
Marcelo Ádams

quinta-feira, 30 de julho de 2009
Goela abaixo

terça-feira, 28 de julho de 2009
Fotos de Pão com linguiça
sábado, 25 de julho de 2009
Uma experiência
A seguir um texto que escrevi. Já comentei neste blog, várias vezes, mas nunca havia publicado nada. Não sei bem o que é, mas de qualquer forma, publico:
Começo do zero. E a partir daí, uma sucessão de números ultrapassam a barreira do abstrato. Os números vêm à mente como pequenos animais que, fixos em sua forma, imutáveis, como nove diferentes raças ou espécies que habitassem o mundo, construíssem um universo composto por nove mais um. E esse um, o zero, o sinal absoluto da totalidade, ou a inexistência absoluta da totalidade, comandasse com seu olho redondo, vazio, branco, vazado, as ações dos outros.
Um número principia a desabar do vazio. Um número magro, espetado, discreto, único, que leva sua voz a qualquer canto em que alguém queira ouvi-lo, que perturba a suavidade dos que dormitam em um espaço de nuvens. A boca do número se arregaça frente ao inexplorado. O primeiro que chega, o primeiro a trazer alguma informação.
Encerro a página sem saber exatamente o que fiz, o que fazer. Os olhos me doem, como areia que aderisse à superfície interna da pálpebra. Esfrego os olhos com os nós dos dedos. Os dedos estalam. Acendo um cigarro, à minha esquerda. Um cinzeiro com sete baganas, enredadas como pilares de um templo destruído, chamuscado pelo fogo. À volta, cinzas, acinzentadas, esbranquiçadas, enegrecidas.
Olho pela janela. Olho pela janela. Lá fora uma árvore, imóvel, velha, acinzentada, esbranquiçada, enegrecida. As folhas imóveis, sem brisa que as embale, penduram-se nas pontas dos galhos finos, ou habitam os longilíneos corpos que são como braços estendidos de um tronco enrugado.
Olho para dentro do quarto. Dentro do quarto o cinzeiro de vidro transparente, multifacetado, cremoso em sua solidez.
*
“Era preciso que se conversasse sobre isso, sobre as coisas que compõem a vida a dois. As coisas que tornam necessária a companhia de alguém não são muitas, muitos vivem sós, sem quem divida seus dias. No entanto, eu me sentia disposto a investir nisso. Em viver com alguém.”
Isso escrevi em uma noite fria, esperançoso, me projetando como personagem de uma história que eu próprio estivesse construindo. Facilmente apaguei as palavras com um selecionar e delete.
*
Começo do zero. Um dois três quatro e cinco apenas até cinco. Cinco parece ser a metade, parece ser o momento certo de parar. Parece que cinco encerra em si mesmo uma contenção, uma prudência interessantes. Até cinco chego, passando por quatro antes de mim, sem contar o zero, este que nada faz, apenas observa. A partir daqui o caminho parece ser mais árduo, ultrapassando a medida, o bom senso, o concreto. Atravessar a fronteira do conhecido, do estável, do confortável. A partir daqui, tudo é possível, tudo soa misterioso, as formas sinuosas se intensificam, vêem-se mais curvas que linhas retas. Não sei se sou capaz. O caminho, apesar de parecer tão longo quanto o já percorrido, é mais curto. De seis a nove são quatro. De um a cinco são cinco. E isso é perfeito. É irrevogável a afirmação de que de um a cinco são cinco, e nada poderá mudar isso. Não existem as frações, não existem casas depois da vírgula, existem homens inteiros em casas no fim de ruas. Ruas escuras, pouco iluminadas, que terminam em árvores acinzentadas, enegrecidas. Sem saída.
Meu olho esquerdo treme.
Começo do zero. E a partir daí, uma sucessão de números ultrapassam a barreira do abstrato. Os números vêm à mente como pequenos animais que, fixos em sua forma, imutáveis, como nove diferentes raças ou espécies que habitassem o mundo, construíssem um universo composto por nove mais um. E esse um, o zero, o sinal absoluto da totalidade, ou a inexistência absoluta da totalidade, comandasse com seu olho redondo, vazio, branco, vazado, as ações dos outros.
