Em fevereiro de 2004, quando eu ainda era aluno do curso de Direção teatral do DAD, montei um dos textos mais emblemáticos do grande Samuel Beckett: a obra prima Esperando Godot. Na ocasião, resolvi colocar atrizes interpretando quase todas as cinco personagens masculinas: Margarida Leoni Peixoto (Vladimir), Eliza Pierim (Estragon), Anna Fuão (Pozzo) e Nádia Mancuso (Lucky). O Leandro Lefa era o único homem do elenco, interpretando o menino que vem, nos dois atos, avisar que Godot não virá.
Ainda quero montar essa peça profissionalmente!
Marcelo Ádams
terça-feira, 11 de maio de 2010
sábado, 8 de maio de 2010
Assuntos batidos
Assisti hoje ao novo filme de Tim Burton, Alice no país das maravilhas. Tanto já se falou sobre essa produção adaptada das obras de Lewis Carroll, que o que vou escrever não é novidade: o filme é decepcionante, vindo de um criador de obras marcantes como Os fantasmas se divertem (Beetlejuice, 1988), Edward Mãos-de-tesoura (Edward Scissorhands, 1990), Batman, o retorno (Batman returns, 1992) e Ed Wood (1994). Nada do caráter profundamente psicanalítico de Carroll ficou: o filme virou uma aventura de ação, com aquela profusão de cenários e personagens construídos por computação gráfica, que conseguem irritar quase tanto quanto um ator ruim.
Outro assunto batido: stand up comedy. Tenho visto vários desses "humoristas em potencial", e sinto dizer que na grande maioria das vezes, não têm graça. É uma arte difícil a de narrar comicamente, e parece que a nova onda é essa. Talvez pela facilidade de erguer um espetáculo desse tipo, que não precisa de quase nada em termos de produção, talvez pelo sonho de que, para ser "popular", um espetáculo de humor é um passo mais curto. Ledos enganos. E não é porque tenho falta de senso de humor (isso, decididamente, não me falta), mas sou exigente, e não é qualquer piadinha que vai me conquistar. Não se subestima o riso, que é poderoso. Espero, com ansiedade, que essa onda de riso enlatado se esvazie logo, e que venham novas propostas.
Outro assunto batido: stand up comedy. Tenho visto vários desses "humoristas em potencial", e sinto dizer que na grande maioria das vezes, não têm graça. É uma arte difícil a de narrar comicamente, e parece que a nova onda é essa. Talvez pela facilidade de erguer um espetáculo desse tipo, que não precisa de quase nada em termos de produção, talvez pelo sonho de que, para ser "popular", um espetáculo de humor é um passo mais curto. Ledos enganos. E não é porque tenho falta de senso de humor (isso, decididamente, não me falta), mas sou exigente, e não é qualquer piadinha que vai me conquistar. Não se subestima o riso, que é poderoso. Espero, com ansiedade, que essa onda de riso enlatado se esvazie logo, e que venham novas propostas.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
sábado, 1 de maio de 2010
Asterisco: a popular "estrelinha"
Quando Fausto Silva, um dos mais populares apresentadores da TV brasileira vem, dezenas de vezes por dia, dizer que, para enviar um "torpedão" para uma promoção qualquer, é só discar o número tal pelo celular e, em seguida apertar "asterisco, a popular estrelinha", me sinto um pouco desconcertado.
A primeira hipótese que me vem à mente é: os criadores do comercial acreditam que o público alvo dessa campanha é tão ignorante que não sabe sequer o que é asterisco. Talvez, pensam eles, imagine tratar-se de uma planta, da família dos hibiscos...
A segunda hipótese não é melhor que a outra: os milhões de espectadores que vão enviar um torpedão para o Faustão são, de fato, ignorantes, e nunca ouviram falar em asterisco, apesar de confrontarem-se com ele dezenas de vezes por dia, quando mandam SMS para seus amigos.
