O homem e a mancha

O homem e a mancha

terça-feira, 7 de abril de 2009

Um sucesso em Pelotas


Apresentamos, no dia 5 de abril, O médico à força, em Pelotas. Foi uma experiência emocionante, pois, sem dúvida, foi o melhor público que já tivemos com essa peça. Apesar da decadência física do Teatro Sete de Abril, onde ocorreu a apresentação, nunca nos defrontamos com uma plateia tão qualificada e inteligente. Nos surpreendíamos a cada fala com as reações dos espectadores, que entendiam e eram cúmplices de todas as gags e piadas. Desde as mais sutis, calcadas em jogos de palavras e ações delicadas, até as mais escrachadas, próprias da homenagem às farsas e às chanchadas, todos respondiam imediatamente. Margarida, minha mulher e diretora da peça, nasceu em Pelotas, e sempre reafirma a cultura superior e a sensibilidade dos pelotenses. Fruto de uma sociedade que atingiu seu ápice nos séculos XIX e começo do XX, quando os filhos das famílias abastadas eram enviados à Europa para estudar, a inteligência dessa população ainda hoje é sentida, como demonstraram no último domingo. Não por terem aplaudido de pé à minha peça, ao final. Mas por preservarem o autêntico amor à arte. Em dezembro de 2008, eu já havia tido uma mostra dessa grande qualidade, quando apresentamos, na praça em frente ao Sete de Abril, o espetáculo de rua Sacra folia, que faço com o Stravaganza. Foi outra ocasião memorável, em que pudemos sentir, ainda mais proximamente, o calor e o carinho de todos. Lamento apenas o terrível estado em que se encontra o prédio do teatro, que data de 1831, e é portanto uma das mais antigas casas de espetáculo em atividade no Brasil. Os cupins, agora, tomaram conta do madeirame, e por todos os lados se vêem os efeitos do descaso: degraus a ponto de quebrarem, falta de reboco e de tinta nas paredes, instalações elétricas e hidráulicas arcaicas. O teatro havia sido contemplado com o Projeto Monumenta, mas, por questões burocráticas, acabou perdendo a verba para a tão necessária reforma!
É uma vergonha, mas mesmo assim, não posso deixar de parabenizar a cidade por ter, ainda que periclitante, um local tão importante para a nossa cultura. Parabéns Pelotas! Meus pêsames, Pelotas!

Um comentário:

  1. Fico feliz pelo teu sucesso na minha terra natal, Marcelo. É gratificante saber que a cultura ainda respire (mesmo que através de aparelhos) por lá. Sai de Pelotas porque lá era impossível fazer teatro, mas sempre volto com meus espetáculos e gosto do retorno do público. Lamento pelo Sete de Abril, um dos teatros mais bonitos que conheço. Pelotas, no geral, é toda mal administrada, imagina na cultura (onde os aventureiros fazem a festa). Parabéns também pelo Açorianos. Te considero um grande ator (vi muitos dos teus trabalhos) e acho que mereces o que estás colhendo. Grande abraço, sorte sempre.

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