O homem e a mancha

O homem e a mancha

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Premiações

My house, Troféu Açorianos de dança de Melhor Espetáculo



Arca de Noé, Troféu Tibicuera de Teatro Infantil de Melhor Espetáculo


O amargo santo da purificação, Troféu Açorianos de Teatro de Melhor Espetáculo

Há alguns dias foram divulgados os vencedores dos prêmios Açorianos de Teatro e Dança, sem dúvida as mais importantes láureas do teatro gaúcho, apesar de restringirem-se às produções porto-alegrenses. Essa limitação explica-se pela inegável superioridade técnica e quantidade de espetáculos produzidos na capital, colocando as produções sediadas em nossa cidade como as mais bem acabadas (com isso não quero menosprezar as produções do interior do RS, que isso fique bem claro: apenas salientar que em Porto Alegre as dificuldades são menores que por lá).
Em relação aos prêmios aos melhores de 2009, alguns paradigmas foram quebrados, certamente em benefício de nossas artes cênicas: pela primeira vez, um espetáculo de street dance, My house, foi escolhido como o melhor de uma edição. Outro ineditismo: pela primeira vez, um espetáculo de teatro de rua não só foi indicado a Melhor Espetáculo, como escolhido o melhor. Falo de O amargo santo da purificação, do Ói Nóis Aqui Traveiz.
Em relação ao Tibicuera, do qual fiz parte do júri, juntamente com Caio Prates, Hélio Barcellos Jr., Jeffie Lopes e Rodrigo Marquez, gostaria de comentar uma observação que li no blog do Teatro Sarcaústico: a de que a pulverização dos troféus Tibicuera entre vários espetáculos, fazendo com que nenhum dos concorrentes recebesse mais do que dois troféus (Herlói, o herói: Melhor Direção (Raquel Grabauska) e Melhor Dramaturgia (Gustavo Finkler); e Chapeuzinho amarelo: Melhor Ator Coadjuvante (Thiago Prade) e Melhor Iluminação (Anílton Souza)) seria "democrático". Acredito que a intenção tenha sido dizer que fomos "politicamente corretos" ou pouco ousados ao "agradar gregos e troianos", distribuindo troféus a todos. Isso realmente não aconteceu, nem de longe: como os jurados têm autonomia total para escolher os vencedores, dentro de critérios bem embasados e discutidos por todos, a única explicação correta para essa premiação multiplicadora é a de que, em 2009, não houve um espetáculo que contemplasse todas as categorias em excelência, restando ao júri premiar aqueles profissionais que se destacaram positivamente em cada uma delas. Politicamente correto, talvez, seria eleger um único espetáculo e multi premiá-lo, para que se pudesse alardear que a noite teve um "grande vencedor". Isso é síndrome de Oscar. Os grandes vencedores são aqueles que fazem brilhar o seu talento, mesmo dentro de produções que, por vezes, deixam a desejar em outros aspectos. Nesse sentido, fomos democráticos, sim, mas não com a conotação do Daniel: fomos democráticos porque respeitamos apenas as nossas consciências e discussões para chegar às decisões tomadas.
Sou um entusiasta do Açorianos e Tibicuera, e talvez por isso mesmo eu tenha sido convidado pela CAC para continuar jurado em 2010. Fiquei muito feliz com a confiança em mim depositada, e nesse ano vou me esforçar ainda mais para ser justo e corresponder à responsabilidade recebida.

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