Um país que não lê não pode crescer economicamente, ou pode? Até onde vai esse crescimento, me pergunto então. Crescer não é apenas produzir empregos, oportunizar que as classes menos favorecidas tenham alcance aos bens materiais. No Brasil mesmo, isso já aconteceu nos anos 1970, durante o governo do mais sanguinário dos presidentes militares: Emílio Garrastazú Médici. Na época, chamou-se de "milagre econômico" à desenfreada onda de otimismo da classe média, que poderia finalmente "arrumar suas casinhas". Por trás dessa cortina de fumaça, torturas, assassinatos políticos e um "varrer-para-debaixo-do-tapete" o que parecer desagradável.
O asterisco, a popular estrelinha, precisa encontrar nome entre o povo. Senão, corre o risco de se transformar em uma bonitinha estrela de oito pontas, apenas. O asterisco tem nome, sim. Já utilidade prática, é outra história. Talvez seja o mesmo caso do teatro: não serve para nada, mas é o termômetro de uma cultura, é o reflexo da sensibilidade de uma população. Às vezes o que parece não ter nehuma serventia é o que mais contribui para o engrandecimento de um ser humano. Isso sim, é o teatro.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Crítica de Antônio Hohlfeldt- Mães & Sogras
Antônio Hohlfeldt é o único crítico teatral de Porto Alegre que mantém uma coluna semanal regular, há décadas. Atualmente escrevendo às sextas-feiras no Jornal do Comércio, Hohlfeldt tem qualidades e defeitos como analista das produções teatrais. Qualidades: é um grande intelectual, dedicado especialmente à literatura e recepção das obras que critica. Defeitos: é um grande intelectual, dedicado especialmente à literatura e recepção das obras que critica.
Achou redundantes as frases acima? É proposital. Hohlfeldt, que foi meu professor em duas universidades diferentes (fui aluno dele no curso de Jornalismo da PUCRS e no curso de Artes Cênicas da UFRGS) é um grande amante do teatro, no sentido mais generoso possível. Porém suas críticas optam por focar muito mais nos aspectos dramatúrgicos que espetaculares, e é aí que reside a deficiência, em minha opinião. Porque falar da dramaturgia de uma peça ele faz com muita propriedade, mas fico sempre esperando uma linha a mais sobre a estética das peças, sobre os elementos que compõem o espetáculo, que são, em última análise, aqueles que fazem de uma peça no papel um espetáculo: teatro.
Dito tudo isso, e reafirmando minha admiração por esse Quixote local, reproduzo a crítica dele de Mães & Sogras:
É gratificante e de enorme responsabilidade se poder registrar um novo talento e poder avaliar o que ele apresenta. É o caso da peça Mães & sogras, de Leandro Sarmatz, na direção de Marcelo Adams. Alegadamente, Sarmatz retoma a tradição da comédia de humor negro ídiche. Explora a “figura folclórica”, como menciona Moacyr Scliar, da “mama” judia, num texto que, como não o li no original, fico sem saber como classificar: se, de fato, se trata de uma comédia ou se, na verdade, é um drama que quase chega à tragédia. A opção do diretor segue duas direções, e por isso mesmo denomina-se como tragicomédia, ao que acrescenta o adjetivo “musical”, o que não me parece correto, pois se trata de quatro canções que marcam determinados momentos do espetáculo, mas não o transforma exatamente num musical. Diga-se de passagem que as composições de Rafael Ferrari, com letras do próprio Marcelo Adams, são muito interessantes, musicalmente falando, em especial A outra, que é bem concebida e tocante, no que expressa.
