O homem e a mancha

O homem e a mancha

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Solos trágicos


Estou bastante motivado com um novo trabalho que iniciei nesta semana. O espetáculo Solos trágicos, que está sendo dirigido por Roberto Oliveira, com estreia prevista para dezembro, é uma reunião de fragmentos de alguns dos textos trágicos mais importantes da história da dramaturgia ocidental. Sófocles, Eurípides, Shakespeare, Strindberg, Nélson Rodrigues, Heiner Müller, são alguns dos autores que guiarão nosso trabalho. Roberto Oliveira é um diretor que sempre me surpreendeu com suas encenações: Boca de ouro, Auto da Compadecida, O pagador de promessasDr. QS- Quriozas Qomédias são espetáculos inesquecíveis para mim, entre os tantos que ele dirigiu. Desta vez, volto a um gênero que me apaixona: a tragédia. Desde a primeira vez que li uma tragédia grega, quando entrei no DAD, fiquei fascinado e devorei tudo que os gregos produziram e nos legaram. Depois, aprofundando o gênero, descobri que a tragédia, mais do que um gênero teatral formalmente definido por Aristóteles em sua Poética, é um estado de ânimo, é uma visão de mundo. É por isso que o trágico é eterno, ao longo de toda a literatura. Alguns dizem que a condição humana é trágica, porque tem consciência de sua finitude. Também penso assim. E ser trágico não é ser pessimista, talvez realista seja a palavra certa. A violência, inerente ao Homem, é o que nos torna trágicos, ainda que tentemos buscar o lado belo da vida. E o teatro, mesmo quando mostra atrocidades, é belo. A arte mostra a beleza do feio.

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