O homem e a mancha

O homem e a mancha

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Dídi Jucá, nossa artista gráfica


Hoje encontrei com nossa artista gráfica preferida, Dídi Jucá, com quem já trabalhamos juntos para criar a arte de O médico à força. A Dídi faz o material gráfico de vários espetáculos em Porto Alegre, e é uma das responsáveis pelo visual da revista Things Mag (http://www.thingsmag.com.br/). Uma pessoa adorável, com quem é um prazer trabalhar e trocar ideias. Já começamos a elaborar a identidade visual de Mães e sogras.
Momento merchandising: se você está atrás de alguém para fazer seu material gráfico, Dídi Jucá é a resposta! Eu disse: Dídi Jucá! didijuca@gmail.com

domingo, 29 de novembro de 2009

Primeiras imagens de Mães e sogras



Neste domingo fizemos algumas fotos de pré-divulgação para nosso novo espetáculo, Mães e sogras. Nossa amiga Cláudia Ludwig, uma das proprietárias do Café Santo da Casa, que fica no sétimo andar da Casa de Cultura Mario Quintana, nos permitiu gentilmente fotografar em suas dependências.
Júlio Appel, um dos melhores fotógrafos atualmente em atividade no Rio Grande do Sul, é o autor dessas imagens aí acima. Na primeira delas, a partir da esquerda, Naiara Harry, Margarida Leoni Peixoto, Carla Gasperin e Cláudia Lewis, comigo na retaguarda.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Moacyr Scliar e Mães e sogras



Dia 19 iniciamos os ensaios do novo espetáculo da Cia. de Teatro ao Quadrado, direção minha para o texto inédito de Leandro Sarmatz. Como a peça trata, entre outras coisas, do universo judaico, convidei nosso imortal Moacyr Scliar para escrever um texto sobre Mães e sogras. Scliar, muito gentilmente, se dispôs a colaborar, apesar de sua agenda extensíssima. Começamos muito bem nosso promissor processo de ensaios!

domingo, 22 de novembro de 2009

Noite


Neste sábado, fomos ao badalado Café Segredo, na Lima e Silva, reduto da noite de Porto Alegre. A convite de nosso amigo e afilhado Donatto Oliveira, que completava 28 anos na virada para o domingo, aceitamos conhecer esse lugar e comemorar com ele mais um ano. Foi legal encontrar ele e outros amigos no barulhento night club, mas cada vez mais me convenço que não tenho muita paciência para esses ambientes onde há muito barulho e pouco espaço para conversar. Houve um tempo em que eu gostava muito de sair e dançar a noite toda. Ainda aprecio música e dança, em menores doses, mas o que realmente me cativa atualmente é conversar com as pessoas de que gosto, bebendo em um bar ou na casa de alguém. Acredito que isso seja uma consequência natural da maturidade (apesar de saber que algumas pessoas mantêm essa verve festeira por toda a vida, mas a regra geral é que acalmem-se os ânimos e aprecie-se muito mais o contato próximo e as ideias das pessoas). Saliento que continuo amando a noite, e para mim é durante a madrugada que me sinto melhor, em casa, lendo, ou conversando, no silêncio. A badalação que me interessa é a ligada à arte em geral: em relação a ela sou quase insaciável.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A 100ª postagem


Para marcar a 100ª postagem deste blog, que começou devagar, mas aos poucos se acostumou a dividir as alegrias e os pensamentos de seu autor, divulgo a 50ª apresentação de O vendedor de palavras, espetáculo de teatro de rua com texto adaptado pelo Rodrigo Monteiro, e que tem no elenco dois ótimos atores, com os quais já tive o prazer de contracenar. A Fernanda Beppler conheço desde 1998, mais ou menos, quando fomos colegas do DAD. Fizemos juntos O urso, de Tchekhov, em 1999, formando aquele impagável casal que se odeia à primeira vista, para depois engatar um romance irresistível. O Carlos Alexandre foi meu parceiro em Sacra folia, espetáculo de rua do Stravaganza. Gosto muito dos dois, e espero que possamos trabalhar juntos novamente. Parabéns aos três pelo trabalho!

