Marcelo Ádams

quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Pão com linguiça no Caxias em Cena
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Mães e sogras
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Brüno

terça-feira, 18 de agosto de 2009
"Pára, ilusão!"
domingo, 16 de agosto de 2009
Um avarento

Pois bem, assistindo a O avarento, reforcei minha opinião de que a comédia, exceto prova em contrário (e ainda mais as clássicas), necessitam de um ritmo levemente acelerado para alcançar seus objetivos, dos quais imagino que um deles seja o de fazer rir. E esse levemente acelerado por vezes deve ser "bastante" acelerado, para que a sequência de surpresas e ações propostas não permitam ao espectador momentos de desinteresse. Claro que teoria e prática nem sempre caminham juntas: o que sabemos ou acreditamos ser o melhor, por vezes não é alcançado concretamente.
O que percebi na montagem de Gilberto Fonseca, claramente empenhado nesse projeto, é uma falta ainda de timing, para que a peça fique redondinha, como se diz. O próprio Gilberto, quando assistiu o nosso O médico à força, no dia da estreia, comentou coisas que outros espectadores, tão capacitados quanto ele, discordaram. É por isso que atribuo à recente estreia à oscilação de ritmo que dá algumas barrigas para o espetáculo do Grupo Farsa. Os atores conhecia dos palcos a quase todos: Elison Couto, o protagonista, ainda se ressente de um pouco de insegurança com o texto, em alguns momentos. Sinto falta de um pouco mais de "energia", termo abstrato, que nós do teatro conhecemos bem. Só espero isso de Elison porque sei onde ele pode chegar, haja vista à montagem de O urso, de 2003. E um protagonista de Molière é sempre um grande desafio, já que o próprio escrevia para si os melhores papeis. Falta um pouco de avareza no avarento, mais repugnância, que, quando aparece, é muito boa. Lúcia Bendati é minha colega de palco há mais de dez anos (tudo isso!), e sempre gosto de vê-la em cena. Desta vez não é diferente: Frosina é deliciosa, e Lucinha está com um timing muito legal, que dinamiza e surpreende. Zé Mario Storino conheço desde 1993, quando assisti Romeu e Julieta (que a Margarida também fazia). Zé Mario tem facilidade com os tipos, e dá o tom de farsa que a comédia pede, sendo bastante divertido. Dá para ver que ele ainda vai crescer muito, superadas pequenas imprecisões. Lucas Krug, João Madureira, Marcos Chaves, Daiane Oliveira e Ariane Guerra: todos empenhados e prontos para crescer em desempenho. No Marcos, algumas dificuldades de dicção; no Lucas, um pouquinho de "moleza" às vezes: mas tudo efeito da pouca carreira do espetáculo.
Duas coisas me chamaram a atenção: a seriedade dos atores, sentados em bancos ao redor da área de atuação, não é benéfica para o espetáculo. Talvez um sorriso, um envolvimento maior com a cena, estimulasse os colegas e o público. Parecia que os atores, fora de cena, estavam angustiados e sofrendo com o desenvolvimento da peça. Outra coisa: a ideia do tapete à la Peter Brook, como demarcador da área de atuação, é bacana, mas não entendo o que é aquele - desculpe a expressão, mas é o que pareceu, da plateia - "amontoado" no fundo do palco. A todo momento eu esperava que aquele volume fosse trazido mais para a frente, e contivesse alguma ação nele embutida. Da mesma forma o lustre, tão ao fundo, não é valorizado como poderia: está mal resolvido e mal colocado em cena. Os figurinos de Daniel Lion são bons como sempre (apenas acho que se as cores dos vestidos das personagens da Ariane e da Daiane fossem mais diferentes uma da outra, seria mais bonito).
Muito legal a sacada de transformar em musical edulcorado a série de revelações ao final da peça (como é típico em Molière, Shakespeare, etc.). Mas senti falta dessa ousadia durante o restante da peça, que por vezes se arrasta com longos textos com pouco riso. A música, bem composta, no entanto parece inadequada em alguns momentos (será que pela escolha do arranjo? O Marcos pode responder isso!). O mais legal é que todos cantam muito bem, afinados. É sempre bonito ver música bem executada em cena. Enriquece muito o espetáculo.
Parabéns ao grupo pela montagem. O que escrevo aqui é fruto de meu amor pela comédia (que será tema do meu Doutorado, a partir do ano que vem) e por Molière. Parabenizo o esforço e a persistência em montar esse texto: tenho certeza de que tudo que ainda está verde amadurecerá e florescerá.
Festival de Gramado: Gigante