Um número principia a desabar do vazio. Um número magro, espetado, discreto, único, que leva sua voz a qualquer canto em que alguém queira ouvi-lo, que perturba a suavidade dos que dormitam em um espaço de nuvens. A boca do número se arregaça frente ao inexplorado. O primeiro que chega, o primeiro a trazer alguma informação.
Encerro a página sem saber exatamente o que fiz, o que fazer. Os olhos me doem, como areia que aderisse à superfície interna da pálpebra. Esfrego os olhos com os nós dos dedos. Os dedos estalam. Acendo um cigarro, à minha esquerda. Um cinzeiro com sete baganas, enredadas como pilares de um templo destruído, chamuscado pelo fogo. À volta, cinzas, acinzentadas, esbranquiçadas, enegrecidas.
Olho pela janela. Olho pela janela. Lá fora uma árvore, imóvel, velha, acinzentada, esbranquiçada, enegrecida. As folhas imóveis, sem brisa que as embale, penduram-se nas pontas dos galhos finos, ou habitam os longilíneos corpos que são como braços estendidos de um tronco enrugado.
Olho para dentro do quarto. Dentro do quarto o cinzeiro de vidro transparente, multifacetado, cremoso em sua solidez.
*
“Era preciso que se conversasse sobre isso, sobre as coisas que compõem a vida a dois. As coisas que tornam necessária a companhia de alguém não são muitas, muitos vivem sós, sem quem divida seus dias. No entanto, eu me sentia disposto a investir nisso. Em viver com alguém.”
Isso escrevi em uma noite fria, esperançoso, me projetando como personagem de uma história que eu próprio estivesse construindo. Facilmente apaguei as palavras com um selecionar e delete.
*
Começo do zero. Um dois três quatro e cinco apenas até cinco. Cinco parece ser a metade, parece ser o momento certo de parar. Parece que cinco encerra em si mesmo uma contenção, uma prudência interessantes. Até cinco chego, passando por quatro antes de mim, sem contar o zero, este que nada faz, apenas observa. A partir daqui o caminho parece ser mais árduo, ultrapassando a medida, o bom senso, o concreto. Atravessar a fronteira do conhecido, do estável, do confortável. A partir daqui, tudo é possível, tudo soa misterioso, as formas sinuosas se intensificam, vêem-se mais curvas que linhas retas. Não sei se sou capaz. O caminho, apesar de parecer tão longo quanto o já percorrido, é mais curto. De seis a nove são quatro. De um a cinco são cinco. E isso é perfeito. É irrevogável a afirmação de que de um a cinco são cinco, e nada poderá mudar isso. Não existem as frações, não existem casas depois da vírgula, existem homens inteiros em casas no fim de ruas. Ruas escuras, pouco iluminadas, que terminam em árvores acinzentadas, enegrecidas. Sem saída.
Meu olho esquerdo treme.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Uma cerimônia emocionante

Eu sou um apaixonado por dramaturgia, e um garimpador de novos e de clássicos autores. A partir de minha prática como autor de teatro, onde escrevo pelo menos duas peças por ano para as oficinas de montagem da Margarida Leoni Peixoto, minha mulher, intensifiquei minha pesquisa sobre a escritura cênica. É sempre um prazer descobrir textos que me dão aquela vontade de vê-los encenados. Minha última descoberta é um texto do francês Michel Azama, chamado Cruzadas, de 1988. Brilhante! Que vontade de ver aquelas palavras e situações sobre os palcos de Porto Alegre!
Mas o título deste post, apesar da homenagem feita ao Carlos Carvalho se refere às participações de Simone Rasslan na cerimônia do prêmio. Apenas com sua linda voz e um piano, que toca muito bem, Simone nos emocionou. É claro que a recente perda da parceira de palco e amiga Adriana Marques contribuiu. Mas é impressionante o talento de Simone.
