O homem e a mancha

O homem e a mancha

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Primeiros passos


Sempre li muito, desde pequeno. Minha mãe gosta de contar que aprendi a ler e escrever sozinho, aos quatro anos. Sozinho não é bem o termo, mas sem dúvida a vontade e o esforço foram todos meus. Dentro da bruma da memória em que estão os primeiros anos da minha vida, lembro que adorava ler gibis, da Disney e da Turma da Mônica, especialmente. Mas também havia o gibi do Popeye, da Luluzinha e do Bolinha, e os que eu menos gostava, de super heróis, que achava incompreensíveis na maioria da vezes, como os da Marvel. Alguns anos depois, me encantariam os gibis de horror, com histórias de monstros, criaturas estranhas e todas as escabrosidades imagináveis. Um desses gibis chamava-se Cripta. Lembro que eu olhava as "figuras" dos gibis e perguntava, para os mais velhos, que som tinham as letras. Foi assim que, um belo dia, surpreendi minha família já sabendo juntar as letras e formar palavras, e com uns garranchos que significam meu nome: Marcelo.
A partir daí, nunca mais deixei de ler, muito. Nem mesmo na fase da adolescência, quando nos tornamos arredios e pensamos mais em festas do que qualquer outra coisa. Desde cedo, também, comecei a escrever historinhas, pequenos contos, inspirados nos filmes que eu assistia no Madrugadão (que depois seria sucedido pelo Corujão da Globo, que está aí até hoje). Apesar de estudar a vida toda no turno da manhã, não abria mão de assistir os filmes da Globo, que passavam diariamente, cada dia com um nome diferente de sessão.
Por exemplo, a segunda-feira era o dia do Classe A, uma sessão de filmes legendados. Às terças, era a vez do Festival de Sucessos, tinha a Quinta Espetacular e assim por diante. Naquela época eram exibidos muitos clássicos em preto e branco, verdadeiras relíquias dos anos 1930, 40 e 50, com aquelas dublagens deliciosas, anunciadas por uma voz que caprichava no som dos SS e RR. Algo como "A Screen Gems (?) apresenta...", ou "Dublado nos estúdios da Dublasom, Guanabara". Foi assim que comecei também a minha paixão pelo cinema e pela necessidade de contar histórias. Aqueles filmes antigos contavam histórias interessantes, e eu também queria fazer aquilo.
Meu interesse consciente pelo teatro surgiu vários anos depois do amor pelo cinema. Achei que seria mais fácil, e mais próximo de mim, contar histórias com o teatro que, como já dizia Grotowski, nada mais é que o encontro entre um espectador e um ator (ou perfomer, conforme a evolução do teórico polonês).
Posso então dizer que foi o cinema que me levou para o teatro. Hoje, já tendo feito alguns filmes e alguma teledramaturgia, posso afirmar que nada se compara ao teatro. É o teatro que me deixa mais à vontade, como artista. É o teatro que domino como linguagem, porque depende, basicamente, de mim, apesar de ser uma arte de grupo. Mas na hora do "vamos ver", o ator está só, no palco, e tem que resolver tudo. O cinema é tão cheio de parafernálias e ações paralelas. Gosto das coisas que fiz, é claro. Mas tenho a sensação de que não estou totalmente à vontade, como no palco. Alguém disse, acho que Paulo Autran, que o teatro é a arte do ator, o cinema é a arte do diretor e a televisão a arte do anunciante. Concordo totalmente. As exceções só confirmam a regra.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

