O homem e a mancha

O homem e a mancha

quinta-feira, 31 de março de 2011

quarta-feira, 30 de março de 2011

Feliz aniversário Margarida!


Hoje, 30 de março, é aniversário da Margarida. Ontem à noite encontramos com alguns amigos para comemorar, mas hoje, no dia de fato, tem mais. Parabéns a essa maravilhosa pessoa, cheia de habilidades artísticas e com uma imensa capacidade de manter amigos à sua volta, encantados com sua personalidade forte e verdadeira. De minha parte, como marido dela há mais de 9 anos, desejo que nosso casamento continue tão bom e feliz quanto é agora. Te amo, Tchuquinha.

terça-feira, 29 de março de 2011

A CÃOFUSÃO estreia no sábado



Está quase tudo pronto para a estreia do espetáculo de teatro infantil A CÃOFUSÃO- UMA AVENTURA LEGAL PRA CACHORRO. É para mim uma grande alegria ter meu primeiro texto teatral para crianças encenado desta forma tão profissional, com tanto cuidado, dedicação e empenho da maravilhosa equipe envolvida:
Direção de Lúcia Bendati
Elenco composto por Cassiano Fraga, Daniel Colin, Dênis Gosch, Fernanda Petit, Letícia Paranhos, Patrícia Soso e Ricardo Zigomático
Trilha sonora de Álvaro Rosacosta
Figurinos de Cláudio Benevenga e Zélia Mariah
Cenografia de Zoé Degani
Iluminação de Fernando Ochôa
Produção de Rodrigo Ruiz
A partir de 2 de abril, aos sábados e domingos, 16 horas, no Teatro Renascença (Erico Veríssimo, 307).

Fred Astaire e Frankenstein



Dois momentos inesquecíveis da história do cinema. Primeiro Fred Astaire cantando e dançando Puttin' on the Ritz, depois a versão de Mel Brooks, no genial O jovem Frankenstein, de 1974.
Aí abaixo vai a versão remixada, tão deliciosa quanto as duas outras.

domingo, 27 de março de 2011

Midnight in Paris

Nem estreou ainda na França (só em maio), mas já estou ansioso para ver o mais novo filme de Woody Allen.

sábado, 26 de março de 2011

A última estrada da praia na Usina do Gasômetro

Amanhã, domingo, 27 de março, será exibido o longa metragem A última estrada da praia, dirigido por Fabiano de Souza. No elenco, junto comigo, estão Miriã Possani, Marcos Contreras e Rafael Sieg, entre outros. A sessão terá entrada franca, e faz parte do projeto Rodacine. A ideia é apresentar o filme ao ar livre, com entrada franca. Se chover, será transferida para dentro da Usina. Amanhã, 19h.

sexta-feira, 25 de março de 2011

A CÃOFUSÃO mostra sua cara

O cartaz de A CÃOFUSÃO ficou uma graça. Agora falta estrear e mostrar o resultado de todo o trabalho feito com muito carinho e dedicação.

quarta-feira, 23 de março de 2011

segunda-feira, 21 de março de 2011

Um clip para A última estrada da praia




Ontem passei o domingo na estrada e na praia, mas a trabalho: é que gravamos, no último dia de verão, o clip da música A última estrada da praia, do Arthur de Faria & Seu Conjunto, que faz parte do cd Música pra Ouvir Sentado, lançado no ano passado. A música em questão faz parte da trilha sonora do longa homônimo, que deverá ser lançado ainda este ano nos cinemas. Foi minha primeira experiência no vasto mundo dos videoclips, e gostei muito, principalmente pelo clima de descontração nas locações. Fazem parte do Arthur de Faria & Seu Conjunto, além do próprio Arthur, Sérgio Karam (irmão da inesquecível Vera Karam), Adolfo Almeida Jr., Julio Rizzo, Marcão Acosta, Diego Silveira e Clóvis Boca Freire, sendo que este último foi o único que não participou das gravações, por estar um pouco "amolado".
A história (?) do clip é na realidade uma volta às locações do longa, que em 2007 nos levou para algumas praias do litoral norte (Quintão, Pinhal, osório, Cidreira), antes passando pela Free Way, pelo pedágio, etc. Os músicos tocavam e eu, uma figura estranha no meio deles, fazia algumas ações um pouco estranhas também. Começamos às 6h da manhã na rua João Alfredo, templo da boemia porto-alegrense, em frente ao Bar Parafernália, e depois zarpamos rumo às praias. Como no longa, minha função também era de motorista do grupo, e eu apareço dirigindo uma Rural 1975, muito parecida com a do filme, de propriedade do designer Thomas, que nos acompanhou na viagem.
O Fabiano de Souza e o Milton do Prado, diretores do clip, mais a Áurea Baptista, mulher do Arthur, e o Germano, que operava uma das câmeras (tínhamos 3!), tornaram as mais de 12 horas de trabalho muito agradáveis. Estou louco para ver o clip pronto, vai ser uma diversão.


