O homem e a mancha

O homem e a mancha

terça-feira, 20 de maio de 2014

NINA, O MONSTRO E O CORAÇÃO PERDIDO

A delicadeza com a qual toda a equipe do espetáculo de teatro para crianças Nina, o monstro e o coração perdido trabalhou é luminosa. Partindo da dramaturgia, de Martina Schreiner, a diretora Lúcia Bendati, assistida por Larissa Sanguiné, entregam ao público um produto de qualidade, bem acabado em todos os aspectos, e visualmente muito estimulante. Com uma estrutura narrativa bastante cara ao teatro para crianças (a de atores-narradores que, ao mesmo tempo em que contam a história, a encenam), o espetáculo encanta em vários momentos, pelo carisma dos atores, pelo jogo afiado que se instala entre eles, e pela alegria que demonstram em contar a história. Versáteis e muito talentosos, Alex Limberger, Gustavo Dienstmann e Valquíria Cardoso se desdobram em várias figuras, para contar a saga da busca do coração de Nina, que havia se desfeito dele por não querer mais ter as inevitáveis mudanças de humor, entre alegria e tristeza e seus matizes. Mesmo que haja um grande equilíbrio entre os atores, no sentido de qualidade atorial, fiquei feliz em conhecer o trabalho de Alex Limberger, o único que ainda não havia visto em cena: dono de uma linda voz, e de um completo domínio de seus recursos físicos, Alex tem uma segurança e uma sutileza em cena que são realmente merecedores de registro. Encantadores também são os figurinos, criados por Gustavo, Valquíria e Martina, e a cenografia, bolada por Alex e Martina. Aliás, fiquei bem impressionado com a cenografia, que, de tão simples, atinge um alto grau de sofisticação metafórica, a partir da utilização de escadas que se desdobram, se desmontam, se unem, transmitindo a ideia de escalada, e por sua vez, de trajetória rumo ao coração perdido. Perfeito.
Espetáculos como Nina, o monstro e o coração perdido são muito importantes no panorama do teatro local, pois mostram o quão rica pode ser uma experiência cênica ao vivo, sem a intermediação de telas touch screen ou consoles de videogame. Por um pouco mais de uma hora, os espectadores, adultos e crianças, deixaram-se envolver pelo jogo proposto no palco, muito bem humorado, mas de seguidas arremetidas poéticas. Belo espetáculo, que deverá ter carreira longa, assim espero.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

ASSOBIOS MAL INTENCIONADOS

Duas cenas célebres da história do cinema envolvem assassinos que assobiam antes de matar suas vítimas. Em M- O vampiro de Düsseldorf (1931), de Fritz Lang, a personagem de Peter Lorre assobia The hall of mountain king, de Grieg.
 
 


Em A morte tem cara de anjo (1968), de Roy Boulting, o assobio é da música composta por Bernard Herrmann (compositor dos filmes hitchcockianos Psicose, Um corpo que cai e Intriga internacional). Em 2003, Quentin Tarantino aproveitou o assobio em Kill Bill- Volume I, com Daryl Hannah encarnando a assobiadora do mal.
 
 


BICICLETINHAS DO MAL

Curiosa reflexão eu fiz, revendo A profecia (1976), este clássico do cinema de horror dirigido por Richard Donner. Aparentemente, há algo de apavorante em triciclos, já que nessa cena vemos o menino Damien (também conhecido como o filho de Satanás) causando a queda da mãe (Lee Remick).




Em outra cena emblemática, temos o pequeno Danny Torrance em O iluminado (1980), de Stanley Kubrick, em suas famosíssimas sequências pilotando seu triciclo pelos corredores do Overlook Hotel.