Araci Esteves, a viúva de Carlos Carvalho, sentou ao meu lado e conversamos um pouco. Ela me dizia que, antes de morrer, Carlinhos tinha o sonho de criar um concurso e uma oficina de dramaturgia. Ele morreu antes de concretizar seu sonho, mas o concurso está aí, com 21 anos, mostrando força. A oficina ainda não aconteceu (e eu certamente seria um dos alunos), mas nunca é tarde para sonhar.
Crítica uruguaia de Platão dois em um

O crítico uruguaio Jorge Arias, do jornal La Republica de Montevidéu, no Uruguai, assistiu ao nosso espetáculo em sua estreia, em maio. Abaixo a crítica publicada por ele na edição de 22 de julho, e disponível no site http://www.larepublica.com.uy/
LA REPUBLICA EN PORTO ALEGRE: HECHIZO Y MISTERIO DE ATENAS
Jorge Arias
En escena. Luiz Paulo Vasconcellos como Sócrates y José Baldiserra como Aristófanes.
El último de sus periplos, la más lejana de sus órbitas alrededor de la tragedia griega, lo llevó a visitar a Platón, un enemigo de la tragedia. Es de notarse que "El banquete" se desarrolla en la casa de Agatón, a quien se homenajea por su triunfo en un certamen de tragedias; sus ideas sobre el amor son escrutadas y refutadas, muy urbanamente como corresponde a un huésped, por Sócrates.
Los diversos desarrollos de "El banquete" son suscitados por unas agudas palabras de un familiar de los diálogos de Platón, Fedro: dice que se ha investigado muy poco sobre Eros, una de las pocas divinidades que no reconoce antepasados y que suscita acciones gloriosas. Esta chispa enciende la mente de los contertulios, que padecen la resaca del beberaje de la noche anterior. Toman la palabra por turno; sus palabras ramifican el tema, lo enriquecen, dicen ideas nuevas; la verdad parece encontrarse en la totalidad de los puntos de vista, difícil síntesis que nos permitirá vislumbrar, pero sin comprenderlo del todo nunca, al amor, primitivo y misterioso.
Pero el proyecto original de Luciano de poner en escena "El banquete" venía con aliento y dinamismo. Evolucionó y se transformó, abarcando aún más temas, más tesis, más iluminaciones; y a este diálogo agregó su adaptación de "Gorgias", a su vez potenciado por fragmentos del "Hippias". En un paso más adelante, la versión de "El banquete", obra del escritor riograndense Donaldo Schuler, añade una helenista (Vika Schabbach) que explica o reescribe, a la luz de las ideas de Lacan, el texto de Platón y que a su vez es interrogada por un repórter; la helenista es erudita y un tanto ridícula; toda esta nebulosa cósmica en explosión contiene además música, a cargo de los "Sonoros Meliantes" (Moisés Lopes, Margarida Leoni Peixoto, Trasgo Rinaldi, Rafael Ferrari y Bruno Alcalde) y danza, a cargo de los "Plato's boys" ( Daniel Bacchieri, Eduardo Steinmetz, Fabricio Gorziza, Fernando Zugno, Rafael Mentges y Vinicius Meneguzzi).
La puesta en escena de "Gorgias" es sobria, sin mayor escenografía, con predominio del diálogo y la razón; Sócrates joven (Marcelo Adams) es nuestro conocido, el irónico razonador que pone a sus amigos en aprietos hasta que confiesan el error; la escenificación de "El banquete", donde Sócrates es interpretado por Luiz Paulo Vasconcellos, contiene una expresiva escenografía, como siempre en las producciones de Luciano a cargo de Sylvia Moreira, un variado vestuario (Ro Cortiñas), música y canciones; su atmósfera es un tanto báquica, signada por el alcohol. La conjunción de ambos diálogos, con sus dos distintos estilos, sugiere poderosamente las dos partes en que, según Aristófanes, fue dividido el andrógino por decisión de Zeus, dos partes que buscan con vehemencia su reencuentro y su fusión.