sábado, 19 de março de 2011

Vale tudo redundante


A abertura da novela que marcou a teledramaturgia brasileira vista por um ângulo...redundante?

Cinco maneiras de fechar os olhos

Pelo pouco que resta ou Cinco maneiras de fechar os olhos é o título do primeiro filme universitário de longa metragem do Rio Grande do Sul, projeto dos alunos do curso de Produção Audiovisual da PUCRS. Fui convidado para interpretar a personagem Clemente, um advogado que descobre um segredo e tenta aproveitar-se disso para tirar alguma vantagem. As gravações serão em abril, e o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2011. O filme é composto por quatro histórias que se tangenciam, na Porto Alegre contemporânea: involuntariamente, algumas personagens levam outras a tomar decisões que mudarão a direção de suas vidas.
Como o filme é resultado do trabalho dos alunos, cada uma das quatro histórias forma um núcleo, dirigido por um ou dois diretores. O meu núcleo é dirigido pelo Emiliano Cunha e pelo Abel Roland, e hoje tivemos um ensaio na casa do ator Carlos Paixão, que interpreta a personagem com a qual contraceno no filme. O pessoal é muito cabeça aberta e tem vontade de acertar, tenho certeza de que o resultado será excelente, ainda mais contando com a orientação dos professores da PUC Fabiano de Souza, Eduardo Wannmacher e Carlos Gerbase.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Sessão da classe

Nos dias 14 e 15 de março aconteceu, no Teatro Renascença, o evento Sessão da classe, promovido pela Coordenação de Artes Cênicas da SMC de Porto Alegre, com curadoria do jornalista e mestrando em Artes Cênicas Renato Mendonça. Fui um dos artistas de Porto Alegre convidados para participar da conversa, que tinha uma estrutura onde cada um dos cinco convidados de cada noite respondia a uma "provocação" do Renato, passando-se depois para a plateia a oportunidade de fazer perguntas ou declarações a respeito do assunto que se estava discutindo. A primeira sessão teve o tema "O que é sucesso" como catalizador, e Airton de Oliveira, Daniel Colin, Eva Schul, Patrícia Fagundes e Zé Victor Castiel se revezaram em falar sobre isso. A segunda noite contou com Alexandre Vargas, Camilo de Lélis, Hamilton Leite, eu e Roberto Oliveira falando sobre "Como fazer um sucesso".
A presença do público na plateia do Renascença foi menor do que eu esperava, cerca de 50 por noite, mas ainda sim composta por pessoas representativas do nosso teatro, como Margarida Leoni Peixoto, Júlio Conte, Adriane Mottola, Néstor Monastério, Hermes Bernardi Jr., Alexandre Fávero, Sílvio Ramão, Vanja Ca Michel, etc, além da participação, via Facebook e Twitter, de outros colegas, como Patsy Cecato, Simone Buttelli e Nádia Mancuso.
O que acredito, e disse isso em minha fala final, ontem, é que importa menos a resposta ao tema "Como fazer sucesso" - esse absolutamente relativo e não atrelável a fórmulas - do que a oportunidade que tivemos de reunir, em um mesmo espaço crítico, pessoas que fazem o dia a dia das artes cênicas gáuchas, falando de temas eminentemente práticos. Repito: temas práticos, que dificilmente se aprendem nos bancos acadêmicos. A teoria é importante, é óbvio, mas a prática de quem se forma profissional atuando no mercado é tão rica quanto as pesquisas de gabinete. Por isso, talvez, sinta-se a ausência de professores do curso de Teatro da UFRGS. Na noite de ontem, apenas Clóvis Massa e Camila Bauer dispuseram-se a comparecer a um evento que discute diretamente temas que deveriam ser do interesse de pessoas que ensinam alunos a fazer teatro. E ainda: os dois professores do DAD que participaram do encontro, Clóvis e Camila, são da área da teoria. Portanto, nenhum professor de áreas práticas do teatro compareceu à Sessão da classe. Estranho, mas significativo.


