O homem e a mancha

O homem e a mancha

domingo, 11 de janeiro de 2009

O dia em que a Terra parou

Ontem assisti um filme bem ruim, só não foi decepcionante porque eu já esperava que não chegasse aos pés da versão original, de 1951, dirigida pelo Robert Wise (o mesmo de West side story e Star trek). Essa nova versão, que lembra pouco a intensidade do original, mostra a chegada do alienígena Klaatu (interpretado por Keanu Reeves) à Terra, em uma esfera gigante que aterrisa no Central Park, em New York. Resumindo, os aliens vêm para cá com a intenção de detruir a população da Terra, porque seríamos os responsáveis pela destruição do planeta. Õlho por olho, dente por dente. Os aliens chegaram a essa decisão após uma convenção dos povos aliens. Depois de inúmeras inverossimilhanças e diálogos péssimos, o filme termina com os aliens indo embora, resolvendo dar mais uma chance para nós, terráqueos, nos modificarmos e não tratarmos o planeta tão mal.
Hoje em dia, é muito comum ver filmes que exploram o filão da consciência ambiental, para produzir caça-níqueis da pior espécie. Tudo é motivo para salvar espécies em extinção, restaurar a camada de ozônio (que não pode ser restaurada), reverter o aquecimento global. Hollywood voltou suas lentes para o planeta moribundo (estranha ironia, já que os EUA se negam a assinar o Protocolo de Kyoto, para diminuição de emissão de gases), deixando de lado, pelo menos na ficção, aqueles filmes que mostravam os norte-americanos como os escoteiros do mundo, indo salvar povos e raças ameaçados por ditadores. Por trás das boas intenções de produzir um filme com uma "causa", esconde-se o oportunismo de lucrar com os estertores da natureza.
Só para esclarecer uma coisa: sou sócio dos cinemas Guion, e tenho entrada franca em qualquer filme, quantas vezes quiser ver, é uma maravilha. Por isso me submeto a assistir essas bombas, para ter o prazer de criticar depois, e também como curiosidade antropológica. Como no teatro, não se assiste apenas a obras-primas, mas à média, que compõe a maioria da produção.

2 comentários:

  1. Vi esses dias a versão original e adorei. Mesmo com os efeitos especiais precários (o que hoje até dá certo charme), o filme tem momentos de suspense e mistério ótimos!

    E, como não sou VIP do Guion (que inveja!), não assistirei o remake. Aliás, difícil ver um remake melhor que o original, hein. (Tópico para um novo post.)

    Ps. Adorei ver fotinhos minhas aqui.

    Abraço,
    Elisa

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  2. Pois é Elisa, normalmente os remakes são decepcionantes. Vou pensar em um que tenha sido legal e escreverei sobre isso. Obrigado pela sugestão!

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