O homem e a mancha

O homem e a mancha

terça-feira, 30 de março de 2010

O que é vanguarda?

O Dicionário do teatro brasileiro (São Paulo: Perspectiva, 2006), em verbete escrito por Silvana Garcia, define vanguarda como "uma produção artística que avança para além dos conceitos e recursos consagrados pela sua época, projetando uma sensibilidade futura através da ampliação antecipada das fronteiras estéticas". A expressão "vanguarda" foi associada, historicamente, àqueles artistas surgidos entre o final do século XIX e início do XX, e no Brasil foi utilizada para denominar alguns escritores e artistas plásticos aparecidos após 1922 e a Semana de Arte Moderna.
É preciso refletir, ainda, que a vanguarda muitas vezes é considerada incompreensível ou inacessível para os receptores da época em que é produzida, porque talvez careça daquilo que a arte tem como uma das principais funções: a comunicação. A arte que não comunica muitas vezes é chamada de vanguarda, como uma desculpa para a falta de diálogo com quem a frui. É arte aquilo que não "chega" no público? Sim (pode ser)! É comunicação? Não!
Não ser arte, mas um engodo, é uma questão diferente de comunicar ou não. Desnecessário mencionar uma série de artistas ignorados ou agredidos por seus contemporâneos, descobertos décadas depois (Qorpo Santo é um exemplo local).
Ser propositalmente incompreensível talvez não seja uma má ideia, em alguns casos. Por vezes, pode ser imaturidade, busca por um caminho, tentativa de perenidade...

quarta-feira, 24 de março de 2010

MÃES & SOGRAS está chegando

Já estão à venda os ingressos para a temporada do espetáculo no Theatro São Pedro. A peça está ficando linda!

domingo, 14 de março de 2010

Tarefa do artista

Alberto Manguel, ensaísta canadense-argentino, em seu livro À mesa com o chapeleiro maluco (São Paulo: Companhia das letras, 2009), escreve:
"Não saber que tarefa foi a eles destinada, mas sentir que eles podem saber quando esta foi cumprida: esse é o paradoxo que atormenta os artistas desde o princípio dos tempos. Os artistas sempre tiveram consciência de seu engajamento (ou de seu recrutamento) numa tarefa cujo objetivo final desconhecem. Eles podem perceber, às vezes, que conseguiram algo, sem entender exatamente o que nem como, ou desconfiar que estão prestes a alcançar alguma coisa que acabará por escapar-lhes, ou que lhes foi designada uma tarefa definida pela própria impossibilidade de ser realizada. Incontáveis monumentos, pinturas, sinfonias e romances inacabados testemunham seu húbris artístico; alguns outros proclamam bravamente que o sucesso está (ainda que raramente) entre nossas possibilidades."

sábado, 13 de março de 2010

É possível pensar o mundo moderno sem o teatro?

Mario Vargas Llosa, escritor peruano consagrado, autor de ensaios, romances e até de algumas peças de teatro (A senhorita de Tacna, de 1981, é a mais conhecida), escreveu um texto intitulado É possível pensar o mundo moderno sem o romance?. De uma lucidez admirável, com argumentos imbatíveis sobre a necessidade da literatura dentro das sociedades modernas, idiotizadas pela TV e pela navegação internética, Llosa escreve com esse texto palavras que podem ser aplicadas ao teatro, com a mesma validade e contundência. Me permito, abaixo, reproduzir um trecho de seu texto, substituindo a palavra romance por teatro:
"O teatro não diz nada aos seres humanos satisfeitos com seu destino, de todo contentes com a vida do modo como a vivem. O teatro é alimento dos espíritos indóceis e propagador da inconformidade, um refúgio para quem tem muito ou muito pouco na vida, onde é possível não ser infeliz, não se sentir incompleto, não ser frustrado nas próprias aspirações. O teatro é um modo astuto que inventamos para nos mitigar a nós mesmos pelas ofensas e imposições desta vida injusta que nos obriga a ser sempre os mesmos enquanto gostaríamos de ser muitos, tantos quantos fossem necessários para satisfazer os desejos incandescentes de que somos possuídos.
Só momentaneamente é que o teatro aplaca essa insatisfação vital, mas, nesse intervalo milagroso, nessa suspensão temporária da vida em que a ilusão nos imerge - que parece nos arrancar da cronologia e da história e nos converter em cidadãos de uma pátria sem tempo, imortal - somos outros. Mais intensos, mais ricos, mais complexos, mais felizes, mais lúcidos do que na rotina forçada da nossa vida real.
O bom teatro é sempre - ainda que não proponha isso nem se dê conta disso - sedicioso, insubmisso, em revolta: um desafio ao que existe."

terça-feira, 9 de março de 2010

Melhor espetáculo do júri popular- Dança

Os espetáculos de dança que concorrem ao Açorianos, e que receberão também o prêmio do júri popular são:

3 mares



Abobrinhas recheadas



Ditos e malditos



My house

Vote em:
http://www.clicrbs.com.br/especial/rs/tvcomrs/19,0,2826604,Ajude-a-escolher-os-vencedores-do-Premio-Acorianos-2010.html

