O homem e a mancha

O homem e a mancha

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Kalashnikov, eu acabei de falecer, e você?

O espetáculo resultante do Curso de Formação de Atores 2011 do TEPA está em cartaz na sede da escola (Cristóvão Colombo, 400), e deve ser visto por quem se interessa pelo teatro contemporâneo. A história dessa montagem, que envolve 19 alunos-atores, é assim: há alguns meses, a Jezebel de Carli estava procurando um texto para essa montagem, e que tivesse determinadas características (proporcionasse a participação de vários atores, fosse contemporâneo, tivesse uma temática instigante...). Imediatamente lembrei de um texto, Cruzadas, de Michel Azama, e sugeri à Jeze. Esse texto é muito especial para mim, recorrentemente volto a ele; há alguns anos fiz um projeto para montá-lo, que não foi aprovado. Depois, no final de 2009, quando estávamos montando Solos trágicos, dirigido pelo Roberto Oliveira, apresentei o texto a ele, como exemplo do trágico na dramaturgia contemporânea. O Roberto adorou, e trechos de Cruzadas foram utilizados nos fragmentos atuados por Daniel Colin, Fernanda Petit e Lucas Sampaio.
Agora a Jezebel, a Gina Tocchetto e a Tatiana Vinhais assinam a concepção e o roteiro dessa montagem, que por se tratar de uma adaptação de Cruzadas recebeu o título de Kalashnikov, eu acabei de falecer, e você?. Eu mesmo, como professor de Teoria e História do Teatro no TEPA ajudei pontualmente no trabalho de atuação de alguns dos alunos.
A encenação é vigorosa, contando com o trabalho corporal intenso dos atores, e embalados pela brilhante dramaturgia de Michel Azama. Cruzadas trata de guerras. Ainda que a ação principal se concentre no Oriente Médio, em uma fronteira que divide judeus e palestinos, há espaço para outras guerras (a invasão dos ocidentais em busca do Santo Graal, na Idade Média; a invasão do Iraque pelos norte-americanos; o massacre dos peles-vermelhas nos Estados Unidos, etc.). O trio de diretoras constrói um espetáculo musical, com banda rockeira ao vivo, coreografias entusiasmantes, imagens surpreendentes e entrega total do jovem elenco. É um espetáculo atualíssimo, não só pela temática da violência, mas pela forma encontrada para traduzir tudo isso em teatralidade. Fica em cartaz até dia 15 de dezembro, de terças a quintas, e é realmente imperdível.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A cãofusão: últimas apresentações do ano!

No próximo fim de semana serão realizadas as últimas apresentações do espetáculo musical para crianças A CÃOFUSÃO- UMA AVENTURA LEGAL PRA CACHORRO. Com texto meu e direção de Lúcia Bendati para um elenco primoroso, a peça certamente está entre os destaques do teatro de Porto Alegre neste 2011. Dinâmico, alegre, poético e engraçado, são alguns dos adjetivos que o público tem aplicado a essa aventura animal. Quem ainda não assistiu a esse multi-premiado trabalho (recebeu sete prêmios no último Festival de Teatro de Ponta Grossa/PR, entre eles Melhor Espetáculo) não pode perder esta chance!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

As duas primeiras batidas de Molière

O Grupo Farsa está voltando a cartaz, a partir deste fim de semana, com as duas montagens que realizou a partir de peças do dramaturgo francês Jean-Baptiste Poquelin, "dit" Molière.
A primeira delas, O avarento, de 2009, constrói uma encenação mais clássica visualmente (com figurinos remetendo ao século XVII francês) e com um trabalho vocal preciso e entusiasmante. O grupo viajou bastante com essa peça, e ganhou diversos prêmios em festivais pelo Brasil.
De 2011 é Tartufo, com uma ideia diversa em relação à ambientação: nada do classicismo francês, que é abandonado em favor de uma contemporaneidade (do século XX, pelo menos) que escancara a validade da crítica que Molière fazia à Igreja Católica Apostólica Romana. Na versão do Farsa, a  crítica recai sobre os cultos pentecostais, que fazem horrores prometendo literalmente céus e terras aos seus devotos.
Dois espetáculos marcantes e que devem ser conferidos por todos que fazem e gostam de bom teatro. Eu vou assistir de novo, até mesmo como preparação para a nova montagem que a Cia. de Teatro ao Quadrado está preparando para 2012, de um texto de Molière.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