sábado, 14 de novembro de 2009

Santo Antônio das Conservas


Na noite desta sexta-feira, 13 de novembro, apresentamos O médico à força em Lajeado, no salão paroquial da igreja de Santo Antônio das Conservas, para os humildes membros da comunidade. O convite partiu da Secretaria de Ação Social do RS, intermediado pelo Ieacen, e representou para nós uma experiência totalmente diferente de tudo que já havíamos realizado com esse espetáculo. Como se pode ver nas imagens acima, o local de apresentação era completamente improvisado - inclusive não levamos todo nosso cenário, apenas o banco, pois não havia possibilidade de produzir o transporte necessário, por questão de custos. No entanto, foi muito gratificante levar nosso trabalho para um grupo de pessoas que nunca havia visto teatro, pessoas que nos acolheram de forma entusiasmada e alegre. Iluminação não havia, apenas algumas lâmpadas fluorescentes; coxias inexistiam, improvisamos uma rotunda, atrás da qual permaneciam os atores, com uma lona plástica. Poltronas confortáveis nem pensar: cadeiras de madeira acolheram os espectadores. Goteiras ameaçavam a plateia e os atores, mas o santo da paróquia providenciou para que, durante a sessão, a intensa chuva que caíra durante todo o dia, cessasse. E o espetáculo fluiu encantadoramente, provando que, como já defendia Grotovski, um ator e um espectador são suficientes para que aconteça o ato teatral. O cachê que receberemos será pequeno, mas mesmo assim aceitamos o desafio, porque acreditamos que, às vezes, temos que contribuir com a difusão do que melhor sabemos fazer. O melhor foi a resposta ao final: "Esperamos que vocês voltem!". A paróquia com um nome tão curioso nos conservou.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Era uma vez a Feira do Livro de Porto Alegre


Já há alguns anos não vou à Feira do Livro de Porto Alegre, a não ser a trabalho. Que eu me lembre, 2006 foi o último ano em que lá estive, dando um depoimento em uma mesa-redonda no Clube do Comércio, sobre ópera e suas encenações. No ano anterior, me apresentei no insalubre Teatro Sancho Pança, com a peça infantil Locomoc e Millipilli: calor absurdo, crianças que não ouvem o que está acontecendo pela acústica inexistente...Ainda por cima, tive meu celular roubado, que ganhara da Margarida há uma semana, de aniversário: alguém entrou no camarim, abriu minha pasta e levou meu telefone, ainda nem pago.
Não há nada nesse mega evento que me interesse: nem as pessoas que por lá circulam, como em um formigueiro do inferno, nem as sessões de autógrafos de ilustres (na maioria das vezes nem isso) desconhecidos, lançando títulos absolutamente irrelevantes para o cenário cultural brasileiro, nem as tietagens e incensamentos de personalidades locais e nacionais, que vêm lançar seus caça-níqueis literários nessa feira, que já teve o seu auge nos anos 1990, e hoje é um arremedo de "popularização da cultura". Por fim, nem livros há nessa feira do livro: o que se procura, não se encontra; o que se encontra é frequentemente lixo, repetido inúmeras vezes em todas as bancas, como se o mau gosto literário dominasse a todos; o que há de razoável, é mais caro do que em outros lugares. Há alguns anos, só compro meus livros pela internet: é mais barato, encontro tudo o que quero e não tenho que aguentar um bando de pseudo-leitores babando pelo novo livro daquela autora que escreve no jornal umas babaquices e posa como intelectual e connoisseur das artes.
Não tenho soluções para esses problemas, mas algo deveria ser feito. Apesar de não me identificar mais com a feira, acho que ela teve grande valor, que poderia ser retomado com mudanças pontuais e redução de tamanho. No entanto, creio que essa redução não acontecerá: jamais se admitiria reduzir o espaço conquistado, como se tamanho fosse documento.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Solos trágicos vem aí


Eis a primeira divulgação da estreia do meu novo espetáculo.
Com direção de Roberto Oliveira, tem no elenco, além de mim, Daniel Colin, Elisa Heidrich, Fernanda Petit, Isandria Fermiano, Lucas Sampaio e Rodrigo Fiatt.
O espetáculo acontecerá ao ar livre, em um espaço ao lado da Usina do Gasômetro. É um lugar lindo e tem tudo a ver com a proposta do espetáculo, que utiliza textos de Sófocles, Eurípides, Shakespeare, Georg Büchner, Nelson Rodrigues, Heiner Müller e Michel Azama.
Os ingressos já estão à venda na Bamboletras do Shoppng Nova Olaria.

