O homem e a mancha

O homem e a mancha

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

O médico à força no Teatro Renascença













Volta a cartaz, no dia 27 de fevereiro, O médico à força, a mais recente produção da Cia. de Teatro ao Quadrado. O médico à força é um texto escrito por Moliére, em 1666, e que teve, na versão do nosso grupo, um upload estético. Inspirados pelas chanchadas brasileiras da produtora cinematográfica Atlântida, nossa montagem homenageia a atmosfera ingênua e bem-humorada daquelas "fitas" estreladas por gente como Oscarito, Grande Otelo, Zezé Macedo e Dercy Gonçalves. Outra das nossas inspirações é o gênero farsa, que, ao contrário do que alguns possam afirmar, não se resume apenas à farsa medieval, que por sua vez é uma espécie de continuação da farsa atelana. A farsa, como qualquer gênero teatral, evolui e se modifica. Assim, temos a tragédia grega, em V a.C., mas também temos a tragédia jacobina, ou a elizabetana, nos séculos XV e XVI. Da mesma forma que temos o melodrama à moda de Pixèrecourt, por volta de 1800, temos o melodrama televisivo das telenovelas brasileiras. A farsa, igualmente, passa pela Idade Média e chega ao teatro de boulevard francês e ao music hall norte-americano. Como se vê, gênero puro é gênero morto.
Mas voltando à vaca fria, nossa montagem volta para o Teatro Renascença (Av. Erico Veríssimo, 307, Centro Municipal de Cultura de Porto Alegre), com temporada de quatro semanas, se estendendo até 22 de março, às sextas e sábados às 21h e aos domingos às 20h. Desta vez, com o reconhecimento de quatro indicações ao Prêmio Açorianos de Teatro, Melhor espetáculo, Melhor ator (Marcelo Adams), Melhor atriz coadjuvante (Anna Fuão) e Melhor figurino (Rô Cortinhas).
Os ingressos custam R$ 20 e R$ 10 (estudantes, classe artística, maiores de 60 anos e Clube ZH).
Molière, um dos maiores dramaturgos ocidentais, e certamente o maior comediógrafo depois de Aristófanes, merece ser melhor conhecido. Em Porto Alegre, desde 2004, quando nós da Cia. de Teatro ao Quadrado montamos a genial Escola de mulheres, esse brilhante francês não é encenado por grupos locais. Espero que, como Shakespeare, ele encontre muitos outros incentivadores em nossos palcos.


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