UMA SOMBRA NA ESCURIDÃO- leitura dramática

O Teatro de Arena de Porto Alegre mantém o projeto Dramaturgia em debate, em que dramaturgos gaúchos são convidados para apresentarem um de seus textos através de leitura dramática. Já estiveram no Arena Júlio Zanotta, Artur Pinto, Patsy Cecato (estou esquecendo de alguém, provavelmente) e agora é a minha vez.
Na próxima terça-feira, 22 de novembro, às 20 horas no Teatro de Arena, vamos realizar a leitura dramática de um de meus textos, UMA SOMBRA NA ESCURIDÃO, com ENTRADA FRANCA. A peça é uma paródia-homenagem ao gênero policial noir, ambientada na Nova York da década de 1950, e que foi celebrizado pelo cinema norte-americano das décadas de 40 e 50 do século XX. Filmes como O destino bate à sua porta, Pacto de sangue, Crepúsculo dos deuses e Chinatown compõem a inspiração da minha peça.
Participarão da leitura os atores Margarida Leoni Peixoto, Gustavo Susin, Marcos Chaves, Larissa Sanguiné, Luísa Herter, Carlos Paixão, Rossendo Rodrigues, Diogo Zanella e Marcelo Adams.
O Teatro de Arena fica na Av. Borges de Medeiros, 835- Centro de Porto Alegre.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A bilha quebrada estreia no Teatro de Arena

Montagem de texto cômico do dramaturgo alemão Heinrich von Kleist ocorre de 18 de novembro a 11 de dezembro (sextas, sábados e domingos) com direção de Clóvis Massa. Peça escrita pelo poeta, romancista, dramaturgo e contista alemão que viveu apenas 34 anos (1777-1811), e que ficou mais conhecido por suas obras sérias, ganha adaptação livre e será encenada 50 anos após sua última exibição na capital gaúcha.
A bilha quebrada estreou em 1808 em Weimar (Alemanha) com direção de ninguém menos do que Goethe. Em Porto Alegre, no início dos anos 1960, foi montada com muito sucesso, com a direção de Linneu Dias e elenco em que se destacavam Cláudio Heemann e Lilian Lemmertz.
Em 2011, o diretor Clóvis Massa propõe uma nova leitura da obra, que ganha temporada de 18 de novembro a 11 de dezembro, sextas, sábados e domingos, às 20 horas, no histórico Teatro de Arena de Porto Alegre (Borges de Medeiros, 835, Altos do Viaduto, Centro Histórico).
A ação da peça se passa no tribunal do juiz Adão, na aldeia holandesa de Huisum, onde Dona Marta se queixa que uma bilha (ou seja, um jarro) foi quebrado na noite anterior, quando sua filha Eva foi surpreendida com um homem em seu quarto em plena madrugada. Enquanto acusa o noivo da jovem, o camponês Ruprecht, sob a presença austera do desembargador Walter, vindo de Utrecht, à medida que o julgamento ocorre, fica claro que outro homem, também presente no tribunal, é o verdadeiro culpado pelo estrago da relíquia.
Para Clóvis Massa, a ausência de montagens da obra de Kleist se deve pelas dificuldades da escritura romântica: “O enredo é simples, mas essa aparente simplicidade é justamente o grande desafio da peça. É interessante como Kleist emprega o grotesco, ou seja, a coexistência de elementos contrários. É uma comédia que abusa do discurso e da narração dramática, mas que contem algo de inverossímil e farsesco. Os vários personagens estão presentes no tribunal em quase todas as cenas, apesar de não participarem todo o tempo. Até mesmo o título traz essa ambiguidade, pois a maioria das pessoas desconhece que bilha é um jarro.”
Esta peça está sendo montada com o Prêmio de Incentivo à Pesquisa Teatral no Teatro de Arena, destinado a projetos inéditos de pesquisa em Artes Cênicas, que resultou em uma produção especialmente criada para arena de três lados, desenvolvida no Teatro de Arena, no 1° e 2º semestres de 2011.
Ficha técnica:
A BILHA QUEBRADA | Montagem do Coletivo Confúcios & Confusos
Direção: Clóvis Massa
Direção Musical: Marcão Acosta