O filme é uma história de amor, como definiu o ator Horacio Camandula (na foto acima), que protagoniza de maneira impecável essa pequena grande película. Vencedor de três prêmios no Festival de Berlim deste ano, entre eles o Grande Prêmio do Júri e o Melhor Filme de Diretor Estreante, Gigante mostra a crescente obsessão que um vigia de um hipermercado nutre por uma funcionária da limpeza. Ambos trabalham de madrugada, e o grandalhão do título observa, através de um circuito interno de tv, aquela que se torna seu alvo amoroso. Sem jamais se revelar, o gigante passa a seguir a moça, fazendo com que ações surpreendentes se sucedam. Com grande economia de palavras, as imagens do filme são mais do que suficientes para nos fascinar. Além de tudo uma metáfora do próprio cinema, o filme presta uma homenagem (não sei se intencional, pois esta é uma opinião minha) à obra-prima Um corpo que cai (1958), de Alfred Hitchcock.
Camandula dividiu o kikito de Melhor Ator com o ator colombiano Matías Maldonado, do filme Nochebuena, mas acho que merecia levar o prêmio sozinho. Uma das grandes vantagens de passar uma semana inteira no festival, vendo tudo, é que temos contato com muita gente de cinema. Tive a oportunidade de conversar com os dois atores premiados, à beira da lareira do Hotel Serra Azul, ou no saguão. Gente finíssima. O uruguaio, inclusive, surpreende por tamanha adequação ao papel (além de ser muito alto, quase 2m, e "gordinho"), pois trata-se de seu primeiro filme de longa metragem, ele que é professor do ensino primário no Uruguai. Espero que Gigante estreie logo por aqui, para que todos possam ver como é possível fazer um lindo filme, simplíssimo, com baixo orçamento, mas tão envolvente e eficiente.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Festival de Gramado: Groelândia

O melhor filme que assiti em todos esses dias de festival (já estou aqui desde domingo, e assisti longas brasileiros, latino-americanos, curtas nacionais e gaúchos) foi o curta-metragem gaúcho Groelândia, que concorria na Mostra Gaúcha, cujo resultado das premiações foi divulgado nesta quinta à noite. Sou muito sensível à arte, no sentido de que me comovo com muita facilidade quando vejo coisas belas. E quando digo que me comovo às lágrimas, isso acontece não apenas com histórias tristes, mas também as alegres. O que me emociona é a beleza, é a precisão, é a medida exata, é a transcendência de uma imagem, ou de uma palavra, isso em cinema, teatro, música, literatura e artes plásticas. Eventualmente, até a publicidade me faz chorar (não aquele choro de "é ruim que dói!").
Groelândia (assim mesmo, sem o "n" entre o "e" e o "l") é um curta dirigido por Rafael Figueiredo, acredito que porto-alegrense. Em cerca de 18 minutos, narra a história de uma mãe e um filho. É isso, simples. Mas a relação entre eles foi tão arrebatadora para mim, que ao final eu chorava, me segurando para não soluçar. Liane Venturella faz a mãe, Celso Zanini o filho. Os últimos quatro minutos do curta são uma das coisas mais emocionantes que já vi, e ao escrever este texto, me arrepio lembrando. Pode ser que o filme tenha me tocado mais do que a outras pessoas (haja visto que ele não recebeu nenhum prêmio, que foram, em sua maioria para o interessante Sobre um dia qualquer), mas é inegável que Liane cria uma figura inesquecível. Tenho que encontrar com ela e dizer pessoalmente o quanto ela me emocionou. Não preciso fazer aqui uma descrição das ações do filme, em forma de sinopse. Ele reproduz as dificuldades de relacionamento entre duas pessoas, uma das histórias mais contadas em inúmeros filmes. Mas este é especial.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Festival de Gramado- Canção de Baal
Eu aqui em Gramado, no Festival de Cinema, onde estou com dois filmes concorrendo, um longa e um curta. Tenho assistido a tudo que posso, e o longa de ontem à noite, Canção de Baal, de Helena Ignez, foi uma decepção. Concorrente da mostra oficial de longas brasileiros, eu não usaria nenhuma expressão exceto "bobagem pretensiosa" para classificar esse filme. Pretensamente inspirado na peça Baal, de Bertolt Brecht, escrita em 1919, e que é considerado um texto de sua fase inicial, expressionista, o longa tem uma sequência de cenas quase sempre desconexas e querendo ser avant garde, onde interpretações de atores nem sempre adequadas, uma fotografia metida a besta e um protagonista (Carlos Qareca) querendo ser Tom Waits, não ajudam em nada. Helena Ignez, viúva do cineasta Rogério Sganzerla, quis ser Júlio Bressane e Glauber Rocha, com seus delírios visuais dos anos 1960 e 70, mas não conseguiu. O filme soa ingênuo, justamente em sua tentativa de ser moderno (só que uma modernidade de no mínimo 40 anos). É uma pena ver grandes atrizes como Beth Goulart e Simone Spoladore embarcando nessa roubada, de cabeça. Sem querer puxar a brasa pro meu filme, Quase um tango..., nós damos de goleada.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Novo curso de teatro

