O homem e a mancha

O homem e a mancha

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Abraços partidos




Pedro Almodóvar é um dos diretores de cinema mais prestigiados de nossos dias. Um novo filme seu cria uma grande expectativa, que por vezes não atinge totalmente o qua esperamos dele. Se em obras como Tudo sobre minha mãe (1999), Fale com ela (2002), Má educação (2004) e Volver (2006) o diretor espanhol atingiu grande estaturas, com filmes como Abraços partidos (2009) o mesmo não acontece.
Abraços partidos é um filme com bem pouco daquele humor amargo que nos acostumamos a admirar. As tramas policialescas que Almodóvar tanto admira, herdeiras do film noir, estão presentes na nova produção, bem como a homenagem ao melodrama de revelações surpreendentes. No entanto, se nos filmes anteriores essa mistura funcionava muito bem, aqui o ritmo e o interesse caem em muitos momentos. Já li, de um crítico, que esse filme, também estrelado por Penélope Cruz, marca uma mudança no cinema almodovariano: mais sério, mais maduro, autorreferencial. Há, inclusive, uma grande citação ao seu grande sucesso Mulheres à beira de um ataque de nervos (1988), filme que o tornou mundiamente conhecido. Toda uma sequência, ao final do filme, é praticamente uma refilmagem daquele extravagante obra estrelada pela ex-musa Carmen Maura, aqui interpretada por Penélope Cruz.
Mesmo os filmes menores dos grandes autores têm que ser vistos, pois dão uma amostra do universo criado por eles. Claro que a vontade é assistir a obras-primas sucessivas, mas isso é praticamente impossível: há que se permitir o escorregar e levantar dos artistas. Com o teatro é o mesmo. Dramaturgos, encenadores, atores, todos têm seus bons e menores momentos. Temos que ser menos intransigentes e compreender que arte não é fórmula, tudo afeta sua feitura.

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