O espetáculo está claramente dividido em três partes, como uma espécie de tese. Na primeira, a mais longa, de cerca de uma hora de duração, assistimos a um longo, e às vezes, monótono diálogo entre duas amigas, Bella e Anita. Ambas judias, ambas mães. Margarida Leoni Peixoto incorpora Bella que, apesar do nome, é uma verdadeira déspota, seja com o marido, já falecido, seja com o filho, que ousou desafiá-la ao casar com uma jovem não judia. Anita é mais comedida, vivida por Naiara Harry; é hilária pelas observações que faz, ao mesmo tempo em que demonstra certa maldade para com a amiga, ao mencionar constantemente o filho distante de Bella, a quem esta teima em idealizar. Neste longo diálogo, temos dois movimentos: as referências em flash-back, que nos informam sobre as personagens e o presente, que será então desdobrado ao longo do espetáculo; e a exploração de lugares-comuns da cultura judaica, especialmente a fixação nas doenças. A coleção de mortos que desfia no diálogo das duas mulheres vai-se tornando engraçada, na medida em que ambas se comprazem com tais situações.
No segundo momento, apresentam-se flashes que ilustram valores e (pré)conceitos das duas mulheres. Num deles, prepara-se o terceiro momento: fica-se sabendo que o filho de Bella vai voltar do exterior. Casado, com uma filhinha pequena, ele jamais escreveu ou respondeu cartas da mãe, depois que esta se recusou a ir ao casamento do filho ou ver fotografias da neta.
O terceiro momento é um corte radical. Na clínica de saúde a que Bella acompanha Anita, encontra uma jovem também à morte. Descobre-se que a mulher é a nora de Bella, que logo a identifica. A jovem refere a sogra como uma víbora e narra a exigência de Bella em não receber a neta. Um corte de cena e temos Bella, sozinha com uma empregada que a acompanha depois de alguns anos, mas, grávida, está prestes a deixá-la. Bella está absolutamente louca. Um ano depois de retornado, o filho ainda não a visitou nem deu sinal de vida. Fiquei a me interrogar como o dramaturgo ia resolver a situação. Ele se sai bem, optando pela fantasia, num final de espetáculo valorizado pelo diretor. Margarida Leoni Peixoto e Naiara Harry estão estupendas e emocionantes, superando-se em cena. Carla Gasperin, como a jovem doente, Cláudia Lewis, como a empregada, e Rafael Ferrari, já mencionado, completam o elenco. Cada um desdobra sua tarefa a contento.
Leandro Sarmatz faz uma estreia mostrando que tem o que dizer. O texto não é perfeito. Acho que precisa ser reduzido e suas partes devem ser melhor cozidas. Ou seja, o dramaturgo precisará reescrever seu texto. Mas o tema e o foco estão perfeitos. A direção de Marcelo Adams fez uma opção que não posso julgar, por desconhecer o texto original. Mas fica evidente que ele se preocupou em preencher cenicamente os vazios do texto, de modo a dar movimento para o espetáculo. Seu maior mérito foi, claro, a direção de atores, precisa. Mas a concepção do espetáculo alcançou vitalidade no texto, colocando um espetáculo em pé, que se afirma sobretudo em seu final. Sem ser perfeito, eis aí um trabalho a ser respeitado e valorizado, mostrando seriedade e profissionalismo que muito nos alegra.
Achou redundantes as frases acima? É proposital. Hohlfeldt, que foi meu professor em duas universidades diferentes (fui aluno dele no curso de Jornalismo da PUCRS e no curso de Artes Cênicas da UFRGS) é um grande amante do teatro, no sentido mais generoso possível. Porém suas críticas optam por focar muito mais nos aspectos dramatúrgicos que espetaculares, e é aí que reside a deficiência, em minha opinião. Porque falar da dramaturgia de uma peça ele faz com muita propriedade, mas fico sempre esperando uma linha a mais sobre a estética das peças, sobre os elementos que compõem o espetáculo, que são, em última análise, aqueles que fazem de uma peça no papel um espetáculo: teatro.