"A atriz e diretora Margarida Leoni Peixoto está iniciando um novo curso de teatro com montagem de espetáculo. Como vem acontecendo, o texto dramático utilizado será escrito especialmente para os alunos, de acordo com o perfil de cada um, pelo ator, diretor e dramaturgo Marcelo Adams
(O médico à força, Édipo, Goela abaixo).
A ênfase principal do curso, que têm a duração de quatro meses, é a experienciação do aluno na construção de um espetáculo de teatro de nível profissional, desde sua gênese (definição e construção do texto, construção de personagem, criação de figurinos, cenário, maquiagem, trilha sonora, etc.) até a etapa de produção e apresentação do trabalho.
Serão desenvolvidas, ainda, técnicas de interpretação, improvisação, expressão corporal, expressão vocal, e de outros elementos que compõem
o espetáculo teatral.
Início em 17 de agosto
segundas e quartas,
das 19h às 21h45min
Mensalidade:
Alunos novos: R$ 150
Alunos antigos: R$ 100
O espetáculo resultante do curso
fará apresentações em dezembro,
no Teatro da Cia. de Arte.
Local: Centro Cultural da Cia. de Arte (Andradas, 1780) - Porto Alegre
Idade mínima: 14 anos.
Margarida Leoni Peixoto ministra oficinas de montagem na Cia. de Arte e cursos de interpretação e expressão corporal na agência Ford Models/Sul.
É formada em Artes Cênicas- Direção teatral pela UFRGS.
Vencedora do Prêmio Açorianos de Teatro de
Melhor Atriz Coadjuvante em 2006 por Hamlet.
Vencedora do Prêmio Tibicuera de Teatro Infantil de
Melhor Atriz Coadjuvante em 2005 por Locomoc e Millipilli.
Dirigiu peças como O médico à força, Escola de mulheres,
Sofá, uma comédia picante e
A secreta obscenidade de cada dia.
Entre os espetáculos que participou como atriz estão
Burgueses pequenos, Hotel Rosa-Flor, Hamlet,
Goela abaixo ou Por que tu não bebes?,
Locomoc e Millipilli, Romeu e Julieta e
As traças da paixão.
Tem também em seu currículo várias campanhas publicitárias
e participações em filmes como
Quase um tango..., Saneamento básico- O filme, O homem que copiava,
Mãe monstro e Noite de São João."
Informações: (51) 3225-9189 ou 9911-6831
e pelo e-mail margaridalp@terra.com.br
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Celebridades

A partir daí, Gladys é convidada a ser capa de várias revistas, dá uma série de entrevistas e...por que? Ninguém sabe, a única certeza é de que a moça é famosa, e deve ter coisas interessantes a dizer. Ela, provavelmente, está uns degraus acima de nós, simples mortais.
O outro filme é Inimigos públicos (Public enemies, 2009), de Michael Mann, com Johnny Depp e Marion Cotillard. Desta vez o filme é inspirado na vida real do gângster John Dillinger, que esculhambou a polícia norte-americana e foi um dos motivos para a criação do FBI, por volta de 1933. Dillinger rouba bancos e trens, e é adorado pela população, ainda sofrendo da terrível recessão provocada pelo crash da Bolsa de Valores, em 1929. Era a época áurea dos gângsters, espécies de Robin Hoods (pela ótica do povo), que roubavam dos ricos e...ficavam eles mesmos com o dinheiro. No entanto, havia uma certa vingança em roubar dos bancos, e as classes baixas se contentavam com a velha máxima egoísta de "se eu não posso ter, você também não terá". Outros como Dillinger fizeram escola, os mais notórios são Bonnie Parker e Clyde Barrow, retratados no cinema no brilhante Bonnie & Clyde- Uma rajada de balas (Bonnie & Clyde, 1967), com Warren Beatty e Faye Dunaway vivendo o casal de assaltantes que percorre a América, morrendo heroicamente em fuga.
Esses filmes mostram que o gosto popular tem mistérios que a própria razão desconhece. Justifica-se, de certo modo, a adoração desses bandidos nos anos 1930, em meio a uma terrível crise financeira. Não é o que acontece, em certa medida, nas favelas brasileiras, quando o assistencialismo de traficantes conquista a admiração do povo? Já no filme de Cukor, a notoriedade que Gladys ganha é totalmente artificial. É exatamente o que acontece com todas essas pessoas famosas fabricadas, cujos exemplos mais do que criticados são os particiantes de reality shows. Isso será fruto de que? Da ignorância da população? Da necessidade, inerente ao Homem, de fabricar ídolos para adorá-los? Parece que a religião é - me perdoem os não-agnósticos - feita para dar conforto aos que não conseguem conviver com a ideia de que estão sozinhos no mundo, contando apenas com outros iguais a ele, sem o salvo-conduto de um ser sobrenatural.
Nos próximos dias estarei no Festival de Gramado, e vou poder assistir de perto a esse fenômeno: as histéricas manifestações dos fãs que gritam aos que percorrem o tapete vermelho, na entrada do Palácio dos Festivais. Não é necessário saber quem é aquele cara, ou aquela moça, basta que esteja caminhando no tapete vermelho. "Quem é?", "Não sei, mas deve ser famoso!".
Assinar:
Postagens (Atom)