O homem e a mancha

O homem e a mancha

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Outra palavra: Milton Mattos


Depois de estar ausente por algumas semanas - não por ter viajado, pois fiquei em Porto Alegre, mas por ter me dedicado a outras coisas - retorno para falar do filme que comentei que faria, no post anterior a este. A palavra roubada, de Mirela Kruel, contará com apenas quatro atores, e um deles, para minha satisafação, é Milton Mattos, uma das personalidades mais importantes para a história do teatro gaúcho. Milton hoje tem 74 anos, é arquiteto e casado com a jornalista Ivette Brandalise. No final dos anos 1950, juntou-se a um grupo de jovens estudantes, entre eles Paulo José, Paulo César Peréio e Fernando Peixoto - e por onde também passou, entre outros, Ítala Nandi -, para fundar o lendário Teatro de Equipe, cuja sede foi construída na General Vitorino, no Centro de Porto Alegre. Milton é uma pessoa agradabilíssima, cheia de vida e que recorda com prazer sua vida no Equipe. Apesar do grupo ter durado apenas quatro anos (de 1958 a 1961, mais ou menos), o Equipe teve uma carreira de respeito, tendo sido o primeiro grupo a montar Esperando Godot, de Samuel Beckett, no Brasil. Milton conta que a tradução que eles usavam, a princípio, nos ensaios, não era boa, e que durante o processo iam modificando-a para deixá-la mais "teatral". Da mesma forma, ele relata a ocasião em que Vinícius de Moraes, nosso grande poeta e compositor, assistiu a uma montagem do Equipe, que reunia poemas encenados, e levou o grupo, impulsivamente e com pouca preparação, em um 7 de setembro, para participar de uma homenagem ao Dia da Pátria na Embaixada do Brasil em Montevidéu.
Perguntei ao Milton, já de olho em seu trabalho como ator, se ele toparia fazer teatro atualmente, depois de afastado tantos anos. Ele me disse que não, só tem feito cinema (atuou em Netto perde sua alma, de Tabajara Ruas e Beto Souza, em 2001), e que não conseguiria suportar a rotina que o teatro propõe, ou seja, voltar todos os dias ao mesmo teatro, ver os mesmos colegas e executar as mesmas ações. Me permito discordar do Milton, pois acho o teatro fascinante nessa sua aparente rotina, em que nada é igual de um dia para o outro, apesar de parecer.
Tenho apenas uma cena com Milton, em que meu personagen distrai o dele, para um assalto, mas me sinto feliz de ter a oportunidade de contracenarmos. Vou levar, no dia em que gravarmos, o meu exemplar do livro Trem de volta: Teatro de Equipe, de Mario de Almeida e Rafael Guimaraens (Porto Alegre: Libretos, 2003) para que ele o autografe.

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