O médico à força no Teatro Renascença













Volta a cartaz, no dia 27 de fevereiro, O médico à força, a mais recente produção da Cia. de Teatro ao Quadrado. O médico à força é um texto escrito por Moliére, em 1666, e que teve, na versão do nosso grupo, um upload estético. Inspirados pelas chanchadas brasileiras da produtora cinematográfica Atlântida, nossa montagem homenageia a atmosfera ingênua e bem-humorada daquelas "fitas" estreladas por gente como Oscarito, Grande Otelo, Zezé Macedo e Dercy Gonçalves. Outra das nossas inspirações é o gênero farsa, que, ao contrário do que alguns possam afirmar, não se resume apenas à farsa medieval, que por sua vez é uma espécie de continuação da farsa atelana. A farsa, como qualquer gênero teatral, evolui e se modifica. Assim, temos a tragédia grega, em V a.C., mas também temos a tragédia jacobina, ou a elizabetana, nos séculos XV e XVI. Da mesma forma que temos o melodrama à moda de Pixèrecourt, por volta de 1800, temos o melodrama televisivo das telenovelas brasileiras. A farsa, igualmente, passa pela Idade Média e chega ao teatro de boulevard francês e ao music hall norte-americano. Como se vê, gênero puro é gênero morto.
Mas voltando à vaca fria, nossa montagem volta para o Teatro Renascença (Av. Erico Veríssimo, 307, Centro Municipal de Cultura de Porto Alegre), com temporada de quatro semanas, se estendendo até 22 de março, às sextas e sábados às 21h e aos domingos às 20h. Desta vez, com o reconhecimento de quatro indicações ao Prêmio Açorianos de Teatro, Melhor espetáculo, Melhor ator (Marcelo Adams), Melhor atriz coadjuvante (Anna Fuão) e Melhor figurino (Rô Cortinhas).
Os ingressos custam R$ 20 e R$ 10 (estudantes, classe artística, maiores de 60 anos e Clube ZH).
Molière, um dos maiores dramaturgos ocidentais, e certamente o maior comediógrafo depois de Aristófanes, merece ser melhor conhecido. Em Porto Alegre, desde 2004, quando nós da Cia. de Teatro ao Quadrado montamos a genial Escola de mulheres, esse brilhante francês não é encenado por grupos locais. Espero que, como Shakespeare, ele encontre muitos outros incentivadores em nossos palcos.


sábado, 21 de fevereiro de 2009

Quartett


Por esses dias tenho finalmente feito algo que, há tempos, já devia ter resolvido: passar para DVD velhas fitas em VHS, para preservar imagens que guardo, algumas há 15 anos. Entre as fitas que tenho recuperado para uma mídia mais durável, encontrei várias entrevistas minhas, em programas como Jornal do Almoço, Estação Cultura, Palavra de Mulher (sim, o programa cult da Marley Soares, na Guaíba), Palco (o extinto e para sempre lembrado programa que tratava exclusivamente de ARTE na TV Com) e Estúdio 36. Também estou salvando do mofo algumas gravações de peças que eu ou a Margarida fizemos (como a estreia dela nos palcos, Vida de cachorro, de 1993). E, entre essas fitas, recuperei Quartett, a montagem que eu e a Lúcia Bendati fizemos em 1999, como projeto de graduação em Interpretação teatral dela, no DAD.
Quartett, do dramaturgo alemão Heiner Müller, escrita em 1982, é uma recriação do romance epistolar As relações perigosas, do francês Choderlos de Laclos, escrito exatamente 200 anos antes, em 1782. Müller, como é comum em sua dramaturgia a partir dos anos 1970, dá poucas indicações para o possível encenador de sua obra. As rubricas são raras e, em Quartett, resumem-se a informar que a ação se passa ou em um bunker ou em um salão de baile ou em nenhum desses lugares; ou seja, Müller quer dar a maior liberdade possível para que a poesia de suas palavras ganhe as mais variadas versões.
A recriação do dramaturgo alemão coloca em cena dois personagens: Valmont e a Marquesa de Merteuil, figuras que apenas têm prazer com a sedução do outro. Esses dois predadores encarnam, em um jogo rico em nuances, outras personagens. Assim, em um quarteto de figuras que existem ou não, a poesia ácida de Müller é lançada. É claro que há a famosa desconstrução heinermülleriana, e as atordoantes imagens, que às vezes se repetem (por exemplo, a imagem da mulher com a cabeça dentro do forno a gás, arroxeada e morta, aparece em Quartett e em Hamletmachine). Quartett é um petardo verbal, e um grande desafio para o encenador, já que não propõe ações concretas. De resto, essa é uma das características da dramaturgia contemporânea, vide Na solidão dos campos de algodão, de Bernard-Marie Koltès, que também coloca em cena dois personagens que falam muito, em longos monólogos, muitas vezes escapando para o terreno lírico, com um fiapo de história a uni-los. A dramaturgia dos últimos anos vem impregnada pelo lírico e pelo épico, deixando que o dramático seja apenas um de seus constituintes (ao contrário do que apregoava o velho Aristóteles).
Mas voltando à nossa montagem de 1999, revendo aquelas imagens fiquei bastante surpreso com a qualidade de algumas opções cênicas. Afora o fato de termos, eu e a Lucinha, evoluído artisticamente em 10 anos, percebo uma garra e uma entrega muito interessantes. Algumas ingenuidades não obscurecem o bom resultado geral, que contou com a iluminação do Karrá e com figurinos de Antônio Rabadan. E neste ano, em que Porto Alegre receberá a brilhante Isabelle Huppert com uma montagem de Quartett, fico muito curioso em saber que cara eles darão às fantasias de Heiner Müller, que já tiveram até um frigorífico como cenário, na versão de Gerald Thomas, com Ney Latorraca. Vamos aguardar setembro.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Gus Van Sant


