O homem e a mancha

O homem e a mancha

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

INIMIGOS DE CLASSE há um mês da estreia

Na Zero Hora de hoje, a Contracapa assinada por Roger Lerina publicou uma linda chamada sobre nosso novo espetáculo, INIMIGOS DE CLASSE, que está há um mês da estreia.

Mad men

Estamos assistindo agora, em dvd, uma das séries mais elogiadas atualmente na TV norte-americana. Ambientada no mundo da publicidade, nos anos 1960, a série é um primor no desnudamento de costumes que hoje parecem escandalosos, mas que à época eram parte do cotidiano, e portanto não questionados. Vale muito a pena assistir. Algumas curiosidades:
Mad men é detentora de um recorde bastante raro. A série é a única na história da TV a vencer três vezes consecutivas o Emmy e o Globo de Ouro de Melhor Série Dramática. Mad men levou os prêmios nos anos de 2008, 2009 e 2010.
Os cigarros usados na trama são falsos. É lei nos Estados Unidos: atores não podem fumar cigarros de tabaco em seu local de trabalho. Eles fumam cigarros com ervas, mas estudos já revelaram que o mal causado pelos dois tipos de fumo é o mesmo.
A abertura de Mad men é uma homenagem a filmes famosos de Alfred Hitchcock, como Intriga internacional e Um corpo que Cai.

sábado, 28 de janeiro de 2012

O iluminado


Durante muitos anos O iluminado foi o meu filme preferido. Essa obra-prima dirigida por Stanley Kubrick em 1980, a partir do romance de Stephen King, entrou para a história como um dos filmes mais aterrorizantes já feitos. E que não perderá seu pódio jamais, tenho certeza. Kubrick constrói o filme sem apelar para efeitos especiais gratuitos. O domínio dos tempos e da linguagem cinematográfica, sem falar no trabalho extraordinário de Jack Nicholson (e dos outros atores também, mas Jacko é insuperável) fazem de The shining uma experiência inesquecível. Perdi a conta de quantas vezes assisti, e sempre fica a vontade de rever. Como essa cena, uma das mais memoráveis do cinema mundial.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

10 anos de casamento

No dia 27 de janeiro de 2002, eu e a Margarida casamos. Tínhamos ido ao cinema (Guion) assistir a Trapaceiros, dirigido por Woody Allen. Depois da sessão, viemos para a casa dela (que muito em breve seria a minha também) e preparamos juntos um carreteiro delicioso. Não saí mais do endereço em que moramos até hoje. Éramos colegas do DAD, apesar de não da mesma turma, e eventualmente nos encontrávamos. Ficamos mais íntimos mesmo durante as filmagens do longa metragem Noite de São João, dirigido pelo querido Sérgio Silva (que acabou sendo, involuntariamente, nosso padrinho, ao nos reunir como atores no mesmo filme). Como as filmagens aconteciam apenas durantes as escaldantes madrugadas de janeiro de 2002, e como é sabido que em cinema mais se espera do que se filma, tivemos oportunidade de conversar muito. A amizade estava consolidada ao final das filmagens. Daí, veio o amor, que até hoje se mostra forte e companheiro.
Nosso casamento coincidiu com a criação da CIA. DE TEATRO AO QUADRADO, criada por nós dois nesse mesmo ano de 2002, com o espetáculo A SECRETA OBSCENIDADE DE CADA DIA. A SECRETA foi meu trabalho de conclusão em Artes Cênicas- Interpretação Teatral do DAD/UFRGS, posteriormente cumprindo várias temporadas em teatros de Porto Alegre (foi também minha primeira indicação ao Açorianos de Melhor Ator). Desde então, a companhia encenou oito espetáculos, e sempre com o desejo de avançar, mais e mais, em nossa arte.
Estamos muito felizes com essa data simbólica de 10 anos. A década inicial dessa relação tão bonita.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O espião que sabia demais

O título original deste filme, Tinker Tailor Soldier spy, seria excessivamente enigmático para os cinemas brasileiros, eu sei (um filme chamado Funileiro alfaiate soldado espião não se tornaria exatamente um sucesso de público). Mas há um bom motivo para essa junção de palavras aparentemente esdrúxulas: Tinker, Tailor e Soldier são os codinomes de alguns agentes secretos ingleses suspeitos de passarem informações para os soviéticos, durante o auge da Guerra Fria, nos anos 1970. Gary Oldman interpreta George Smiley, um agente aposentado, que é chamado de volta à ativa para descobrir quem é o traidor entre os peixes grandes do Serviço Secreto Britânico. Baseado no romance de espionagem de John le Carré, este filme dirigido pelo cineasta sueco Tomas Alfredson lembra a atmosfera do que havia de melhor em antigos filmes de espionagem (como O espião que veio do frio, de 1965, ou Mistério no Parque Gorky, de 1983). Uma fotografia cinzenta e desglamourizada, linda, associada a um ritmo narrativo angustiante em seu deslizar perigoso e lento, mais atuações precisas, resultam nesse belo exemplar de filme de espionagem. A lista dos melhores de 2011 no Oscar saiu nessa semana, e O espião que sabia demais recebeu três indicações: Melhor ator para Gary Oldman, Melhor trilha sonora e Melhor roteiro adaptado. Vale a pena assistir nos cinemas, agora.

domingo, 22 de janeiro de 2012

GOELA ABAIXO e os 10 anos da CIA. DE TEATRO AO QUADRADO


Neste 2012, a CIA. DE TEATRO AO QUADRADO comemora 10 anos de vida. Para iniciar a comemoração, que trará uma programação variada até o final do ano, voltaremos a cartaz com nosso espetáculo há mais tempo na estrada, GOELA ABAIXO OU POR QUE TU NÃO BEBES?.
Um pouquinho da história dessa peça:
Em 2003 eu e a Margarida Leoni Peixoto já havíamos montado a companhia, que teve como primeiro espetáculo A SECRETA OBSCENIDADE DE CADA DIA, do dramaturgo chileno Marco Antonio de la Parra, estreado no ano anterior. Eu já havia concluído a graduação em Interpretação Teatral no DAD/UFRGS, e solicitara permanência na universidade, para fazer o curso de Direção Teatral. Pois bem, no primeiro semestre de 2003 eu cursava a disciplina Direção III, ministrada pelos professores Irion Nolasco e Inês Marocco, ao lado de colegas como a Margarida, a Camila Bauer (hoje professora do DAD), a Ju Brondani, o Felipe Vieira de Galisteo e o Mauro Menine. A proposta daquele semestre era montar uma peça a partir dos preceitos de Bertolt Brecht, o genial dramaturgo e encenador alemão. A turma toda passou então a procurar uma peça de Brecht que pudesse ser encenada naquele semestre, para aplicar na prática os por vezes obscuros efeitos de distanciamento brechtianos, ou efeitos-V (Verfremdungseffekt). Cada aluno escolheu uma e eu propus não montar uma peça de Brecht, mas uma peça de outro autor na qual pudessem ser experimentados os tais efeitos de estranhamento. Minha inesperada sugestão foi acolhida pelos professores e passei a buscar a tal peça que eu dirigiria.
Há alguns anos, eu travara conhecimento com três peças em um ato do dramaturgo checo Vaclav Havel (quase desconhecido no Brasil, e inédito no Rio Grande do Sul, até porque não havia traduções de suas peças publicadas em nosso país). O Paulo Berton, que fora meu diretor em algumas peças dentro do DAD (e em um trabalho profissional também, o Mockinpott, em 1999), havia descoberto essas peças do Havel em uma revista alemã que havia no Instituto Goethe de Porto Alegre. Como é fluente na língua, o Paulo traduziu as peças e me deu uma cópia. Os títulos traduzidos das três peças (conhecidas como Trilogia Vanek, porque têm como personagem em comum o Ferdinand Vanek, alter-ego de Havel) ficaram sendo Audiência, Vernissage e Protesto. Na busca de um texto que eu gostasse e que tivesse poucas personagens para facilitar o processo de ensaios, reli a Trilogia Vanek e me decidi pela primeira delas, Audiência, ambientada em uma cervejaria checa durante o regime comunista dos anos 1970.
Bem, eu tinha então uma peça com duas personagens masculinas, que em minha opinião era perfeita para aplicar técnicas de distanciamento épico, e não hesitei: convidei a Margarida para interpretar o Mestre-cervejeiro, o decadente algoz de Vanek na peça. Faltava agora um ator para interpretar o próprio Vanek (não poderia ser eu, já que, como aluno, não seria conveniente atuar e dirigir na mesma peça). Convidei então o professor Clóvis Massa, nosso amigo, para atuar. Foi um frisson dentro do DAD, porque até aquele momento não havia acontecido de um professor participar de um trabalho de um aluno, pelo menos dentro da universidade. O Clóvis aceitou e estreamos Audiência em 31 de julho de 2003, no Teatro de Arena de Porto Alegre, em uma apresentação única. O resultado foi tão bom, que várias pessoas comentavam que deveríamos dar continuidade ao espetáculo. Isso não aconteceu naquele momento, mas ao longo dos meses passamos a amadurecer essa ideia.
Em meados de 2004, após a bem sucedida montagem de ESCOLA DE MULHERES, de Molière, que lotava todas as sessões no Teatro de Arena, eu e a Margarida começamos a pensar seriamente na possibilidade de remontar o Audiência. Falamos com o Clóvis e ele ficou super entusiasmado com a possibilidade, mas havia um obstáculo intransponível: Clóvis estava fazendo seu Doutorado, e tinha uma viagem marcada para Paris, onde permaneceria de dezembro de 2004 até o final de março de 2005. E nós tínhamos uma temporada no Arena, com estreia em 2 de abril de 2005. O que fazer? A solução óbvia foi que eu assumiria a personagem de Vanek e faríamos a temporada agendada. Tudo combinado, mas eu queria um título que de alguma forma explicitasse um pouco mais o conflito da peça, já que eu achava Audiência um título pouco atraente comercialmente. Assim, batizei a peça com a denominação atual: Goela abaixo ou Por que tu não bebes?. Um título um pouquinho bizarro, mas de impacto e fácil memorização.
O restante da história é que a peça estreou em 2 de abril de 2005, a Margarida foi indicada ao Prêmio Açorianos de Melhor Atriz, fizemos viagens pelo interior do RS, fomos convidados pelo Renato Ferracini, do Lume, para apresentar a peça em Campinas, participamos do Porto Alegre em Cena e seguimos em cartaz desde então. Perdi a conta do número de apresentações que já fizemos, são muitas. E voltaremos a cartaz no Porto Verão Alegre, como acontece desde que a peça estreou, de 7 a 12 de fevereiro no Teatro de Arena. A partir deste ano, contamos com a parceria da Cerveja Província, que distribuirá a cerveja para os espectadores que forem nos assistir. Esse talvez seja o toque de Midas da peça: o ineditismo dessa distribuição de bebida gratuita, para que o público beba durante o espetáculo. Acredito que, de alguma forma, esse congraçamento envolve atores e espectadores em um momento único de cumplicidade. O sucesso de GOELA ABAIXO está avalizado pelos deuses do teatro (especialmente Dioniso, também o deus do vinho, entendeu a esperteza?).

sábado, 21 de janeiro de 2012

Mockinpott: um dos maiores sucessos da história do teatro gaúcho


As imagens são precárias, não têm som, mas são históricas: no Teatro de Arena de Porto Alegre, em 1975, estreava uma das peças mais importantes da história do teatro gaúcho: MOCKINPOTT, peça do dramaturgo alemão Peter Weiss, dirigida por José Luiz Gomes.
Em 1999, foi a vez desse delicioso texto ser remontado, no Teatro de Arena, com direção de P. R. Berton. No elenco, Marcelo Adams, Lúcia Bendati, Dejayr Ferreira, Tuta Camargo, Simone Buttelli e Rodrigo Ruiz.

A montagem de 1975 nasceu de um convênio com o Instituto Cultural Brasil-Alemanha. Para dirigir o espetáculo, chega a Porto Alegre o espanhol José Luiz Gómez, que vence o prêmio de melhor ator do Festival de Cannes desse ano, pelo filme Pascal Duarte. Ele revoluciona tudo o que os gaúchos pensam sobre teatro. O texto escrito em versos mostra a conscientização de um sujeito pacato e alienado que, por uma sucessão de acontecimentos, torna-se vítima do sistema. E o diretor escolhe o picadeiro de um circo como cenário para contar a história, valorizada pelos figurinos da artista plástica argentina Renata Shussheime e a música do compositor gaúcho Flávio Oliveira, que mistura melodias conventuais da Idade Média com terno-de-reis do folclore gaúcho.
Os ensaios duram até 15 horas consecutivas. Por vezes, o diretor obriga o ator a repetir determinada fala por três horas até que encontre o significado exato. "Mockinpott era um fio de violino, que ele esticou os atores na capacidade máxima e tirou o inacreditável de todo mundo, mas era resultado de muita exigência, de muita disciplina", testemunha Paulo Albuquerque, assistente de direção do espetáculo.
O crítico Luiz Carlos Lisboa faz a mesma avaliação sobre o papel de Gómez: "Ele trabalhou ator por ator, despersonalizou cada um e tornou-os maravilhosos marionetes que soube colocar no contexto da peça".
O rigor do espanhol provoca dois adiamentos da estréia de Mockinpott, até que se desse por satisfeito. Depois de estrear em Porto Alegre, a peça percorre diversas capitais. No Rio de Janeiro, é recomendada com entusiasmo pela Associação Carioca de Críticos Teatrais - ACCT, presidida por Yan Michalski. Mas, em São Paulo, é proibida duas horas antes da estréia, motivando uma ampla campanha nacional contra a censura. Uma comissão integrada por artistas como Raul Cortez, Elis Regina e Ruth Escobar vai a Brasília e consegue sua liberação pelo Ministério da Justiça.

ELENCO DA MONTAGEM DE 1975
Camilo Bevilacqua
Alexandre Zachia
Arthur Dornelles
Carlos Alberto Bandarra
Jairo de Andrade
José Gomes Dias Neto
Luiz Eduardo Crescente
Miguel Ramos
Nena Ainhoren
Nirce Levin

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Ifigênia em Áulis + Agamenon: um fragmento agônico


Uma cena da montagem de Ifigênia em Áulis + Agamenon, dirigida em 2011 por Luciano Alabarse. Em cena, Marcelo Adams e Vika Schabbach, e um petit pedaço da Fernanda Petit, que interpretava nossa filha, minha e da Vika. Era bonita essa peça! As imagens foram feitas pelo Cesar Figueiredo.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Feliz aniversário Molière!

Em 15 de janeiro de 1622 nascia em Paris, França, Jean-Baptiste Poquelin. Para não desagradar seu pai, que não gostava muito da ideia de ter um filho ligado ao teatro, Jean-Baptiste adotou o pesudônimo de Molière, nome pelo qual ficou conhecido e entrou para a história do teatro. Hoje, completam-se 390 anos do nascimento de Molière, e não surgiu nesse período nenhum homem de teatro tão bem sucedido na comédia quanto esse genial autor, diretor e ator. Molière é sinônimo de riso inteligente, e suas peças são eternas.
Nós da Cia. de Teatro ao Quadrado já incursionamos duas vezes pelo universo molieresco: em 2004, com ESCOLA DE MULHERES

e em 2008 com O MÉDICO À FORÇA

Agora, em 2012, recebemos o Prêmio Myriam Muniz de Teatro, concedido pela Funarte, e vamos montar em Porto Alegre mais uma das deliciosas farsas de Molière, ARTIMANHAS DE SCAPINO

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

INIMIGOS DE CLASSE: estreia em 2 de março no Theatro São Pedro

A foto é de Mariano Czarnobai e Juliana Alabarse.
No elenco de INIMIGOS DE CLASSE estão Marcelo Adams, Denis Gosch, Gustavo Susin, Fabrizio Gorziza, Eduardo Steinmetz, Fernando Zugno, Mauro Soares e Marcello Crawshaw. Direção de Luciano Alabarse e preparação de elenco de Margarida Leoni Peixoto.
A partir de 2 de março levaremos ao São Pedro esse texto de Nigel Williams, que tem como temas a falência do sistema de ensino e um dos assuntos mais debatidos do momento, o bullying. A violência na sala de aula replicando a violência em que o mundo está inserido.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

GOELA ABAIXO OU POR QUE TU NÃO BEBES? no Porto Verão Alegre 2012

De 7 a 12 de fevereiro de 2012 no Teatro de Arena de Porto Alegre
Texto de Václav Havel
Direção de Marcelo Adams
Com Marcelo Adams e Margarida Leoni Peixoto
Distribuição de cerveja da Cerveja Província

domingo, 1 de janeiro de 2012

Uma virada cheia de amor

Não há nada melhor do que passar datas importantes ao lado de quem se ama. Nesta virada para 2012 passamos juntos, novamente, apenas eu e a Margarida, em nossa casa. Não é falta de opção, mas uma escolha consciente: começar um novo ano em paz, com tranquilidade e junto de quem é importante, preparando um ano novo que será para nós inesquecível, cheio de realizações e projetos bem sucedidos.