O homem e a mancha

O homem e a mancha

quarta-feira, 4 de março de 2009

Cinema, teatro...


O comentário que a Helena Mello fez ao meu post anterior me deu vontade de falar mais sobre isso. A questão que surgiu é que, para Helena, o espectador tem mais chance de sair com alguma coisa quando vai ao cinema, e menos quando vai ao teatro. Primeiramente, quero dizer que o cinema, como técnica industrial, pode ser comparado com o teatro, uma técnica artesanal, em pontos limitados. Certo, as duas linguagens se prestam à narrativa. Sim, as duas linguagens fazem uso de atores, em maior ou menor volume. Mas podemos dizer também que as origens do cinema e do teatro, filosoficamente falando, são diferentes. O teatro surgiu do ritual, da congregação de pessoas em uma comunidade, que utilizavam a representação para homenagear ou chegar mais perto dos deuses. O cinema, surgiu da fotografia e, lá no século XIX, o conceito de fotografia era documental, ou seja, servia para registrar um momento histórico. O cinema também, em seus primórdios, capturava a ação do cotidiano, e isso era mágico. Os experimentos posteriores de Mèlies, com suas histórias fantásticas e efeitos visuais assombrosos para as plateias da época reproduziam o entretenimento típico dos circos ou das feéries.
Concordo que o cinema tem um arsenal muito mais sedutor para envolver o indivíduo. As dimensões de uma tela de cinema não podem competir com um ator em um palco. No entanto, um projetor não respira, não sua. O ator sim. Eu, também, me emociono às lágrimas com muito mais frequência no cinema que no teatro. Mas é porque vou mais ao cinema que ao teatro, até por falta de opções. Creio que o que me apaixona no teatro é a fragilidade da arte, o efêmero de algo que tem tudo para dar errado, tem tudo para deixar de existir, mas continua existindo. E por força dos abnegados, em todo o mundo, que seguem acreditando nisso. As gerações se sucedem, as tecnologias se superam, e o teatro, como impulso primevo do homem, não morre. E não morrerá, tenho certeza.

2 comentários:

  1. Bem, antes de mais nada preciso te dizer que fico orgulhosa por eu ter te instigado mais sobre este tema. Acho que tu já sabes da minha paixão pelo teatro, pelas pessoas que fazem teatro e da minha admiração específica pelo teu trabalho. Espero JAMAIS ter que escolher entre uma arte e outra. Uma das razões da minha pesquisa ligar o teatro ao mundo digital é querer que ele siga existindo das mais diversas formas. Vida longa ao teatro!

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  2. Marcelo, finalmente alguém disse o que eu não conseguia dizer, o que eu sentia, mas não pensava o suficiente para botar em palavras. É isso. É isso tudo que me faz ir muito mais ato teatro do qeu ao cinema: a fragilidade.

    Uma coisa acho interessante complementar: na barafunda do CNPQ, teatro está como ARTE. Cinema como COMUNICAÇÃO.

    Vale uma discussão isso.

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