O homem e a mancha

O homem e a mancha

quinta-feira, 24 de junho de 2010

200ª postagem

Étienne Decroux (1898-1991) foi um grande ator e mímico francês, criador da técnica da Mímica Corporal, e que escreve em seu livro Paroles sur le mime (1963):
quanto menos técnica se possui, mais ela aparece.
Essa frase paradoxal parece resumir bem a humildade necessária ao artista. Mais que necessária, acho indispensável. Quantas vezes já não vimos intérpretes pavoneando-se, soterrados em suas carreiras de pretensos êxitos, sufocados pela crença de possuírem uma técnica infalível e insuperável. Exibicionistas que não compreendem alguns pressupostos básicos do fazer teatral. Quanto mais se procura afirmar a perfeição, mais ela escapa entre os dedos; quanto mais nos convencemos de que somos eternos aprendizes, mais nos direcionamos para a perfeição, conceitualmente inatingível, mas que nem por isso deve deixar de ser perseguida. Sócrates, alguns séculos antes de Cristo, afirmou "só sei que nada sei". Sintética e exemplar afirmação.

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