O homem e a mancha

O homem e a mancha

sábado, 21 de janeiro de 2012

Mockinpott: um dos maiores sucessos da história do teatro gaúcho


As imagens são precárias, não têm som, mas são históricas: no Teatro de Arena de Porto Alegre, em 1975, estreava uma das peças mais importantes da história do teatro gaúcho: MOCKINPOTT, peça do dramaturgo alemão Peter Weiss, dirigida por José Luiz Gomes.
Em 1999, foi a vez desse delicioso texto ser remontado, no Teatro de Arena, com direção de P. R. Berton. No elenco, Marcelo Adams, Lúcia Bendati, Dejayr Ferreira, Tuta Camargo, Simone Buttelli e Rodrigo Ruiz.

A montagem de 1975 nasceu de um convênio com o Instituto Cultural Brasil-Alemanha. Para dirigir o espetáculo, chega a Porto Alegre o espanhol José Luiz Gómez, que vence o prêmio de melhor ator do Festival de Cannes desse ano, pelo filme Pascal Duarte. Ele revoluciona tudo o que os gaúchos pensam sobre teatro. O texto escrito em versos mostra a conscientização de um sujeito pacato e alienado que, por uma sucessão de acontecimentos, torna-se vítima do sistema. E o diretor escolhe o picadeiro de um circo como cenário para contar a história, valorizada pelos figurinos da artista plástica argentina Renata Shussheime e a música do compositor gaúcho Flávio Oliveira, que mistura melodias conventuais da Idade Média com terno-de-reis do folclore gaúcho.
Os ensaios duram até 15 horas consecutivas. Por vezes, o diretor obriga o ator a repetir determinada fala por três horas até que encontre o significado exato. "Mockinpott era um fio de violino, que ele esticou os atores na capacidade máxima e tirou o inacreditável de todo mundo, mas era resultado de muita exigência, de muita disciplina", testemunha Paulo Albuquerque, assistente de direção do espetáculo.
O crítico Luiz Carlos Lisboa faz a mesma avaliação sobre o papel de Gómez: "Ele trabalhou ator por ator, despersonalizou cada um e tornou-os maravilhosos marionetes que soube colocar no contexto da peça".
O rigor do espanhol provoca dois adiamentos da estréia de Mockinpott, até que se desse por satisfeito. Depois de estrear em Porto Alegre, a peça percorre diversas capitais. No Rio de Janeiro, é recomendada com entusiasmo pela Associação Carioca de Críticos Teatrais - ACCT, presidida por Yan Michalski. Mas, em São Paulo, é proibida duas horas antes da estréia, motivando uma ampla campanha nacional contra a censura. Uma comissão integrada por artistas como Raul Cortez, Elis Regina e Ruth Escobar vai a Brasília e consegue sua liberação pelo Ministério da Justiça.

ELENCO DA MONTAGEM DE 1975
Camilo Bevilacqua
Alexandre Zachia
Arthur Dornelles
Carlos Alberto Bandarra
Jairo de Andrade
José Gomes Dias Neto
Luiz Eduardo Crescente
Miguel Ramos
Nena Ainhoren
Nirce Levin

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