O homem e a mancha

O homem e a mancha

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Agamenon: duas versões da personagem

Quis o destino (ou a moira, usando um conceito apropriadamente grego) que me fosse confiada a missão de encarnar Agamenon, uma das mais notáveis figuras da mitologia grega, em dois espetáculos diferentes: em 2010, em Solos trágicos, dirigido por Roberto Oliveira; e em 2011 em Ifigênia em Áulis + Agamenon, com direção de Luciano Alabarse. Como é característico do teatro contemporâneo, as duas peças não poderiam ser mais diferentes, evidenciando as opções estéticas de cada um desses dois grandes encenadores do teatro gaúcho.
Na versão do Roberto, a ideia era trabalhar com a dramaturgia de Eurípides (entre outros autores) em um contexto bastante diverso do original ático: uma catástrofe ambiental colocava uma série de personagens em um local indefinido, em ruínas, que verbalizavam as palavras de grandes dramaturgos que trabalharam com o trágico. Nesse sentido, em meu solo pronunciava fragmentos do Agamenon de Ifigênia em Áulis mesclados com outros trechos do Macbeth de Shakespeare.
A versão do Luciano é mais clássica, ou seja, respeita a ambientação original grega, e ainda acrescenta, no espetáculo, fragmentos de Helena e As troianas, de Eurípides, e de Agamenon de Ésquilo.

A curiosidade é que nas duas imagens contraceno com Fernanda Petit. Em Solos trágicos ela sofria as consequências da violência da minha persona. Em Ifigênia em Áulis + Agamenon ela encarna a própria Ifigênia, filha de Agamenon.

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