O homem e a mancha

O homem e a mancha

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Para Rosário do Sul

Nova Oficina de Análise e Interpretação do Texto Teatral, desta vez na cidade de Rosário do Sul, que ainda não conheço: dias 31 de julho, 1º, 7 e 8 de agosto. Espero que seja tão proveitosa como foi a de Caxias do Sul (a Sandra Loureiro, que já esteve lá com a Oficina de Interpretação, me disse que os alunos foram ótimos).

terça-feira, 27 de julho de 2010

Lehmann em Porto Alegre

Fui convidado pela Mirna Spritzer para integrar a roda de debates do dia 12, porém em função de outros compromissos tive que recusar. Mas a Margarida estará lá representando a Cia. de Teatro ao Quadrado, ao lado de vários diretores teatrais de Porto Alegre. É uma oportunidade muito importante de falar sobre esse bicho que nos funga à nuca, o pós-dramático.
Minha posição: "para além do drama", o subtítulo que ilustra o seminário, não significa SEM o drama. Não se pode abandonar completamente (ok, alguns fazem isso) o texto dramático, ainda que "pós-dramatizado". Façam as contas: a maioria das inovações formais na encenação foi alavancada pelos textos teatrais de autores que propunham novas formas. A partir desse "o que fazer com isso?", os encenadores criavam maneiras de levar à cena as palavras inovadoras. Tchekhov só foi compreendido em sua riqueza após Stanislavski. O rei da vela, de Oswald de Andrade, peça escrita em 1937 (e muito pós-dramática, por sinal), só foi encontrar um encenador em 1967, Zé Celso Martinez Corrêa. No RS, as experiências dramáticas de Qorpo Santo, criadas em 1866 (!), só foram encontrar lugar na cena brasileira em 1966, por Antônio Carlos Sena. E ainda atribui-se ao autor triunfense a fundação (ainda que não consciente, obviamente) dos movimentos surrealista e absurdo, do século XX.
Sim, as novas tecnologias aplicadas à cena contribuem muito para essa discussão do que é e de como se configura o teatro pós-dramático. Mas essa história rende muito mais pano para a manga.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Concursos

Nesses últimos meses, tenho dedicado grande parte do tempo em que não estou trabalhando para estudar. Estou inscrito em três concursos para docente do magistério superior, que ocorrerão em agosto: um na UFRGS e dois na UERGS. Para isso, tenho relido muitas coisas e mantido contato, pela primeira vez, com autores que não me eram muito familiares. Tudo para abarcar o extenso programa dos concursos: Teoria do drama, Interpretação Teatral, Direção Teatral, História do espetáculo e Dramaturgia. Como se vê, tudo!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

À prova de morte

Não há, no cinema atual, um diretor que alie com tanta perfeição duas aparentemente irreconciliáveis vertentes da sétima arte como Quentin Tarantino. As vertentes: a) cinema de entretenimento puro, reflexo da forma industrial que caracteriza a feitura dos filmes, que se baseiam na economia de mercado, onde a demanda produz a oferta; e b) cinema que honra o epíteto de "sétima arte", onde as preocupações "artísticas" (o que quer que seja isso, mas tenho certeza de que todos têm uma boa ideia do que seja) sobrepõem-se às mercadológicas.
Tarantino é, sem dúvida, o diretor que faz com que eu mais me divirta no cinema contemporâneo. E não só por causa do humor, presente em grandes doses em todo seu cinema. Me divirto com a forma admirável com que ele manipula a própria história de sua arte, repleto de autorreferencialidade, metalinguagem, auto-homenagem, dissecação de gêneros, atualização de temáticas, etc.
À prova de morte, que dirigiu em 2007 e que só agora chegou aos cinemas brasileiros, faz parte de um projeto conjunto com o também diretor Robert Rodriguez, onde cada um dos dois dirigia um filme que, juntos, formaram a obra Grindhouse - uma homenagem aos filmes de gênero dos anos 1970, os famosos B.
O filme de Rodriguez assisti há algum tempo, em dvd, e não chega aos pés do de Tarantino. Essa pequena obra-prima, que trata sobre um dublê de cinema maníaco (Stuntman Mike, interpretado por Kurt Russell) que usa seu possante automóvel para praticar algumas atrocidades, sempre contra jovens e belas mulheres, tem algumas das melhores cenas de perseguição automobilística da história do cinema, e indubitavelmente a mais chocante e surpreendente cena de acidente já filmada. Além disso, o diretor brinca com a pretensa precariedade da cópia do filme que assistimos, repleto de cortes abruptos, interrupções repentinas da trilha sonora, coloração desbotada e enquadramentos setentistas. Tarantino é genial, e isso não é um exagero.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Lutti vê Bodas de sangue

As fotos abaixo foram clicadas pelo amigo Lutti Pereira, que após uma carreira vitoriosa como ator, anda se movimentando nos meandros da fotografia, com muita habilidade.



segunda-feira, 19 de julho de 2010

Últimas Bodas

Somente no próximo fim de semana, dias 22, 23, 24 e 25 de julho, um dos espetáculos mais marcantes de 2010 estará em cartaz no Teatro Renascença. Bodas de sangue se despede dos palcos gaúchos.

