O homem e a mancha

O homem e a mancha

terça-feira, 18 de agosto de 2009

"Pára, ilusão!"

A frase que dá título a este post é de Hamlet, ato I, cena 1, dita ao Espectro do falecido rei Hamlet, que assombra as madrugadas do Castelo de Elsinore. Shakespeare colocou na boca de Horácio essa exclamação, que trago para a experiência que vivi na semana passada, durante o Festival de Cinema de Gramado. A foto acima, clicada pelo meu amigo José Nasr, me flagra na Villa de Caras (sim, a revista cafona), em um almoço cercado por celebridades mais fantasmagóricas que o falecido rei dinamarquês. Obviamente minha postura é de total deboche na foto, procurando reproduzir a artificial alegria de viver e ser bonito, em um ambiente no qual vale mais quem mais parece blasé. É claro que eu já sabia, teoricamente, da necessidade que as pessoas têm de aparecerem na mídia e parecerem bem-sucedidas. Revistas como Caras, que vivem de mostrar ilusoriamente a vida de pretensas celebridades, são avidamente consumidas por pessoas que alimentam essa idealização. Pela primeira vez, no entanto, pude perceber de perto o que é o mundo vazio das celebridades. Irritante, tanto quanto as histéricas mulheres (e homens) que destroem suas pregas vocais gritando para seres como Max (ex-BBB) e Flávio (ex-BBB). É tão evidente, mas mesmo assim vou perguntar: o que fizeram essas criaturas, além de terem suas vidas expostas na tv? Um açougue perfumado com Lancôme, Chanel, Carolina Herrera. Essa é a atmosfera que respirei.

2 comentários:

  1. E conseguiste respirar?
    Pior do que ser contaminado pela Gripe A é ter que aturar no mesmo ambiente essas BBB figuras.
    Mas que a Foto Caras ficou legal, ficou.
    Abraço.

    ResponderExcluir