Melhor espetáculo do júri popular- Teatro infantil

Arca de Noé


Herlói, o herói


O que seria do vermelho se não fosse o azul

É só votar no melhor, à sua escolha, em http://www.clicrbs.com.br/especial/rs/tvcomrs/19,0,2826604,Ajude-a-escolher-os-vencedores-do-Premio-Acorianos-2010.html

Melhor espetáculo do júri popular- Teatro adulto

Dentrofora



Desvario


O amargo santo da purificação


O bairro


O sobrado

Para votar no melhor espetáculo pelo júri popular, no Prêmio Açorianos concedido aos melhores de 2009, é só acessar http://www.clicrbs.com.br/especial/rs/tvcomrs/19,0,2826604,Ajude-a-escolher-os-vencedores-do-Premio-Acorianos-2010.html
Dê seu voto!

segunda-feira, 8 de março de 2010

Análise e interpretação

Qualquer um que se proponha a extrair de uma obra literária - ou teatral, musical, de artes visuais - sempre passa pelo mesmo ritual: observação, absorção e interpretação. Porque nós sempre buscamos dar sentido àquilo que nos chega, já que temos uma mente racional, preparada para encontrar significados e associações. Alguns têm essa capacidade mais desenvolvida; outros sofrem da doença crônica da assimbologia, ou seja, têm dificuldade em criar essas pontes entre as coisas e as metáforas, dando-lhes significados que vão além do simples concreto.
Para um crítico, profissional ou amador, torna-se fundamental ter clareza sobre as diferenças entre análise e interpretação, quando se debruça sobre uma obra. A análise e a interpretação não podem ser separadas organicamente em uma crítica, já que caminham juntas na formação de um conceito. Porém pode-se, sim, dar uma ordem de prioridade: primeiro vem a análise, depois a interpretação.
Por que?
Porque a interpretação, apesar do prazer que temos em fazê-la, é sempre parcial, sempre incompleta. Quando assistimos a um filme ou a uma peça de teatro, dizemos, por exemplo, que "os figurinos são todos de cores terrosas e em tecidos rústicos", embasando todo o restante da encenação a partir desse dado - não irrelevante, porém parcial. Pega-se apenas um trecho da obra, supervalorizando-o, e minimizando todo o restante. Assim, serão infindáveis as possibilidades de interpretação de uma única peça: podemos abordá-la a partir da cenografia, da iluminação, do texto, da interpretação dos atores, dos silêncios, das temáticas, etc.
Já quando partimos de uma análise, temos como ponto de partida a noção de que o nosso objeto é o que é, ou seja, formado por uma série de elementos, o que nos dá a visão de conjunto. Obviamente que a análise interpretativa é o método mais rico para um crítico (ou um leigo), já que abrange o todo com hipóteses próprias de entendimento para o significado da obra (mesmo que a ideia de um significado único e fechado seja totalmente descabida).
Roland Barthes faz uma separação entre des-cobrir e cobrir uma obra:
Não precisamos descobrir algo de novo e original, uma abordagem inédita ou altamente inesperada, em relação à obra analisada. Devemos sim cobri-la, no sentido de nos estendermos sobre ela, sem que nenhum espaço seja deixado de fora.
Outra ideia: todo ato interpretativo, ao mesmo tempo que ilumina a obra, causa, em sua esteira, uma grande cegueira, porque para iluminar algo é preciso escurecer o resto.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Duas atrizes


Carla Gasperin e Cláudia Lewis também estão no elenco de Mães & Sogras.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Site do Theatro São Pedro

Já está no site do Theatro São Pedro a divulgação de Mães & Sogras, que se apresentará lá de 2 a 4 de abril. Os ingressos estarão à venda, na bilheteria, a partir de 15 de março. Este é o link:
http://www.teatrosaopedro.com.br/tsp/novo/espetaculo_info_1003&2010-04-02&21_00_00

quarta-feira, 3 de março de 2010

O autor, o autor!...

Falo tanto do Leandro Sarmatz, autor de Mães & Sogras, que resolvi colocar uma foto dele para conhecimento dos que leem este blog.
O Leandro é porto-alegrense, tem 36 anos, jornalista que trabalhou no Segundo Caderno da ZH, na Bravo!, e atualmente é o redator-chefe da revista Vida Simples, da Editora Abril. Vive em São Paulo, e esta é a primeira montagem de seu texto, publicado em 2000 pelo IEL.
Leandro estará em nossa estreia, no Theatro São Pedro, dia 2 de abril. Fãs, preparem suas agendas e canetas.

terça-feira, 2 de março de 2010

Vestidas para matar

Junte um fotógrafo como Júlio Appel, uma figurinista como Rô Cortinhas, e duas atrizes como Margarida Leoni Peixoto e Naiara Harry, e o resultado é esse aí: uma imagem de arrasar!
Fizemos hoje algumas fotos de Mães & Sogras, e essa é apenas uma das maravilhosas imagens que temos.

Mães & Sogras está chegando

Mães & Sogras entrou em contagem regressiva para a estreia, dia 2 de abril, no Theatro São Pedro. A produção está a mil, com todas as peças se encaixando, mirando no resultado que almejamos atingir: um espetáculo marcante, o passo mais ambicioso da Cia. de Teatro ao Quadrado até agora, que em 2010 está completando 8 anos de trajetória.