O homem e a mancha

O homem e a mancha

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Rubem Fonseca tem que ser lido


De vez em quando escolho um autor e procuro ler tudo que ele escreveu - ou pelo menos aquilo a que tenho acesso. Atualmente, me dedico a conhecer a obra bastante extensa de Rubem Fonseca, mineiro de Juiz de Fora, cuja data de nascimento acompanha a imagem acima. Fonseca publicou seu primeiro livro em 1963, o volume de contos Os prisioneiros, e desde então se tornou um dos principais ficcionistas brasileiros. Dividindo sua produção entre narrativas curtas e longas (com predomínio das primeiras), ele domina a escrita através de uma timing excelente para contar suas histórias. Pelo que li até agora (dez de seus livros), pude perceber que suas tramas quase sempre buscam uma objetividade no desenvolvimento das situações, colocando-o muitas vezes ao lado da escrita jornalística.
As exceções a essa forma confirmam a regra: em Lúcia McCartney, volume de contos publicado em 1967, Fonseca chegou ao máximo da experimentação na escrita, muitas vezes desnorteando o leitor com suas enigmáticas linhas. Por outro lado, em romances mais convencionais, como Bufo & Spallanzani, de 1986, ou Vastas emoções e pensamentos imperfeitos, de 1988, Fonseca demonstra toda sua habilidade em criar atmosferas e construir personagens sólidos e interessantes.
Com uma nítida preferência por tramas policialescas, ou por aquelas em que o crime e o interdito estejam em primeiro plano, o escritor mineiro revela-se um grande apaixonado pelo sexo feminino, que aparece em grande número em seus textos, na maioria das vezes escritos em primeira pessoa, protagonizados por homens que mantêm uma relação ambígua com as mulheres - que variam, em uma mesma personagem, da fascinação absoluta à quase ojeriza. Rubem Fonseca surpreende com sua enciclopédica cultura, com textos eivados de citações a outros autores, ou a quaisquer outros aspectos da cultura ocidental, e quando se debruça sobre acontecimentos da história brasileira: em Agosto, romance de 1990, o pano de fundo de uma investigação policial são os 24 dias que antecedem o suicídio de Getúlio Vargas, em agosto de 1954. Em O selvagem da ópera, romance de 1994, Fonseca narra a trajetória de Antônio Carlos Gomes (1836-1896), o maior autor de óperas que o Brasil já produziu, autor da renomada O guarani, e que morreu na mais completa miséria, esquecido e abandonado.
Além dos livros citados, já li de Fonseca A coleira do cão (contos, 1965), O caso Morel (romance, 1973), Feliz ano novo (contos, 1975) e Secreções, excreções e desatinos (contos, 2001).
Continuo a leitura da obra de Fonseca, e recomendo a quem não o conhece que leia suas páginas, urgentemente. Quem quiser começar bem, indico Feliz ano novo: quem lê esse livro vai querer conhecer muito mais.

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