragedia clásica, incluye fragmentos, muy bien elegidos, de Pink Floyd, junto con canciones griegas antiguas. Lo antiguo es tan vivo como lo moderno, y valió la pena ver cómo se dieron la mano en el escenario del teatro Sao Pedro.

 IFIGENIA  EN AULIS + AGAMENON,  de Eurípides,  com fragmentos de  “Las  Troyanas”  y “Agamenon” de  Esquilo,  con Marcelo Adams, Vika  Schabbach, Fernando Petit, Carlos Cunha  Filho, Ida Celina, Thales de Oliveira, Clovis  Massa, Mauro Soares, Fabrizio Gorziza, Eduardo Steinmetz, Carolina Ramos, Lurdes Eloy, Laura Backes, Thais Mattos, Maria Teresa Montoya, Letícia  Bale, Rosangela Batistella, Claudia Lewis, Luciana Eboli, Luisa Herter, Marcelo Crawshaw, Fernando Zugno y Juliano Canal. Escenografía de Sylvia Moreira, vestuario de Rô Cortinhas,  iluminación de  João Fraga, banda  sonora, adaptación y dirección de Luciano Alabarse. Estreno del 5 de mayo, Theatro São Pedro,  Porto Alegre.

sábado, 7 de maio de 2011

Cães & Gregos

Este final de semana é especial para mim: estão em cartaz dois espetáculos nos quais estou envolvido, um adulto e um infantil.
A CÃOFUSÃO- UMA AVENTURA LEGAL PRA CACHORRO
Texto meu com direção de Lúcia Bendati, no Teatro Bruno Kiefer da Casa de Cultura Mario Quintana,
sábados e domingos às 16 horas, até 29 de maio:


IFIGÊNIA EM ÁULIS + AGAMENON
Onde interpreto o general grego Agamenon, sob a direção de Luciano Alabarse, numa das mais célebres tragédias escritas pelo grego Eurípides, no século V a.C. Até domingo apenas, no Theatro São Pedro:


sexta-feira, 6 de maio de 2011

Imagens depois da estreia

Eu e Luciano na Churrascaria Barranco

No camarim, junto de Carlos Cunha Filho, Luciano Alabarse e Clóvis Massa


Entre Jorge Árias, o maior crítico teatral uruguaio, de La Republica, e sua esposa Irene

quinta-feira, 5 de maio de 2011

IFIGÊNIA EM ÁULIS + AGAMENON estreia hoje: a peça na imprensa de Porto Alegre

A estreia de hoje à noite no Theatro São Pedro às 21 horas, está tendo ampla cobertura da imprensa porto-alegrense, demonstrando a importância do espetáculo em nosso cenário teatral. Abaixo vão as matérias publicadas pelos quatro principais jornais de Porto Alegre.

JORNAL ZERO HORA



JORNAL DO COMÉRCIO



JORNAL CORREIO DO POVO



JORNAL O SUL





segunda-feira, 2 de maio de 2011

Agamenon: duas versões da personagem

Quis o destino (ou a moira, usando um conceito apropriadamente grego) que me fosse confiada a missão de encarnar Agamenon, uma das mais notáveis figuras da mitologia grega, em dois espetáculos diferentes: em 2010, em Solos trágicos, dirigido por Roberto Oliveira; e em 2011 em Ifigênia em Áulis + Agamenon, com direção de Luciano Alabarse. Como é característico do teatro contemporâneo, as duas peças não poderiam ser mais diferentes, evidenciando as opções estéticas de cada um desses dois grandes encenadores do teatro gaúcho.
Na versão do Roberto, a ideia era trabalhar com a dramaturgia de Eurípides (entre outros autores) em um contexto bastante diverso do original ático: uma catástrofe ambiental colocava uma série de personagens em um local indefinido, em ruínas, que verbalizavam as palavras de grandes dramaturgos que trabalharam com o trágico. Nesse sentido, em meu solo pronunciava fragmentos do Agamenon de Ifigênia em Áulis mesclados com outros trechos do Macbeth de Shakespeare.
A versão do Luciano é mais clássica, ou seja, respeita a ambientação original grega, e ainda acrescenta, no espetáculo, fragmentos de Helena e As troianas, de Eurípides, e de Agamenon de Ésquilo.

A curiosidade é que nas duas imagens contraceno com Fernanda Petit. Em Solos trágicos ela sofria as consequências da violência da minha persona. Em Ifigênia em Áulis + Agamenon ela encarna a própria Ifigênia, filha de Agamenon.

Em terras trágicas: Ifigênia em Áulis + Agamenon



IFIGÊNIA EM ÁULIS + AGAMENON
5 a 8 de maio
Theatro São Pedro
Ingressos já à venda na bilheteria do teatro

domingo, 1 de maio de 2011

Ifigênia em Áulis + Agamenon: fotos de Lutti Pereira

Está chegando a hora de estrear: na próxima quinta-feira, 5 de maio, no Theatro São Pedro, ganha os palcos nossa versão para a célebre tragédia de Eurípides, com direção de Luciano Alabarse. Algumas imagens para aguçar a curiosidade: