O homem e a mancha

O homem e a mancha

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

A palavra roubada


Mês que vem vou filmar um curta-metragem, com direção e roteiro da cineasta Mirela Kruel, financiado pelo Fumproarte. A palavra roubada conta a história de uma dupla de desocupados, que vivem de pequenos golpes e que, certo dia, assaltam um velho que carregava uma maleta cheia de...velhas cartas de amor! A surpresa com o resultado inesperado do roubo passa a dar lugar a uma fascinação com o conteúdo das cartas. Interpretarei um dos "desocupados", e fiquei super feliz com a oportunidade. Como já escrevi aqui, cinema sempre foi uma paixão declarada (sou até meio enciclopédico em relação a filmes, já vi tanta coisa que os amigos vêm me perguntar quando têm alguma dúvida). Tenho, ainda, dois longa-metragens inéditos, à espera de lançamento: A última estrada da praia, do Fabiano de Souza, da Clube Silêncio, que filmei em 2007, e Quase um tango argentino, do Sérgio Silva, que fiz em 2008.

Iniciarei os ensaios do filme semana que vem. Vai ser melhor ainda, porque a Mirela quer que nós, os atores, criemos as falas, a partir das situações propostas pelo roteiro. Isso é muito interessante, e já fiz isso antes, com o Fabiano de Souza. No filme dele, eu, o Marcos Contreras, a Miriã Possani e o Rafael Sieg, os protagonistas, tínhamos carta branca para criar o texto dentro de uma estrutura pré-definida. É uma experiência que se aproxima do teatro, em alguns aspectos. Depois comento mais sobre o processo.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Torturas de um coração, de Ariano Suassuna

Torturas de um coração
Na próxima terça-feira, dia 20 de janeiro, às 18h, no Santander Cultural (Sete de setembro, 1028), acontecerá a segunda edição do Ciclo de leituras- A dramaturgia de Ariano Suassuna. O evento terá entrada franca, e será apresentada a leitura dramática da peça Torturas de um coração, uma das primeiras escritas por Suassuna, em 1951.
A curiosidade dessa peça curta, que é denominada pelo autor como "Entremez para mamulengo", é que ela inspiraria, alguns anos depois, situações desenvolvidas em sua peça A pena e a lei, esta com três atos, e estreada em 1960.
Entremez é como são chamadas as pequenas dramatizações apresentadas entre os atos de peças longas, especialmente durante o siglo de oro espanhol, no século XVII. Assim, durante os intervalos das funções de peças de Calderón de la Barca ou Lope de Vega, por exemplo, o público tinha a oportunidade de assistir a esses entremezes. Suassuna, como criador do Movimento Armorial, que louva a influência da cultura ibérica na história brasileira e, especialmente, na cultura popular nordestina, faz uso desse formato para Torturas de um coração.
Quem quiser conhecer mais sobre entremezes, uma boa dica é ler os escritos por Miguel de Cervantes, mais conhecido por ser o autor daquele que é considerado o marco inicial do romance moderno, Don Quixote de la Mancha, de 1600. Lá por 1998, o Jessé Oliveira, diretor porto-alegrense, montou um dos entremezes mais legais de Cervantes, A guarda cuidadosa, para teatro de rua.
Mamulengo, ainda seguindo a denominação de Suassuna, é uma corruptela da expressão "mão molenga", uma das habilidades imprescindíveis para quem manipula bonecos.
A leitura conta com Margarida Leoni Peixoto, Thales de Oliveira, Donatto Oliveira, Carla Gasperin, Lorenzo Fontana e eu mesmo no elenco, que também é dirigido por mim.
Quem estiver em Porto Alegre, apareça no Santander!

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Refilmagens

A Elisa Viali, num post, me sugeriu escrever sobre refilmagens, ou remakes, de filmes. Achei legal e resolvi falar sobre alguns. Obviamente sem esgotar a questão, porque, atualmente, pelo menos nos EUA, mais se refazem filmes antigos do que se concebem obras originais. Haja visto a quantidade de filmes de horror japoneses e coreanos que inundam os cinemas com versões americanas. Salvo da vala comum O chamado (The ring, dirigido por Gore Verbinski, em 2002), realmente assustador.
O primeiro filme que me veio a cabeça pela sua completa desnecessidade, foi a versão de Gus Van Sant de Psicose. Van Sant cometeu essa homenagem (sim, pois seu filme era uma cópia colorida do clássico de 1960 de Alfred Hitchcock, com os mesmos enquadramentos, praticamente um clone) em 1998, substituindo os memoráveis Anthony Perkins e Janet Leigh, pelos pouco memoráveis Vince Vaughn e Anne Heche. Me diz: para que refilmar o que já é perfeito, e não poderá ser superado?!
Outro remake, esse transcontinental, é de Acossado, de Jean-Luc Godard, um dos filmes seminais da Nouvelle vague francesa, de 1960, transfomado em Breathless (ou A força do amor, no Brasil), produção de 1983, dirigida por Jim McBride, colocando Richard Gere no lugar de Jean-Paul Belmondo. Os norte-americanos adoram os franceses, mas isso não é recíproco.
Agora, um bom exemplo de refilmagem que supera o original: Ben-Hur: A tale of the Christ, filme dirigido em 1925 nos EUA, por Fred Niblo, foi refilmado como Ben Hur, em 1959, sob a direção de William Wyler. A versão de Wyler foi, durante décadas, o filme vencedor do maior número de Oscar (onze estatuetas). Charlton Heston, no papel de Judah Ben Hur, redime em parte o seu reacionarismo no fim da vida, quando defendeu ferrenhamente o porte de armas nos EUA, apesar dos constante massacres por lá.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O resto é silêncio

Sou daquelas pessoas que lêem vários livros ao mesmo tempo. Vou me revezando nos títulos, conforme o espírito. De livros teóricos a ficção (e, nos últimos anos, tenho pendido muito mais para os teóricos). Atualmente, leio O dramaturgo como pensador (Civilização Brasileira, 1991), História social da arte e da literatura, de Arnold Hauser (Martins Fontes, 1998) e o recém terminado O resto é silêncio, de Erico Veríssimo (Edições Globo, 1943!).
Este último é uma primeira edição do romance de Erico, adquirido pelo meu sogro (conforme indicação à caneta no início do livro) na Feira das Pulgas (atual Brique da Redenção), em 1983.
Li pouca coisa do Erico Veríssimo e - blasfêmia! - O tempo e o vento não está incluído. Comecei, ainda criança, com Clarissa e As aventuras do avião vermelho, e acabei não adentrando nos romances adultos, porque outro tipo de literatura me tomou completamente a atenção: os livros policiais.
Agora, porém, em período de férias, e com algum tempo sobrando, resolvi ler algo de Erico. O resto é silêncio, de 1943, faz referência em seu título à última fala de Hamlet, na peça homônima, de William Shakespeare (de 1600).
A escritura do romance foi inspirada por uma situação vivida pelo próprio Erico, em 1941, quando presenciou o suicídio de uma jovem que se jogou de um prédio, no Centro de Porto Alegre. No texto ficcional, o suicídio de uma jovem que se lança do alto do Edifício Império, no centro de Porto Alegre, é testemunhado por sete personagens, com vidas e interesses bem distintos. Esse fait divers é o ponto de partida para que o romancista construa um romance com uma deliciosa cor da capital gaúcha dos anos 1940. Apesar de não terem relações entre si, as sete personagens são crias de uma cidade mais provinciana, com muito menos habitantes, e que, consequentemente, faz com que todos acabem se cruzando, mais cedo ou mais tarde.
A estrutura do romance, narrado em apenas dois dias - a Sexta-Feira da Paixão e o Sábado de Aleluia -, com seus conflitos cotidianos, lembra alguns filmes de Robert Altman, como O jogador (1992) e Short cuts- Cenas da vida (1993), ou do recente Crash- No limite (de Paul Haggis, 2004). Personagens que vivem dentro de um mesmo centro urbano se cruzam, a partir de um incidente que os une, de alguma forma. Em Amores brutos (de Alexandre González-Iñárritu, 2000), outro exemplar do gênero, um grupo de pessoas era marcado por um acidente de carro, e passávamos a conhecer as consequências desse desastre em suas vidas.
Uma certa ingenuidade no tratamento de questões políticas (comunismo vs. capitalismo) e um idealismo às vezes demasiado, podem ser contornados levando em conta o fato de ter sido escrito há 65 anos. Vê-se, porém, a habilidade narrativa do autor, e o domínio na criação de personagens bem construídas e com conflitos interessantes, apesar de - e talvez por isso mesmo - comezinhos. Há, inclusive, um trecho em que já se pode entrever o fascínio de Erico por um tema que o levaria a escrever sua mais conhecida obra, de 1949 a 1962:

