O homem e a mancha

O homem e a mancha

sábado, 13 de novembro de 2010

Comentários sobre A LIÇÃO 6

Comentário escrito pelo dramaturgo IVO BENDER:

"Ontem à noite fui ver o espetáculo que criaram sobre A LIÇÃO. Gostei do trabalho e creio que Margarida, ao centrar sua direção no caráter brutal do texto, fez uma escolha perigosa mas justificável. O final da peça, com a aluna presa àquela cadeira (de ginecologista?) ultrapassa a brutalidade e atinge o nível do horror absoluto. E o sangue a gotejar na bacia remete de imediato à mais espantosa escatologia do horror. O clímax da peça que ocorre na matança da aluna acaba, então, por se perpetuar na cena e o ruído do gotejar apenas acentua o diabolismo da encenação.
Diante de tanto horror, a dor de dentes da garota é apenas um leve incômodo. Quem lhe dera que todos seus dentes doessem, mas longe, é claro, da antessala do inferno em que toma lições inúteis e dispensáveis.
Já o Marcelo nos dá uma aula de interpretação em que a voz  tem um papel fundamental. Parabéns por essa voz que, há anos não se ouvia tão bem empregada em cena. (Os atores de P.Alegre primam, de modo geral, por seu desprezo à dicção).
Os diálogos do professor com a mãe internalizada (substituindo uma criada) remete, de imediato, a Hitchcock (Psicose). Como sou um fã de cinema, adoro as homenagens e alusões aos grandes cineastas: a luz oblíqua na fala final do professor, ao dialogar com a mãe, apenas acentua e assim revela afinal a própria prisão psicológica em que o mestre se acha.
Já a aluna de Luísa Herter, ingênua mas não inocente, está correta e bem composta: há uma equilibrada mistura de pureza e malícia na figura da estudante"

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