domingo, 8 de novembro de 2009

DentroFora


Paul Auster, ao lado de romances, memórias e roteiros para cinema, durante os anos de 1976 e 1977 escreveu três peças curtas, reunidas no livro Da mão para a boca: crônica de um fracasso inicial (Companhia das Letras, 1997). Traduzidas como O gordo e o magro vão para o céu, Esconde-esconde e Blecautes, percebe-se sem a menor dúvida a inspiração absoluta para esses textos: o teatro de Samuel Beckett. No ano passado, o Grupo In.co.mo.de-te, sob a direção de Nelson Diniz e Liane Venturella, encenou o primeiro desses textos, o mais longo, uma espécie de paródia-homenagem a Stan Laurel e Oliver Hardy, cuja evidente referência é Esperando Godot, do autor irlandês.
Desta vez, Esconde-esconde virou DentroFora, e o grupo agora inverte as funções: no palco, Nelson e Liane dirigidos por Carlos Ramiro Fensterseifer, que interpretara o Magro na peça anterior. Se no texto de Auster ele não nomeia suas duas personagens, chamando-os apenas de Homem e Mulher, a montagem porto-alegrense os batiza como Marie e Jimmy, localizando de alguma forma a ação em algum país de língua inglesa.
No programa, é informado que DentroFora é inspirado em Dias felizes, de Beckett, mas essa inspiração, evidentemente, provém de várias outras peças e narrativas de Beckett. Explico: é comum a temática da imobilidade em sua obra. Apenas como exemplo, cito os romances do pós-guerra: Molloy e O inominável apresentam protagonistas imobilizados: o primeiro, na cama de sua mãe; o segundo, um ser indefinido, dentro de uma espécie de tonel, de onde veem-se apenas sua cabeça e ombros. Entre as peças, também pode-se dar como exemplo Play, em que três figuras, apenas com a cabeça para fora, permanecem dentro de grandes urnas.
A montagem de DentroFora tem como grande mérito o excelente trabalho dos atores, mas que, para mim, tem seu ápice na atuação de Liane Venturella, realmente ótima como Marie. Era difícil, para mim, tirar os olhos dela durante a peça, com aproximadamente 40 minutos. As caracterizações, de alguma forma, me remeteram a Alice no país das maravilhas, de Lewis Carroll.
É um trabalho fundamentalmente de atuação, já que, ao seguir muitas das rubricas de Auster (e, por outro lado, deixando de executar algumas delas, como por exemplo a exigência de que as caixas onde permanecem as personagens deveriam ser recobertas por cortinas "de veludo escuro", e pedindo que essas mesmas cortinas deveriam ser abertas e fechadas dezenas de vezes durante a peça, com "um som áspero, duro, característico"), a direção abstém-se de criar algo que avance em relação ao texto. É o "mal" de quem encena Beckett, já que ele explicitava, com riqueza de detalhes, em longas rubricas, como deveriam ser montados seus textos: o diretor ou fica amarrado ou joga tudo para o alto.
Carlos Ramiro, no entanto, foi sábio ao não inventar muita coisa, deixando que Nelson e Liane deitassem e rolassem com o saboroso texto. É um espetáculo que deve ser visto por todos que gostam de teatro, apesar de saber que não será, infelizmente, um estouro de público, porque não é uma encenação com muitos atrativos para o público médio de Porto Alegre. Quase estática e centrada na palavra, exige uma suspension of desbelief extra, já que é necessário embarcar na convenção e na metáfora apresentada para fruir com toda profundidade.
Parabéns ao grupo, pela coragem de nos apresentar uma dramaturgia e uma estética pouco comuns em Porto Alegre, mas altamente qualificadas e muito bem executadas.

