O homem e a mancha

O homem e a mancha

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Terrence Malick: um cinema além de padrões

O cineasta norte-americano Terrence Malick (1943) dirigiu seu primeiro longa metragem em 1973 (Terra de ninguém). Cinzas no paraíso (1978), Além da linha vermelha (1998), O novo mundo (2005) e A árvore da vida (2011) completam sua filmografia: sim ele dirigiu apenas cinco filmes em quase 40 anos. Essa pequena mas importante produção demonstra que Malick não se deixa seduzir pelo sonho hollywoodiano, seus filmes são obras frequentemente enigmáticas (não no estilo David Lynch, fique claro), que talvez possam ser descritos como ensaios poético-visuais. Não há muito diálogo entre as personagens, mas narrações em off que dão conta muito mais de considerações filosóficas do que esclarecer o que se vê na tela. A última produção de Malick, A árvore da vida, recebeu a Palma de Ouro de Melhor Filme em Cannes, e tem no elenco os astros Brad Pitt e Sean Penn. Mas não espere um filme convencional, como os que Pitt e Penn fazem normalmente. A árvore da vida é um filme de imagens belíssimas, e com um andamento lento que incomoda algumas pessoas. Concordo que é preciso, de alguma forma, se identificar com a temática predominante do filme (a relação entre um pai e um filho pré-adolescente, no Texas dos anos 1950), ou se deixar encantar pela longa sequência em que é reproduzido o Big Bang, o evento que teria dado origem ao universo, e o processo de bilhões de anos que se seguiu, até o surgimento da vida na Terra (dinossauros, especialmente). Mas o longa de Malick é cinema puro, com tudo aquilo que é próprio da linguagem cinematográfica em sua exuberância: a montagem, a fotografia, o uso da trilha sonora, etc.

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