O homem e a mancha

O homem e a mancha

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A LIÇÃO sai de cena

A CIA. DE TEATRO AO QUADRADO existe desde 2002, quando eu e a Margarida resolvemos produzir nossos próprios espetáculos, sem depender apenas de convites para participar de produções encabeçadas por outros encenadores. É claro que continuamos aceitando convites de fora, com muito prazer (trabalhamos, nesse período, em peças dirigidas por nomes como Luciano Alabarse, Decio Antunes, Élcio Rossini, Júlio Conte, Roberto Oliveira, Bob Bahlis, Luciana Éboli), mas quando se tem autonomia para escolher do que se quer falar sobre o palco, a satisfação é diferente, é como nutrir desde a gestação um filho que nasce um dia. Dos oito espetáculos que já montamos (A secreta obscenidade de cada dia, Escola de mulheres, Goela abaixo ou Por que tu não bebes?, Sofá, Burgueses pequenos, O médico à força, Mães & Sogras e A lição), não hesito em afirmar que A LIÇÃO foi um dos trabalhos mais importantes, pois levou às últimas consequências nossas convicções artísticas, provocando reações que iam desde a aclamação absoluta até a negação por parte daqueles que não suportavam ver-se confrontados com a realidade escancarada de forma tão crua em cena.
Para nós, eu e Margarida, a arte não pode ser apenas cômoda, ela deve, quando necessário, incomodar, provocar, polemizar, estranhar, fazer refletir. Não seguir manuais que roteirizam a forma como o teatro deve ser feito: essa é uma mentalidade tacanha, típica de quem fica passado com o tempo. Basta olhar para a história do teatro, e dar-se conta de que as maiores transformações na arte  (que depois seriam absorvidas pelo senso comum) sempre acontecem a partir do choque do inusitado. Quando isso acontece, a arte "estabelecida", "confortável", fica incomodada e abre o berreiro. Lembre-se que a arte dita "avançada" que é feita hoje em dia, dentro de alguns anos será também absorvida pelo grande público, num processo eterno e interminável. É assim, sempre será.
A LIÇÃO nos deu muita satisfação, muitas alegrias, e encerramos a temporada de 35 espetáculos no Teatro de Arena com a sensação de termos contribuído, sinceramente, com o estabelecimento e a grandeza do teatro que se faz em Porto Alegre, que hoje vive uma fase de excelente qualidade.
Como somos, antes de tudo, artistas, portanto incansáveis, eu e Margarida já pensamos em próximos projetos, outras vias de expressão em teatro. As dificuldades, que existem para todos que exercem essa profissão, não são suficientes para nós tirar do caminho que acreditamos ser justo, ético, honesto e sério.
Até a próxima estreia!

2 comentários:

  1. Este gesto de inquietude, de ousadia e de ação provocativa marca a força deste trabalho.
    A arte contemporânea vive de provocações
    Parabéns M & M
    Abs
    Júlio

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  2. Sinto e respiro o mesmo.

    grande momento da arte em porto alegre.

    vamos mexer, remexer, quebrar, requebrar, errar e vomitar.
    pra mim teatro é essa explosão de inquietação e incômodos!
    Parabéns pra vocês!
    beijo

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