Dito tudo isso, e reafirmando minha admiração por esse Quixote local, reproduzo a crítica dele de Mães & Sogras:
Estreia a ser valorizada
É gratificante e de enorme responsabilidade se poder registrar um novo talento e poder avaliar o que ele apresenta. É o caso da peça Mães & sogras, de Leandro Sarmatz, na direção de Marcelo Adams. Alegadamente, Sarmatz retoma a tradição da comédia de humor negro ídiche. Explora a “figura folclórica”, como menciona Moacyr Scliar, da “mama” judia, num texto que, como não o li no original, fico sem saber como classificar: se, de fato, se trata de uma comédia ou se, na verdade, é um drama que quase chega à tragédia. A opção do diretor segue duas direções, e por isso mesmo denomina-se como tragicomédia, ao que acrescenta o adjetivo “musical”, o que não me parece correto, pois se trata de quatro canções que marcam determinados momentos do espetáculo, mas não o transforma exatamente num musical. Diga-se de passagem que as composições de Rafael Ferrari, com letras do próprio Marcelo Adams, são muito interessantes, musicalmente falando, em especial A outra, que é bem concebida e tocante, no que expressa.
O espetáculo está claramente dividido em três partes, como uma espécie de tese. Na primeira, a mais longa, de cerca de uma hora de duração, assistimos a um longo, e às vezes, monótono diálogo entre duas amigas, Bella e Anita. Ambas judias, ambas mães. Margarida Leoni Peixoto incorpora Bella que, apesar do nome, é uma verdadeira déspota, seja com o marido, já falecido, seja com o filho, que ousou desafiá-la ao casar com uma jovem não judia. Anita é mais comedida, vivida por Naiara Harry; é hilária pelas observações que faz, ao mesmo tempo em que demonstra certa maldade para com a amiga, ao mencionar constantemente o filho distante de Bella, a quem esta teima em idealizar. Neste longo diálogo, temos dois movimentos: as referências em flash-back, que nos informam sobre as personagens e o presente, que será então desdobrado ao longo do espetáculo; e a exploração de lugares-comuns da cultura judaica, especialmente a fixação nas doenças. A coleção de mortos que desfia no diálogo das duas mulheres vai-se tornando engraçada, na medida em que ambas se comprazem com tais situações.
No segundo momento, apresentam-se flashes que ilustram valores e (pré)conceitos das duas mulheres. Num deles, prepara-se o terceiro momento: fica-se sabendo que o filho de Bella vai voltar do exterior. Casado, com uma filhinha pequena, ele jamais escreveu ou respondeu cartas da mãe, depois que esta se recusou a ir ao casamento do filho ou ver fotografias da neta.
O terceiro momento é um corte radical. Na clínica de saúde a que Bella acompanha Anita, encontra uma jovem também à morte. Descobre-se que a mulher é a nora de Bella, que logo a identifica. A jovem refere a sogra como uma víbora e narra a exigência de Bella em não receber a neta. Um corte de cena e temos Bella, sozinha com uma empregada que a acompanha depois de alguns anos, mas, grávida, está prestes a deixá-la. Bella está absolutamente louca. Um ano depois de retornado, o filho ainda não a visitou nem deu sinal de vida. Fiquei a me interrogar como o dramaturgo ia resolver a situação. Ele se sai bem, optando pela fantasia, num final de espetáculo valorizado pelo diretor. Margarida Leoni Peixoto e Naiara Harry estão estupendas e emocionantes, superando-se em cena. Carla Gasperin, como a jovem doente, Cláudia Lewis, como a empregada, e Rafael Ferrari, já mencionado, completam o elenco. Cada um desdobra sua tarefa a contento.
Leandro Sarmatz faz uma estreia mostrando que tem o que dizer. O texto não é perfeito. Acho que precisa ser reduzido e suas partes devem ser melhor cozidas. Ou seja, o dramaturgo precisará reescrever seu texto. Mas o tema e o foco estão perfeitos. A direção de Marcelo Adams fez uma opção que não posso julgar, por desconhecer o texto original. Mas fica evidente que ele se preocupou em preencher cenicamente os vazios do texto, de modo a dar movimento para o espetáculo. Seu maior mérito foi, claro, a direção de atores, precisa. Mas a concepção do espetáculo alcançou vitalidade no texto, colocando um espetáculo em pé, que se afirma sobretudo em seu final. Sem ser perfeito, eis aí um trabalho a ser respeitado e valorizado, mostrando seriedade e profissionalismo que muito nos alegra.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Mães & Sogras- Última semana
Para quem ainda não assistiu, este final de semana é a última oportunidade para assistir Mães & Sogras, que está em cartaz no Teatro Bruno Kiefer da Casa de Cultura Mario Quintana (Andradas, 736).
