O homem e a mancha

O homem e a mancha

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Leituras dramáticas de Molière com ENTRADA FRANCA

LEITURAS DRAMÁTICAS COM ENTRADA FRANCA
Serão realizadas, nos dias 27 de agosto e 3 de setembro, no Teatro de Arena, as leituras dramáticas de duas das mais celebradas comédias de Molière, o genial dramaturgo francês que é considerado um dos maiores autores de teatro de todos os tempos. A CIA. DE TEATRO AO QUADRADO oferece, com ENTRADA FRANCA, a oportunidade de conhecer algumas das mais divertidas comédias da dramaturgia universal, com patrocínio da Funarte, através do Prêmio Myriam Muniz de Teatro 2011:

ESCOLA DE MULHERES, dia 27 de agosto às 20 horas
Conta a história de Arnolfo, um homem de meia-idade que cria, desde a infância, a jovem Inês, para que ela se torne sua esposa quando chegar à idade adulta. No entanto, o amor de Inês pelo belo Horácio frustra os planos de Arnolfo, que fará de tudo para manter o jovem galanteador longe de sua protegida. Situações hilariantes se sucedem, com Arnolfo seguidamente "quebrando a cara".

O BURGUÊS RIDÍCULO, dia 3 de setembro às 20 horas
Monsieur Jourdain é um burguês que deseja, a todo custo, ser aceito nas altas rodas da aristocracia parisiense, e para isso rodeia-se de professores que o ensinam como se comportar e como "refinar-se".



Serviço:
Dias 27 de agosto e 3 de setembro
Horário: 20 horas
Local: Teatro de Arena (Borges de Medeiros, 835, Centro de Porto Alegre)
ENTRADA FRANCA

sábado, 4 de agosto de 2012

Aconteceu perto da sua casa

A palavra inglesa mock, quando adjetivo, significa falso, imitado, simulado. Portanto, mockumentary é um documentário falso. E esse é o nome de um subgênero do cinema, o mockumentário. Já assistimos diversos excelentes filmes com essa premissa, como Um assaltante bem trapalhão (1969) e Zelig (1983), ambos de Woody Allen; e Borat (2006) e Brüno (2009), dirigidos por Larry Charles e estrelados por Sacha Baron Cohen. Isso sem contar a radiofonização de A guerra dos mundos, novela de ficção científica escrita por H. G. Wells, produzida por Orson Welles em 1938, que causou pânico nos EUA, provocando até mesmo suicídios. Um pouco diferentes do mockumentário, mas usando a mesma premissa de uma câmera gravando imagens com a ciência dos "atores", estão A bruxa de Blair (1999), REC (2007), Cloverfield: Monstro (2008), filmes de terror que usam o mesmo recurso de simulação da realidade através de uma câmera que pretensamente grava acontecimentos verdadeiros. E não se pode esquecer da franquia Atividade paranormal, que em seus (até agora) quatro filmes (2007, 2010, 2011 e 2012) usa e abusa da simulação.
Eu mesmo já atuei em um mockumentário (quando ouvi pela primeira vez essa expressão, apesar de já conhecer os filmes que faziam uso dessa forma): o curta metragem Rocco, dirigido por Filipe Matzenbacher. Rocco é a história do rock'n'roll, que no filme é tratado como um ser humano, e reconstituída sua trajetória através de depoimentos de pessoas que o conheceram desde seu nascimento (no sul dos EUA da primeira metade do século XX) até a decadência e aparente renascimento.
Toda essa introdução para falar de uma pequena joia chamada Aconteceu perto da sua casa (França, 1992), dirigida em trio por Rémy Belvaux, André Bonzel e Benoît Poelvoorde. O filme, que recebeu o Prêmio da Crítica Internacional no Festival de Cannes, acompanha uma equipe de documentaristas que registra as atrocidades de um serial killer, como assassinatos e ocultação de cadáveres. De início, os documentaristas registram tudo de forma distanciada (?), sendo, porém, aos poucos inseridos nas matanças, como quando estupram uma mulher em rodízio. Com tudo isso, o filme é uma comédia de humor nigérrimo (li que Quentin Tarantino adora o filme), e que ao mesmo tempo dá um tapa na nossa cara quando chama a atenção sobre a atuação e os limites da mídia. Não é uma discussão gasta, pelo contrário. Com o advento dos reality shows, que não existiam há 20 anos, quando o filme foi feito, a atuação da mídia, que dá corda para que subcelebridades se enforquem (lembrem da polêmica do programa Na moral, da Rede Globo, quando Pedro Cardoso rodou a baiana sobre esse assunto) está mais do que nunca em evidência.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Uma vida melhor

Este Uma vida melhor (direção de Chris Weitz, 2011), colocou o ator mexicano Demián Bichir na lista de cinco candidatos ao último Oscar de Melhor Ator - que perdeu para o francês Jean Dujardin, de O artista.
Bichir é um imigrante mexicano que vive ilegal nos Estados Unidos, trabalhando como jardineiro para sustentar seu filho de 14 anos (perigosamente próximo de se envolver com as gangues de chicanos que infestam Los Angeles). É uma história muito simples, mas com um roteiro muito bem articulado e eficiente em suas poucas reviravoltas. Trata-se de uma odisseia empreendida por esse pai de família em busca de dignidade e "uma vida melhor", como explicita o título do longa. O grande destaque é a atuação de Bichir, magnética e absolutamente convincente. Com economia comovente de recursos, o ator nos conduz à simpatia incondicional por seu périplo pelas ruas muitas vezes pouco amistosas da grande cidade norte-americana. É comovente, também, a crença nos bons valores e na justiça, mesmo quando o mais fácil parece ser ultrapassar a barreira da correção e se deixar levar pela mágoa provocada pela injustiça social.
É um filme obrigatório para quem se interessa pela terrível situação dos imigrantes, que fazem de tudo para alcançar um mítico país de oportunidades. É o que se vê pelo mundo todo, seja com africanos, paquistaneses e indianos, por exemplo, que submetem-se às maiores humilhações para entrar na Europa e tentar recomeçar uma vida mais digna; seja com os mexicanos, que são mortos em grande número nas frustradas tentativas de atravessar para os EUA, guiados pelos "coiotes", os guias mercenários que extorquem muitas vezes tudo que esses pobres coitados têm, por um sonho amargo.

Demián Bichir em cena de Uma vida melhor