O homem e a mancha

O homem e a mancha

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Teatralização-texto

Palavras de Anne Ubersfeld, pesquisadora teatral francesa que escreve em seu livro Para ler o teatro, páginas 26 e 27:
"Tudo o que respeita à denegação-teatralização parece não pertencer ao texto e, sim, à representação. Crer nisso seria um erro, visto que a denegação já está inscrita textualmente:
(...)3. no absurdo e nas contradições textuais: a presença de categorias opostas num mesmo lugar, a não-coerência de uma personagem consigo mesma, o que a crítica clássica (e também a crítica escolar e universitária) chama 'inverossimilhança', são os índices textuais da função teatral da denegação. Como o sonho, o fantasma teatral admite a não-contradição, o impossível, e deles se alimenta, tornando-os não apenas significantes, mas operantes. O lugar da inverossimilhança é o lugar próprio da especificidade do teatro, à qual corresponde, na representação, a mobilidade dos signos, por exemplo, um objeto que passa de uma função para outra (escada que vira ponte), ou um ator que passa de um papel para outro; qualquer atentado textual ou cênico à lógica corrente do 'bom senso' é teatro. O teatro, sabemos há muito, oferece a possibilidade de dizer o que não está em conformidade com o código cultural ou com a lógica social: o que é lógica ou moralmente impensável, ou socialmente escandaloso, o que deveria ser recuperado por procedimentos estritos, está no teatro em estado de liberdade, de justaposição contraditória. É por isso que o teatro pode designar o lugar das contradições não resolvidas".

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