A tragicomédia musical com texto de Leandro Sarmatz, que vem arrecadando excelentes resultados de público, fará sessões dias 30 de abril, 1º e 2 de maio, sempre às 20 horas, de sexta a domingo.
A tragicomédia musical com texto de Leandro Sarmatz, que vem arrecadando excelentes resultados de público, fará sessões dias 30 de abril, 1º e 2 de maio, sempre às 20 horas, de sexta a domingo.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Mary e Max
Filmes de animação para adultos são quase sempre uma delícia. Desde os clássicos, como Fritz, the cat (1972), passando por experiências mais modernas como Akira (1988), A viagem de Chihiro (2001) e Valsa com Bashir (2008), isso sem contar as séries de TV, como Os Simpsons, South Park (genial), Uma família da pesada...São hors concours aqueles produzidos por Tim Burton, como O estranho mundo de Jack, James e o pêssego gigante e Coraline, que não se sabe bem se foram feitos mesmo para crianças, tal o nível de leituras que proporcionam.
Agora assisti à animação australiana Mary e Max, e é realmente sensacional. Uma menina australina, Mary, de 8 anos, e um judeu norte-americano (olha eu de novo com os hebraicos), Max, de 44 anos, com histórico de problemas mentais, começam a se corresponder por acaso, em 1976. A história atravessa mais ou menos 15 anos, e acompanhamos o crescimento e descobertas da menina, bem como os desajustes do homem. A produção divulga que a história é baseada em fatos reais, e isso ainda é um atrativo extra para quem acompanha a bem humorada jornada, ainda que com toques certeiros de melancolia.
Se há uma mensagem (daquelas que Mario Quintana abominava, quando dizia que "quem traz mensagem é carteiro")? Talvez haja sim uma perspectiva de reflexão sobre os desajustados desse mundo, que não são poucos. O filme mostra que é possível vê-los como mais do que seres excêntricos, que eles também têm espaço para crescer como indivíduos, dentro de suas limitações.
Agora assisti à animação australiana Mary e Max, e é realmente sensacional. Uma menina australina, Mary, de 8 anos, e um judeu norte-americano (olha eu de novo com os hebraicos), Max, de 44 anos, com histórico de problemas mentais, começam a se corresponder por acaso, em 1976. A história atravessa mais ou menos 15 anos, e acompanhamos o crescimento e descobertas da menina, bem como os desajustes do homem. A produção divulga que a história é baseada em fatos reais, e isso ainda é um atrativo extra para quem acompanha a bem humorada jornada, ainda que com toques certeiros de melancolia.
Se há uma mensagem (daquelas que Mario Quintana abominava, quando dizia que "quem traz mensagem é carteiro")? Talvez haja sim uma perspectiva de reflexão sobre os desajustados desse mundo, que não são poucos. O filme mostra que é possível vê-los como mais do que seres excêntricos, que eles também têm espaço para crescer como indivíduos, dentro de suas limitações.
terça-feira, 27 de abril de 2010
Atropelamento
Hoje me envolvi em um acidente de trânsito. Estava pertinho de casa, passando por uma sinaleira de pedestres da Avenida Praia de Belas, quando uma senhora surgiu repentinamente e foi atropelada pelo meu carro. O sinal estava aberto para mim, e eu vinha em baixa velocidade. Dona Maria Inês atravessou a rua sem olhar para o lado, com a sinaleira fechada para ela, e foi abalroada. Imediatamente a coloquei dentro do carro e a levei para o HPS. Ela parecia bem, nenhum corte ou fratura aparentes. Fiquei com ela mais de 2 horas no Pronto Socorro, esperando que ela fosse atendida, passasse pelo raio X e se assegurasse de que estava tudo bem. Depois a levei em casa, na Bela Vista.