Posso me considerar um fã do cineasta norte-americano Gus Van Sant. Acompanho o trabalho dele há vários anos, e creio ter visto a maioria de seus filmes. Os pouco conhecidos e que primam pela bizarrice, como Até as vaqueiras ficam tristes, em que Uma Thurman interpreta uma lésbica de polegares imensos, uma produção de 1993. Os que trazem o homossexualismo como tema principal, como Garotos de programa, de 1991, com Keanu Reeves e River Phoenix, e o recente Milk- A voz da igualdade, de 2008 (que aparece na foto logo acima; à esquerda Sean Penn personificando Harvey Milk e, ao seu lado, o verdadeiro político assassinado na San Francisco de 1978). Os que tratam de alguma forma, da imersão no mundo das drogas, como Drugstore cowboy, de 1989, com Matt Dillon, e Last days, de 2005, este último inspirado nos últimos dias de Kurt Cobain, vocalista do Nirvana, e seu suicídio. Ainda aqueles filmes que são inegáveis obras-primas, e que têm a juventude e seus dilemas como motor, caso dos extraordinários Elefante, de 2003, e Paranoid park, de 2007. Só de passagem, dá para mencionar que Van Sant é versátil, o que não significa que acerte sempre. Fez Gênio indomável, "filme de Oscar" de 1997; Psicose, de 1998, uma refilmagem totalmente desnecessária de Hitchcock; Procurando Forrester, de 2000, uma das últimas aparições de Sean Connery, que aparentemente se aposentou. Há ainda Um sonho sem limites, talvez o primeiro papel de verdadeiro destaque de Nicole Kidman, em 1995, uma pequena pérola de humor negro.
Tudo isso para dizer que assisti Milk, um dos filmes cotados para o Oscar, com oito indicações. Desta vez, Van Sant foge de qualquer experimentalismo e segue uma narrativa bastante clássica, mas nem por isso inferior. Sean Penn, como sói acontecer (essa expressão tem o merecido crédito de Gisela Habeyche), está excelente, e muito convincente no papel do protagonista. Harvey Milk foi uma espécie de vereador na San Francisco dos anos 1970, e lutava pelos direitos dos gays. Teve sucesso em uma de suas batalhas, mas foi assassinado por um colega. O filme não chega a empolgar, mas é bonito, digno, tem atuações sólidas e tudo o mais. Van Sant sabe fazer cinema mais acadêmico, mas prefiro quando ele inova ou quebra com as normas cinematográficas. Como esquecer as longas sequências em que as personagens são seguidas, pelas costas, pela câmera, como em Elefante, Paranoid park e Last days?