Iluminação: Cláudia de Bem
Figurinos: Rô Cortinhas
Maquiagem: Margarida Leoni Peixoto
Projeto gráfico: Dídi Jucá
Cenografia: Marco Fronckowiak
Fotos: Julio Appel
Produção: MS2 Produtora
Elenco: Luís Franke, Luciano Pieper, Renata Teixeira, Marcello Crawshaw, Claudia Lewis, Larissa Tavares, Marcelo Mertins e Ariane Mendes 
Serviço:
A bilha quebrada – Coletivo Confúcio & Confusos
De 18 de novembro a 11 de dezembro de 2011. Sextas, sábados e domingos às 20h
Teatro de Arena (Borges de Medeiros, 835, Altos do Viaduto – Centro Histórico - Porto Alegre)
Ingressos:
R$20,00
R$10,00 (Classe artística, idosos e estudantes)

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Ivo Bender vence o Prêmio Fato Literário 2011

Mais do que merecida a vitória do dramaturgo Ivo Bender no Prêmio Fato Literário 2011. Este é um ano muito especial para o Ivo, quando completa 50 de dramaturgia e 75 de idade. Parabéns Ivo, um exemplo positivo para todos que fazem do teatro a principal forma de expressão artística!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Mulheres Pessegueiro estreia hoje

O novo espetáculo com texto e direção da amiga Patsy Cecato estreia hoje. Patsy tem em sua carreira, que já conta mais de 30 anos, espetáculos de sucesso como Se meu ponto G falasse, Manual prático da mulher moderna, Hotel Rosa-Flor...(isso para ficar apenas nos mais recentes, a partir dos anos 1990).
No elenco estão (no cartaz, de cima para baixo) Catharina Conte, Laura Medina, Áurea Baptista e Lourdes Kauffmann. Merda a todos da equipe!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Maldito coração, me alegra que tu sofras

Com 15 anos de estrada, Maldito coração, me  alegra que tu sofras, é um daqueles espetáculos que costumam permanecer em cartaz por anos. Porto Alegre tem essa característica, de eleger alguns trabalhos e torná-los especiais e queridos pelo público (é claro que, para isso, é indispensável o desejo de continuar com um mesmo trabalho por anos, por parte dos envolvidos). 
Reunindo três artistas de grande destaque no teatro gaúcho, a peça é um solo agridoce, que traz algumas surpresas para a plateia que assiste ao texto de Vera Karam, conduzido de maneira delicada pela direção de Mauro Soares e a interpretação madura e extremamente nuançada de Ida Celina.
Uma informação que eu desconhecia é que a peça estreou em 1996, em Buenos Aires, Argentina. Mas agora a peça está aqui pertinho de nós, e é uma obrigação, para todos aqueles que gostam de bom teatro, assistir esse belo espetáculo.
Teatro do Instituto Goethe
Dias 11, 12 e 13 de novembro
Sexta e sábado às 21h e domingo às 20h 
Ingresso: R$ 20,00
Desconto: 50% Classe artística / Idosos
10% Estudantes


sábado, 5 de novembro de 2011

Os fuzis da Sra. Carrar: fotos da leitura dramática

No dia 21 de outubro, dirigi a leitura dramática do texto Os fuzis da Sra. Carrar, de Bertolt Brecht, no Teatro de Arena, na semana de aniversário de 44 anos deste importantíssimo espaço cultural do Rio Grande do Sul. Na ocasião, estavam presentes na plateia diversas personalidades da cena cultural de Porto Alegre, entre elas o fundador do Arena, Jairo de Andrade, e o ex-governador do estado, Olívio Dutra. No elenco da leitura estavam Mirna Spritzer, Margarida Leoni Peixoto, Vika Schabbach, Gisela Habeyche, Luísa Herter e Lúcia Bendati.
 
 
  
 
 
  
 
 
  
 
 

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A ÚLTIMA ESTRADA DA PRAIA na Casa de Cultura Mario Quintana

O longa metragem A ÚLTIMA ESTRADA DA PRAIA, filmado inteiramente no Rio Grande do Sul, com equipe (quase) 100% local (o André Luís da Cunha, diretor de fotografia, é de Brasília), continua em cartaz nos cinemas de Porto Alegre. É impressionante a longevidade desse elogiado e premiado filme dirigido pelo Fabiano de Souza em salas da capital. Estreou no dia 16 de setembro, em três espaços, e agora volta a cartaz na SALA EDUARDO HIRTZ da Casa de Cultura Mario Quintana, em sessões diárias às 19h15min.
Muita gente já assistiu e continua assistindo a esse belo filme, com elenco principal composto por Marcelo Adams, Marcos Contreras, Rafael Sieg e Miriã Possani.