O homem e a mancha

O homem e a mancha

terça-feira, 19 de maio de 2009

Uma nova etapa

Depois de mais de dois anos lecionando na UFSM, no curso de Artes Cênicas, estou voltando a Porto Alegre em definitivo, e deixando para trás uma etapa muito importante em minha vida, mas que teve seu fim. Neste período em que me dividi entre Porto Alegre e Santa Maria, semanalmente enfrentava os 280 km que separam minha casa na capital do apartamento que eu alugava naquela cidade. E não deixava para trás apenas a minha cidade e a casa que tanto amo, mas principalmente a minha mulher, Margarida, que por motivos de trabalho não podia me acompanhar nessas viagens semanais. Assim, Santa Maria foi para mim sinônimo de trabalho apenas. Um trabalho, devo acrescentar, muito estimulante, pelos amigos que fiz por lá: os alunos que tive o prazer de conviver nesse período. Dos alunos terei muitas saudades; do interesse demonstrado por eles nas coisas que eu procurava lhes transmitir; da ânsia e disposição em aprender o que, para mim, sempre foi e será uma paixão: o teatro.
Neste ano de 2009, especialmente, tive a felicidade de conviver, por algumas semanas, com os bixos, para quem eu ministrava duas diferentes disciplinas: uma sobre história da dramaturgia e outra sobre teatro grego clássico. Nessas aulas tão prazerosas, onde eu percebia claramente o interesse despertado por tudo que eu dizia, estará sempre a imagem que levarei comigo de Santa Maria: que existem pessoas que nos apoiam e nos querem ver crescer.
Na última aula que ministrei na universidade, dia 15 de maio, meus queridos alunos me homenagearam com palavras e um estandarte onde todos escreveram mensagens carinhosas. Obviamente todos choramos, eu e eles. Foi muito emocionante e espero revê-los pelos palcos ou plateias.
Minha decisão de pedir exoneração do cargo que eu ocupava não foi algo irrefletido, pelo contrário: eu e Margarida pesamos os prós e os contras e concluímos que estarmos juntos fisicamente era o mais importante. Além disso, não posso deixar de dizer que, de maneira geral, não fui estimulado pelo Departamento de Artes Cênicas da UFSM a manter uma carreira artística. Fui, inclusive, repreendido e sofri represálias por fazer teatro em Porto Alegre. Isso é tão absurdo que vou me abster de entrar em detalhes, porém já estou aliviado, pois, a partir de agora, começo nova etapa.
Em 2010, iniciarei meu tão adiado Doutorado. Minha futura orientadora, Maria Teresa Amodeo, se mostrou tão entusiasmada quanto eu e me acolheu de braços abertos. No próximo dia 4 de junho estrearei, no Theatro São Pedro, dois novos espetáculos: Górgias e O banquete. Além disso, novas perspectivas de trabalho me estimulam a repetir o que sempre considerei como um lema: há males que vêm para o bem. Tenho certeza de que o destino conspira a meu favor.

Um comentário:

  1. É isso aí, Marcelo! Reafirmo que estamos contigo e, mesmo de longe, transmitindo nossos pensamentos positivos e nossa torcida pra que tudo dê certo pra ti. Além disso, espero que logo possamos, meus colegas e eu, te encontrar pelos palcos desse Rio Grande e, quizá, desse Brasil, pois, seguindo teu exemplo de coragem e força, não permitiremos que a estagnação e os pensamentos retrógrados (de pessoas muitas vezes frustradas consigo mesmas e que não gostam de ver a felicidade alheia) nos impeçam de alçar vôos cada vez mais altos. E, na minha opinião, essa foi uma das lições mais importantes que tu deixaste.
    Grande abraço e muito sucesso!
    Girrezi Ribas

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