O homem e a mancha

O homem e a mancha

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Azul é a cor mais quente

Um filme excepcional, vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cinema de Cannes 2013 nas categorias Diretor (o tunisiano Abdellatif Kechiche) e Atriz (Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux: pela primeira vez na história do festival, o prêmio de atuação foi dividido). Em quase três horas de projeção, Azul é a cor mais quente, inspirado livremente na graphic novel homônima da francesa Julie Maroh nos proporciona um encantador mergulho no amadurecimento de uma jovem de 17 anos (Adèle), que se descobre atraída por meninas após uma primeira relação sexual não muito satisfatória com um rapaz. Sua experiência com uma garota a faz se apaixonar por Emma, estudante de Belas Artes alguns anos mais velha, que usa os cabelos tingidos de azul, e que marcará sua vida a partir dali.

O trabalho das duas protagonistas é realmente impressionante: a autenticidade e a sensibilidade de suas atuações são irresistíveis. O roteiro abre mão de grandes reviravoltas, investindo tudo nas situações banais, no cotidiano, com poucas (e perturbadoras) oportunidades de provocar terremotos emocionais. E é isso que torna o filme tão verdadeiro e as situações tão lindamente singelas: a identificação que sentimos com as dúvidas, as alegrias, as intensidades, as frustrações que são partes intrínsecas de relacionamentos amorosos. As duas moças se conhecem, se conquistam em um jogo delicado de sedução, depois consumam fisicamente seu amor em uma longa cena de sexo (quase explícito) que dura nove minutos, e que acabou sendo o motivo principal pelo qual o filme é tão falado por aí. Mas essa cena não é o clímax do filme, dentro da profundidade que ele oferece: uma cena em que duas mulheres lindas, perfeitas, se entregam ao prazer tem, no contexto de Azul é a cor mais quente, semelhante força dramática que a cena em que as mesmas duas fazem um piquenique e se olham, transmitindo toda a eletricidade da conquista. 
É um dos grandes filmes do ano, ou dos últimos anos. Belo, comovente, sincero, e indispensável.
 

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