Lo que antecede es sólo una reseña, muy incompleta, de la riqueza de este "Platao dois por um", que relanza sobre un escenario las luminosas ideas del filósofo, refractadas por la pluma de Schuler (y Lacan) hacia la mente de los espectadores. Allí anida en nuestro recuerdo, y promete renacer en nosotros con giros propios. Es un espectáculo extenso, con un breve intervalo entre las dos partes; como todas las producciones de Luciano, esta obra es tan clara y comprensible como lujosa y atrayente en su presentación, variada en sus tiempos pero de ritmo sostenido y reconocible. "Platao dois por um", pide un público adulto, que preste indeclinable atención; con seguridad una segunda y aún una tercera visita a estos jardines del filósofo permitirían descubrir más y mejor otras alusiones y otros significados.
Todos los actores merecen los mejores elogios, pero vimos destacarse las labores del joven Marcelo Adams, como el Sócrates de "Gorgias" que responde magistralmente a la idea del lector común sobre el empedernido razonador, pero que también interpreta al apasionado y ebrio Alcibíades en "El banquete" donde Sócrates es actuado por Luiz Paulo Vasconcellos, un Sócrates tal vez más sabio, más un hombre sensato que filósofo razonador. También debemos mencionar a Lutti Pereira como Eutidemo y Agatón y, al fin pero no la menor, Sandra Dani (en foto superior), que además mostró su competencia en el canto, como Diotima.
PLATAO DOIS EM UM ("GORGIAS, O DISCURSO SOBRE LA RETORICA Y "O BANQUETE"), adaptación de Donaldo Schuler. Con Marcelo Adams, Marcos Contreras, Lutti Pereira, Alexandre Magalhães e Silva, Fernando Zugno, Rafael Mentges, Fabrizio Gorziza, Vinicius Meneguzzi, Daniel Bacchieri, Eduardo Steinmetz, Lê Souza, Rodrigo Fiatt, Luiz Paulo Vasconcellos, Vika Schabbach, José Baldiserra, Carlos Cunha filho, Mauro Soares y Sandra Dani. "Plato's boys": Daniel Bacchieri, Eduardo Steinmetz, Fabrizio Gorziza, Fernando Zugno, Rafael Mentges y Vinicius Meneguzzi. "Sonoros Meliantes": Moysés Lopes, Margarida Leoni Peixoto, Rafael Ferrari y Bruno Alcalde. Escenografía de Sylvia Moreira, vestuario de Ro Cortinhas, iluminación de Claudia De Bem y Maurício Moura, dirección musical de Moysés Lopes, banda sonora y dirección de Luciano Alabarse. Teatro São Pedro, Porto Alegre.
Jorge Arias
En escena. Luiz Paulo Vasconcellos como Sócrates y José Baldiserra como Aristófanes.
El último de sus periplos, la más lejana de sus órbitas alrededor de la tragedia griega, lo llevó a visitar a Platón, un enemigo de la tragedia. Es de notarse que "El banquete" se desarrolla en la casa de Agatón, a quien se homenajea por su triunfo en un certamen de tragedias; sus ideas sobre el amor son escrutadas y refutadas, muy urbanamente como corresponde a un huésped, por Sócrates.
Los diversos desarrollos de "El banquete" son suscitados por unas agudas palabras de un familiar de los diálogos de Platón, Fedro: dice que se ha investigado muy poco sobre Eros, una de las pocas divinidades que no reconoce antepasados y que suscita acciones gloriosas. Esta chispa enciende la mente de los contertulios, que padecen la resaca del beberaje de la noche anterior. Toman la palabra por turno; sus palabras ramifican el tema, lo enriquecen, dicen ideas nuevas; la verdad parece encontrarse en la totalidad de los puntos de vista, difícil síntesis que nos permitirá vislumbrar, pero sin comprenderlo del todo nunca, al amor, primitivo y misterioso.
