O homem e a mancha

O homem e a mancha

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O SOM AO REDOR: CINEMA BRASILEIRO DE PRIMEIRA

O som ao redor, do cineasta Kleber Mendonça Filho, é, confirmando o que tem sido dito por vários críticos, um dos melhores longas brasileiros dos últimos anos. Jornalista e crítico de cinema nascido em Recife (PE), Mendonça constroi um filme irretocável, valendo-se da simplicidade aparente do roteiro - que retrata (quase documentalmente, por vezes) alguns dias na vida de um número limitado de moradores de uma rua relativamente tranquila de um bairro de classe média de Recife.
O uso constante de demorados planos, com economia de cortes, flagrando as personagens absolutamente brasileiras em suas falas e comportamentos, ao mesmo tempo que têm um quê de teatral (já que é como se víssemos longas cenas de uma peça de teatro), são intensamente cinematográficas, pois a montagem se vale da fragmentação, construindo-se de elipse em elipse, sem facilitar demasiadamente, nem tornar-se hermética. 
Para tornar ainda mais prazeroso o filme, os atores são excelentes, todos. A autenticidade dos diálogos e das relações são um trunfo, e raras vezes vistas com tanta fluência em um filme brasileiro. Para arrematar, uma surpresa: nossa querida atriz gaúcha, Sandra Possani (de espetáculos como Dr. QS- Quriozas Qomédias, Aquelas duas, Auto da Compadecida e Boca de ouro), atualmente morando em Recife, tem uma breve mas marcante participação, demonstrando nas poucas falas que lhe cabem o timing cômico já conhecido.
Um filme imperdível para quem espera algo mais do cinema, que não seja o mergulho em estereótipos e a audiência a caras conhecidas da Rede Globo.

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