Ela tem 61 anos, e me prometeu que, a partir de agora, terá mais cuidado para atravessar as ruas, já que sua distração poderia ter custado ferimentos muito mais graves.
Ela tem 61 anos, e me prometeu que, a partir de agora, terá mais cuidado para atravessar as ruas, já que sua distração poderia ter custado ferimentos muito mais graves.
A 30 dias de Bodas de sangue
Faltam 30 dias para a estreia de Bodas de sangue, espetáculo com texto de Federico García Lorca, talvez o maior poeta espanhol de todos os tempos (há controvérsias). A peça foi escrita por Lorca em 1933, e integra a Trilogia da Terra, que ainda conta com A casa de Bernarda Alba e Yerma.
A montagem dirigida por Luciano Alabarse estreará no dia 27 de maio, no Theatro São Pedro, e tem um numeroso elenco: Sandra Dani, Marcelo Adams, Margarida Leoni Peixoto, Sissi Venturin, Fabrizio Gorziza, Ida Celina, Vika Schabbach, Mauro Soares, Lurdes Eloy, Fernando Zugno, Thales de Oliveira, Eduardo Steinmetz, Luísa Herter, Rita Maurício, Caína Giordani, Maria Teresa Costa de Montoya e Letícia Balle.
A temporada será de 27 de maio a 6 de junho, de quintas a domingos.
A montagem dirigida por Luciano Alabarse estreará no dia 27 de maio, no Theatro São Pedro, e tem um numeroso elenco: Sandra Dani, Marcelo Adams, Margarida Leoni Peixoto, Sissi Venturin, Fabrizio Gorziza, Ida Celina, Vika Schabbach, Mauro Soares, Lurdes Eloy, Fernando Zugno, Thales de Oliveira, Eduardo Steinmetz, Luísa Herter, Rita Maurício, Caína Giordani, Maria Teresa Costa de Montoya e Letícia Balle.
A temporada será de 27 de maio a 6 de junho, de quintas a domingos.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Novas Caras
Escrevi Pão com linguiça no primeiro semestre de 2009, para ser dirigida pela Margarida em sua turma da Oficina de Montagem. O resultado foi tão bom que o entusiasmo foi geral, e os alunos decidiram inscrever a peça no Caxias em cena, onde ela se apresentou em setembro passado. Agora, integrando a programação do Novas Caras, o espetáculo tem lotado todas as apresentações no Teatro de Câmara. Ontem fui ao teatro e presenciei o sucesso que a temática da peça alcançou. Risos do início ao fim, envolvimento da plateia, composta por muitos jovens e pessoas que não costumam frequentar teatro.
É prazeroso presenciar a insuspeitada catarse que minhas palavras proporcionam, ditas pelas bocas de talentosos alunos-atores. Adoro escrever para eles, e atualmente finalizo o novo texto, SPA- Sitiados Para Assassinato, que fará apresentações em julho, no Teatro da Cia. de Arte. Desta vez, o desafio está sendo criar uma história envolvente que contemple com muito humor os 23 alunos.
Quem se interessa pelo nosso teatro gaúcho, e quer conhecer uma nova geração de atores, não pode perder no próximo dia 28 de abril, às 20 horas, no Teatro de Câmara Túlio Piva (República, 575), a última apresentação dessa exitosa temporada. Mas chegue cedo, pois as senhas se esgotam rapidamente.
Hoje havia até uma jornalista da Revista do Diário Gáucho cobrindo a peça. No dia 30 de abril sai a matéria.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
To be continued...