Pero el proyecto original de Luciano de poner en escena "El banquete" venía con aliento y dinamismo. Evolucionó y se transformó, abarcando aún más temas, más tesis, más iluminaciones; y a este diálogo agregó su adaptación de "Gorgias", a su vez potenciado por fragmentos del "Hippias". En un paso más adelante, la versión de "El banquete", obra del escritor riograndense Donaldo Schuler, añade una helenista (Vika Schabbach) que explica o reescribe, a la luz de las ideas de Lacan, el texto de Platón y que a su vez es interrogada por un repórter; la helenista es erudita y un tanto ridícula; toda esta nebulosa cósmica en explosión contiene además música, a cargo de los "Sonoros Meliantes" (Moisés Lopes, Margarida Leoni Peixoto, Trasgo Rinaldi, Rafael Ferrari y Bruno Alcalde) y danza, a cargo de los "Plato's boys" ( Daniel Bacchieri, Eduardo Steinmetz, Fabricio Gorziza, Fernando Zugno, Rafael Mentges y Vinicius Meneguzzi).
La puesta en escena de "Gorgias" es sobria, sin mayor escenografía, con predominio del diálogo y la razón; Sócrates joven (Marcelo Adams) es nuestro conocido, el irónico razonador que pone a sus amigos en aprietos hasta que confiesan el error; la escenificación de "El banquete", donde Sócrates es interpretado por Luiz Paulo Vasconcellos, contiene una expresiva escenografía, como siempre en las producciones de Luciano a cargo de Sylvia Moreira, un variado vestuario (Ro Cortiñas), música y canciones; su atmósfera es un tanto báquica, signada por el alcohol. La conjunción de ambos diálogos, con sus dos distintos estilos, sugiere poderosamente las dos partes en que, según Aristófanes, fue dividido el andrógino por decisión de Zeus, dos partes que buscan con vehemencia su reencuentro y su fusión.
Lo que antecede es sólo una reseña, muy incompleta, de la riqueza de este "Platao dois por um", que relanza sobre un escenario las luminosas ideas del filósofo, refractadas por la pluma de Schuler (y Lacan) hacia la mente de los espectadores. Allí anida en nuestro recuerdo, y promete renacer en nosotros con giros propios. Es un espectáculo extenso, con un breve intervalo entre las dos partes; como todas las producciones de Luciano, esta obra es tan clara y comprensible como lujosa y atrayente en su presentación, variada en sus tiempos pero de ritmo sostenido y reconocible. "Platao dois por um", pide un público adulto, que preste indeclinable atención; con seguridad una segunda y aún una tercera visita a estos jardines del filósofo permitirían descubrir más y mejor otras alusiones y otros significados.
Todos los actores merecen los mejores elogios, pero vimos destacarse las labores del joven Marcelo Adams, como el Sócrates de "Gorgias" que responde magistralmente a la idea del lector común sobre el empedernido razonador, pero que también interpreta al apasionado y ebrio Alcibíades en "El banquete" donde Sócrates es actuado por Luiz Paulo Vasconcellos, un Sócrates tal vez más sabio, más un hombre sensato que filósofo razonador. También debemos mencionar a Lutti Pereira como Eutidemo y Agatón y, al fin pero no la menor, Sandra Dani (en foto superior), que además mostró su competencia en el canto, como Diotima.
