O homem e a mancha

O homem e a mancha

domingo, 13 de dezembro de 2009

Toda forma de amor estreia terça



A criação de um espetáculo é sempre um salto no vazio. Quando se começa a ensaiar um novo trabalho, muitas vezes não se tem nada concreto: nem texto, nem cenário, nem figurinos, nem trilha sonora. Nem mesmo a atuação dos atores se concretizou, tudo é potência, tudo é vir-a-ser. Há, porém, algo que, mesmo sendo o menos concreto de todos os elementos, é aquele que dá toda a base, que funciona como um alicerce sobre o qual se constrói a peça: a vontade de fazer e de acertar.
Em agosto de 2009, um grupo de 24 atores se reuniu em torno de uma ideia: falar sobre o amor. E esse discurso sobre o amor se fragmentaria em várias cenas diferentes, que tentariam abarcar muitas das máscaras que o sentimento de Eros veste.
O texto foi chegando, os atores tomando conhecimento de qual das peças desse tabuleiro teriam como missão interpretar. Como em um jogo de xadrez, os movimentos no início são contidos, estudados, calculados. Aos poucos dominamos a técnica, e ousamos um pouco mais nas jogadas, sempre tendo em vista o objetivo final que é conquistar o Rei. Pelo caminho, alguns peões são sacrificados, e são eliminadas algumas das peças que não podem mais fazer parte do jogo (a insegurança, o medo de se expor).
Chegamos agora ao final do jogo. O cara a cara com o público, que dá sentido ao que fazemos, e transforma essa partida em um delicioso e assustador confronto. Ressalva seja feita: o final do jogo é, também, o começo do verdadeiro jogo, mais profundo, mais intenso. Ao nos depararmos com os espectadores, nos esforçamos em mostrar belas jogadas, com ou sem efeito, mas sempre com muita emoção, muita verdade, muito amor.
Este espetáculo que vocês agora assistirão é nosso presente a todos aqueles que acreditam que o teatro tem o poder de transformar a quem vê e a quem faz.
Esse texto acima consta do programa do espetáculo que fará três apresentações, de 15 a 17 de dezembro, às 21h, no Centro Cultural da Cia. de Arte (Andradas, 1780). Os ingressos estão praticamente esgotados.
Direção da Margarida Leoni Peixoto com texto meu.
Na foto acima, os atores Ohana Homem, Mafalda Guerreiro da Costa e Lorenzo Baroni Fontana.

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