O homem e a mancha

O homem e a mancha

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Era uma vez a Feira do Livro de Porto Alegre


Já há alguns anos não vou à Feira do Livro de Porto Alegre, a não ser a trabalho. Que eu me lembre, 2006 foi o último ano em que lá estive, dando um depoimento em uma mesa-redonda no Clube do Comércio, sobre ópera e suas encenações. No ano anterior, me apresentei no insalubre Teatro Sancho Pança, com a peça infantil Locomoc e Millipilli: calor absurdo, crianças que não ouvem o que está acontecendo pela acústica inexistente...Ainda por cima, tive meu celular roubado, que ganhara da Margarida há uma semana, de aniversário: alguém entrou no camarim, abriu minha pasta e levou meu telefone, ainda nem pago.
Não há nada nesse mega evento que me interesse: nem as pessoas que por lá circulam, como em um formigueiro do inferno, nem as sessões de autógrafos de ilustres (na maioria das vezes nem isso) desconhecidos, lançando títulos absolutamente irrelevantes para o cenário cultural brasileiro, nem as tietagens e incensamentos de personalidades locais e nacionais, que vêm lançar seus caça-níqueis literários nessa feira, que já teve o seu auge nos anos 1990, e hoje é um arremedo de "popularização da cultura". Por fim, nem livros há nessa feira do livro: o que se procura, não se encontra; o que se encontra é frequentemente lixo, repetido inúmeras vezes em todas as bancas, como se o mau gosto literário dominasse a todos; o que há de razoável, é mais caro do que em outros lugares. Há alguns anos, só compro meus livros pela internet: é mais barato, encontro tudo o que quero e não tenho que aguentar um bando de pseudo-leitores babando pelo novo livro daquela autora que escreve no jornal umas babaquices e posa como intelectual e connoisseur das artes.
Não tenho soluções para esses problemas, mas algo deveria ser feito. Apesar de não me identificar mais com a feira, acho que ela teve grande valor, que poderia ser retomado com mudanças pontuais e redução de tamanho. No entanto, creio que essa redução não acontecerá: jamais se admitiria reduzir o espaço conquistado, como se tamanho fosse documento.

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