O homem e a mancha

O homem e a mancha

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Gus Van Sant


Posso me considerar um fã do cineasta norte-americano Gus Van Sant. Acompanho o trabalho dele há vários anos, e creio ter visto a maioria de seus filmes. Os pouco conhecidos e que primam pela bizarrice, como Até as vaqueiras ficam tristes, em que Uma Thurman interpreta uma lésbica de polegares imensos, uma produção de 1993. Os que trazem o homossexualismo como tema principal, como Garotos de programa, de 1991, com Keanu Reeves e River Phoenix, e o recente Milk- A voz da igualdade, de 2008 (que aparece na foto logo acima; à esquerda Sean Penn personificando Harvey Milk e, ao seu lado, o verdadeiro político assassinado na San Francisco de 1978). Os que tratam de alguma forma, da imersão no mundo das drogas, como Drugstore cowboy, de 1989, com Matt Dillon, e Last days, de 2005, este último inspirado nos últimos dias de Kurt Cobain, vocalista do Nirvana, e seu suicídio. Ainda aqueles filmes que são inegáveis obras-primas, e que têm a juventude e seus dilemas como motor, caso dos extraordinários Elefante, de 2003, e Paranoid park, de 2007. Só de passagem, dá para mencionar que Van Sant é versátil, o que não significa que acerte sempre. Fez Gênio indomável, "filme de Oscar" de 1997; Psicose, de 1998, uma refilmagem totalmente desnecessária de Hitchcock; Procurando Forrester, de 2000, uma das últimas aparições de Sean Connery, que aparentemente se aposentou. Há ainda Um sonho sem limites, talvez o primeiro papel de verdadeiro destaque de Nicole Kidman, em 1995, uma pequena pérola de humor negro.
Tudo isso para dizer que assisti Milk, um dos filmes cotados para o Oscar, com oito indicações. Desta vez, Van Sant foge de qualquer experimentalismo e segue uma narrativa bastante clássica, mas nem por isso inferior. Sean Penn, como sói acontecer (essa expressão tem o merecido crédito de Gisela Habeyche), está excelente, e muito convincente no papel do protagonista. Harvey Milk foi uma espécie de vereador na San Francisco dos anos 1970, e lutava pelos direitos dos gays. Teve sucesso em uma de suas batalhas, mas foi assassinado por um colega. O filme não chega a empolgar, mas é bonito, digno, tem atuações sólidas e tudo o mais. Van Sant sabe fazer cinema mais acadêmico, mas prefiro quando ele inova ou quebra com as normas cinematográficas. Como esquecer as longas sequências em que as personagens são seguidas, pelas costas, pela câmera, como em Elefante, Paranoid park e Last days?

Um comentário:

  1. Eu não vi Elefante. Está na minha lista desta semana. Mas, achei Milk um "filmão". Gosto muito desta mistura de história com arte, de documentário e ficção e de filmes que me emocionam e me provocam uma maior consciência do que pode o ser humano para o bem e para o mal. Logo que terminou, vi que tinha gostado e, na medida em que as horas vão passando, vejo que a impressão que ficou foi das melhores. É...Acho que fiquei empolgada.
    PS: Pôxa...podia ter colocado a tradução da expressão da Gisela. Vá que eu não tenha decifrado bem!)

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