Prison break

Há algumas semanas, a Globo começou a exibir, no começo da madrugada, uma série produzida pela Fox norte-americana, chamada Prison break. A premissa da primeira temporada, exibida em 2005 - e que já está na quarta temporada -, era a de que Michael Scofield, um jovem e inteligentíssimo engenheiro, provocava sua própria prisão assaltando um banco, para ser encarcerado no mesmo presídio que seu irmão Lincoln Burrows, condenado à morte na cadeira elétrica pelo suposto assassinato do irmão da vice-presidente americana.
A série mostrava, na primeira temporada, a convivência nada pacífica de Michael e seu irmão com outros presos (que se dividem em facções, como brancos, negros e latinos) e com os guardas penitenciários. Ao mesmo tempo, Michael, uma espécie de McGiver em nova versão, dava andamento ao seu plano mirabolante de fuga, para salvar o irmão da iminente execução.
Não preciso ocultar que Michael, seu irmão e outros seis presos conseguem escapar no último capítulo.
A segunda temporada, que estou avidamente assistindo em DVD, mostra os oito fugitivos tentando sobreviver e partindo em busca de uma fortuna de 5 milhões de dólares, enterrada por um velho prisioneiro, já morto, em algum lugar ermo de Utah.
É fascinante como os americanos têm gás para manter o interesse sempre vivo em suas séries, sem nenhum pudor de lançar mão de situações rocambolescas, com viradas surpreendentes e a todo momento. Prison break é uma espécie de folhetim policialesco, criando conexões cada vez mais complexas para enredar o espectador em sua teia, que envolve o FBI, o governo dos EUA, dinheiro perdido, assassinatos ocultos e até um pouquinho de humor, como ensinava o bom teatro elizabetano.
Suspension of disbelief, conforme a expressão cunhada pelo poeta e filósofo da estética Samuel Taylor Coleridge, em 1817, é a aceitação - por parte do receptor de uma obra de arte -, das premissas do artista, por mais fantásticas e impossíveis que possam parecer. Só assim é possível absorver (quase) totalmente os efeitos desejados pelo autor. Assistir Prison break, e, como de resto, a grande parte da produção ficcional, é suspender nossa descrença no improvável e no pouco verossímil. O retorno pode ser bem satisfatório, e confesso que fecho um pouco os olhos aos pequenos absurdos que povoam a narrativa da série, mirando no prazer de assistir ações muito bem construídas e personagens bem caracterizados (como o psicopata T-bag, interpretado magnificamente por Robert Knepper). Só para dar um exemplo, os detentos, dentro dos muros do presídio têm à sua disposição dois orelhões para fazer ligações para fora. E o melhor é que esses telefones não são grampeados, os presos fazem mil e uma combinações e ninguém fica sabendo de nada!
Em breve, começo a temporada 3. Recomendo.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

De volta ao DAD


O filme que estou fazendo teve como um de seus cenários uma sala que me traz muitas lembranças. Ontem gravamos as cenas localizadas no que seria o quarto do personagem que interpreto - João -, que vive em uma espécie de quarto de pensão. E o local que desempenhou essa função foi a sala 2 do DAD (Departamento de Arte Dramática da UFRGS), onde tive muitas aulas de Expressão Vocal com a grande professora Marlene Goidanich. A "sala da Marlene", que é como sempre me referirei àquele espaço, apesar de ela já ter se aposentado há anos fica no prédio antigo do DAD, aquele que tem entrada pela Salgado Filho. As janelas da sala 2 se abrem para a confluência entre a Salgado Filho e a João Pessoa, um local movimentado e barulhento. Nas aulas da Marlene, em que alternávamos exercícios para aperfeiçoamento da voz falada com músicas cantadas por nós ao piano, às vezes tínhamos que suportar o calor do ambiente, pela necessidade de fechar as janelonas, por causa do barulho lá fora.