"Por sobre tudo isso, sempre e sempre o vento e a solidão, os horizontes sem fim e o tempo (...) E ainda as criaturas tristes e pacientes, esperando, vendo o tempo passar com o vento, e o vento agitar os coqueiros e os coqueiros acenar para as distâncias." (O resto é silêncio, Erico Veríssimo, p. 414)

domingo, 11 de janeiro de 2009

O dia em que a Terra parou

Ontem assisti um filme bem ruim, só não foi decepcionante porque eu já esperava que não chegasse aos pés da versão original, de 1951, dirigida pelo Robert Wise (o mesmo de West side story e Star trek). Essa nova versão, que lembra pouco a intensidade do original, mostra a chegada do alienígena Klaatu (interpretado por Keanu Reeves) à Terra, em uma esfera gigante que aterrisa no Central Park, em New York. Resumindo, os aliens vêm para cá com a intenção de detruir a população da Terra, porque seríamos os responsáveis pela destruição do planeta. Õlho por olho, dente por dente. Os aliens chegaram a essa decisão após uma convenção dos povos aliens. Depois de inúmeras inverossimilhanças e diálogos péssimos, o filme termina com os aliens indo embora, resolvendo dar mais uma chance para nós, terráqueos, nos modificarmos e não tratarmos o planeta tão mal.
Hoje em dia, é muito comum ver filmes que exploram o filão da consciência ambiental, para produzir caça-níqueis da pior espécie. Tudo é motivo para salvar espécies em extinção, restaurar a camada de ozônio (que não pode ser restaurada), reverter o aquecimento global. Hollywood voltou suas lentes para o planeta moribundo (estranha ironia, já que os EUA se negam a assinar o Protocolo de Kyoto, para diminuição de emissão de gases), deixando de lado, pelo menos na ficção, aqueles filmes que mostravam os norte-americanos como os escoteiros do mundo, indo salvar povos e raças ameaçados por ditadores. Por trás das boas intenções de produzir um filme com uma "causa", esconde-se o oportunismo de lucrar com os estertores da natureza.
Só para esclarecer uma coisa: sou sócio dos cinemas Guion, e tenho entrada franca em qualquer filme, quantas vezes quiser ver, é uma maravilha. Por isso me submeto a assistir essas bombas, para ter o prazer de criticar depois, e também como curiosidade antropológica. Como no teatro, não se assiste apenas a obras-primas, mas à média, que compõe a maioria da produção.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Primeiros passos


Sempre li muito, desde pequeno. Minha mãe gosta de contar que aprendi a ler e escrever sozinho, aos quatro anos. Sozinho não é bem o termo, mas sem dúvida a vontade e o esforço foram todos meus. Dentro da bruma da memória em que estão os primeiros anos da minha vida, lembro que adorava ler gibis, da Disney e da Turma da Mônica, especialmente. Mas também havia o gibi do Popeye, da Luluzinha e do Bolinha, e os que eu menos gostava, de super heróis, que achava incompreensíveis na maioria da vezes, como os da Marvel. Alguns anos depois, me encantariam os gibis de horror, com histórias de monstros, criaturas estranhas e todas as escabrosidades imagináveis. Um desses gibis chamava-se Cripta. Lembro que eu olhava as "figuras" dos gibis e perguntava, para os mais velhos, que som tinham as letras. Foi assim que, um belo dia, surpreendi minha família já sabendo juntar as letras e formar palavras, e com uns garranchos que significam meu nome: Marcelo.


A partir daí, nunca mais deixei de ler, muito. Nem mesmo na fase da adolescência, quando nos tornamos arredios e pensamos mais em festas do que qualquer outra coisa. Desde cedo, também, comecei a escrever historinhas, pequenos contos, inspirados nos filmes que eu assistia no Madrugadão (que depois seria sucedido pelo Corujão da Globo, que está aí até hoje). Apesar de estudar a vida toda no turno da manhã, não abria mão de assistir os filmes da Globo, que passavam diariamente, cada dia com um nome diferente de sessão.


Por exemplo, a segunda-feira era o dia do Classe A, uma sessão de filmes legendados. Às terças, era a vez do Festival de Sucessos, tinha a Quinta Espetacular e assim por diante. Naquela época eram exibidos muitos clássicos em preto e branco, verdadeiras relíquias dos anos 1930, 40 e 50, com aquelas dublagens deliciosas, anunciadas por uma voz que caprichava no som dos SS e RR. Algo como "A Screen Gems (?) apresenta...", ou "Dublado nos estúdios da Dublasom, Guanabara". Foi assim que comecei também a minha paixão pelo cinema e pela necessidade de contar histórias. Aqueles filmes antigos contavam histórias interessantes, e eu também queria fazer aquilo.


Meu interesse consciente pelo teatro surgiu vários anos depois do amor pelo cinema. Achei que seria mais fácil, e mais próximo de mim, contar histórias com o teatro que, como já dizia Grotowski, nada mais é que o encontro entre um espectador e um ator (ou perfomer, conforme a evolução do teórico polonês).


Posso então dizer que foi o cinema que me levou para o teatro. Hoje, já tendo feito alguns filmes e alguma teledramaturgia, posso afirmar que nada se compara ao teatro. É o teatro que me deixa mais à vontade, como artista. É o teatro que domino como linguagem, porque depende, basicamente, de mim, apesar de ser uma arte de grupo. Mas na hora do "vamos ver", o ator está só, no palco, e tem que resolver tudo. O cinema é tão cheio de parafernálias e ações paralelas. Gosto das coisas que fiz, é claro. Mas tenho a sensação de que não estou totalmente à vontade, como no palco. Alguém disse, acho que Paulo Autran, que o teatro é a arte do ator, o cinema é a arte do diretor e a televisão a arte do anunciante. Concordo totalmente. As exceções só confirmam a regra.

Ariano Suassuna em Porto Alegre


Na próxima terça-feira, dia 13 de janeiro, às 18 horas, inicia no Santander Cultural, no centro de Porto Alegre, o Ciclo de Leituras Dramáticas de Ariano Suassuna, que se estenderá até dia 10 de fevereiro, sempre às terças.

A idéia é que, durante cinco semanas, cinco diretores diferentes dêem suas versões para textos dramáticos do grande autor paraibano (de nascença, pois viveu a maior parte de sua vida em Pernambuco).

No dia 13 estreia o projeto com a leitura de Uma mulher vestida de sol, dirigida por Luciano Alabarse. Dia 20, é a minha vez de dirigir Torturas de um coração. Depois, dia 27 é a Luciana Éboli, dia 3 de fevereiro a Jezebel de Carli e dia 10 o Jessé Oliveira.

Uma mulher vestida de sol é considerada a única peça séria de Suassuna, obviamente que não no sentido artístico, mas por sua temática. O próprio autor a chama de tragédia, o que não deixa de ser verdade. Ambientada no sertão pernambucano, a peça escrita em 1947 - a primeira que escreveu - trata de um conflito entre dois ramos de uma família, e a luta pela terra que habitam, que um e outro dizem ser sua. Vivem as duas facções separadas por uma cerca, e é à volta desse significativo elemento cênico que se desenvolve o conflito. É claro que a sempre eficiente temática do amor proibido, à la Romeu e Julieta também está presente. Nesse caso, são dois cunhados que lutam, enquanto seus filhos se amam secretamente.

Convido a todos que estiverem na cidade a comparecerem, e conhecer um pouco mais da obra de Suassuna, praticamente desconhecida, exceto por Auto da Compadecida. No mesmo Santander, está acontecendo a mostra Iluminogravuras, com muitas imagens interessantes.






sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Apareceu a Margarida

Ontem, fui assistir ao espetáculo do Eduardo Kramer, Apareceu a Margarida, que tem Renato Del Campão como protagonista e Jairo Klein como o aluno humilhado. Há uns 3 anos, eu pensava seriamente em dirigir esse texto do Roberto Athayde, com a minha mulher Margarida, interpretando a temível professora Dona Margarida. Acreditava que a coincidência de nomes poderia ser uma bela brincadeira metalinguística (sem trema), sabe como é?...
Algum tempo depois, fiquei sabendo que o Eduardo e o Renato estavam pensando em montar, o que acabou com meus planos. É a segunda montagem que assisto dessa peça. A primeira foi dentro do DAD, em um projeto de graduação da Marina de Oliveira, que hoje já não faz mais teatro, mas um Doutorado em Letras na PUCRS - por falar nisso, ela deve estar agora em Portugal, fazendo o "sanduíche" dela.
O que ouvi de algumas pessoas é que o texto de Athayde seria datado, ou seja, trataria de questões muito próprias da década de 1970, quando foi escrito, e já estaria superado em sua temática. Com isso não concordo, não posso concordar. Autoritarismo, por mais que se encaixe como uma luva na crítica ao regime militar, existe em qualquer época, mesmo que em algumas ele seja autorizado e institucionalizado como prática oficial.
Além disso, o autoritarismo e sadismo de Dona Margarida acontecem, acredito, dentro de relações de poder de qualquer tipo. No caso de Apareceu a Margarida, a escolha por uma turma da quinta série apenas ressalta o quão indefesos podemos estar frente a uma força desgovernada. Mas sadismo e tortura mental acontecem em relações de trabalho, dentro da família, entre "amigos"...
O que acredito é que uma escolha acertada, em termos de encenação, pode determinar, ou não, o alcance que a crítica ao autoritarismo que o texto contém terá junto ao público. No caso do Teatrofídico, o grande acerto é a persona de Renato, que, com seu humor enlouquecido, característico de outras montagens dele, tanto como ator quanto como diretor, acrescenta uma dose de irracionalidade que funciona bem, em boa parte da peça. Está certo que o primeiro ato funciona melhor que o segundo, mas, no cômputo geral, é um espetáculo que acontece.
O que menos me agrada são algumas ideias do Eduardo, como misturar música eletrônica com uma encenação que tem uma cara anos 1970. Fica estranho. Da mesma forma, quando Dona Margarida adquire uns trejeitos de biba do século XXI, isso me distancia. Gostaria de ver Dona Margarida menos enlouquecida e mais perversa.
Por fim, quero dizer da minha admiração pelo Renato, que merecidamente está concorrendo ao Açorianos de Melhor Ator por Apareceu a Margarida. Já assisti muitos trabalhos com ele. Mas é uma peça pouco conhecida, que só cumpriu uma microtemporada, que me agrada mais que todos os outros: trata-se de Cinturão de fogo, uma comédia desenfreada em que Renato e Lila Vieira interpretavam dois negros que queriam fazer sucesso como artistas. Eu chorei de tanto rir, literalmente, quando assisti à montagem na Sala Carlos Carvalho, em 1992.
Acredito que a nova produção do Teatrofídico tem muito fôlego para permanecer em cartaz por longo tempo, enchendo a sala, como aconteceu ontem na sala 302 da Usina. Sucesso!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Larissa Maciel

Fiquei muito orgulhoso quando soube, no final de 2007, que a Larissa Maciel, atriz porto-alegrense que agora estrela a minisserie Maysa, na Globo, havia sido selecionada para encarnar a protagonista da nova aposta de Manoel Carlos e Jayme Monjardim. Conheço a Larissa há mais de dez anos. Ela se formou em Interpretação pelo DAD e, apesar de não termos sido colegas de turma, eu a via pelos corredores de lá. Em 2001, chegamos a fazer uma festa de aniversário coletiva, dos escorpianos que comemoravam a mudança de idade - eu, ela e a Lúcia Bendati -, no Namastê, da Rua da República. Trabalhei com ela apenas uma vez, em uma leitura dramática, em 2006, que fazia parte de um ciclo de leituras de peças do Ibsen, apresentadas no Solar Paraíso. A peça era Solness, o construtor, com direção do Decio Antunes, eu interpretava o Solness e ela a jovem e obstinada Hilda Wangel, a responsável pela derrocada e destruição do protagonista.
Fora isso, assisti o trabalho de Larissa algumas vezes no palco (O menino maluquinho 2000, dirigido pela Adriane Mottola, Os sobreviventes, dirigido pelo Marcelo Aquino, que também está radicado no Rio de Janeiro, e Hotel Rosa-Flor, com direção do Júlio Conte, onde ela contracenava com minha mulher, Margarida Leoni Peixoto) e na TV, em Histórias Curtas e A ferro e fogo.
Sempre achei a Larissa uma boa atriz, mas acreditava que era mais adequada justamente para interpretar personagens na TV e no cinema, onde parecia atingir um melhor resultado pela sutileza e contenção, que são mais freqüentemente exigidos no audiovisual. A Larissa tem isso com ela, essa expressividade no olhar, no pequeno gesto, que aparecem na tela de uma maneira muito interessante. É por isso que acredito que ela está começando uma carreira muito promissora na TV. Além de beleza e talento, Larissa é muito inteligente, o que faz a diferença em um mundo muitas vezes fútil e superficial como o da televisão. Torço muito que ela consiga continuar emendando um trabalho no outro.
A última vez que a vi pessoalmente foi em março do ano passado, no Rio de Janeiro. Eu e a Margarida fomos ao teatro João Caetano, no Centro do Rio, assistir a uma montagem do musical O baile (que teve uma versão cinematográfica em 1983, dirigida pelo Ettore Scola). Ao final do belo espetáculo, uma superprodução, nos dirigíamos para a saída quando olhei para o fundo da platéia e lá estava Larissa, acompanhada de dois amigos. Ela nos abraçou, genuinamente emocionada, e disse estar louca de saudades de Porto Alegre, e de ouvir o sotaque gaúcho (Larissa já estava há alguns meses no Rio, passando pela longa preparação que teve para interpretar Maysa). Ela nos disse que todo o processo estava sendo muito puxado, mas prezeiroso. Nos despedimos e desejamos muita sorte.
Tenho acompanhado os capítulos de Maysa (hoje não vou assistir, mas pedi para o Clóvis Massa gravar para mim), e cada vez me convenço mais de que a Larissa está no caminho certo.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Entrando no mundo dos blogs

Sempre fui daquelas pessoas que não têm muita intimidade com essa tal de informática (palavra meio antiga, mas, para mim, acho que vale). Tá certo que tenho e-mail há uns 10 anos, mas computador, para mim, sempre serviu para pouca coisa além de consultar o Outlook e imprimir umas coisas. No entanto, tenho visto por aí (ou lido) uns blogs bem legais, e fiquei com vontade de experimentar como seria escrever algumas coisas e não saber exatamente quem as lê (exceto aqueles que deixam algum comentário. Então, estreando no mundo dos blogs, aqui estou. Se alguém vai me ler, não sei. Talvez seja bom divulgar esse blog nos blogs que visito. Vou fazer isso.
E já que 2009 está apenas começando, e será, certamente, um ano decisivo em minha vida, desejo a todos que também tenham decisões importantes e boas nos próximos meses.