O homem e a mancha

O homem e a mancha

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Medida por medida

Novamente dois espetáculos nesta noite: os cariocas Medida por medida e O silêncio dos amantes. O primeiro, texto de William Shakespeare dirigido por Gilberto Gawronski. O segundo, adaptação do livro homônimo de Lya Luft. Em ambos os casos, gaúchos envolvidos na produção (Gawronski e Lya). No próximo post falarei de O silêncio dos amantes.
O texto de 1604 adaptado por Gawronski é uma das consideradas "peças-problema" do autor inglês. Por que essa denominação? Porque os críticos, ao analisar essas obras de Shakespeare, encontraram dificuldades em encaixá-las em alguma denominação (como tragédia, comédia e drama histórico, categorias às quais pertencem as outras 30 e tantas peças do bardo). São consideradas peças-problema, além da que trata este texto, O mercador de Veneza, Tróilo e CréssidaBem está o que bem acaba. Nessas peças citadas há uma indefinição muito grande em relação ao efeito que Shakespeare desejava alcançar junto aos espectadores. Se, por um lado, o teatro elizabetano notabiliza-se por uma mistura provocadora entre tragédia e comédia (as célebres cenas cômicas dentro das tragédias shakespereanas demonstram isso: em Hamlet, Macbeth, Rei Lear, etc.), nas peças-problema esse ingrediente que apenas salpicava as grandes tragédias lambuza essas pseudo-comédias. O mercador de Veneza, chamada de comédia, tem muito pouco do que se rir, por exemplo. Medida por medida, da mesma forma classificada como comédia, tem uma trama que envolve condenação à morte, que dificilmente leva ao sorriso, quiçá ao riso, em sua leitura. A montagem de Gawronski para essa peça-problema é, também, um problema. A opção por caracterizar toda a encenação como um show de drag queens é bastante questionável. Com o pretexto de reproduzir o que ocorria no século XVII, quando as mulheres não tinham permissão para subir ao palco, cabendo aos jovens rapazes a função de interpretarem personagens femininas, o diretor coloca apenas homens em cena. E isso vira, usando uma expressão bem direta, uma bichice. Os homens são afetados, ou, se não, usam roupas que caracterizam a imagética gay. Roupas de couro, acessórios sado-masoquistas, trejeitos, tudo conduz a peça para um beco sem saída. A estética dos elementos do espetáculo é também kitsch, de boate, se quiserem. A transformação do texto em uma paródia para efeitos e músicas da Madonna é quase lamentável. É o tipo de peça qua surge como uma ideia "genial": "Olha só, e se a gente fizesse Medida por medida como se fosse uma peça gay? Não ia ser legal?!". Não quero passar a impressão de conservadorismo, acho que vale tudo em teatro, mas não acho que a abordagem de um texto clássico tenha que ser sempre inovadora e original. Essa vontade de surpreender não passa, muitas vezes, de insegurança. Os figurinos são muito bons.

Um comentário:

  1. concordo plenamente! a peça é lamentável!
    qm gostou dessa peça eh pq nao entende nada de teatro. eh uma PROSTITUIÇÃO DE SHAKESPEARE!!!
    eu poderia dizer q estudo teatro na faculdade e leio stanislavki e david ball,mas nao preciso. qlqr babaca entende q oq eles apresentaram nao eh teatro!
    os aplausos no final nao era por causa das interpretaçoes mas sim da PUTARIA. pq tinha BUNDA D FORA
    se eu fosse shakespeare eu levantava da tumba e enforcava um por um

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