sábado, 7 de novembro de 2009

Estamos no ar


Em 2006, dentro do projeto de leituras encenadas promovido pela Cia. Stravaganza, dirigi a leitura da peça Estamos no ar, que eu mesmo traduzi, do dramaturgo chileno Marco Antonio de la Parra. Nós da Cia. de Teatro ao Quadrado temos uma relação de fascinação com a obra de De la Parra, de quem já montamos dois textos: A secreta obscenidade de cada dia (que foi meu projeto de graduação em Interpretação Teatral, no DAD), em 2002, e Sofá, uma comédia picante, em 2005. Está ainda, em nossos planos, encenar Estamos no ar em um futuro breve. A peça, que se passa durante a apresentação de um episódio do reality show chamado A Família Perry, mostra uma família que se desintegra frente às câmeras, após a chegada de um de seus membros, o irmão, que há muitos anos fôra embora. Incesto, infanticídio, uso de drogas, prostituição, homossexualismo, são alguns dos temas da peça. E quem viu nossas duas montagens a que me referi acima, sabe do que estou falando, e também que o humor negro dá a tônica dessas abordagens.
Na foto, feita no dia da leitura, a equipe (quase toda) caracterizada: Jô Fontana (iluminador), Clóvis Massa, Margarida Leoni Peixoto, Carlos Azevedo, Ekin, Zoé Degani (cenógrafa), Ida Celina, Daniel Colin, Melissa Dornelles, Florência Gil e Rô Cortinhas (figurinista).

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Rubem Fonseca tem que ser lido


De vez em quando escolho um autor e procuro ler tudo que ele escreveu - ou pelo menos aquilo a que tenho acesso. Atualmente, me dedico a conhecer a obra bastante extensa de Rubem Fonseca, mineiro de Juiz de Fora, cuja data de nascimento acompanha a imagem acima. Fonseca publicou seu primeiro livro em 1963, o volume de contos Os prisioneiros, e desde então se tornou um dos principais ficcionistas brasileiros. Dividindo sua produção entre narrativas curtas e longas (com predomínio das primeiras), ele domina a escrita através de uma timing excelente para contar suas histórias. Pelo que li até agora (dez de seus livros), pude perceber que suas tramas quase sempre buscam uma objetividade no desenvolvimento das situações, colocando-o muitas vezes ao lado da escrita jornalística.
As exceções a essa forma confirmam a regra: em Lúcia McCartney, volume de contos publicado em 1967, Fonseca chegou ao máximo da experimentação na escrita, muitas vezes desnorteando o leitor com suas enigmáticas linhas. Por outro lado, em romances mais convencionais, como Bufo & Spallanzani, de 1986, ou Vastas emoções e pensamentos imperfeitos, de 1988, Fonseca demonstra toda sua habilidade em criar atmosferas e construir personagens sólidos e interessantes.
Com uma nítida preferência por tramas policialescas, ou por aquelas em que o crime e o interdito estejam em primeiro plano, o escritor mineiro revela-se um grande apaixonado pelo sexo feminino, que aparece em grande número em seus textos, na maioria das vezes escritos em primeira pessoa, protagonizados por homens que mantêm uma relação ambígua com as mulheres - que variam, em uma mesma personagem, da fascinação absoluta à quase ojeriza. Rubem Fonseca surpreende com sua enciclopédica cultura, com textos eivados de citações a outros autores, ou a quaisquer outros aspectos da cultura ocidental, e quando se debruça sobre acontecimentos da história brasileira: em Agosto, romance de 1990, o pano de fundo de uma investigação policial são os 24 dias que antecedem o suicídio de Getúlio Vargas, em agosto de 1954. Em O selvagem da ópera, romance de 1994, Fonseca narra a trajetória de Antônio Carlos Gomes (1836-1896), o maior autor de óperas que o Brasil já produziu, autor da renomada O guarani, e que morreu na mais completa miséria, esquecido e abandonado.
Além dos livros citados, já li de Fonseca A coleira do cão (contos, 1965), O caso Morel (romance, 1973), Feliz ano novo (contos, 1975) e Secreções, excreções e desatinos (contos, 2001).
Continuo a leitura da obra de Fonseca, e recomendo a quem não o conhece que leia suas páginas, urgentemente. Quem quiser começar bem, indico Feliz ano novo: quem lê esse livro vai querer conhecer muito mais.