segunda-feira, 14 de março de 2011

Teoria e História do teatro no TEPA

Fui convidado pela Daniela Carmona e pelo Adriano Basegio a ministrar a disciplina de Teoria e História do teatro no TEPA. Hoje começaram as aulas, que se estendarão por todo o ano, uma vez por semana. Foi um belo começo de ano letivo, e a jovem turma (em sua maioria) parece ser interessada e disposta a aprender. Que seja prazeroso!


domingo, 13 de março de 2011

Teatro é religião

Tem-se, muitas vezes, a noção de que a palavra RELIGIÃO está ligada apenas ao sentimento íntimo que cada um de nós tem em alguma coisa, ou em um sistema de crenças. Mas crer em alguma coisa depende da FÉ, e a fé é racional: eu escolho ter, eu escolho acreditar em algo, eu escolho adotar um conjunto de crenças por acreditar que aquele é o que melhor supre minhas necessidades pessoais. A fé é individual, mas a religião é coletiva.
Dizer que teatro é uma religião não é errado, pois da mesma forma que outras religiões místicas, baseadas em crenças e dogmas, como o catolicismo, o judaísmo, o islamismo e o budismo, o TEATRO também tem uma estrutura pré-estabelecida, e os espectadores/crentes congregam ou não dessa fé, ou seja, prestigiam ou não essa religião.
Não é segredo que o impulso teatral do homem se apresentou desde épocas primitivas. Simulações de caçadas a animais na era do gelo, representações de forças da natureza: tudo era regido pelo pensamento mágico do homem primevo, que acreditava que representar alguma coisa era concretizá-la. Durante milhares de anos, se por um lado havia o impulso dramático de fingir ser algo ou alguém que não nós mesmos, faltava, por outro, o ingrediente principal para tornar essas representações em algo mais que uma expressão íntima de crenças pessoais: o espectador. Os participantes dos rituais de caça eram eles próprios espectadores uns dos outros. É por esse motivo que a Grécia detém o título de manjedoura do teatro ocidental, pois foi lá, pela primeira vez, que os impulsos dramáticos do homem foram orientados, de forma calculada, para apresentações públicas e endereçadas para outros que não os próprios executores.

Pulando vários séculos, chego ao teatro atual, aqui em Porto Alegre, e acredito que o conceito de religião pode ser aplicado ao que os artistas cênicos fazem. Não incorporo a isso nenhum aspecto místico, sobrenatural, mas sim a função que o teatro tem, em sua etimologia, de religar os homens a alguma coisa. O bom teatro tem a função de religar o homem a si mesmo, através da reflexão, por meio de ações elaboradas e tendo como objetivo o prazer estético. E, como as religiões tradicionais, o teatro também tem regras, convenções e actantes que desempenham funções específicas dentro dessa religião.
Como as religiões diferem entre si pelos diferentes dogmas, o teatro também é variadíssimo em suas formas, indo desde a tragédia mais clássica ao stand up mais comercial. Como há o catolicismo e o islamismo, há as dezenas de seitas pentecostais que tentam, através da oferta antiética de um lugar no paraíso mediante aviltantes dízimos.
O comportamento do público teatral assemelha-se, assim, ao dos fiéis que escolhem um ou outro templo para expressar sua fé. O teatro compromentido com a arte séria (no melhor sentido possível) perde em adesões para o teatro histérico e superficial, que reflete o que assembleias divinas e igrejas universais oferecem: shows pirotécnicos, repletos de batidíssimos conselhos de auto-ajuda, regados a sessões de milagres e exorcismos.
Não me identifico com nenhuma religião, a não ser a do teatro, que é aquela em que acredito profundamente como minha missão de vida. E minha religião teatral não é dogmática, mas melíflua, disposta a se transformar de acordo com minha evolução pessoal e meus interesses. Ela amadurece, ela acerta, ela erra, ela retoma e recomeça. Ela admite a existência de outras religiões, e torce para que elas se estabeleçam fortes, importantes, relevantes. Acredito que a religião do teatro é imortal, ainda que sofra baques a todo instante: entre eles a indecisão de novos fiéis, que veem-se seduzidos por outras experiências.