PLATAO DOIS EM UM ("GORGIAS, O DISCURSO SOBRE LA RETORICA Y "O BANQUETE"), adaptación de Donaldo Schuler. Con Marcelo Adams, Marcos Contreras, Lutti Pereira, Alexandre Magalhães e Silva, Fernando Zugno, Rafael Mentges, Fabrizio Gorziza, Vinicius Meneguzzi, Daniel Bacchieri, Eduardo Steinmetz, Lê Souza, Rodrigo Fiatt, Luiz Paulo Vasconcellos, Vika Schabbach, José Baldiserra, Carlos Cunha filho, Mauro Soares y Sandra Dani. "Plato's boys": Daniel Bacchieri, Eduardo Steinmetz, Fabrizio Gorziza, Fernando Zugno, Rafael Mentges y Vinicius Meneguzzi. "Sonoros Meliantes": Moysés Lopes, Margarida Leoni Peixoto, Rafael Ferrari y Bruno Alcalde. Escenografía de Sylvia Moreira, vestuario de Ro Cortinhas, iluminación de Claudia De Bem y Maurício Moura, dirección musical de Moysés Lopes, banda sonora y dirección de Luciano Alabarse. Teatro São Pedro, Porto Alegre.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Mais uma Sacra folia


quarta-feira, 15 de julho de 2009
Duas vezes em Gramado
Este ano, o Festival de Cinema de Gramado exibirá dois filmes que fiz, um longa e um curta-metragem. O longa é Quase um tango..., do diretor Sérgio Silva, que concorrerá na seleção principal de filmes nacionais, filmado em fevereiro de 2008. O curta é Palavra roubada, de Mirela Kruel, selecionado para a Mostra Gaúcha- Prêmio Assembleia Legislativa de Cinema, rodado em fevereiro de 2009. Ambos são filmes urbanos: o longa tem roteiro do próprio Sérgio, e nele interpreto um assaltante violento. O curta, onde interpreto João (por coincidência, um outro assaltante, o que "rouba" a palavra do título do filme - parece que estou me especializando em papéis de bandido!), tem argumento de Mirela, e teve seus diálogos criados pelos atores, durante o processo de ensaios. A imagem aí de cima mostra eu e Rodrigo Fiatt, numa locação próxima ao DC Navegantes. O longa, rodado em película, o curta em câmera digital. O longa com atores globais no elenco (Marcos Palmeira, Viviane Pasmanter), o curta tem apenas quatro atores, todos gaúchos (eu, Rodrigo Fiatt, Valéria Lima e Milton Mattos). Duas formas bem diferentes de fazer cinema, duas gerações de cineastas gaúchos. Vou tentar ir a Gramado, em agosto, para prestigiar as exibições no Palácio dos Festivais.
sábado, 11 de julho de 2009
Molière pelos pampas!
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Rir é o melhor negócio?

Na Zero Hora de hoje, o Segundo Caderno traz uma matéria que chama a atenção para o grande número de comédias que têm ocupado os palcos de Porto Alegre. Com o preciso título de "Rir é o melhor negócio", Renato Mendonça lembra de antigos sucessos locais do gênero, que ainda continuam suas carreiras comerciais, como Homens de perto, Tangos & tragédias, Se meu ponto G falasse..., e a chegada, nos últimos anos, de novos espetáculos que exploram o humor, como Primeiro as damas; os solos de Paulinho Mixaria, André Damasceno, Jair Kobe; e o espetáculo de improvisações e jogos Tá, e aí?!. Também fala do sucesso de Terça insana e similares, que vêm lotando teatros pelo Brasil.
Por que tantas comédias por aqui? Em 2008, com A comédia dos erros; em 2006, com Sonho de uma noite de verão; em 2005, com Dr. QS- Quriozas Qomédias (que não era apenas uma comédia, verdade seja dita); em 2004, com Mulheres à beira de um ataque de risos; em 2003, com O urso; enfim, esses são apenas algumas das peças que venceram o Prêmio Açorianos de Melhor Espetáculo em nossa cidade. Já no Oscar, é notória a preferência de dramas edificantes e/ou lacrimosos nas premiações principais. A grande maioria dos prêmios de melhor filme não são comédias.
Todos sabemos que uma comédia tem mais chance de atingir um público maior que um espetáculo com temática séria. Não vou falar de exceções, como as tragédias de Luciano Alabarse, e outras montagens com diferentes níveis de densidade dramática. Nós, que praticamos o teatro como meio de vida, percebemos que, quando queremos montar algo que não faça rir, teremos dificuldades em tirar as pessoas de casa: "Será que vai ter público?", é a pergunta que fazemos quando nos decidimos por um novo projeto.