A temporada de Mães & Sogras segue até 2 de maio no Teatro Bruno Kiefer, e temos um público excelente em todos os sentidos: muitas pessoas vêm assistir, e reagem de forma contagiante.
Enquanto isso ensaio Bodas de sangue, de Federico García Lorca, com direção do Luciano Alabarse, que tem estreia marcada para 27 de maio no Theatro São Pedro. Lá, interpreto Leonardo, o responsável principal pela tragédia que se abate sobre as personagens.
Semana que vem vou fazer um filme, o curta-metragem Rocco, com roteiro e direção do Filipe Matzenbacher, da PUCRS. Trata-se de um fakementary, ou seja, um falso documentário.
Enquanto isso ensaio Bodas de sangue, de Federico García Lorca, com direção do Luciano Alabarse, que tem estreia marcada para 27 de maio no Theatro São Pedro. Lá, interpreto Leonardo, o responsável principal pela tragédia que se abate sobre as personagens.
Semana que vem vou fazer um filme, o curta-metragem Rocco, com roteiro e direção do Filipe Matzenbacher, da PUCRS. Trata-se de um fakementary, ou seja, um falso documentário.
sábado, 17 de abril de 2010
Mães & Sogras in media res
As imagens acima foram clicadas pela Nicole Mariani Agra, que participa de um curso de fotografia para a cena, ministrado pela Fernanda Chemale. Mães & Sogras permanece em cartaz até 2 de maio, no Teatro Bruno Kiefer (Andradas, 736), de sextas a domingos às 20 horas. Obrigado Nicole!
sábado, 10 de abril de 2010
Solos fotográficos
O Vilmar Carvalho, fotógrafo de mão cheia, clicou o espetáculo Solos trágicos, do qual integro o elenco, em produção do Depósito de teatro com direção do Roberto Oliveira. A peça volta a cartaz em maio, no Teatro Renascença, mas não resisto a colocar aqui algumas dessas lindas imagens. Fiquei tri bem na foto!
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Mães & Sogras seguram o invisível
Na foto acima, de um ensaio, falta um elemento na cena. Quem for ao teatro vai saber o que Bella e Anita estão segurando.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Mães & Sogras no Teatro Bruno Kiefer
Depois de um fim de semana memorável no Theatro São Pedro, estaremos em cartaz, de 9 de abril a 2 de maio, no Teatro Bruno Kiefer da Casa de Cultura Mario Quintana. A Cia. de Teatro ao Quadrado está muito feliz com o resultado alcançado e com a resposta do público. Tenho certeza de que essa temporada será um sucesso!
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Pão com linguiça no Novas Caras!
Está estreando no projeto Novas Caras da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, o espetáculo Pão com linguiça, resultado da Oficina de Montagem da Margarida Leoni Peixoto, com texto escrito por mim. A peça é bem divertida, e todo o elenco, de 20 atores, está com os cascos bem afiados. Vá lá conferir, com entrada franca, todas as quartas-feiras de abril.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Premiações
My house, Troféu Açorianos de dança de Melhor Espetáculo
Arca de Noé, Troféu Tibicuera de Teatro Infantil de Melhor Espetáculo
O amargo santo da purificação, Troféu Açorianos de Teatro de Melhor Espetáculo
Há alguns dias foram divulgados os vencedores dos prêmios Açorianos de Teatro e Dança, sem dúvida as mais importantes láureas do teatro gaúcho, apesar de restringirem-se às produções porto-alegrenses. Essa limitação explica-se pela inegável superioridade técnica e quantidade de espetáculos produzidos na capital, colocando as produções sediadas em nossa cidade como as mais bem acabadas (com isso não quero menosprezar as produções do interior do RS, que isso fique bem claro: apenas salientar que em Porto Alegre as dificuldades são menores que por lá).
Em relação aos prêmios aos melhores de 2009, alguns paradigmas foram quebrados, certamente em benefício de nossas artes cênicas: pela primeira vez, um espetáculo de street dance, My house, foi escolhido como o melhor de uma edição. Outro ineditismo: pela primeira vez, um espetáculo de teatro de rua não só foi indicado a Melhor Espetáculo, como escolhido o melhor. Falo de O amargo santo da purificação, do Ói Nóis Aqui Traveiz.
