O homem e a mancha

O homem e a mancha

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Uma cerimônia emocionante

Estive presente à cerimônia de premiação dos vencedores do 7º Concurso Nacional de Dramaturgia- Prêmio Carlos Carvalho, nesta fria noite de sexta-feira, no Teatro Renascença. Pela primeira vez participei como concorrente neste concurso, inscrevendo um dos textos que escrevi. Não foi desta vez que fui premiado, mas isso não importa. O que realmente importa para mim, que escrevo para teatro, é a continuidade de um prêmio que dê à dramaturgia um lugar de destaque em nosso cenário teatral. Apesar das intensas retaliações que o texto dramático sofreu a partir dos anos 1960, quando tornou-se moda e de bom tom construir um teatro em bases improvisacionais, desprezando muitas vezes os textos escritos especialmente para o teatro, parece que essa "onda" está um decadência. Dramaturgia não é sinônimo de passadismo, nem de teatro mofado. Se fosse assim, não teríamos inúmeros exemplos de dramaturgias que impulsionaram a encenação, através de diretores que tiveram que descobrir novas maneiras de levar à cena textos instigantes, produzidos por autores em seus gabinetes. Heiner Müller parece ser um nome inegável, apenas para usar um de conhecimento geral.
Eu sou um apaixonado por dramaturgia, e um garimpador de novos e de clássicos autores. A partir de minha prática como autor de teatro, onde escrevo pelo menos duas peças por ano para as oficinas de montagem da Margarida Leoni Peixoto, minha mulher, intensifiquei minha pesquisa sobre a escritura cênica. É sempre um prazer descobrir textos que me dão aquela vontade de vê-los encenados. Minha última descoberta é um texto do francês Michel Azama, chamado Cruzadas, de 1988. Brilhante! Que vontade de ver aquelas palavras e situações sobre os palcos de Porto Alegre!
Mas o título deste post, apesar da homenagem feita ao Carlos Carvalho se refere às participações de Simone Rasslan na cerimônia do prêmio. Apenas com sua linda voz e um piano, que toca muito bem, Simone nos emocionou. É claro que a recente perda da parceira de palco e amiga Adriana Marques contribuiu. Mas é impressionante o talento de Simone.
Araci Esteves, a viúva de Carlos Carvalho, sentou ao meu lado e conversamos um pouco. Ela me dizia que, antes de morrer, Carlinhos tinha o sonho de criar um concurso e uma oficina de dramaturgia. Ele morreu antes de concretizar seu sonho, mas o concurso está aí, com 21 anos, mostrando força. A oficina ainda não aconteceu (e eu certamente seria um dos alunos), mas nunca é tarde para sonhar.

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