sábado, 12 de março de 2011

Caras pintadas

Foto do ensaio de maquiagem para A CÃOFUSÃO, espetáculo de teatro infantil que escrevi e que estreará no próximo dia 2 de abril, com direção de Lúcia Bendati, no Teatro Renascença. Na imagem acima, Fernanda Petit e Ricardo Zigomático, encarnando as personagens Lady e Malandro, protagonistas da história. Está ficando lindo!


sexta-feira, 11 de março de 2011

Return of the god Ares


A música do vídeo acima fará parte da trilha de nossa montagem de Ifigênia em Áulis. A tradução seria "Retorno do deus Ares", o deus grego da guerra, e isso casa-se à perfeição com a temática da peça de Eurípides, onde um grupo de soldados ávidos para lutar aguardam a partida para a famosa guerra de Troia, que durou dez anos.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Ifigênia em Áulis se preparando para zarpar

A imagem acima é a reprodução da tela a óleo Iphigenia in Aulis (1817) do pintor francês Nicolas-André Monsiau (1754-1837). Vê-se o chefe das tropas gregas, Agamenon, próximo de Clitemnestra e de Ifigênia.
Após alguns encontros onde discutimos aspectos do mito que deu origem à tragédia de Eurípides, começaremos hoje a dar forma ao espetáculo, com o estágio prático dos ensaios.
Estreado em 405 a.C., após a morte do autor, existem pesquisas que apontam a interferência de um sobrinho de Eurípides no texto, que havia ficado inacabado. Apresentada no festival ateniense, Ifigênia em Áulis conquistou o primeiro lugar.
É minha segunda incursão, como ator, no universo da tragédia grega, que tanto me apaixona. Na primeira vez, em 2008, encarnei Édipo, na montagem dirigida por Luciano Alabarse. Desta vez o papel que me coube é o do próprio Agamenon, que à espera de ventos favoráveis que levem os navios repletos de guerreiros gregos para Troia, recebe da deusa Ártemis o funesto vaticínio: as naus argivas só zarparão mediante o sacrifício da filha primogênita de Agamenon. A dúvida entre a razão do Estado e a razão pessoal permeia este drama quase psicológico, encarnado pelo atormentado Agamenon. Com esta tragédia, Eurípides (480-406 a.C.) deu prosseguimento à revolução que vinha instalando no gênero: foi, dos três maiores tragediógrafos gregos, aquele que criou a ponte mais firme entre o drama antigo e o moderno, humanizando, ineditamente, suas personagens.
No elenco do espetáculo que estreará dia 5 de maio no Theatro São Pedro, sob direção de Luciano Alabarse, estão Fernanda Petit (Ifigênia), Vika Schabbach (Clitemnestra), Fabrizio Gorziza (Aquiles), mais Mauro Soares, Ida Celina, Carlos Cunha Filho, Lurdes Eloy, Luciana Éboli, Thales de Oliveira, Luísa Herter, Eduardo Steinmetz, Rosângela Batistella, Marcelo Crawshaw...são mais de vinte atores, e só deixo de mencionar a todos para não ter cãibra nos dedos...
Uma curiosidade é que, na realidade, já encarnei Agamenon: no ano passado, na montagem de Solos trágicos, um espetáculo irresistivelmente belo dirigido pelo Roberto Oliveira, eu interpretava fragmentos de Agamenon e de Macbeth, de Shakespeare. Não se tratava, na peça do Roberto, da encenação de Ifigênia em Áulis completa, como desta vez. Mas foi possível dar um bom mergulho na trágica divisão de Agamenon, que agora completo.