sábado, 10 de julho de 2010

Bodas de sangue no Teatro Renascença

Bodas de sangue, de 15 a 25 de julho, quintas a domingos, no Teatro Renascença.
Última oportunidade de assistir.
Fotos de Júlio Appel.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Segundas Bodas

Kick ass- Quebrando tudo

Esse filme, dirigido em 2010 por Matthew Vaughn, coloca no chinelo a maioria absoluta dos filmes de super heróis baseados em HQ's. Talvez fique apenas aquém dos inesquecíveis Batman, o retorno, dirigido por Tim Burton em 1992, e Batman, o cavaleiro das trevas, dirigido por Christopher Nolan em 2008.
Kick ass não coloca personagens com super poderes protagonizando uma aventura inconsequente, mas pessoas de carne e osso que, certamente influenciadas pelas HQ's, resolvem tomar em suas próprias mãos a justiça, encarnando sim super heróis com uniforme e tudo.
Incrivelmente violento, o filme é uma pequena obra prima de humor negro e ação, que merece ser visto não apenas por quem gosta deste tipo de filme, mas por quem ama o cinema. Tudo funciona à perfeição: o roteiro, as atuações, a montagem, a trilha maravilhosa. Quase impossível colocar senões nessa história que chega, inclusive, a provocar lágrimas. Vem aí Kick ass 2, anunciado para 2012. Mas não deixe de ver a primeira parte, imperdível.

domingo, 4 de julho de 2010

S.P.A.- Sitiados Para Assassinato

O bonito material gráfico acima foi criado pela Juçara Gaspar. Estará em cartaz no Centro Cultural Cia. de Arte (Andradas, 1780), dias 6, 7 e 8 de julho, às 20 horas, mais uma espetáculo de conclusão da Oficina de Montagem da Margarida Leoni Peixoto. Nossa praxis é a seguinte: as oficinas duram quatro meses e, nos primeiros encontros, vou até o local das aulas e conheço os alunos. Então, baseado no perfil da turma, desenvolvo uma dramaturgia original, que é encenada pela Margarida com seus alunos. Já escrevi mais de dez peças para a oficina, e cada vez é um desafio, porque são turmas grandes, em torno de 25 alunos, e o tempo é curto. Sei como deve se sentir um jornalista, ao ver se esvair o tempo para entregar seu texto para o editor-chefe do jornal em que trabalha. Mas a pressão, para mim, funciona muito bem.

sábado, 3 de julho de 2010

Meyerhold disse:

Vsevólod Meyerhold (1874-1940) completa 70 anos de morte em 2010. Ele foi um dos maiores revolucionários do teatro moderno (tanto por sua ligação com a revolução russa de 1917 quanto artisticamente). Foi assassinado a mando de Stálin, por razões políticas, e durante décadas foi esquecido. A partir dos anos 1950 houve uma recuperação de suas ideias teatrais, e percebeu-se a profunda compreensão do que é o teatro que Meyerhold  defendia. Lutava por um teatro teatral, assim mesmo, redundante. Ainda que tenho trabalhado anos com Stanislavski, houve um momento em que as ideias desses dois grandes gênios da cena se separaram: Stanislavaski voltou-se para o naturalismo e o aprofundamento da relação entre a construção da cena e o método das ações psico-físicas executadas pelos atores. Meyerhold voltou-se para as influências do "teatro de feira", a commedia dell'arte, o teatro oriental, tudo aquilo que estilizasse a performance do ator; estava em busca de um ator-acrobata, mas que, paradoxalmente, não abandonasse o texto. Um ator que teria cuidados especiais com a palavra na cena. Vê-se que uma coisa não exclui a outra (o que por vezes lamentavelmente ainda se vê nas searas da antropologia teatral), e os caminhos de Stanislavski e Meyerhold andavam muito próximos, apesar das diferenças aparentes.
Tudo isso para dizer que estou lendo um livro chamado O teatro de Meyerhold (Civilização Brasileira, 1969), onde encontrei, na altura da página 197, o seguinte enunciado, de autoria do próprio: "A irritação do diretor paralisa imediatamente o ator, é tão inadmissível como o silêncio. Quem não for capaz de sentir o olhar inquieto do ator não é, na realidade, um diretor".
Perfeito e absolutamente correto. Em agosto, haverá uma série de atividades que lembrarão os 70 anos de morte de Meyerhold, e sua extraordinária contribuição para o teatro contemporâneo. Visite o blog e se informe: http://www.meyerhold70anos.blogspot.com/
Por uma feliz e estranha coincidência, nós da Cia. de Teatro ao Quadrado estamos estudando as ideias meyerholdianas para a encenação de A lição, que acontecerá em outubro no Teatro de Arena. Será uma excelente oportunidade para debater.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Última semana de Mães & Sogras

Nesta sexta, sábado e domingo são as últimas oportunidades para assistir Mães & Sogras no Teatro de Câmara (República, 575). As fotos do Júlio Appel dão uma ideia do que se verá: uma tragicomédia que não se deixa classificar com muita facilidade.