O mais legal é que o piano em que a Marlene nos ensinava a cantar canções da história do teatro universal, em grego, latim, inglês, espanhol, francês e alemão (além de português), ainda está lá! E o melhor: utilizamos o piano como elemento da cenografia de A palavra roubada. Assim, o velho piano de parede da Marlene Goidanich agora pertence ao mequetrefe João.

Gostei muito do clima do primeiro dia de trabalho, com um café da manhã, cedinho, na Lancheria do Parque. A equipe é uma maravilha, todos são pessoas excelentes e muito a fim de fazer um bom trabalho, mas destaco a diretora Mirela Kruel, a Ina Schneider, assistente de direção, a Simone Buttelli, produtora de elenco e o Rodrigo Fiatt, meu colega de cena, e excelente ator, em seu último ano como aluno do DAD.

Amanhã continuamos com as gravações, do assalto que o meu personagem e o do Rodrigo fazem ao Justino (interpretado por Milton Mattos). A locação é a uma quadra do DC Navegantes, externa, e acho que vou torrar ao sol, pois qualquer três-minutos exposto ao astro-rei me deixa totalmente vermelho. Vou tentar amenizar com litros de protetor solar.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Outra palavra: Milton Mattos


Depois de estar ausente por algumas semanas - não por ter viajado, pois fiquei em Porto Alegre, mas por ter me dedicado a outras coisas - retorno para falar do filme que comentei que faria, no post anterior a este. A palavra roubada, de Mirela Kruel, contará com apenas quatro atores, e um deles, para minha satisafação, é Milton Mattos, uma das personalidades mais importantes para a história do teatro gaúcho. Milton hoje tem 74 anos, é arquiteto e casado com a jornalista Ivette Brandalise. No final dos anos 1950, juntou-se a um grupo de jovens estudantes, entre eles Paulo José, Paulo César Peréio e Fernando Peixoto - e por onde também passou, entre outros, Ítala Nandi -, para fundar o lendário Teatro de Equipe, cuja sede foi construída na General Vitorino, no Centro de Porto Alegre. Milton é uma pessoa agradabilíssima, cheia de vida e que recorda com prazer sua vida no Equipe. Apesar do grupo ter durado apenas quatro anos (de 1958 a 1961, mais ou menos), o Equipe teve uma carreira de respeito, tendo sido o primeiro grupo a montar Esperando Godot, de Samuel Beckett, no Brasil. Milton conta que a tradução que eles usavam, a princípio, nos ensaios, não era boa, e que durante o processo iam modificando-a para deixá-la mais "teatral". Da mesma forma, ele relata a ocasião em que Vinícius de Moraes, nosso grande poeta e compositor, assistiu a uma montagem do Equipe, que reunia poemas encenados, e levou o grupo, impulsivamente e com pouca preparação, em um 7 de setembro, para participar de uma homenagem ao Dia da Pátria na Embaixada do Brasil em Montevidéu.
Perguntei ao Milton, já de olho em seu trabalho como ator, se ele toparia fazer teatro atualmente, depois de afastado tantos anos. Ele me disse que não, só tem feito cinema (atuou em Netto perde sua alma, de Tabajara Ruas e Beto Souza, em 2001), e que não conseguiria suportar a rotina que o teatro propõe, ou seja, voltar todos os dias ao mesmo teatro, ver os mesmos colegas e executar as mesmas ações. Me permito discordar do Milton, pois acho o teatro fascinante nessa sua aparente rotina, em que nada é igual de um dia para o outro, apesar de parecer.
Tenho apenas uma cena com Milton, em que meu personagen distrai o dele, para um assalto, mas me sinto feliz de ter a oportunidade de contracenarmos. Vou levar, no dia em que gravarmos, o meu exemplar do livro Trem de volta: Teatro de Equipe, de Mario de Almeida e Rafael Guimaraens (Porto Alegre: Libretos, 2003) para que ele o autografe.