Em relação ao Tibicuera, do qual fiz parte do júri, juntamente com Caio Prates, Hélio Barcellos Jr., Jeffie Lopes e Rodrigo Marquez, gostaria de comentar uma observação que li no blog do Teatro Sarcaústico: a de que a pulverização dos troféus Tibicuera entre vários espetáculos, fazendo com que nenhum dos concorrentes recebesse mais do que dois troféus (Herlói, o herói: Melhor Direção (Raquel Grabauska) e Melhor Dramaturgia (Gustavo Finkler); e Chapeuzinho amarelo: Melhor Ator Coadjuvante (Thiago Prade) e Melhor Iluminação (Anílton Souza)) seria "democrático". Acredito que a intenção tenha sido dizer que fomos "politicamente corretos" ou pouco ousados ao "agradar gregos e troianos", distribuindo troféus a todos. Isso realmente não aconteceu, nem de longe: como os jurados têm autonomia total para escolher os vencedores, dentro de critérios bem embasados e discutidos por todos, a única explicação correta para essa premiação multiplicadora é a de que, em 2009, não houve um espetáculo que contemplasse todas as categorias em excelência, restando ao júri premiar aqueles profissionais que se destacaram positivamente em cada uma delas. Politicamente correto, talvez, seria eleger um único espetáculo e multi premiá-lo, para que se pudesse alardear que a noite teve um "grande vencedor". Isso é síndrome de Oscar. Os grandes vencedores são aqueles que fazem brilhar o seu talento, mesmo dentro de produções que, por vezes, deixam a desejar em outros aspectos. Nesse sentido, fomos democráticos, sim, mas não com a conotação do Daniel: fomos democráticos porque respeitamos apenas as nossas consciências e discussões para chegar às decisões tomadas.
Sou um entusiasta do Açorianos e Tibicuera, e talvez por isso mesmo eu tenha sido convidado pela CAC para continuar jurado em 2010. Fiquei muito feliz com a confiança em mim depositada, e nesse ano vou me esforçar ainda mais para ser justo e corresponder à responsabilidade recebida.
sábado, 3 de abril de 2010
Clics de Júlio Appel
Naiara Harry se transformando em Anita.
Carla Gasperin caracterizada.
Claudia Lewis arrumando as melenas.
Margarida Leoni Peixoto relaxando um pouquinho.
Rafael Ferrari a postos.
Um sucesso de arrepiar
Aconteceu o que mais desejávamos: a estreia de Mães & Sogras no Theatro São Pedro foi um sucesso emocionante. Teatro cheíssimo, plateia lotada, a presença do autor, Leandro Sarmatz, amigos e público em geral aplaudindo de pé nossa encenação. Esta foto, do grande Júlio Appel, me flagrou nas lindas poltronas do São Pedro, no ensaio geral. Bom começo para essa nossa produção tão querida!
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Mães & Sogras no canal do nascimento
Mães & Sogras está quase pronta para encontrar seu público. Hoje, dia 1º de abril, chegamos ao Theatro São Pedro para todas aquelas atividades que, por mais que os iluminadores e cenógrafos digam o contrário, sempre tomam mais tempo do que nós, os diretores, gostaríamos de lhes conceder. Nós, os diretores, queremos colocar os atores no palco e vê-los, pela primeira vez, iluminados por lindas luzes, envolvidos por uma bela cenografia, vestidos com uma incomparável indumentária.
Amanhã, dia 2, acontece a estreia, com a presença de vários amigos, do Leandro Sarmatz, nosso generosíssimo autor, que virá acompanhado de uma caravana, de São Paulo, especialmente para seu début no palco de Dona Eva Sopher. Convoco a todos aqueles que leem este blog a nos prestigiarem.
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