sábado, 5 de março de 2011

UERGS, aqui vou eu

Fui convocado para a nomeação como professor na graduação em Teatro-Licenciatura da UERGS. Em agosto do ano passado prestei concurso público, e fui aprovado em primeiro lugar para atuar nas áreas de Trabalho do Ator, Direção Teatral e História do Espetáculo. Junto comigo, também foram aprovadas as futuras colegas Jezebel de Carli e Tatiana Cardoso, além de Carlinhos Mödinger. Agora é o período de arrecadar a documentação, realizar os exames médicos para a admissão e esperar 4 de abril, quando iniciam as aulas para a nova turma de alunos. Depois da experiência como professor do curso de Artes Cênicas da UFSM, onde permaneci de 2007 a 2009, é um prazer voltar ao ensino superior, sobretudo por estar ao lado de colegas tão queridos e pessoas que admiro.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Chicago- el Musical: teatro em Buenos Aires

Quem assistiu ao filme Chicago, dirigido por Rob Marshall em 2002, vencedor de 6 Oscars, sabe que é empolgante. Assistir à mesma história criada por Bob Fosse e Fred Ebb para a Broadway hoje, no teatro, é também uma grande experiência. Em Buenos Aires, ao contrário de Montevidéu, as produções caras e luxuosas de grandes sucessos mundiais são muito mais comuns. Da última vez que estivéramos na capital argentina, em 2008, assistíramos uma ótima montagem de Ópera dos três vinténs, de Bertolt Brecht, com todas as maravilhosas canções de Kurt Weill. Agora, anuncia-se para meados de março a montagem de A noviça rebelde por lá. Este Chicago portenho coloca sobre o palco uma extraordinária orquestra de jazz, com 15 membros, e mais duas dezenas de cantores-atores-bailarinos para encantar nossos sentidos. A encenação, simples até, trazendo para próximo do proscênio toda a ação, é exclusivamente preta e branca, nos figurinos e na cenografia. Parece um recurso manjado, mas funciona à perfeição. O que temos para contar a história é o virtuosismo dos intérpretes, que não trajam roupas de época (anos 1920-30), mas figurinos que lembram a estética de cabaré, com roupas sexy, curtas e ajustadas aos corpos. Durante duas horas e meia mergulhamos no mundo que nos era apresentado. Lindo, absurdamente competente e totalmente satisfatório. Um verdadeiro show, na melhor acepção da palavra.

Un poco de suerte: teatro em Montevidéu

Outro espetáculo que assistimos em Montevidéu, desta vez no Teatro Anglo- Sala 2 William Shakespeare, que pertence ao Instituto Cultural Anglo Uruguayo, foi Un poco de suerte, com texto e direção de Omar Varela. Trata-se de uma comédia de situação ambientada no quarto de dormir da matriarca de uma família judia uruguaia. Após a morte da velha senhora, os três filhos, próximos da meia idade, rememoram histórias de família enquanto discutem que fim darão à suposta herança deixada pela falecida. Uma história simples, com uma reviravolta final, embasada no bom texto e na interpretação dos atores, com destaque para Ana Rosa, impagável na criação da irmã mais dissimulada e fútil.
Foi uma bela coincidência ter assistido a esse trabalho, porque em 2010 dirigi Mães & Sogras, estrelada pela Margarida, no papel da implacável mãe judia Bella Molodóvski: uma peça escrita por Leandro Sarmatz, que guarda algumas semelhanças com o que vimos na capital uruguaia, quando menos não seja a temática judaica, envolta em humor dos bons. Os hermanos uruguaios e argentinos, aliás, têm um apreço especial por peças que tematizam o mundo judaico: volta e meia são apresentados espetáculos desse tipo. Talvez porque Buenos Aires tenha a maior concentração de judeus da América Latina, e uma das maiores do mundo; talvez porque o inteligente humor praticado por autores como Sarmatz e Varela (também ele judeu) agradem ao culto povo daqueles países. O próprio Moacyr Scliar, que nos deixou tão cedo, admirava esse tipo de comédia: agridoce, mas também ácida e negra. Quando convidei Scliar para escrever um texto de apresentação para a peça de Sarmatz, no início do ano passado, ele prontamente me respondeu e escreveu um belo e elogioso comentário, que consta do nosso programa de Mães & Sogras. Foi uma honra ter tratado com Scliar, ainda que brevemente, e nunca esquecerei da gentileza e boa vontade com que nos deu atenção, apesar da intensa agenda de grande intelectual que ele era.

