O homem e a mancha

O homem e a mancha

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A fita branca

Na edição de hoje da Zero Hora, Luís Augusto Fischer escreveu uma crônica sobre o filme A fita branca, produção austríaca de 2009, dirigida por Michael Haneke, e vencedora da Palma de Ouro em Cannes. O Fischer não gostou muito do filme, e lista uma série de motivos para isso, chegando a sugerir que não fica clara a tese de que a violência, quando faz parte da criação de uma criança, interfere em sua formação.
O filme tem lugar entre os anos de 1913 e 1914, pouco antes da Primeira Guerra Mundial, e acompanha o dia a dia de uma pequena aldeia austríaca, que vive à maneira feudal, ou seja, uma série de empregados trabalham fundamentalmente na propriedade do nobre da região - neste caso, um Barão. Quando estranhos acidentes começam a acontecer, sem que se saibam as causas e igualmente sem testemunhas, nós, os espectadores, começamos a imaginar que algo se move debaixo da capa de estabilidade e felicidade rural.
É um filme extremamente duro em sua narrativa, que expõe as maiores atrocidades de forma quase distante - o que só nos traz mais perto da força do filme. Sem ser um documentário, Haneke filma com imparcialidade e extrema beleza plástica as crueldades, maldades e intransigências dos habitantes da aldeia. O tratamento imposto pelos adultos às crianças é impressionante, com absoluta ausência de afeto. A tese que o diretor nos faz deglutir é a de que aquele tratamento militarizado teria sido uma das razões para o surgimento do nazismo na Alemanha e na Áustria. A impiedosidade das ações, a ordem colocada acima dos sentimentos, seriam características desse povo germânico, que depois ficaria hipnotizado pela figura de Hitler e suas intenções de limpeza e dominação do mundo.
Haneke é sem dúvida um dos diretores mais importantes do cinema contemporâneo, e seus filmes são sempre obras-primas que nos deixam estarrecidos. Funny games, A professora de piano, Caché, Código desconhecido são alguns de seus surpreendentes filmes. A fita branca é um cinema superior, inesquecível, rigoroso, perfeito tecnicamente, imperdível. Os atores são todos irrepreensíveis, com destaque para as crianças.

Um comentário:

  1. Esse é um dos que eu baixei em alta qualidade e só tô esperando um tempinho para assistir com calma.

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