O homem e a mancha

O homem e a mancha

quarta-feira, 25 de junho de 2014

A VERTIGEM DOS ANIMAIS ANTES DO ABATE: UMA HISTÓRIA

Tudo começou com um livrinho atravessando o Oceano Atlântico por avião. Tenho costume de importar livros, aqueles que não foram lançados no Brasil (e são muitos!), sejam de teoria teatral, sejam de dramaturgia, assuntos que me interessam muito. De Portugal, vieram várias edições que compõem minha biblioteca, entre eles um pequeno exemplar com algumas peças de um autor grego, Dimítris Dimitriádis, nunca encenado no Brasil, apesar de muito conceituado em toda a Europa. O livrinho ficou na minha estante por meses, até que chegasse a vez dele ser lido (sempre há outros na fila).
Li de uma única sentada todas as peças, entre elas, A vertigem dos animais antes do abate. O título já me instigou, desde o começo. Mas absorvendo a situação dramática proposta pelo autor, fui ficando mais e mais abalado: pela crueza da linguagem, pela ousadia da temática, pelas possibilidades cênicas que me vinham à mente. Decidi na hora em que li a última frase: eu precisava ver essa peça encenada. E mais, eu precisava FAZER essa peça. E foi assim que surgiu o impulso inicial para o nosso novo espetáculo, que estreará no dia 3 de julho, no Theatro São Pedro. Surgiu como uma descarga elétrica, que me fez imediatamente pensar no Luciano Alabarse, parceiro de várias outras montagens, para encená-la. Mostrei a peça ao Luciano e o resultado está aí: também ele se contaminou com o texto. A Margarida uniu-se ao Luciano na direção, arregimentamos um grupo de atores que faziam sentido para essa vertigem e...voilà.
É um espetáculo que vai na contramão do que tem se feito em Porto Alegre, tenho convicção disso. A virulência e a violência jorram da cena, o estranhamento e o identificável se sucedem, se mesclam. Todos os atores estão apaixonados por esse momento teatral que estamos vivendo. E esperamos que os espectadores também se deixem levar nessa voragem. O Minotauro espreita nossas ações, em um labirinto psicanalítico.
De 3 a 6 e de 9 a 13 de julho, no Theatro São Pedro.
Com Marcelo Ádams, Ida Celina, Gustavo Susin, Áurea Baptista, Elison Couto, Pingo Alabarce, Mauro Soares, Plínio Marcos Rodrigues, Alexandre Magalhães e Silva, Muni e Everton Rodrigues
Direção de Luciano Alabarse e Margarida Peixoto

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