terça-feira, 1 de março de 2011

Music hall: teatro em Montevidéu

Um dos espetáculos a que assistimos em Montevidéu foi Music hall, do dramaturgo francês Jean-Luc Lagarce (1956-1995). A produção uruguaia foi apresentada no Teatro Circular, um dos mais importantes da cidade. Fundado em 1954, o prédio foi, principalmente durante o período da ditadura militar, um foco de resistência artística, encenando textos que denunciavam e/ou criticavam o regime de exceção. A exemplo do que aconteceu no Brasil e mais especialmente no Teatro de Arena de Porto Alegre, o Circular fazia uso, em seus espetáculos, de metáforas denunciantes do caos político em que se via afundado o país, não alcançadas pela ignorância dos censores. O atual Teatro Circular dispõe de dois espaços: uma arena de quatro lados lindíssima, com cerca de 200 lugares, e um espaço bem menor, uma espécie de sala multiuso, com no máximo 80 lugares, onde assistimos a Music hall.
A peça de Lagarce foi escrita em 1988 e estreou no ano seguinte. Trazendo três personagens (a Moça, o Boy 1 e o Boy 2), trata, como já indica o título, da vida de um pequeno grupo de artistas de variedades, em que canto e dança compõem o espetáculo. Esse gênero que teve seu auge há várias décadas, se encontra hoje em decadência, se não já quase desaparecido. E é esta espécie de homenagem aos artistas das artes cênicas que o texto do dramaturgo faz, com uma boa dose de melancolia, e que dificilmente não comove aos artistas em geral, que certamente se identificam com a situação: tudo parece ser pretexto para desistir - as más condições de produção, a falta de público -, mas no fim das contas o espírito que (n)os anima é quase imortal. Continuamos, apesar de tudo. É como se estivéssemos falando do teatro de Porto Alegre, não?
A encenação de Diego Arbelo é simples como deve ser, centrada fundamentalmente no trabalho dos atores. E os atores são muito bons, nos fazem entender profundamente do que se trata a peça, mesmo com a barreira da língua (o castelhano que falam é bem articulado, o que facilita a vida dos falantes de português).
O Luciano Alabarse, que nos acompanhou nesta apresentação a que assistimos, me disse que a produção uruguaia carece muito de incentivos, e geralmente as peças são montadas com parquíssimos recursos (exceção feita às produções da Comedia Nacional, que têm lugar no imponente Teatro Solís; mas este é um caso à parte, já que a Comedia é subsidiada pelo governo uruguaio, e os atores e toda a equipe são funcionários públicos, recebendo salários o ano todo e verba para caras produções). Assim, a cenografia do espetáculo de Arbelo consistia unicamente em uma escadinha com três degraus, um bandô vermelho colocado ao fundo, um banco (alto) sem encosto e alguns poucos acessórios (figurinos e malas). E os atores. E Bettina Mondino, extraordinária como intérprete. Realmente um trabalho memorável, que os porto-alegrenses terão a oportunidade de assistir em setembro, no Porto Alegre Em Cena.
P.S.: Bettina Mondino, que dá um show como atriz, interpreta lindamente a canção "De temps en temps", celebrizada por Joséphine Baker. Bettina tem uma voz irrepreensível, a que os gaúchos já tiveram a oportunidade de ouvir: em 2000, Luciano dirigiu o espetáculo Descobrimento, comemorando os 500 anos de Brasil. Entre os intérpretes estava a uruguaia Bettina, ao lado de Margarida Leoni Peixoto e outros atores-cantores de Porto Alegre. Ao final da apresentação de Music hall, fomos ao camarim cumprimentá-los, e Bettina, ao ver Margarida, ficou encantada e disse "Você é que tem uma voz perfeita!". Belo elogio para a Margarida, após ver Bettina emocionando com sua interpretação.