O homem e a mancha

O homem e a mancha

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Casamento silencioso

Co-produção entre Romênia, Luxemburgo e França, Casamento silencioso (Nunta muta, 2008) é falado em romeno e tem sua ação concentrada, predominantemente, em 1953, naquele país do leste europeu, nos dias que antecedem à morte do ditador comunista Josef Stálin, e no dia seguinte à sua morte. Durante várias décadas, após a Segunda Guerra Mundial, o planeta se dividiu entre países comunistas e capitalistas. Os comunistas, capitaneados pela poderosa União Soviética, criaram a famosa Cortina de Ferro, que isolava os países do leste europeu das ameaças do capitalismo, liderado pelos Estados Unidos. Aqueles países que seguiram as orientações comunistas (Romênia, Tchecoslováquia, Alemanha Oriental, etc.) deveriam obedecer aos líderes do Partido Comunista. Stálin, um dos maiores assassinos da História, passava por cima de quaisquer direitos humanos em nome do isolamento dos estados comunistas. A história do filme dirigido por Horatiu Malaele é simples: um casamento entre dois jovens moradores de uma pequena vila romena é marcado para o dia seguinte à morte de Stálin. O luto oficial internacional de 7 dias impediria a realização da cerimônia, sob pena de punições terríveis. Os alegres e barulhentos convidados do casamento resolvem burlar a proibição, realizando a festa de casamento totalmente em silêncio. A longa cena da comemoração à volta de uma mesa coberta de comidas e bebidas, em silêncio quase absoluto, é antológica. As referências à proibição de manifestações, à censura e à ditadura são inteligentíssimas. É uma cena incrivelmente engraçada, de rir às gargalhadas. O Brasil, que viveu um longo período de ditadura, também identifica-se naquelas imagens e ações. O filme tem um tom predominantemente cômico, com pitadas fantásticas (lembrando os filmes do sérvio Emir Kusturica, especialmente Underground- Mentiras de guerra), mas há momentos de grande comoção: aqueles que mostram a barbárie do exército russo. Um filme de uma cinematografia pouco conhecida no Brasil, que merece ser visto. A propósito: outros filmes romenos que apareceram por aqui nos últimos tempos, também excelentes: A leste de Bucareste (Prêmio Camera d'Or para melhor cineasta estreante no Festival de Cannes 2005) e 4 meses, 3 semanas e 2 dias (Palma de Ouro no Festival de Cannes 2007).

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