Esclareço que, em minha opinião, a comédia pode ser tão ou mais densa que a tragédia. Já escrevi aqui que a reflexão que o riso pode causar muitas vezes é superior em eficácia, além do prazer catártico da gargalhada. Eu e a Margarida, na Cia. de Teatro ao Quadrado, já montamos seis espetáculos profissionais, e todos os seis eram ou utilizavam fartamente recursos da comédia em sua estrutura. Alguns desses espetáculos não tiveram um bom público, o que prova que a comédia também, dependendo da temática, sofre do mesmo mal da escassez de espectadores (em nosso caso, Sofá, uma comédia picante, de 2005, e Burgueses pequenos, de 2007, textos brilhantes de Marco Antonio de la Parra e Vaclav Havel, ambos, na ocasião, inéditos no Brasil). No entanto, eu e ela temos uma preferência estética pelo humor como agitador cultural. Gostamos do efeito de integração que o riso provoca entre palco e plateia.
Para não ficar muito longo o assunto, que continuarei em outro texto, quero lançar a questão: o que faz a comédia ter tanto prestígio por aqui? E, mais especificamente, alguns tipos de comédia?
domingo, 5 de julho de 2009
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Primeiro as damas
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Pão com linguiça
Essa imagem foi feita na Vila Chocolatão, à qual me referi alguns posts abaixo.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Desejo e perigo

É muito salutar a integração de diretores não norte-americanos à indústria de cinema de Hollywood. Os exemplos são inúmeros, e remontam aos primórdios da sétima arte. Começando pelos alemães expressionistas como Fritz Lang, Ernst Lubisch e Erich von Stroheim, que escreveram a cartilha do que seria o film noir, passando pelos ingleses, que sempre deram um sopro de qualidade e inovação à cinematografia norte-americana, como Alfred Hitchcock, David Lean e Ridley Scott. Nas últimas décadas, a variedade de nacionalidades desses grandes contribuidores se alargou. Houve promessas não cumpridas, como John Woo, incensado como o novo paradigma para os filmes de ação. Há, porém, Ang Lee, esse sim, um cineasta acima de qualquer suspeita. Filmes como Banquete de casamento (1993) e Comer, beber, viver (1994), ambos indicados ao Oscar de filme estrangeiro, chamaram a atenção de Hollywood, e lá se foi Lee tentar fazer arte sob pressão. Nos entregou uma pequena obra-prima, pouquíssimo conhecida, infelizmente: Tempestade de gelo, de 1997. Com Sigourney Weaver e Kevin Kline protagonizando, contava ainda com Cristina Ricci e Tobey Maguire no elenco. A história retratava a vida de uma típica família de classe média americana, antecipando a acidez que Sam Mendes utilizaria em seu Beleza americana (1999). Antes de The ice storm, Lee já produzira um sucesso ao gosto do freguês, Razão e sensibilidade (1995), bela adaptação do romance de Jane Austen. O tigre e o dragão (2000) foi o estouro que faltava na carreira de Lee, uma junção de artes marciais com romance, sucesso de bilheteria em todo o mundo. Depois de ter dirigido um surpreendente Hulk, em 2003, vem o mais famoso dos filmes dele, O segredo de Brokeback mountain (2005), uma comovente história de amor impossível entre dois homens, protagonizada pelo falecido Heath Ledger. Ang Lee nos apresenta agora seu novo filme, Desejo e perigo, vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza, de 2007. Com produção chinesa, e contando uma história de amor, traição e espionagem, é mais um exemplo do brilho deste cineasta, que tem uma sensibilidade fantástica e consegue traduzir em imagens belíssimas seus roteiros. Na China da Segunda Guerra Mundial, dominada pelo Japão, uma aspirante a atriz é incumbida de seduzir um dos líderes do país invadido, mas que se opõe à Resistência, ficando do lado dos invasores. A relação entre esses dois personagens vai além do aconselhável, e institui-se então o impasse que o título menciona: desejo = perigo. O novo filme de Ang Lee, apresentado no último Festival de Cannes, chegará ao Brasil em setembro: Taking Woodstock, novamente uma produção norte-americana, falando daquele que é considerado o maior festival de música de todos os tempos, em sua importância para a cultura e para a música em si.
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